Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.

quarta-feira, 23 de junho de 2004

gosto do gosto
uma velha poesia, que de certa forma ainda me descreve.
virou meu "about me" do orkut, para o desespero de meu senso estético... :)


Eu gosto de assimetrismos,
de coisas em seu lugar
e fora deles.
Eu gosto de banhos de chuva
e de pessoas que tomam banhos de chuva.
Eu gosto de coisas naturais
e de coisas bem fabricadas.
Gosto de roupas rústicas
coloridas ou não.
Gosto de pessoas delicadas,
educadas, ou não.
Gosto de sinceridade
e de coisas espontâneas
que fazem os tolos corarem.

Eu gosto de pele,
de toque, de afago
e de ter espaço
e de partilhá-lo.
Eu gosto de andar e ver gente
e por vezes gosto de ficar parado
e não ver ninguém
exceto quem
eu quero ver.
Eu gosto de comida apimentada
e do suor do dorso de quem desejo.
Eu gosto de manusear objetos
e tocar o que é macio de se tocar
o que é liso, o que é rugoso
o que é gostoso
e o que é de se ter.
Eu gosto do que se tem para fazer
e por vezes eu simplesmente
não gosto de fazer
o que querem que eu faça.

Eu gosto de descobrir a nudez
e de cobrir o que tem frio
e proteger o que é frágil.
Eu gosto de sucos bem doces
e de muitos copos de água
depois de uma cervejada.
Eu gosto de alças que caem
e de cabelos que o vento leva.
Gosto de pessoas que dançam
mesmo sem música
e de pessoas que tem a própria música
batendo no peito.
Eu gosto, sobretudo de quem tem peito
e de quem sabe ter peito
para não se dobrar
aos que só tem covardia.

Eu gosto dos meus cigarros
e eu entendo quem não gosta deles.
Eu tenho meus vícios,
minhas fixações, meu erros.
Gosto de gostar de mim
e de quem gosta
de gostar de mim
por que gosta do gosto
que eu tenho
quando estou assim
perto.

Eu gosto quando coçam as minhas costas
e quando leem minhas poesias
mesmo as mais longas
mesmo as mais sinceras.
Eu gosto de quem gosta do que faço
do que digo
do que sou.
Eu gosto quando concordam comigo
mas só um pouco
para que não pareça
apenas uma repetição
do que sou. (eu tenho espelho para isso)

Gosto de vestir roupas estranhas
por que elas são como eu sou.
Gosto de fazer o que quero, quando quero
e aceito que isso seja difícil
e caro de ser feito.
Eu gosto quando a vida sorrí
e quando ela chora,
eu choro. Eu gosto de chorar.
E gosto quando me pegam no colo
para me deixar chorar.

Gosto de pessoas que sejam livres
para tirar e por
para ficar ou ir embora.
Gosto de campeonatos de cuspe a distância
e coisas toscas que pessoas sensiveis
não gostam de comentar.
Eu gosto de pores do sol
quando tenho paciência
e tempo para ver pores do sol.
Eu gosto de dormir antes, depois ou durante
o nascer do sol
mas não gosto de dormir sozinho.

Eu gosto de tem quem cheiro
de quem tem gosto
de quem tem rosto
e coração.
Gosto de quem passa a mão,
de quem sente,
de quem diz
o que sente
e quando a pele rala o dente
sabe ser tesão.

Eu gosto de ouvir musica alta
e de ouvir o silêncio.
Eu gosto de falar muito,
emendar um assunto no outro
ou ficar calado e nem sequer responder
quando me chamam.
Eu gosto de me sentar parado
e de pular de um lado para outro
imitando algum animal.
Gosto de coisas ridículas,
patéticas, sem sentido...
E gosto de encontrar um sentido
para tudo que não tem sentido
e de brincar com o sentido
das coisas,
mas nunca com o sentimento
das pessoas.

Eu gosto do que é belo
por que sou humano.
Eu vejo a beleza das coisas
por que a beleza está
nos olhos de quem a vê.
Eu não gosto do que é feio
e do que é feito
para ser feio. Mas eu gosto
de coisas estranhas
que causam ânsia e pavor
por que me trazem
o novo, vigoroso, aos olhos.
Eu gosto de tatuagens, piercings,
cores e enfeites. Gosto do excesso
por que a falta é apenas ausência...

Eu gosto de palavras
e gosto das coisas
que são maiores do que as palavras.

Eu gosto de mim
e eu gozo de mim
e eu gosto
de quem gosta de mim.

Eu gosto...
Você gosta?
Então vem ver se eu estou afim.

o velho add do Alriada Express...

É hoje!
Ao longo da tarde de hoje vai acontecer a ultrapassagem do Brasil sobre os EUA no número de usuários do Orkut



PARA PARA PARA!
Corta a musiquinha de "tatatã tatatã... Ayrton Senna do Brasiiiiil" porque isso é muito brega!


Aconteceu nos servidores de bate-papo (IRC), aconteceu no fotolog.net, e agora acontece no Orkut.
O que será que nós, brasileiros, temos para tomar conta assim tão rápido dessas manias de Internet?

Será que vamos ganhar alguma regalia extra, como detalhamento do estado de residência dos usuários brasileiros ou coisa assim?

Ficam as perguntas. Alguém tem alguma resposta?

UPDATE:
Ei, vocês viram o Irã também como tá foda? Com seu inimigo ancestral destruído pelo Tio Sam e os preços do petróleo quase trombando na ISS (Estação Espacial Internacional, para quem não vive no mundo da lua e portanto não sabe) de tão altos, já era de se esperar que o Irã experimentasse uma revolução cultural (e portanto uma revolução digital também). Daqui a pouco as iranianas vão estar mostrando seus seios muçulmanos também no Yafro, para o desespero (e secreta felicidade) do Ayatolá da vez :)

Vou seguir o exemplo do meu irmão e fazer umas amizades iranianas no Orkut, ler um pouco a respeito desse momento deles, e depois quem sabe eu não escreva um post a respeito?

UPDATE 2:
O Mário Persona achou meu post bonitinho e me linkou lá no blog dele. Enquanto isso o Brasil já ultrapassou os EUA e eu já tive uma noite excelente, e, bem... o resto não interessa. :)



A noite cai sobre a cidade seca. Ainda entretido entre as gentes, o jovem bardo vê no pôr do sol o chamado à batalha. Ele respira fundo, sai silenciosamente sem se despedir e ruma para casa. Ele vai vestir suas armaduras e preparar as suas armas. Ele vai se preparar para subir a colina e então vai lutar e festejar junto a seus novos irmãos em armas. Agora seu brasão é polido e ele tem uma bandeira sob a qual lutar. Esta noite mais uma vez os Deuses vão ouvir a sua canção, e ele estará como sempre à mercê de seus divinos desígnios. Ele caminha em silêncio, mas com um sorriso nos lábios...

Cai a noite na cidade seca
e o bardo não vai fugir à luta...

terça-feira, 22 de junho de 2004



cada vez que me olho no espelho
levo um susto com meu cabelo...


tem-se que produzir muito adubo
dentro desta cabeça de duende
para que ele cresça deste jeito...

Os Portôes de Zipper
(modelo e fotografia: Rafaelle Viana / texto: Daniel Duende)



Entrou em seu quarto e se olhou no espelho. Isolou-se do mundo além das portas e janelas para pensar, e talvez descansar, mas mesmo assim precisava encontrar um olhar. O seu olhar. Aquele que ninguém mais conseguia realmente fitar. Não sabia se estava quente ou se estava frio, pois estava consciente apenas da própria temperatura. Da própria solidão fria e do caldeirão de amor que se derramava sem propósito. Sem outro motivo, seu corpo fervia, e por trás daqueles portões de zipper gritava o coração da princesa em seu castelo.

No silêncio de seu quarto ela pensava:
será que alguém está chegando, e quando?

O caminho para seu coração estava por trás daqueles portões de zipper, além das palavras, através de seu corpo e dos campos inexplorados de sua alma. Será que alguém atravessaria aquela estrada? Ela não sabia o que esperar, e por pouco não se desesperava. Nos mais profundos sentidos da palavra ela precisava dar, para não transbordar. Os respingos de amor do caldeirão em seu coração queimavam sua carne e ela não sabia o que pensar, então apenas sentia.

Será que alguém está chegando?
E como, e quando?


No espelho ela só encontrou o seu olhar e a única lágrima que ela também chorava.
Lá fora, apenas um bater de asas no silêncio da noite...

segunda-feira, 21 de junho de 2004

"Fogo é o encontro da matéria com o oxigênio. Se a gente tem isso sempre na cabeça, qualquer chama pode ser vista como uma reunião, uma ocasião para um prazer químico. Fumar um cigarro é terminar com uma longa separação; incendiar uma delegacia de polícia é festejar a volta ao lar de milhões de moléculas"
Tom Robbins em Even the cowgirls get the blues
(um livro dedicado às amebas, o único ser imortal da terra)


Meu professor... :)

A nudez dos corpos
(post originalmente escrito na sexta feira passada, às 17:20)



"Excess sadness laughs. Excess joy weeps.
The lust of the goat is God's generosity
The nakedness of women is the work of God"
William Blake, The Marriage of Heaven and Hell


A nudez dá medo à maioria de nós. Com nossas educações ainda tão tradicionais, em um mundo que muda tanto para permanecer igual, não sabemos ficar nus e expostos. Quantos de nós nunca tiveram pesadelos, nos anos de escola, em que nos víamos indo inadvertidamente nus para a escola? O que acontecia então nestes pesadelos? As pessoas riam, apontavam... ou elas apenas olhavam?

Porquê temos tanto medo de nossa própria nudez, para não dizer da nudez alheia também? Será uma dificuldade de dissociar a visão do corpo do ato sexual (e uma concomitante dificuldade de lidar com o próprio ato sexual)? Desde pequenos somos ensinados (ao menos eu fui) que devemos andar vestidos, não devemos olhar por fechaduras ou através de janelas enquanto os outros trocam suas roupas, não devemos declarar públicamente que preferíamos que nossa interlocutora estivesse nua. Mostrar seu corpo é um sinal de entrega ou desrespeito (já pagaram um bunda lelê pra você? é pior do que dar dedo...) ou desleixo, calculado ou não (olha lá o decote daquela mulher, será que ela não sacou que dá pra ver tudo?). Onde fomos parar, tão rápidos em nos vestir, lentos em nos despir e ansiosos pela nudez alheia?

William Blake dizia que "os bordéis são construídos com os tijolos da religião", e tinha bons motivos para afirmar isso. Nada torna tão necessária a profissão de puta quanto nossa sociedade tão preocupada com o que pode e ou não ser feito dentro ou fora de quatro paredes. Já consigo ouvir as vozes daqueles que dirão que "mas hoje em dia tudo virou uma putaria. é ridículo se falar em moralismo nestes tempos imorais". Grande merda dizem estas vozes. A "putaria" que se seguiu à revolução sexual dos anos sessenta é uma coisa extremamente moralista. Você precisa ter uma regra antes de quebrá-la, e nada pode causar maiores desastres do que as regras absurdas. Uma vez que recebemos frequentemente educações absurdas a respeito da nudez e do sexo, é impossível não quebrar as regras. E uma vez que você quebra as regras, ah, meu nego, você já fodeu com tudo e não tem volta.

Ouvi dizer que Adão e Eva andavam nus no paraíso. Ele, de boa, com seu bigulim balançando molenga entre as pernas sem se preocupar muito com o uso que daria para ele além de não molhar os joelhos ao mijar (não me admira que não tivessem filhos). Ela, feliz da vida, com sua xaninha arejada e livre de absorventes (estes sim que tornam as menstruações em pastas fedorentas de sangue podre, como me reafirmou uma bruxa querida) e roupas apertadas. Como devem glorificar os fabricantes de tecidos e revistas de mulher pelada esta tal maçã do conhecimento. O que seria a maçã do conhecimento? O que ela "ensinou" a nossos ancestrais proto-naturistas que fez com que tivessem tanta vergonha de suas "vergonhas"? Diz a bíblia (sim, eu conheço bem a bíblia) que ao comer a maçã, oferecida por aquela serpente que seria a primeira manifestação de satanás, nossos queridos Adão e Eva tomaram consciência de que estavam nus e que isso era feio. Agora, cá entre nós, se isso era feio, que mal gosto tinha o criador em não ter avisado isso para eles antes, não? Isso me cheira a uma reiterpretação mítica (que os intelectuais, do tipo que eu não sou, chamam de Midrash) da bíblia feita por aqueles monges sacaninhas da idade média. E assim chegamos ao ponto: A igreja.

Na Roma de Diocleciano (o tal imperador romano que, ao perceber que Roma estava, com o perdão do termo, na merda, resolveu adotar a religião da moda como religião oficial da quebrada, reinventando a "virada de casaca".), até onde me informam meus conhecimentos de história clássica, era moda ainda entre as mulheres usar suas togas pendendo apenas sobre um ombro, mantendo um seio exposto. Não que elas estivessem preocupadas de expor os dois, ou mesmo qualquer outra parte de seus corpos. Elas apenas achavam legal usar a roupa assim, era moda (e quem entende a moda?). Não era por isso que não podiam ser consideradas devotas, no entanto. A "moda" de dizer que a nudez era infernal (e que as mulheres carregavam o portão do inferno entre as pernas) surgiu alguns muitos anos depois. Talvez por que os homens, para variar, tem medo das mulheres e precisavam dar um jeito de injetar na filosofia popular a idéia de que as mulheres eram mesmo muito fodas e os homens muito bobos e que no fim as mulheres é que mandavam. E então, por medo da superioridade feminina, resolveram tomar medidas para diminuir ao máximo o poder das gostosas espertas romanas (e do resto do império cristão). Não adiantou muito. Você sempre pode tirar a roupa, entre quatro paredes ou não, e os portôes do inferno continuavam se abrindo, graças ao Bom Deus, para todos aqueles para quem já se abriam antes. A única diferença é que agora era feio se falar sobre o assunto, se mostrar publicamente o ato e se admitir que se gostava muito destas coisas. E assim a igreja católica apostólica romana inventou a putaria sobre a matéria prima que era apenas o desejo humano saudável (afinal todos sabemos que depressão da libido é uma desordem ligada ao estresse ou problemas psíquicos).

Depois deste agradável passeio pela história da putaria e hipocrisia romana, voltamos ao seio (oba) da questão. Por que é que hoje em dia, mesmo não sendo assim mais tão carolas, continuamos com toda esta distorção e este medo de nossos corpos e de nosso sexo? Medo é o caralho, diz a mesma vozinha que eu estava ouvindo antes. É, desta vez ela tem razão. Medo é o caralho. O medo é do caralho mesmo. É o medo que as mulheres são inspiradas a ter (e graças, novamente, ao Bom Deus e à Boa Deusa nem sempre aprendem) dos apetites masculinos e o enorme medo que os homens, estes portadores de, *ahem*, caralho, tem do poder que as mulheres podem ter sobre eles. A nudez, que já não é mais um tabu, continua sendo algo desconfortável para a maioria. Desconfio que isso seja, como disse, mais do que hábito. Talvez seja puro medo de se mostrar, seja no sentido literal ou simbólico. Somos todos uns mascarados com nossas roupas, nossos silêncios, nossas revistas de mulher pelada e nossas olhadas de lado, nossas lunetas, nossas palavras pouco agradáveis para as mulheres de bundas arredondadas e decotes generosos e nosso enorme medo de não sermos desejáveis o bastante por debaixo de nossas roupas.

Eu gosto do que é belo, e eu, a meu modo, sou um homem muito religioso. Minha adoração pela criação divina me leva a amar o céu da minha cidade, as árvores, os pássaros, os animais, os universos que existem dentro das pessoas, e a beleza de seus corpos. Sim, por que é tão diferente assim dizer "nossa, você tem lindos olhos" e dizer "puxa, seus seios são lindos"? Está na hora de ser mais sincero, despir-se um pouco de séculos de merda, e começar a pensar na sua relação com sua nudez. Eu gosto da beleza e da nudez, assim como você, e estou ficando cansado de ser considerado esquisito por causa disso. Voyeur e escoptófilo? Não. Eu sou humano, e você?

De manhã, botas e facas.
(post originalmente escrito na sexta feira, às 15:30)

Acordei com o sol batendo em minha cara, como um irmão mais velho ou um pai que acorda um filho de um jeito irritante mas eficiente. Já deviam ser quase oito horas da manhã e as pessoas já deviam estar olhando torto para um homem esquisito dormindo feliz em seu carro dentro de um condomínio fechado. Povinho limitado...

Comprei coturnos novos. Estou impressionado como são confortáveis os novos modelos para oficiais dos coturnos Arroyo. Espero que tenham solados mais duráveis e costuras mais resistentes também. A vendedora, simpática e feia como se tivesse bócio (mas não tinha) me permitiu pagar em três vezes pelos coturnos e pelo punhal.

Sim, eu comprei um punhal. Eu gosto de lâminas. Quando era mais jovem andava com uma faca grande (com bainha e couro fedorento de bode) dentro do carro e um eficiente tramontina de arremesso escondido sob a blusa. Meu novo punhal é pouco gracioso. É bruto e eficiente, feito de uma peça única de ferro pintado a fogo com cabo de corda. São os melhores para magia.

Sentado em meu trono fico namorando o punhal sobre a bancada , em espiadelas, enquanto me delicio com o segundo livro de Tom Robbins (que está me ensinando a escrever em longas aulas particulares através do tempo). Tenho um pensamento estúpido e gosto dele. Todo homem deveria andar com um punhal na cintura. Se por nenhum outro motivo porque um punhal é um objeto viril e inútil nesta sociedade tão não violenta. Será? Acho que não.

Uma vozinha sobre meu ombro, talvez uma farpa de meu superego contruída por todas as pessoas medíocres que conheci, me diz que sou muito estranho e assustador. Estranho e assustador para as pessoas que se escondem sob o manto da pretensa normalidade, sim. Mas não mais estranho e assustador quanto qualquer outra pessoa. As pessoas são maravilhosas e temíveis. Mais temíveis ainda quando fingem ser normais. Sempre achei que o comedimento e o silêncio eram confissões mudas de culpas inimagináveis. Ao menos eu estou à mostra, e todos podem ver o que sou. Ponto para mim.

FINALMENTE!

Finalmente a Internet aqui de casa passou a funcionar direito. Agora todos os computadores da casa tem internet o tempo todo...
Enfim, agora eu posso acessar quando quiser, colocar minha internet-radio no ar e etc etc etc...

Seguem os posts que escrevi na sexta feira de tarde mas não tive chance de postar.

P.S. Para quem ainda não leu o meu conto Tabu, basta clicar aqui

quarta-feira, 16 de junho de 2004

A tribo festeja após o festival, ensaia danças para a próxima festa, pessoas se abraçam e pessoas se felicitam e pessoas seguem seu caminho. Alimento o Dragão sentado à beira da fogueira, recuso comida, passeio entre irmãos em armas...

Esta é uma foto de minha vida, vertida em palavras.

Entre as muitas coisas que aprendi
e prefiro guardar para mim
não posso deixar de dizer
que uma pamonha por dia
faz um homem feliz...

Junius XVI, MMIV A.D.
antes do amanhecer do dia...

- Como vai a vida?

- A vida segue seu rumo. O trabalho segue, o livro caminha para o seu final, eu vou aprendendo e vou me fascinando com a estrada. Assim eu vou vivendo.

- (...) e então? O que vai ser?

- Eu vou continuar fazendo o mesmo que fazia ontem. Vou escrever, vou ler, vou viver e me maravilhar com a vida, e estar aberto para o que vier.

- Mas e se (...)?

- Eu estarei lá.

- Você não tem medo? Não tem medo do que pode acontecer?

- Eu tenho medo e eu tenho amor, e eu tenho uma vida boa e amigos de verdade. Todas estas coisas são reais.

- Então vai ser?

- Vai ser o que Deus quiser. Eu estou aqui. É tudo.






Fragmentos de um diálogo interno...



de Daniel Carvalho

Abriu os olhos e ofuscou-se com o teto branco iluminado pelo sol. Sua boca amarga de acordar ainda guardava no fundo um sabor que remetia às boas lembranças da noite que passou. Olhou para os lados, reconhecendo onde estava, tentando rememorar a noite passada, e acreditar. A seu lado ressonava Elisa, com seu corpo miúdo e seios brancos ao sol cobertos parcialmente pelos cabelos negros. Não sabia o que sentir, mas não sabia se já sentira-se tão feliz. Uma felicidade que queria desfrutar pois sabia que tudo seria muito complicado dali em diante. Virou-se na cama e passou delicadamente sua mão sobre o ventre de Elisa até chegar aos pêlos macios de seu sexo, e então ali descansou. Cumprira na noite anterior um desejo secreto e agora aceitaria as conseqüências. O delicioso desejo que destrói os homens e as mulheres...
Talvez até gozasse de novo.

Vamos voltar aos dias anteriores, para que tudo faça mais sentido.

Thiago chega ao bar, como sempre, de mãos dadas a Mariana. Às vezes é difícil acreditar no contraste que há entre eles. Mariana tem a pele ligeiramente morena e olhos negros intensos. Suas sobrancelhas grossas sobre o rosto de boneca são emolduradas por seus cabelos negros e lisos de corte reto. Mariana usa roupas muito coloridas e adereços neon, piercings neon; é uma menina com um brilho próprio que parece se apagar aos poucos. Thiago tem os cabelos loiros e curtos e um rosto fino de onde fitam olhos muito azuis; seu sorriso constante de senhor da situação seduz ou irrita, dependendo do gosto de quem o vê. Usa uma jaqueta de couro com ombros largos sobre as roupas da moda que veste e anda sempre ereto. Thiago é tão irritantemente principesco quanto é vilanesco. Olha nos olhos de todos com quem fala como quem não tem nada a temer. É claro que ele sorri ao entrar no bar; seu andar é seguro. Mariana sorri ao aproximar-se da mesa, cumprimenta Felipe, Bárbara e Elisa e senta-se. Thiago permanece de pé com a mão postada sobre o ombro de Mariana enquanto cumprimenta os amigos, os garçons, acena à distância para os conhecidos em outras mesas, como um rei chegando a um banquete.

Elisa é irmã de Felipe, que namora com Bárbara. Tem os cabelos negros e longos formando uma cachoeira sobre os ombros brancos. Seus olhos são de um castanho muito claro enquanto os de seu irmão são de um azul turvo. Seu corpo pequeno quase não cabe em suas calças jeans de felicidade por ser tão perfeito. Tanto ela quanto o irmão sorriem. Bárbara lança um ariano olhar de desagrado para Thiago e sorri para Mariana. É fácil gostar de Mariana quando se começa a conhecê-la. Bárbara detesta Thiago mesmo não o conhecendo.

A noite é muito divertida, para Thiago. Ele está feliz pela namorada que tem, pelos amigos que acha que tem, pela sua popularidade e pelo simples fato de existir. Bem, na verdade apenas os três primeiros motivos sejam verdadeiros. Bárbara não consegue entender o que Mariana está fazendo alí, com Thiago, recebendo tão pouca atenção. Eu acho que eu também não entenderia, se não soubesse que era apenas solidão.

Ao final da noite, despedem-se. Thiago leva Mariana pela mão, principesco como chegara, rumo a seu carro tão querido. Felipe e Bárbara seguem suas vidas, ainda um pouco abalados pela tentativa de suicídio de um amigo. Elisa permanece sentada, com um leve sorriso no rosto. Algumas horas, pessoas e cervejas passam pela mesa de Elisa então. Não muitas, de fato, antes que Thiago apareça novamente no bar, sozinho, e a conduza com o mesmo ar triunfante até o seu carro tão querido. Mariana agora está em casa, dormindo ou não conseguindo dormir. Isso não importa tanto assim para eles.

O carro (tão querido) está parado sob um bloco qualquer da Asa Sul. Não importa qual, nem onde, pois o que importa é que está escuro o bastante para que possam foder bem escondidos. Abaixo das janelas que dormem, dos moradores que talvez durmam, dos blocos solitários na escuridão, Thiago triunfa duas ou três vezes com a anuência deliciada de Elisa. Esta é a vida de Thiago hoje. Muito mais ter do que ser, muito mais parecer do que ser. É foda.

Esta noite, e esta história até agora, não é muito diferente daquelas que se repetem depois desta, e daquelas que aconteciam antes. Thiago com suas duas, ou mais, mulheres. Elisa prendendo em sua teia mais um homem que fode bem, o que é uma boa coisa para e ter por perto. No fundo ela gosta mesmo é de mulheres. Mulheres que sejam fortes e frágeis e que entendam isso. Então neste ponto o acordo entre ela e Thiago é perfeito: mulheres são ótimas, uma boa foda é sempre bom. Enquanto isso Mariana dorme, ou não.

Felipe já estava dormindo, talvez sonhasse, quando o telefone tocou. O sono relutava em largar seu corpo, mas por fim foi vencido por tempo o bastante para que Felipe levasse o celular até o ouvido e murmurasse algo semelhante a um "Alô". Mariana chorava do outro lado da linha. Felipe despertou com o som, tentando encontrar algo melhor a dizer enquanto desfiava lugares comuns ao telefone, daqueles que se diz quando alguém começa a chorar na sua frente. Mariana, entre um soluço e outro, com a voz mais baixa do que nunca, rasgada por soluços, perguntava se era verdade. Felipe tentava ganhar tempo perguntando do que ela falava. No fundo ele sabia, há dias ele já sabia das noites (e algumas tardes) de Thiago com sua irmã, e isso também doía em seu coração esteticamente sensível à dor alheia. Mariana havia acordado, e pelo ruído de alguém pegando a extensão da linha em outro quarto, Elisa também.

Três dias antes Felipe e Thiago tomavam uma cerveja no postinho da Universidade de Brasília. Eram raros os momentos em que as janelas em suas agendas se encontravam, e naquele momento brindavam à vida. Felipe geralmente preferia manter os olhos fechados aos problemas e atos alheios, mas neste dia, ao saber da história de Thiago com sua irmã, resolveu falar. Thiago, com um sorriso absurdamente safado, apenas escutava. "Thiagão, você está acostumado a vencer, mas a vida às vezes nos surpreende, cara. A gente tem que esperar da vida mesmo aquilo que é mais absolutamente inesperado. Eu sei que você está se achando muito foda, mas foda é isso que você está fazendo com a Mári.". Thiago apenas sorria, dizendo entredentes "Exatamente véi. É foda.". Ele mal sabia o que a vida tinha reservado para partir este sorriso guloso.

Elisa quase interrompeu a sexta entoação chorosa da pergunta de Mariana ao telefone ao dizer "É verdade, minha linda". As três vozes fizeram um silêncio que parecia ser feito de cacos pontiagudos de ilusões e ter durado semanas ou meses. Os soluços sem palavras de Mariana de seu lado da linha interromperam este silêncio, finalmente. Felipe não sabia o que dizer, e apenas ficou calado. Elisa continuou ronronando ao telefone, dizendo a Mariana que precisavam se encontrar; só elas duas. Felipe apenas desligou o telefone respeitosamente depois de servir de audiência para o acerto de tão absurdo encontro. Ao deitar a cabeça no travesseiro lembrou-se das palavras que dissera a Thiago, sorriu levemente pela dimensão da ironia da situação e tentou voltar a seus sonhos. Mariana não dormiu, entre os fragmentos irrecuperáveis de seu aparelho telefonônico e de suas ilusões.

O Beirute estava vazio assim como os olhos de Mariana. Ela não costumava fumar, mas aceitou os cigarros e as palavras de Elisa. Esta dizia que a princípio não conhecia Mariana, que a princípio estava tudo bem assim, mas que conforme a conhecera começara a achar tudo aquilo uma grande sacanagem. Bem, sacanagem foi desde o princípio a palavra mais adequada para aquilo, mas ninguém fez este comentário ali. Entre lágrimas que apostavam corrida em suas faces, Mariana não sabia o que dizer e nem o que fazer. Começara a relação com o disputado Thiago logo após terminar dolorosamente com Rodrigo, talvez fosse por solidão, como eu disse, mas gostava de acreditar que estava por ele apaixonada. A dor que sentia neste momento não necessitava de absolutamente nenhum esforço de crença. Ela estava sofrendo de novo. Elisa pagou a conta e conduziu Mariana até seu carro de dali para outro lugar. Afinal, esta era a 109. Esta era a noite.

Já estavam na segunda garrafa de vinho e já haviam pedido o segundo maço de cigarros. Sentadas em duas cadeiras do mesmo lado da mesa, ligeiramente bêbadas, Elisa e Mariana conversavam agora em outro tom. Por uma noite o vinho lavara do peito de Mariana as suas dores, e agora ela conversava, quase confidenciava, com Elisa. Sabia das preferências da linda irmã de Felipe e deixara escapar sua curiosidade em também experimentar. Deixara escapar também um ou dois elogios sobre a beleza e natureza encantadora de Elisa, e ouvira alguns elogios também, que aqueceram seu coração ainda mais que o vinho. Por fim se beijaram longa e delicadamente enquanto a garçonete deixava discretamente o segundo maço de cigarros sobre a mesa. Nas outras mesas do território protegido do Cat's Café ninguém se impressionou com as duas jovens que se beijavam. De fato cenas muito parecidas, talvez sem a mesma ternura, aconteciam em outras mesas naquele exato momento. Ali, deixando para trás o desamor e o tabu, Mariana havia encontrado alguma justiça e alívio para seu coração.

E agora sim...

Mariana abriu os olhos e ofuscou-se com o teto branco iluminado pelo sol. Sua boca amarga de acordar ainda guardava no fundo um sabor que remetia às boas lembranças da noite que passou. Olhou para os lados, reconhecendo onde estava, tentando rememorar a noite passada, e acreditar. A seu lado ressonava Elisa, com seu corpo miúdo e seios brancos ao sol cobertos parcialmente pelos cabelos negros. Não sabia o que sentir, mas não sabia se já sentira-se tão feliz. Uma felicidade que queria desfrutar pois sabia que tudo seria muito complicado dali em diante. Virou-se na cama e passou delicadamente sua mão sobre o ventre de Elisa até chegar aos pêlos macios de seu sexo, e então ali descansou. Cumprira na noite anterior um desejo secreto e agora aceitaria as conseqüências. O delicioso desejo que destrói os homens e as mulheres...
Talvez até gozasse de novo.

Felipe sabia o que acontecera naquele quarto. Nunca antes Elisa havia trazido uma mulher para casa, mas ele sabia muito bem o que acontecera depois que elas chegaram. De qualquer forma não queria estar ali quando elas saíssem do quarto. Queria deixá-las sozinhas, e também queria estar longe dali para não ter que se envolver com a situação. Fechou a porta silenciosamente ao sair, de casa e desta parte da história, rumo à casa de Bárbara.

Elisa e Mariana riam e brincavam na cozinha. Há muito tempo Mariana não sentia-se tão leve. Até mesmo um café da manhã tardio era divertido junto a Elisa, e Mariana sabia que podia se apaixonar. Sabia que podia se apaixonar por aquela mulher. Não podia tirar os olhos dela enquanto discutiam, entre torradas com manteiga ou geléia e copos enormes da vitamina que haviam inventado, sobre o que fariam agora a respeito da improvável figura responsável por aquela improvável união. Em meio aos raios de sol que pareciam sorrir pelos cobogós da cozinha discutiam divertidamente o destino de Thiago, o que acabava decidindo nas entrelinhas o destino delas mesmas. Quando Elisa deixou Mariana na entrada de sua quadra, beijaram-se com a paixão de quem sela uma promessa de amante. Mariana flutuava sobre o chão quando chegou em casa. Não sentia-se mais, de forma alguma, sozinha.

O sorriso de Thiago era o mesmo enquanto esperava, sentado ao lado de Mariana em uma mesa do Estação 109, pela chegada de Felipe, Bárbara e Elisa. O rosto de Mariana sim havia mudado. Havia nele um sorriso enigmático e seus olhos tinham novamente aquela força. Talvez Thiago tenha percebido, mas preferiu se ocupar de olhar para si mesmo, como de costume, refletido em todos os seus inumeráveis conhecidos que flanavam pelo bar. Elisa despontou na pequena escada que separa o bar da calçada e sorria para mesa durante todo o percurso. Thiago retribuiu o sorriso com sua habitual face de prazer por ser quem é. Mariana apenas retribuiu o sorriso.
- "O Felipe foi com a Bárbara para outro lugar" disse Elisa enquanto sentava-se de frente para o casal na pequena mesa quadrada.
- "Tá de boa" disse Thiago. "Então somos só nós hoje."
- "Exatamente", sorriu Elisa. Mariana apenas sorriu.
- "A 'nove' tá meio vazia hoje..." disse, casualmente, Thiago enquanto Elisa e Mariana continuavam sorrindo uma para a outra, olhos nos olhos, na assinatura de sua conspiração.
- "A sua... namorada... é maravilhosa, Thiago..." disse, pausadamente, Elisa.
Silêncio. Thiago esconde a perplexidade por detrás do sorriso que desbota.
- "Acho que você nem sabe o quanto" diz por fim, Thiago, em um elogio quase ensaiado, mais para se gabar do que para elevar Mariana.
- "Sim eu sei." Elisa responde no mesmo tom pausado, enquanto estende sua mão para segurar a de Mariana. As duas mãos se encontram logo acima do gargalo da garrafa de Bohemia. Mariana se levanta e senta-se ao lado de Elisa, ainda segurando sua mão, com o sorriso mais enigmático que Thiago já vira em seu rosto. Elisa passa a mão pelo ombro de Mariana enquanto esta se ajeita na cadeira e as duas, cúmplices, deliciam-se com o efeito causado pelo início de seu ato ensaiado. Thiago iria dizer alguma coisa, mas Mariana o calou:
- "A sua... ex namorada também sabe o quanto a sua ex amante é maravilhosa."
O sorriso de Thiago, que já se desmanchara, dá lugar a um queixo caído sob uma boca por onde parecia escorrer o orgulho de toda uma vida, todo ao mesmo tempo.
- "Vem cá" sussurrou Elisa para Mariana, ainda alto o bastante para que Thiago pudesse ouvir.
Agora faltava o golpe final. Beijaram-se com toda a paixão que puderam, e ainda com mais alguma trazida pelo momento de triunfo. O bar, com o olhar chocado de Thiago e as pessoas olhando nas outras mesas e o cara apontando impressionado por trás do balcão parecia ter sido congelado por um instante, como se aquelas bocas, aquelas línguas, tivessem dentro de si o tempo e todo o resto do mundo e o dividissem naquele momento. Quando finalmente o beijo terminou, com um epílogo de dois selinhos leves e estalados, voltaram a fitar sorridentes e róseas um Thiago que parecia ter esquecido que tinha um rosto, tamanha a sua confusão. E então, para despertar o príncipe derrotado, Elisa apenas precisou retirar a espada que haviam cravado com arte e tesão em seu orgulho:
- "Vai embora Thiago, já basta o bar inteiro segurando vela aqui."
O príncipe bateu em retirada. O golpe havia sido tão forte que todo o orgulho e mesmo toda a covardia que poderiam levá-lo a tentar qualquer coisa estúpida contra as duas havia sido sangrado, ao menos naquela noite. Tudo que restava-lhe agora era o seu carro querido, que certamente o levaria para casa.

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...

... mesmo que seja uma vingança, ou se permitir fazer o que quer que seja.

Da traição à vingança o caminho é uma estrada muito velha e conhecida. Quando você faz alguém sofrer, não parece compreensível que também sofra em algum momento? Talvez a vingança seja um tabu tão grande quanto a traição, tão grande quanto o tesão e carinho de Mariana e Elisa. Mas nossa vida é mesmo cheia de tabus, e nenhum deles importa agora, talvez. Ao menos alguma coisa boa havia acontecido ali. Ao menos nesta noite, e ao longo de mais alguns dias e noites, Mariana sentira-se feliz. Já Elisa, que sempre se divertia a qualquer custo, estava apenas rindo mais uma vez no final da história. Este seria todo o problema depois, mas isto fica para depois. Em uma noite como aquela o tabu é falar sobre o depois.


Esta é uma história brasiliense
escrita com amor


Escrever é minha redenção e meu ofício.
O que acharam?

O livro está quase pronto...

Publico abaixo o meu conto Tabu,
em homenagem a meus leitores
e para honrar as coisas indizíveis
que moram em meu coração.

Love and Understanding for those who love and understand...

terça-feira, 15 de junho de 2004

Whatever Project

Dia: 17 / Junho - Quinta-Feira
Local: Space Bar (410 Sul)
Horário: 22:00h
Ingressos: R$ 5,00


Dj’s: Orpheus, Tworems e Dany Boy

80’s, New Wave, Synth Pop, Indie, Rock’n’Roll, Industrial, Rock Nacional

No comando os Dj's Tworems e Orpheus tocarão o que existe de mais clássico dos anos 80 (The Cure, The Smiths, The B-52's, Depeche Mode), os melhores hits dos anos 90 (EMF, Garbage, Hole, Smashing Pumppinks) e o mais atual do rock alternativo mundial (The Strokes, The Hives, White Strippes, Marilyn Manson) e com a participação do Dj convidado Dany Boy. Não percam!

O projeto tem por objetivo fazer todas as quintas-feiras no Space Bar uma festa estilo retrô comandadas pelos Dj’s Tworems e Orpheus e contando sempre com um convidado extra para apimentar a noite.

Informações: 9991.2525


P.S. Eu posto o flyer tão logo o tworems lembrar-se de me passar ele. :)

segunda-feira, 14 de junho de 2004


Tudo que não é real desaparece no ar.
Assim é a vida...


Só o que é real vale a pena.

O significado do amor é muito mais do que apenas querer. Amor é saber juntar partes separadas, e fazer com elas a mais bela configuração. O amor não é apenas pelos outros, e também por você mesmo, qualquer parte de vc.

Uma pessoa que vive dividida nunca será feliz de verdade, e nunca terá toda a sua força à disposição. Amar a si mesmo é tornar-se um. Apenas duas pessoas inteiras podem se amar...


Estou soando filosófico demais?
Então experimente colocar isso tudo em prática para ver o que é filosófico demais. :)

Kayleigh
Marillion

Do you remember chalk hearts melting on a playground wall
Do you remember dawn escapes from moon washed college halls
Do you remember the cherry blossom in the market square
Do you remember I thought it was confetti in our hair
By the way didn't I break your heart?
Please excuse me, I never meant to break your heart
So sorry, I never meant to break your heart
But you broke mine
Kayleigh is it too late to say I'm sorry?
And Kayleigh could we get it together again?
I just can't go on pretending that it came to a natural end
Kayleigh, oh I never thought I'd miss you
And Kayleigh I thought that we'd always be friends
We said our love would last forever
So how did it come to this bitter end?

Do you remember barefoot on the lawn with shooting stars
Do you remember loving on the floor in Belsize Park
Do you remember dancing in stilettoes in the snow
Do you remember you never understood I had to go
By the way, didn't I break your heart
Please excuse me, I never meant to break your heart
So sorry, I never meant to break your heart
But you broke mine

Kayleigh I just wanna say I'm sorry
But Kayleigh I'm too scared to pick up the phone
To hear you've found another lover to patch up our broken home
Kayleigh I'm still trying to write that love song
Kayleigh it's more important to me now you're gone
Maybe it will prove that we were right
Or ever prove that I was wrong

Às vezes a gente acredita nas coisas erradas
e busca as coisas erradas
e enxerga o mundo ao contrário e...

bem...
nestas situações não é supresa que a gente faça merda.

Eu fiz de propósito
mas não sabia o que estava fazendo (o que também não é novidade).

And i still miss the cigarrettes by the window
and the bliss of real closeness...

E então o bardo se juntou a seus companheiros sobre a colina e lutou o seu combate, e enfrentou o seu medo, e enfrentou seu inimigo e encontrou a glória. E junto a seus companheiros, seus irmãos e irmãs em armas, ele festejou.



Hoje o bardo aprendeu a cavalgar seu dragão, e também a amá-lo.

Ele está feliz.

sexta-feira, 11 de junho de 2004

DIAS RUIDOSOS

Estah na hora de voltar ao castelo do silencio...



eu posso estar muito feliz
mas nao tenho paciencia para besteira. :)


Eh foda...

A piada fica muito melhor quando vc fica sabendo que "Intercourse" eh uma cidade Amish.
(voces pegaram a piada, nao eh?)

P.S. Estou no teclado que nao tem acentos, novamente.

quinta-feira, 10 de junho de 2004

"Só os arrependidos vão para o céu.
Por hora ele só queria ir para a cama."

(fragmento do final de "O Ultimo Cravo", o penultimo conto de meu livro)

O Bardo na Colina

Sentado próximo ao topo da colina, o jovem bardo esperava e fazia as últimas anotações em seu diário. Ele sabia que logo após aquele último anoitecer ele deveria subir ao topo da colina e lutar seu combate. Não havia como fugir. Não por que o inimigo o perseguiria se ele tentasse (como de fato faria), mas porque ele havia se disposto a combater aquele combate. Ecoavam no vento velhas trovas, que ele deixava passar por ele, como a brisa, pois já não eram mais as suas trovas. Elas agora pertenciam ao vento e ao mar. Bebeu de seus últimos goles, comeu alguma coisa saborosa que ainda tinha em seus pertences e olhou para o topo daquela colina. Pela primeira vez não iria combater para ter uma história para contar. Desta vez iria combater por si mesmo.

Desta vez ele não iria ser derrotado.

As partes mais incríveis da vida estão sempre além das palavras.

Esta é a luta do escritor, né? :)

quarta-feira, 9 de junho de 2004


ninguém merece?

ah, merece sim!

terça-feira, 8 de junho de 2004

Abertas inscrições para 14º Concurso de Contos (fonte: correioweb)
Uma boa oportunidade para aqueles que, como eu, estão começando sua carreira literária.

Um dos mais conhecidos e disputados concursos literários do país, o 14º Concurso de Contos Luiz Vilela está aberto. Poderão participar brasileiros residentes no país ou no exterior, e os contos devem ser rigorosamente inéditos. O prazo para inscrições termina em 31 de agosto, valendo a data do carimbo do correio.

Os contos devem ser enviados para:
Fundação Cultural de Ituiutaba,
Rua 20, nº 1016, Ituiutaba (MG),
CEP: 38300-074.


O vencedor receberá prêmio de R$ 5 mil e os dez finalistas publicarão o conto em um livro. Informações em Brasília com o divulgador Pinheirinho (9631-7067).



E eles continuam não aceitando inscrições e submissões de conto por email.
Então tá bom, né? Vamos ao correio.

"Saying you have a bad side is like saying you have an ass hole. That's pretty obvious. God gave you an ego and gave you an ass hole and both have their uses. They shouldn't be denied. Trying to negate you have a bad side in your ego, or trying to negate your own ego, is like trying to forget you have an ass hole. You'll shit anyway, but so you won't be able to wipe your ass and then you begin to smell real bad. Look into your bad side, accept it, deal with it, like you deal with your ass hole. Try to shit neatly and wipe your ass, and then flush, and go on with your life. Being stuck in guilt is like carrying your shit with you..."
Lou Gold me ensinando a viver com o meu lado negro.

Algum dia eu desisto de fingir que sou um super-homem. :)

Sim, eu estou bem.
A busca por si mesmo inclui entrar em contato com a tristeza...

Faz parte da vida.

Mais um post triste...
Palavras tristes de alguém que fugia da própria tristeza, e a encontrou na esquina...

Uma quieta segunda feira em casa, relendo velhos diários, ouvindo velhas músicas e buscando um reencontro consigo mesmo e sua sensibilidade. Assim foi a segunda feira de Daniel, um pouco Carvalho, um pouco Duende e um grande resto de não se sabe o quê.

Relendo velhos contos seus, ou de outros autores, reencontrou um pouco de seus velhos sentimentos que o aqueceram o coração e as faces de lágrimas raras.

Relendo velhos diários então ele realmente chorou. Não foram lágrimas de saudade, todas elas já choradas à exaustão. Foram lágrimas de vergonha. O Daniel de hoje ainda choca-se com o Daniel de ontem. Deixa o alívio de ter se tornado um homem melhor para depois. Agora o que ele sente é o choque de se olhar no espelho do passado e não querer reconhecer o rosto que via. Ele foi o culpado por cada uma de suas dores. Cego e tolo e estúpido... inocente e culpado demais.

Mais um cigarro, mais um ou dois copos de água, mais um cigarro. As palavras não vem em seu coração, o gosto ruim das memórias sujas e confusas não deixa sua boca. A sede por alguma forma de redenção literária descansa de olhos abertos em sua alma. Ele precisa sair deste lugar, caminhar, ir para algum ponto onde seja melhor. E então... de repente... ele volta a escrever.

Não existe ninguém que viva a sua vida, com o dia e a noite, que tenha a alma limpa. O que é importante é tornar-se melhor.

As mentiras que contamos a nós mesmos
Um post triste. Passado...

Por que é que dizemos tantas mentiras, para todos e para nós mesmos, quando a verdade é tão mais simples? Por que fazemos tanta confusão com coisas simples, quando na verdade tudo que queremos é paz e amor, e a tal felicidade?

Há tantas máscaras por trás das quais nos escondemos que nem sabemos mais qual é o rosto que há por trás delas. Pior que vender a alma é assistir enquanto ela é loteada e leiloada a um mundo que nunca saberá seu valor real...

E o tempo todo eu só queria o amor. Eu só queria ser feliz, mas não sabia quem era o eu a quem deveria dar felicidade...

Uma grande tristeza é procurar a felicidade no lugar errado e encontrar apenas solidão.

Estranho, eu?

Em contato com minha dor, deitado em minha cama, eu retraçava os passos, caminhava de volta, à velha casa de meu coração. De meu computador saía a música, alguma música, que apontava o caminho. Eu estava entrando em contato comigo. E foi doloroso e ao mesmo tempo renovador.

Então o velho hippie, quase um novo pai para mim, me ajudou a lidar com a dor que havia encontrado. Abençoada seja sua sabedoria, suas histórias e seu bom gosto para escolher pamonhas também...

E entao preparei um bife mal passado. Sacrifiquei uma aranha para os espiritos da carne para garantir que o bife seria bom. Estou me tornando um especialista em sacrificar aranhas.

Um cigarro, outro cigarro, histórias... I'm back at MY feet now.

Esta é uma das maneiras de contar esta história. Não é mais estranha do que qualquer outra, pois também diz a verdade.

Estranho, eu?
Eu sou apenas humano...
eu sou apenas eu. :)

domingo, 6 de junho de 2004




O livro básico do Ars Mágica agora é de graça.
(a própria editora decidiu distribuir ele de graça em
"agradecimento ao prestígio que o sistema tem de seus fãs pelo mundo".)
Há muito tempo eu queria colocar as mãos neste RPG.

Coisas simples e pequenas me fazem feliz.

estou cansado das pessoas...

vou voltar para minha colina.

quinta-feira, 3 de junho de 2004

eu prometo que troco a foto do titulo do blog, tao logo decidir sobre qual serah a substituta.

Alguem tem alguma sugestao? :)

(enquanto isso, continuo trancado dentro da casa do Fernando, com apenas um computador cujo teclado nao tem acentos para me conectar ao mundo...)

No Time to Cry, Space Bar...

Hoje, 22hs, no Space Bar (410 sul)
80's, New Wave, Synth Pop, Indie, Rock'n'Roll, Industrial
DJ's Tworems e Orpheus
Ingressos a cinco realetas na porta.


Eu vou. vc Vai?

"Danielle sorri para o espelho. Passa as mãos sobre o novo cabelo, move a cabeça para um lado e para o outro, admirando-se como raramente fazia. Estava cansada de ver a vida sempre acontecendo do mesmo modo, e não era o modo dela, e precisava mudar. Começara pelo cabelo, e por se dar uma chance de não ser o que esperavam dela. Coisas pequenas que fazem toda a diferença..."

Um novo conto começa...

A beleza estah em tudo (mesmo neste teclado que nao tem acentos).

segunda-feira, 31 de maio de 2004

Daqui para outro lugar e de volta...

"Bárbara acende seu último cigarro no cadáver do penúltimo. A onda está passando e ela se sente novamente perdida no mar em calmaria de sua realidade entediante. Veste-se, apenas um vestido verde da Feira da Torre, longo e fino. Caminha até a porta do quarto, calça um par de chinelos que não deformam nem soltam as tiras e sai. A noite está quente mas uma leve brisa e a ausência de estrelas indica que deve chover mais tarde. A caminhada até a padaria é curta e menos do que agradável. As ruas não tratam bem uma cabeça de erva que acabou de sair do silêncio. Munida novamente de cigarros (o vendedor da padaria ficou olhando para os bicos de seus seios através do vestido) e voltando o mais rápido possível para o mundo seguro de sua casa, Bárbara pensa em como o mundo perdeu a magia conforme os anos foram passando. Era tudo tão mais mágico quando ela era criança, tudo tão mais excitante e com sentido quando ela entrou na adolescência. Quase como se o antes fosse um outro lugar."
(fragmento de meu conto "Daqui para outro lugar")

Eu estou apaixonado por meus contos antigos...

"In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die?"

O mundo para?

"Será que continuo aprendendo? sendo guiada pelas sensações, permaneço imóvel. é dura a constatação do limite.de limite. - as ações não são vagarosas, mas essa característica pertence ao desenvolvimento de meus atos. -- + -- viver é lutar constantemente. -- a gente esquece. -- depois uma cena, uma canção, uma pintura, uma fala, um toque... faz o nosso corpo perceber lembranças e a nossa mente relembrar toques. sim...-- é uma clareza profunda..-- infelizmente ela surge do nada..e desaparece da mesma forma. -- a espera não deveria existir. acredito que a ansiedade seja cancerígena- não há verdade para ser perdida- são os espaços pré-determinados...que não nos dão segurança-- querendo abafar a dor com paliativos? --- "
(retirado do blog Pare o Mundo! da Luisa)

Se isto não for escrever, eu sou um ornitorrinco...

(...)

ok, ok, mas isto é escrever de qualquer forma.
Lu, vc é boa nisso
pare de babaquice, baby!

Um momento de narcisismo digital compensatório sem sentido...



Eu não sou tão feio.
Minha webcam é que é ruim...

sábado, 29 de maio de 2004

e agora algo realmente estranho

o primeiro caso documentado de necrofilia homossexual entre patos da especie Anas platyrhynchos

No Time To Cry
Uma das providenciais festinhas boas do Space Bar



Dia: 03 / Junho - Quinta-Feira
Local: Space Bar (410 Sul)
Horário: 22:00h
Ingressos: R$ 5,00
Dj's: Orpheus e Tworems
Informações: 9991.2525


80's, New Wave, Synth Pop, Indie, Rock'n'Roll, Industrial

No comando os Dj's Tworems e Orpheus tocarão o que existe de mais clássico dos anos 80 (The Cure, The Smiths, The B-52's, Depeche Mode), os melhores hits dos anos 90 (EMF, Garbage, Hole, Smashing Pumppinks) e o mais atual do rock alternativo mundial (The Strokes, The Hives, White Strippes, Marilyn Manson) e muito, muito mais...
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vou tentar nao perder esta...

(e me perdoem pela merda de teclado que nao tem acentos...)

Estah tudo nos olhos...
levei meses para entender por que meus olhos mudam tanto de uma foto para outra

Que os olhos sao os espelhos da alma eu jah sabia ha muito tempo. Que as pessoas com quem voce estah, as coisas que esta pensando, as coisas que estah fazendo e o clima do lugar tocam e afetam a sua alma, eu tambem sabia. Mas ainda assim demorei a me tocar do por que da enorme mudanca em meus olhos entre uma foto e outra que tiram (ou tiro) de mim.

Foi entao que entendi (ok, parece obvio agora) que o meu olhar nas fotos, que muda tanto de uma para outra, eh o espelho da minha alma naquele momento. Foi entao que eu percebi o quanto estava confuso em algumas situacoes, o quanto estava perdido ou ansioso ou frustrado, e o quanto estava feliz e completamente focalizado em outras. Foi entao que entendi que eh possivel fotografar a confusao e a iluminacao da alma.

Estah tudo em meus olhos, em cada foto.
Vou ver o que faço com esta liçao...



Eu nao estou brincando quando digo
que estou precisando de uma
camera digital nova...

Style over substance or substance over style?

escreva com giz "Estilo" e "Substancia" na banda de rodagem do pneu dianteiro direito de seu carro da proxima vez que for viajar. Enquanto estiver dirigindo a 100km/h, pergunte-se qual deles estah para cima naquele momento. Eh algo tao fugaz que nao faz diferença, ateh porque quando vc parar o carro, as marcas terao sumido.

Nosso pensamento analitico formula as vezes perguntas tolas que nao precisam de respostas, pq a propria duvida eh apenas coisa da sua cabeça.

Pessoas reais
Pessoas reais sao sempre mais dificeis de lidar, mas valem a pena

Quantas vezes eu jah nao quis ser uma pessoa como todas as outras. Ser um cara como qualquer outro, com as preocupacoes, ideias e visoes de mundo que qualquer outro teria. A vida parecia ser mais simples assim, entao.

Mas eu sou diferente, nao eh? As vezes diferente demais, um pouco bizarro, um meio termo entre sabio incompreendido, atracao de circo e artista torturado com um senso de humor muito bizarro a respeito de si mesmo. Eu as vezes pareco diferente demais. Ou nao.

No fundo nao existem pessoas como quaisquer outras. Somos todos profundamente individuais. Alguns tentam ser mais parecidos com os outros, ou se adequam mais ah cultura em que vivemos, e tentam se encaixar. Tentar se encaixar, e ter a impressao de fazer isso tao bem, nao o torna igual aos outros. Por baixo de todo o verniz ainda ha um ser humano. O problema eh que poucos de nos sao capazes de lidar com o ser humano em si e nos outros. Seres humanos sao algo estranho demais para que nos, seres humanos, possamos lidar confortavelmente.

Gente de verdade nao eh simples e nao vem com manual de instrucoes. Gente de verdade tem sentimentos, que nem sempre sao facilmente compreensiveis ou faceis de lidar. Gente de verdade tem manias, tem cheiros, tem caracteristicas que as afastam da meta pifia da perfeicao. Gente de verdade eh inadequada, fala quando deveria ficar calada pois nao consegue esconder o que sente. Gente de verdade nao eh cool. Gente de verdade eh a maior parte da verdade com a qual quase ninguem sabe lidar.

Quando alguem em meio a um grupo tao conformado e adaptado comeca a acordar, vem a estranheza. Como devem achar estranhos os ovos, quando um dos seus se racha para dar a luz o ser que se desenvolvia dentro. E nestes primeiros dias, como um ovo quebrado de onde saem cabeca e penras e bracos tao diferentes da perfeicao oval de seus semelhantes, tudo eh muito esquisito. Como o patinho feio, tao bizarro e desprezado entre os seus, ateh perceber que nao era um pato e sim um cisne. Tomar consciencia de si mesmo eh uma experiencia que no primeiro momento nos torna muito alijados, destacados, do mundinho facil da conformidade dormente no qual nos encontravamos. Descobrir a si mesmo, sentir o que sente, pensar o que pensa sem tentar se esconder, sao coisas que a principio nos destacam e nos tornam estranhos. Eu sou estranho pq eu sou eu...

Mas entao, um dia, voce descobre que nao existem pessoas "como quaiquer outras" ou "pessoas diferentes". Existem pessoas. Pessoas que estao em contato com o que sao e com o que sentem, e portanto nao conseguem mais fazer cara de paisagem para a vida, e pessoas que ainda vivem no automatico. E entao voce, que de repente era o patinho feio entre os belos e charmosos e cool, percebe que somos todos iguais. No dia em que voce percebe que todos somos humanos, e que alguns apenas nao tomaram consciencia disso, voce encontra seu lugar.

O que nao quer dizer que eu vah ter paciencia de ficar andando entre os ovos rolantes de cascas tao belas. Eu estou acordado, com todo o mau humor e o prazer que isso pode nos trazer, e quero estar entre pessoas que sintam e vejam e sejam, assim como eu.

Pessoas de verdade nao sao simples de lidar. Elas tem seu modo particular de ser e tem sentimentos. Mas pessoas de verdade sao o unico tipo de pessoa que existe. Pena que algumas pessoas passem a vida inteira sem se olhar realmente no espelho.

Desejo um belo despertar a todos.

P.S. este texto foi dedicado a quem acorda de mau humor...

sexta-feira, 28 de maio de 2004

Saudades de Curitiba



O que dizer? Foram dias felizes de um período bom.
Já fazem dois anos, então...

tantas são as coisas que o vento dos anos carrega
como areia sobre a cerâmica da sala antiga...

quinta-feira, 27 de maio de 2004

Medo e Delírio em uma quarta feira...
Uma maneira literária de dar sinal de vida...

A merda do carro começou a engasgar de novo. De fato eu não estava muito longe de meu destino, mas isso não diminuiu minha irritação. Fiz a última tesourinha para entrar na comercial da 109 sul pensando em martelos enormes estraçalhando o motor e a lataria do Brutus. O carro se comportou muito mal até chegar à vaga, por isso resolvi largar ele alí de castigo sem direito a jantar nem beijinho de boa noite.

Os minutos passam muito lentos quando se está sozinho em uma Estação 109 igualmente solitária e vazia. O que eu poderia esperar? O que seria apenas uma pequena espera pela hora de encontrar com o inadimplente professor, tornou-se uma espera por algo que nem eu mesmo sabia o que era. Um arrepio subia minha espinha sem motivo e estava imerso em pensamentos escuros quando Paulinha apareceu do nada para me fazer companhia. Deus e a Deusa abençoem os frequentadores assíduos, viciados da Estação 109.

Algumas horas de conversa agradável e algumas ligações pouco lisonjeiras para o professor se passaram até que a questão de meu destino final na noite voltasse à minha mente. Para onde iria então? Quase no mesmo momento em que esta pergunta me veio à cabeça consegui falar com o professor, em sua voz sonolenta que dizia nas entrelinhas "por favor, me deixe dormir". Por sorte meu fiel amigo Guto estava por perto (ou não tão por perto assim) para me dar uma carona até sua casa e me oferecer abrigo e alimento. (que dramático...)

Chegando à casa do Guto, e já me preparando para dormir frustrado, fui convidado por seu irmão para ir a uma festa na casa do Madsen. Vou poupar meus 13 leitores de chavões como "festa estranha com gente esquisita" e ir direto ao ponto. Havia muita gente tão ou mais estranha do que eu, muito whiskey, vinho e champanhe e boa companhia...

E assim bebemos até ficarmos profusa e quase irrecuperávelmente bebados e gargalhantes. Tive até a rara oportunidade de bater um papo de palavras sujas com o Hugo Rodas, eu em meu português etílicamente arrastado e ele em um portunhol tão safado que fazia-lhe falta apenas o bigodinho. Foi uma noite divertida, bizarra e inesperada, mas certamente divertida...

A ressaca no dia seguinte foi bem vinda.
Ao menos a noite tinha sido boa. Muito melhor do que eu esperava.

É isso.

Love and Understanding for all the addicted party animals and pussies in the streets...

quarta-feira, 26 de maio de 2004

Sumido.

Ando meio ocupado demais com meu livro para poder sequer visitar meu blog.
Até a semana que vem terei terminado o "Botas sob Minha Cama" e poderei voltar à atividade normal.

domingo, 23 de maio de 2004

O prazer é mortificante.
Algumas palavras sobre o prazer...

Viúvas negras e Louva-Deusas matam seus machos após o coito. Ratos do campo fodem até morrer, deixando suas fêmeas prenhas sozinhas para cuidar da prole. Zangões frequentemente morrem depois de cumprir sua função. Oportunistas gostosas casam-se com velhos ricos e os matam aos poucos com xoxotas (um termo musical) e comidas gordurosas.

Nossas bebidas, nossos cigarros, nossos shows e noites mal dormidas, nossa vida nos mata.
O prazer é mortificante, porque é o sentido mais básico da vida.

Vivemos para o prazer, e este nos mata.

Problemas de escrita...
Reflexões de um escritor sobre o ato de escrever.

Acho que descobri o problema. Meu problema ao escrever é que me explico demais. Para quem estou escrevendo afinal? Por que estou escrevendo?

Existem dois tipos de escritor. O que se preocupam em contar uma ESTÓRIA e os que se preocupam em CONTAR uma história. Se você não sabe a diferença, ainda não leu o bastante. Você sabe, não sabe? Não me decepcione...

A escrita é também feita de vícios. Vícios de linguagem, o vício de escrever, o vício de dizer algo a alguém ou a um público... como se fosse necessário dizer algo, ou algo de novo pudesse ser dito.

O que importa, no fundo, é a experiência de se escrever, que, quiçá, se destila para tornar-se a experiência daquele que irá ler...

Se algo se perder no processo, não tem problema. Há sempre algo se perdendo, e isso faz parte. Deveríamos nos preocupar menos com estas pormenoridades da economia espiritual. Sempre haverá o bastante, se você assim acreditar, para que se possa perder algumas coisas prejuízo para a vida...

Ontem eu fui tocado pelo espírito...
Impressões sobre uma boa noite, melhor até do que poderia sonhar...

Será que foi enquanto lia as primeiras linhas de "Another Roadside Attraction", ou quando recitava de cabeça minhas poesias, meio bêbado e para o aplauso de meus amigos no Sarau da Psicologia? Ou terá sido durante o show barulhento, ou dirigindo surdo até a octogonal... ou então quando tentava dormir no banco do carro, esperando o sol raiar para vir para casa?

Não importa. Ontem eu fui tocado pelo espírito, e estou vivo. Eu estou vivo!

É isso.

(se você acha que me converti a alguma religião cristã estúpida, vc não ouviu The Doors o bastante.)

Como foi o show?
Mais uma resenha gonzo, por Daniel Duende.

Foi um show bom o bastante. O som estava insuportavelmente alto e distorcido. As notas torturadas pelas enormes caixas saíam confusas e bólidas pelo espaço, ricocheteavam nas horríveis (principalmente quando vistas de dentro) tetas da Therese e voltavam sobre nós, estraçalhadas. (L)Os Hermanos bem que tentaram, e tentaram de verdade, compensar pela absurdidade e incompetência da produção. Amarante cantava, gritatava, projetava sua barba para frente e fazia beicinhos para as menininhas de 13 anos da platéia. Camelo parecia um camelo (e foi então que descobri que ele canta muito pouco, deixando o estorvo para o Amarante, e se contenta em ficar no meio escuro do palco tocando como um virtuose embriagado). Seria um tipo de Slash se tivesse mais cabelo e menos barba.

Os Boizinhos bem que tentaram, mas depois daquele show nada mais seria o mesmo. Mas eles tentaram, e eu gostei de ver eles tentaram. Eu até tentei dançar, extraindo as últimas notas de dor e recusa de minha torturada coluna.

Se ao menos não tivéssemos esperado tanto...

quinta-feira, 20 de maio de 2004

Flogging Molly
guinness soaked irish punk lullabies



Flogging Molly é uma daquelas bandinhas que você escuta pela primeira vez, acha legalzinho mas nada demais e baixa umas musiquinhas pro seu winamp. Com o passar dos dias, e dos shuffles do winamp, vc começa a gostar cada vez mais quando uma das músicas deles começa a tocar. Flogging Molly é que nem cerveja... vc acaba gostando.

Eu adoro.

Vida de Duende, por ele mesmo...
uma ou duas poesias antigas que fazem sentido para quem sabe me ler...



Fantasma assombrando uma torre.

Por vezes pareço um fantasma.
Fico me assombrando pelos cantos
no escuro, no silêncio
na clareza dos pensamentos.
No silêncio da noite
eu sou um lorde
exilado de suas terras.
Esqueço meu nome,
Acho que é saudade
Meu brasão, um campo
vermelho de paixão

Acendo mais um cigarro
para ver a fumaça subir
e chamar a torpeza de volta.
Acendo um cigarro
pois sinto muito
e agora não quero sentir.
Agora quero apenas observar
Minha queda, minhas memórias.
Apenas observar.
Acendo um cigarro
como quem acende o pavio
de um flash de fósforo
para fotografar a si mesmo

O Lorde em sua fotografia senhorial.
Para a eternidade, para o amanhã,
para decorar estes momentos,
relembrar os passados
e os lençóis amarfanhados.
Fotografia para a identidade
e para a enfermidade da alma
não me levar embora.
Doce miséria, suave liberdade.
Nesta torre em que me aprisiono
perdi o senso e mantive a vaidade
Tenho memórias e galardão,
não tenho ninguém.




Aviso aos Viajantes

Viajante amigo,
se fordes seguir em frente
não temas, não penses na morte;
Esqueças de pensar nas tempestades
mas leve consigo sua capa de chuva;
Não volte teus olhos ao céu
para procurar nuvens negras
pois as nuvens vem e vão sempre
e você não é pastor de nuvens.

Viajante irmã,
quando viajardes ao largo
da terra conhecida
não volte teus olhos ao horizonte
à procura da mesma
pois dela partiste, e é bom
que ela fique para trás.
Volta teu olhar à linha azul,
aos prados verdes do destino
e ao mar cinza metal.
Saboreia o vento
e o momento de liberdade
de estar fora das garras
da cidade, da conformidade.
Buscas terras novas,
as Austrálias e Oceanias
e Atlântidas de seu oceano.

Viajante, se fordes viajar alto
não se esqueça de que venta lá em cima
e de que é este vento que te mantém no ar.
Aprecia a vista, e mantenha o manche firme
e saiba sempre quando retornar para abastecer,
para pisar terra firme,
comer um bom almoço,
saborear as saudades do céu.
Lembrar-se sempre de quanto vale
a liberdade de voar
para não se amedrontar
Em meio à tempestade, se uma vier.

Mas irmão viajante
o mais importante
é que quando fordes viajar
arriscas-te a descobrir lugares
de onde não mais desejarás voltar.
E este é o risco dos que ficam:
sofrer de saudade dos que sabem viajar.
Boa sorte irmão viajante
e quando você chegar
mande pra mim um sorriso
e quem sabe um cartão postal
do seu paraíso.

...hurt...

existem coisas que estão além dos pedidos de perdão.
estas coisas são apenas o que são...

A falta de dimensão e sentido do amor
finalmente voltei a escrever, e foi isso que saiu...

"Marcelo trocara sua alma por algumas pequenas felicidades, mas felicidades, ao contrário das almas, não são eternas. O demônio é um mercador impiedoso, não aceita reclamações, e portanto Marcelo só podia se afundar em sua pena de si mesmo, e lamentar. Nem toda a bebida que havia em sua casa, ou todos os cigarros, todos os beijos frios, poderiam mudar seu destino agora. Isso não quer dizer que ele não tivesse tentado...

Carla mal saíra do banho e já tinha um cigarro em suas mãos. Seus dedos mal enxutos molhavam o cigarro, mas não havia escolha. Seus lábios precisavam de algum beijo, qualquer que fosse ele. Ela havia pensado em se matar há algumas horas atrás e isso só a fez sentir-se pior. Sentia-se ridícula, pequena, usada... Sentia-se abandonada e era exatamente isso que havia acontecido. Havia sido abandonada por alguém que ela acreditara que sempre estaria lá. Este era o motivo, acima de todos os outros, para sentir-se ridícula e pequena, e sem valor..."

(fragmentos de meu novo conto Prata e Entulho, que também estará em meu livro)

Los Hermanos na UnB
Show do Los Hermanos com abertura do Bois de Gerião



EU VOU!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2004

Bola de Fogo no céu de Santa Catarina (jornalnacional.globo.com)
deve ter sido interessante...

O fenômeno foi visto por dezenas de pessoas em Florianópolis e no município de Alfredo Wagner, na Serra de Santa Catarina. Bombeiros e policiais chegaram a fazer buscas na região. "Não encontramos nada, nenhum indício. Nem fumaça... nada", diz o delegado Rodrigo Green.

Os astrônomos da Universidade Federal de Santa Catarina dizem que a bola de fogo é um meteoróide, ou seja, um pedaço de um cometa ou de um asteróide, que incendiou ao entrar na atmosfera da Terra. A surpresa foi que ele pôde ser visto durante o dia.

"Provavelmente o tamanho dele é muito maior que o habitual e, se fosse visto à noite, causaria um certo pânico", explica a coordenadora do planetário da UFSC, Edna da Silva.

A luminosidade seria equivalente ou maior que a da Lua cheia. O meteoróide pôde ser visto durante três segundos e depois desapareceu. Os astrônomos acreditam que ele se desintegrou ou caiu no mar.

Segundo os astrônomos, uma chuva de meteoros poderá ser vista de todo o Brasil, a partir das 3h desta quarta-feira. Mesmo sendo de baixa intensidade, será possível observá-la a olho nu, onde o céu estiver sem nuvens."

Eu me lembro de ter visto uma dessas cruzando o céu de Brasília há uns 8 anos atrás. Era bem parecida mesmo, mas como aqui é Brasília todo mundo jurou de pés juntos que era um disco voador. :)

terça-feira, 18 de maio de 2004

o mundo desaparece além da névoa ao pé das colinas
e tudo parece bem e calmo, e perfeito
como se toda a intranquilidade do universo
fosse apenas ilusão...



a cidade dorme agora, e eu, acordado, à janela
fumando meu último cigarro
sorrio, acreditando no quanto a vida pode
ser boa quando assim deseja.

a fumaça de meu cigarro se mistura com a névoa lá fora
e é tudo tão perfeito, preciso e calmo
que eu não posso deixar de sorrir para as estrelas.

estou feliz pq estou vivo.



think
purple


I'm Set Free
Velvet Underground

I've been set free and I've been bound
To the memories of yesterday's clouds
I've been set free and I've been bound

And now I'm set free
I'm set free
I'm set free to find a new illusion

I've been blinded but
Now I can see
What in the world has happened to me
The prince of stories who walk right by me

And now I'm set free
I'm set free
I'm set free to find a new illusion

I've been set free and I've been bound
Let me tell you people
what I found
I saw my head laughing
rolling on the ground

And now I'm set free
I'm set free
I'm set free to find a new illusion



Beginning To See The Light
Velvet Underground

Well, I'm beginning to see the light.
Well, I'm beginning to see the light.
Some people work very hard,
but still they never get it right.
Well, I'm beginning to see the light.

I wanna tell all you people, now.
Now, now, baby, I'm beginning to see the light.
Hey, now, baby, I'm beginning to see the light.

Wine in the mornin', and some breakfast at night.
Well, I'm beginning to see the light.

Here we go again, playing the fool again.
Here we go again, acting hard again.
All right!
Well, I'm beginning to see the light!
I wanna tell you, ooh-oh-oh!
Hey, now, baby, I'm beginning to see the light!
It comes very softly now.
I wore my teeth in my hands so I could miss the hell of a night.
Hey! Well, I'm beginning to see the light!
Now, now, now, now, now, now, now, now, now, baby,
I'm beginning to see the light, now!
It comes softer!
Hey, now, baby, I'm beginning to see the light.

I met myself in a dream, and I just want to tell you,
Everything was alright.
Hey, now, baby, I'm beginning to see the light.

Here comes two of you.
Which one will you choose?
One is black and one is blue,
Don't know just, what to do.
Alright!

Well, I'm beginning to see the light, oh, now, here she comes!
Hey, yeah, baby, I'm beginning to see the light!
Oh-ahhhh!
Some people work very hard,
But still they never get it right.
Well, I'm begiing to see the light.
Ah, it's getting a little softer, maybe, in there.
Now, now, baby, I'm beginning to see the light.
Ah, it's coming around again,
Hey, now, now, now, baby, I'm beginning to see the light.
One more time.
There are problems in these times,
But, woo!, none of them are mine!
Oh, baby, I'm beginning to see the light.

Here we go again,
I thought that you were my friend.
Here we go again,
I thought that you were my friend.
How does it feel, to be loved?
How does it feel, to be loved?
.
.
.
.
.
é isso aí.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

Um dia, há muito tempo atrás, na cachoeira perdida...



Não me pergunte o que estávamos tentando fazer.
Nenhum dos envolvidos saberia responder...

P.S. Parabéns pelo cabelo novamente roxo, senhorita Grappete.

I'm alive

Ando sem tempo de parar para escrever. De fato ando sem tempo para quase nada. Meu carro quebrou hoje e passei o tempo precioso que teria em casa, para escrever no blog, sentado em uma calçada esperando pelo "resgate" de meu irmão e observando as pessoas.

Comecei e terminei um conto novo hoje. E a vida tem sido muito boa comigo.

P.S. A respeito da festa do WEB-DF: EU AVISEI!

quinta-feira, 13 de maio de 2004



first and last and always...

A complicada relação entre W.Bloggar e Blogger.com

x 


Que maravilha.
Quando finalmente o pessoal do W.Bloggar descobre qual era o problema que o programa tava tendo para postar para o Blogger,
o Blogger vai e muda tudo e cria um novo problema.

Coragem, amigos do W.Bloggar...


UPDATE 13/05/2004 - 07:29AM

Depois de minha última tentativa, o problema persiste.
Uma vez ou outra, sem lógica aparente, W.Bloggar consegue postar, mas não editar um post, no Alriada.
Quando acordar mando um email dando um toque no pessoal do W.Bloggar...

Mecanismo de comentários COMENTAR atualizado.
É isso.

terça-feira, 11 de maio de 2004

segunda-feira, 10 de maio de 2004

Vivendo em uma casa surreal.
Se não fosse comigo, não acreditava...

Entro em casa louco por um banheiro. Quase não consigo abrir a porta e chegar a tempo no banheiro de azulejos azuis claro de meu irmão. Vou até a metade de meu alívio antes de perceber que aquilo pendurado no teto é um morcego. Dormia tranquilo com as asas abraçadas a si mesmo e não se incomodou comigo. Adoro morcegos civilizados...

Entro em meu quarto e olho tristemente para meu computador. Sem mouse, com o firewall totalmente desconfigurado, uma coisa meio inútil de dar pena...
Levo um susto com o *THUD* surdo do pequeno corpo do rato caindo de cima do altar do meu irmão. Havia escalado, não sei como, os 1,20m do altar e festejava nas oferendas de arroz (até pq a unica coisa comestivel no altar era o arroz, ou as petalas de rosa para roedores com gostos exóticos...) quando foi incomodado por mim. Sua fuga foi um pouco desastrada, mas conseguiu se meter entre minhas caixas de livros antes que tirasse satisfações com ele. O que a fome não faz com os pequenos mamíferos, não é?

Ironia. Meu mouse está morto e um rato tenta se matar pulando de cima de um altar dentro do meu quarto. Esta vida é mesmo uma coisa doida...

A saga do Duende e da Internet
Parte II

Estou de volta à internet por uma noite, da forma mais capenga possível. As baterias do mouse optico que o Lou Gold havia me emprestado acabaram ontem. Comprei um mouse USB hoje (pois minhas entradas PS/2 morreram há tempos) mas ele veio com defeito. Eu quase acreditei, por uns minutos, que eu sou muito azarado...

Enfim, estou aqui, com um firewall totalmente desconfigurado e sem mouse. O que me resta fazer é dizer oi a quem conseguir encontrar no MSN e depois me resignar a voltar a meus contos...

Espero dar um jeito nisso em alguns dias. Ao menos com a viajem do Lou eu posso derrubar a rede de noite para poder conectar. Já é um pouco melhor do que antes.

Abraços a todos.

Os boatos sobre minha morte são ligeiramente exagerados...

Novos problemas com o computador, mais virus, um firewall com vida própria, mas uma prova pra fazer, uma curiosa inclinação pelos livros...
São muitos os motivos do meu sumiço, meu eu eventualmente volto.

E por falar em motivos de sumiço, alguém por aí sabe onde acho um
Capacitor
1500μF / 6.3v (GAE +105˚)

para colocar o Wi-Fi lá de casa de volta em funcionamento?

Perguntar não ofende, né?

quarta-feira, 5 de maio de 2004

O Duende está de volta
até que enfim...

Depois de horas lutando contra o exército de virus, worms e trojans que invadiram meu computador. Depois de uma emocionante corrida contra o relógio para baixar o patch do windows antes que o worm.sasser.a atacasse o lsass.exe e este resolvesse fechar o Windows pra se defender. Depois de uma luta perdida contra o Firewall...

Eu estou de volta.

Agora é hora de dormir um pouco, porque, para variar, varei a noite para conseguir colocar este computador para funcionar.
Até mais tarde.



Eu acredito no absurdo.
(a vida tem um senso de humor estranho demais...)

Vivendo Offline
(ou a saga do Duende em busca de sua internet perdida)

Enfim havia configurado a internet. Todos os computadores da casa estavam graciosamente acessando a rede através de um proxy em meu computador. Eu sabia que era necessário configurar a segurança, instalar um firewall, mas tudo isso parecia poder ser deixado para depois.

Todas as horas livres do dia e da noite não eram suficientes para matar a sede de colocar meu "tempo de internet" em dia. Dormir? Bah, isso pode ser feito depois. Horas e horas sentado na frente do computador, e o computador navegando, navegando, sem nenhuma proteção.

A infecção de win32.worm.sasser.a veio quase como justiça divina, e com o travamento do meu computador todos os computadores da casa ficaram sem internet. Meu irmão rapidamente providenciou de trocar os cabos e puxar a conexão para seu computador (e só para seu computador). A escada íngreme, a preguiça e falta de hábito de vir ao segundo andar da casa me mantiveram longe dele. Afinal, nada se compara a ter internet no SEU computador.

Por outro lado havia sempre alguém usando o computador de meu irmão, único acesso à internet que restava na casa, e eu tinha que colocar meu sono em dia. Não que o tenha feito inicialmente. Mergulhei em meus livros, de vez em quando em meus estudos, raramente em passeios pela chácara. Dormir? Nada.

Por fim, no sábado passado, a falta de sono cobrou seu preço. Cabeça desorientada, um pouco de febre, a coordenação motora pior do que aquela do mais bêbado dos bêbados... Quando não conseguia mais escrever, e segurar um livro começou a demandar concentração, decidi que era hora de dormir.

Havia um encontro do Orkut naquele dia, mas não havia condições de comparecer a ele. Estava doente, estava cansado, e não tinha nem sequer uma conexão à internet para resolver as coisas a distância. O mundo parecia estar desmoronando sobre a cabeça confusa do Duende insone. E então ele resolveu jogar tudo para cima e ir dormir.

Dormiu muito, acordou, comeu como um rei, foi fazer sua prova do TCU, saiu para beber com amigos, encontrou com quem queria e com quem não queria, assistiu DVD's interessantes, teve mais uma boa noite de sono e então veio para casa. Hora de colocar o computador para funcionar.

A principio parecia quase impossível. Em uma tentativa estúpida de solucionar a infecção eu havia renomeado um arquivo do Windows, que nem mais dava o ar de sua graça quando ligava meu computador. Depois de um rápido acesso direto ao disco usando o delicioso Knuppix (ai ai, eu ainda jogo esse windows pra cima e fico só com o Linux), renomeado o arquivo, coloquei o Windows pra funcionar.

Desinfectar a máquina foi mais difícil. Anos de promiscuidade interneteira sem proteção de antivirus haviam tornado meu computador em uma espécie de Mary Tifóide digital. Afastando o pensamento de quantas invasões minha máquina deve ter sofrido nos últimos meses (que me dava uma sensação de ter sido digitalmente violentado) comecei a desinfecção da máquina.

Hoje, terça feira, após dois dias de esforços, meu computador continua travando ao entrar na rede. O arquivo LSASS.EXE continua realizando a merda do erro 128 e abrindo uma contagem regressiva na minha tela que me faz lembrar aquelas bombas relógio em filmes de James Bond. Estou agora no computador do meu irmão, sentindo-me compelido a dar alguma satisfação a meus amigos (que ultimamente me encontram mais por meios digitais do que pessoalmente) e meus leitores. Bem, aí está ela.

O sono está em dia. Pretendo passar a noite tentando colocar meu computador de volta em ação na internet. Se eu conseguir, haverá um post hoje logo abaixo deste. Senão, a gente se vê por aí...

Abração do Duende.