Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.

terça-feira, 31 de março de 2009

Mais um incêndio criminoso na guerra do Setor Noroeste em Brasília

Há alguns minutos recebi este email, forwardeado da lista [antro_unb].

Pessoal,

Mais um atentado criminosa na Terra Indígena Bananal Brasília DF, hoje
ataearam fogo na casa de um indígena Fulni-ô, destruindo toda a sua casa,
artesanato, documentos e toda uma memória.Foi avistado viaturas da polícia
próximo ao local, mas ainda não sabemos quem foi o responsável pelo
fogo.Ano passado foi destruida outra casa de um indígena, parece que não
há limites para os empresários e o GDF , Brasília é uma terra sem lei.
Maisa tarde envio as fotos,
por favor denunciem
O silêncio só ajuda a perpetuar a opressão!
Abs
Rafa Kaaos

http://www.youtube. com/watch? v=otwyWodhccI&feature=channel_ page


O link no final do email aponta para o vídeo abaixo:



Se já era absurda a punição branda dada a alguns garotos cretinos de classe média-alta que queimaram um índio por diversão, o que dizer de capangas de grupos poderosos de Brasília queimando casas de indígenas resistentes, amando dos empreiteiros locais que desejam levar em frente seu projeto milionário do Setor Noroeste? Quando me refiro à situação Bananal/Setor Noroeste como guerra, não quero apenas usar uma palavra de efeito. Trata-se mesmo de um conflito onde (ao menos um dos lados) não tem limites em sua sanha de vencer -- tudo em nome do dinheiro, sob o manto da costumeira impunidade desfrutada pelos empreiteiros brasilientes e seus asseclas.

Só nos resta divulgar, e esperar que nossa polícia mostre seriedade na apuração dos fatos, e em seguida que nosso judiciário nos supreenda ao não dar cobertura aos seus "amigos de costume". Se a maior parte de nós aqui em Brasília já costuma ser pessimista a respeito da condenação de qualquer membro da corja que se abate sobre nós, isto não é sem motivo. Se mal conseguimos prender e condenar adolescentes malcriados que incendeiam um índio, o que esperar de nossa justiça quando os criminosos são as próprias iminências pardas de nossa cidade? Da mesma forma que se pode comprar votos, roubar os cofres públicos e jogar na lama o nome de todas as instituições nacionais, aqui também se pode matar e destruir propriedade impunemente, contanto que você tenha os amigos certos.

Bem vindos ao faroeste caboclo. Aqui nós queimamos índios, e a lei ainda pertence aos criminosos de sempre.

terça-feira, 24 de março de 2009

sobre o silêncio...

(...) Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma. (...)

(...) Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

É preciso também que haja silêncio dentro da alma. (...)


(atribuído a Alberto Caeiro, que era pessoa e também Fernando Pessoa)

"Are Bloggers Born or Made?"

Este é um texto fantástico do David Sasaki, do igualmente fantástico projeto Rising Voices do Global Voices Online, sobre a importância de se ensinar as pessoas a blogarem, mesmo quando a maior parte delas nunca vá se tornar efetivamente um blogueiro frequente. Trata-se de um problema de expectativas -- de que todas as sementes lançadas irão florescer, e de que o farão na hora em que esperamos -- e não da verdadeira importância e eficiência em se distribuir a boa nova blogueira para todas as pessoas...

Queria muito ter tempo de traduzir o texto, mas não vai rolar. Colo então o texto em inglês mesmo, do jeito que o recebí na lista de discussão do Rising Voices. Se alguém o citar e/ou o traduzir, não esqueça de citar o autor, David Sasaki (que é um cara muito legal!) e o Rising Voices e, se possível, citar também que achou o texto aqui no Alriada...

"Dear All,

I frequently hear from coordinators of citizen media outreach projects who are disappointed by the fact that so many of their participants stop blogging two or three months after their first post. This is a common problem, but in my opinion, it is a problem of expectations rather than results.

Most of us have spent at least a few hours of our lives learning how to play the piano, guitar, or some other instrument. But only a select few have continued playing that instrument throughout our adult lives. In fact, most of us probably stopped playing just a couple months after our first lesson. This doesn't mean, however, that piano teachers should feel demoralized by their supposed "low success rate". After all, we are only able to find the best musicians by teaching the fundamentals to as many people as possible. Imagine how many Mozart's, Fela Kuti's, and Gilberto Gil's have passed silently through history because they were never given the opportunity to express their musical talent.

Blogging is much the same way. Just as everyone can press the keys of a piano, so too can we all start and maintain a blog. But that doesn't mean that everyone will keep at it. In my experience, only about 10% of the participants of the blogging workshops I have facilitated continue blogging six months later.

Important Tools for Important Times

The other 90% of workshop participants will write only occasionally, or not at all. But, significantly, most do still remember how to publish to a blog even months or years later. This is significant because during times of emergency they have the means to share information.

For example, many of the participants of workshops organized by Foko Madagascar stopped blogging for weeks after they first opened their blogs. But when a political crisis hit their country, which led to last week's coup, many of those same new bloggers realized the importance of being able to share local information to an international audience in real time. In fact, those same individuals became the go-to sources of information for everyone wanting to stay informed about Madagascar's political crisis. Lova Rakotomalala, one of Foko's four founders, has explained in detail how Madagascar's bloggers and Twitter users were able to influence international coverage of the crisis.

What This Means for Project Facilitators

Above all else, it is important to set realistic expectations and to feel satisfied if only a few of the workshop participants become passionate bloggers. Heather Ford, a well known South African blogger, recently gave a workshop in Durban, South Africa, which left her feeling frustrated. Heather suggests charging a small fee for workshops to ensure that participants really have a strong desire to learn and apply the skills. Those who lack the money could write a letter requesting a scholarship.

Some psychologists have even suggested that there are certain personality traits common to most bloggers. As a project coordinator you could specifically seek out individuals who share those personality traits.

In my experience, however, it is impossible to accurately predict who will keep blogging and who will not. Blogging, like playing a musical instrument or learning how to draw, is a worthy skill to learn as a simple means of expression. Besides, you never know who will be the next Ravi Shankar, Michaelangelo, or the next great blogger until (s)he has a chance to learn the skills and tools.

New Rising Voices Projects - Stay Tuned

Over the next few weeks we'll be getting to know each of the newest six Rising Voices grantee projects. For those of you who just can't wait, please check out Maryna Reshetnyak's feature on Public Fund Mental Health based in Almaty, Kazakhstan and an introductory video about Project Ceasefire Liberia. Also, keep your eyes on the Rising Voices website for updates from all 20 projects, links to relevant resources and grants, and new pictures and videos.

All the best,

David"

Para saber mais sobre o Rising Voices, clique aqui.

Abraços do Verde.


UPDATE:

A Lu Ladybug teve a doçura de traduzir o texto quase na íntegra e publicá-lo em seu blogue! Valeu mesmo, Lu! Para os que não pegaram o texto em inglês, clique aqui para lê-lo em português no Ladybug Brasil. A dica foi do próprio David Sasaki, por email.

A dor e a delícia de ter voz

Essa história do "mensalinho blogueiro" que atingiu o Noblat, além de outras histórias recentes e antigas, me fizeram pensar no quanto estar "no palanque" também é estar "na berlinda", e o quanto isso é saudável. Quando uma pessoa, seja blogueiro, jornalista, político, ou o que for, dá um passo a frente e chama a atenção das outras -- para falar, para se colocar, para propor ou mesmo para realizar -- esta atenção não o acompanha apenas no momento em que ele chama os holofotes. Quando alguém se investe de poder -- seja só o de comunicação, ou o poder de mando -- todas as atenções estarão voltadas para ele, e cada um de seus passos será vigiado, e cada uma de suas atitudes questionada, seja por boas intenções ou pelos desígnios de seus adversários políticos. Se por um lado, geralmente o lado de quem está no topo, isso pode parecer terrível -- até mesmo a expressão da inveja, da baixeza e da irresponsabilidade de quem questiona e reclama -- por outro, é justamente esta atenção um dos mecanismos que equilibra a balança.

Sem me extender muito, pois consegui expressar essas idéias em uns 280 caracteres há uns minutos atrás, acho que isso se aplica perfeitamente ao caso do Noblat. Sem dizer que ele tenha ou não cometido algum ilícito, ou que esteja mesmo "na lista de pagamento" do Senado por quaisquer "serviços" que sejam, é justo que as atenções se voltem para ele para interpelá-lo: "-- Peraí, Noblat? Que história é essa!?"

Estas interpelações é que ajudam a figura pública a manter o cuidado e a atenta retidão desejada, e a dão a chance de se explicar, e mostrar que ainda são dignas da confiança e do poder que detém. Se estes mesmos questionamentos mancham "irreversivelmente" a reputação de alguém -- algo que não acontece em um país de memória tão curta que elege Collores e Malufs -- isto certamente se dá por conta da inaptidão ou impossibilidade da pessoa em explicar seus atos E... e não vamos esquecer deste E... porque ninguém é perfeito, e as reputações completamente ilibadas são geralmente construídas em cima de mentiras.

Então, das duas uma: se por um lado, vários grupos seguem cada vez mais esconder seus atos e os atos dos seus, em nome do bom nome e da "paz e ordem", outros se ocupam incasávelmente de atirar para todos os lados, encontrando cada falha de quem quer que seja e jogando a merda nos ventiladores das mídias -- sim, das mídias, porque o que aquilo que os jornais calam, os blogues falam. Nenhum dos dois lados os faz sem suas razões, e todos fazem lá seus estragos e mal feitos em suas atividades. Mas se eu tiver que escolher um dos dois lados, que seja o de trazer a tona o que fede e o que é feio, para que todos tenham a chance de se xplicar e de mostrar a verdadeira beleza que tem, se tiverem alguma.

Porque ninguém é perfeito, e ainda não aprendemos a viver sem governantes, ídolos e chefes, temos que entender que estes mesmos sempre serão imperfeitos como nós, e que se alguém deve ir à frente para puxar o grupo, que sejam aquelas pessoas que apesar de seus defeitos, vícios e paixões, sejam ainda as melhores a ocupar suas posições.

Há tantas pessoas que podem apontar tantos de meus defeitos, e já cometi tantos erros. Se ainda acredita em algo do que fala, escuta o que digo, e me respeita. É porque é possível se respeitar alguém apesar de sua imperfeição. Isso deve se aplicar a todos. Então... que venha a tona aquilo que é, e cada um mostre do que realmente é feito e do que realmente é capaz. E vamos em frente, tentando encontrar os caminhos e as pessoas em quem confiar.

Em tempo... Noblat deu a sua versão para os fatos, e alguns acreditaram, outros não, e outros ainda levantaram novas indagações. Segue o bonde, e quem quiser, que acompanhe. Dessa história já tirei que tudo corre como deveria. Vamos apontar o dedo sim, mas sem esquecer de pensar também em quem somos e no que estamos fazendo, sim?

#prontofalei.

Agora posso voltar ao meu trabalho.

O Programa que o Gilmar Mendes não gostou de ver (via Amálgama)

O excelente blogue Amálgama (o qual descobri por conta do Global Voices em Português, e que agora sigo fielmente por conta da qualidade do que escrevem por lá) soltou hoje um post sobre o programa Comitê de Imprensa, da TV Câmara, do dia 11 de março. Naquela edição do programa Jailton de Carvalho (d'O Globo) e Leandro Fortes (da CartaCapital) debateram sobre a "reportagem" (as aspas são do Amálgama E minhas) da VEJA a respeito do material encontrado no notebook de Protógenes Queiroz (que aparentemente tem um blogue, aqui). O próprio Amálgama conta um pouco mais sobre esta edição do programa:

"No dia 18, caiu o link para o programa no site da TV Câmara, que também deixou de veicular as reprises. Conforme o próprio Leandro veio apurar, a retirada do programa foi uma solicitação do presidente do STF, Gilmar Mendes, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que, partidário da independência entre os poderes da República, atendeu. Mendes, lembre bem, é aquele que critica o “Estado policial” em que estaríamos vivendo sob a Polícia Federal do governo Lula."
E o post traz também a primeira parte do vídeo do programa, publicado pelo Luiz Carlos Azenha no YouTube após sua retirada do site da TV Câmara:



O vídeo tem mais duas partes, aqui e aqui, que achei por bem (e no mínimo bem mais prático) colar aqui também.





Por conta da correria do trabalho, ainda não tive tempo de assistir os três vídeos inteiros. Possivelmente eu volte aqui depois para fazer mais comentários. Por hora, estão aí os vídeos para que cada um assista e tire suas conclusões. Comentários são bem vindos. Blogueiros podem se sentir meio solitários quando ninguém comenta nada, sabe?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Noblat e o Mensalinho Blogueiro

A história ainda tá começando a ser esmiuçada, mas segundo o Zé Augusto do blogue Os Amigos do Presidente Lula (ok, nome suspeito!), o famoso blogueiro e jornalista Ricardo Noblat estaria recebendo uns 40mil reais por ano do Senado, por motivos não muito bem explicados, e com o envolvimento do Senador Efraim Moraes (DEM/PB):

O Jornalista Ricardo Noblat recebe um mensalinho do Senado Federal.

O contrato foi assinado em 03/09/2008, época em que o Sen. Efraim Moraes (DEM/PB) ocupava a secretaria da mesa do Senado, responsável por estes contratos.

Nós, cidadãos brasileiros, estamos pagando através dos cofres públicos do Senado o valor de R$ 40.320,00 (por ano) para Ricardo Noblat.


O mensalinho é descrito como uma "pesquisa, produção e apresentação de 1 (um) programa semanal para a Rádio Senado"

Bem que tentaram esconder o sobrenome famoso, publicando apenas "RICARDO JOSÉ DELGADO", mas o CPF denuncia tratar-se do jornalista.



O próprio blog do jornalista confirma seu nome completo:



A dica veio de nosso amigo leitor Fabio Mello.


É claro que a notícia caiu como um rinoceronte na blogosfera. A idéia de que um blogueiro político importante esteja recebendo dinheiro "não muito bem explicado" do Senado, ainda mais advindo de um contrato com um Senador do DEM, sempre tem contornos de rinoceronte cadente. Até que se fique provado que focinho de porco não é tomada, muita água vai rolar.

Vamos ver as repercussões, as defesas de um lado e os ataques do outro, as egotrips e as conclusões acertadas (e as apressadas) da blogosfera brasileira. Está armado o circo da semana.

Não acho nada supreendente que o velho poder tenha tido a idéia de comprar blogueiros. Eles sempre acham que podem, e geralmente podem, comprar tudo e todos. Só fica feio pro Noblat, que aparentava ter uma reputação a zelar e agora terá muito a explicar.

Explica aí, Noblat.


UPDATE 23/03/2009 - 12:44PM:

E o Noblat se explica (aqui, ecoado pelo PH Amorim):

"Ricardo Noblat

Em resposta a um dos leitores deste blog: Completou 10 anos no último dia 19 o programa semanal Jazz & Tal que faço para a Senado FM. Durante 113 meses, entre março de 1999 e agosto de 2008, paguei do meu bolso todos os custos do programa. Foram 493 programas ao custo mensal de R$ 1.200,00. Devo ser o único brasileiro que até hoje doou dinheiro ao Senado - 135.600,00 (113 meses x R$ 1.200,00). Fi-lo porque qui-lo. Na época, era medíocre a qualidade de produção da rádio Senado. Procurei uma produtora em Brasília - a Linha Direta. Ela cuida do programa. Gosto das coisas bem feitas e topo pagar por elas. Paguei pelo capricho de ter um programa de jazz. Pude pagar e paguei. Em setembro último, sugeri à direção do Senado que a rádio arcasse com os custos do programa pagando diretamente à produtora. Do contrário suspenderia o programa. Disseram-me que não era possível. Que seria possível me pagar como pessoa física para que então eu pagasse à produtora. Firmaram então um contrato comigo no valor mensal de R$ 3.360,00. Descontados pela própria rádio os impostos (R$ 560,00 de INSS e mais R$ 560,00 de IR), e abatido o que eu pago à produtora (R$ 1.750,00), restam-me por mês a fortuna de R$ 490,00. Preciso de mais 23 anos a R$ 490,00 por mês para recuperar os R$ 135.600,00 que gastei do meu bolso durante 9 anos e meio. Não viverei tanto tempo. E não imagino fazer o programa por mais 23 anos. Em tempo: assinei o contrato com meu nome completo - Ricardo José Delgado Noblat. Se o Senado publicou o contrato no seu site omitindo o Noblat, o problema é dele. Nada tenha a ver com isso. Noblat

De Chuíça (*): na CBN, Secretário de Serra não caiu por causa da corrupção, 21/03/2009, 19:18


Ricardo Noblat

Em resposta a alguns comentários: originalmente o programa seria veiculado em uma rádio de Brasília do jornalista Garófalo. Pressionado pelo então governador Joaquim Roriz, Garófalo desistiu do programa. Eu dirigia o Correio Braziliense que batia muito em Roriz. Ofereci o programa a Fernando Cesar Mesquita, na época Diretor de Comunicação do Senado. Ele topou. Eu nada ganharia para fazê-lo. Duas vezes o programa foi ao ar com produção da rádio Senado. Não gostei do locutor, muito menos do redator. Disse a Mesquita: como esse programa é um hobby e detesto as coisas mal feitas, irei entregá-lo pronto. É o que faço até hoje. Contratei uma produtora de Brasília que é de um amigo meu. Durante nove anos e meio paguei do meu bolso R$ 1.200,00 mensais pelo programa. O contrato com o Senado foi assinado com meu nome completo. Tenho cópia dele, naturalmente. Se no site do Senado omitiram o “Noblat”, perguntem ao Senado o que aconteceu. Nada tenho a ver com isso. O valor do contrato é de R$ 3.340,00 mensais. O Senado desconta R$ 560,00 de INSS e mais R$ 560,00 de IR. Entrega-me o resto. Pago R$ 1.750,00 à produtora. Tenho os recibos. Depois de pagar R$ 1.200,00 durante nove anos e meio, nada mais razoável que o preço cobrado pela produtora fosse reajustado. Escrevi acima que me restam R$ 490,00 por mês. Corrijo: é bem menos do que isso. Porque ainda pago o Imposto Sobre Serviço. Não sou franciscano nem candidato a Madre Teresa de Calcutá. Gosto de jazz, no meu blog tem uma estação de rádio que toca jazz, quis ter um programa, e paguei para ter. Outros gastam seu dinheiro com outras coisas. Parte do meu gasto comprando cds. O responsável por este blog sabe disso. Nada há de ilegal em ter trabalhado de graça para a Senado FM. Há outros responsáveis por programas que também procedem assim. Nada há de ilegal no contrato assinado com a Senado FM. Creio que o Senado não bancaria um contrato ilegal - e logo comigo que escrevo com dureza sobre suas mazelas. Alguns disseram aqui que não acreditam nas minhas explicações. Só posso lamentar. Tenho como sustentá-las com documentos. Por fim: espante-me a leviandade daqueles que comentam qualquer assunto sem o menor conhecimento de causa. Mas isso acontece também no meu blog. O anonimato na internet favorece os comentaristas irresponsáveis.

De Noblat explica contrato com o Senado, 22/03/2009, 19:14"


Tá explicado?

Não perguntem para mim. Eu, que acho complicada essa história de probloggers, tendo a acreditar que blogueiro tem mesmo que ter telhado de vidro. Se quer vir a público, ter voz, poder atirar para todo lado, pode se preparar para ter que se explicar muito bem sobre tudo que faz. A blogosfera brasileira não perdoa deslizes, e está sempre em busca de novos alvos. Segue a conversa, pois sei que a coisa não vai parar por aí.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Who Watches the Watchmen?

Reblogando as twittadas do DPadua:

- O Azeredo matou o Comediante? Ou ele é o Comediante? http://is.gd/nAzN
- Azeredo: Who Watches The Watchmen - BAIXE O AVATAR - grande: http://is.gd/nAFq médio: http://is.gd/nAFB twitter: http://is.gd/nAFM
- Azeredo: Who Watches The Watchmen? veja: http://is.gd/nAzN + download: http://is.gd/nAzY #selo #espalhem #ciberativismo


URGENTE! Eduardo Azeredo e sua Lei de Cybercriminalização atavam novamente!

Reblogando o que disse Sérgio Amadeu:

ALERTA GERAL: SENADOR AZEREDO AUMENTA PRESSÃO PARA APROVAR SEU PROJETO DE VIOLAÇÃO DA LIBERDADE E IMPLANTAÇÃO DO VIGILANTISMO NA INTERNET


O Senador Azeredo, eleito presidente da Comissão de Relações Internacionais do Senado, no dia 4 de março, a partir de sua nova posição está pressionando o governo para apoiar a aprovação do seu projeto de criminalização da Internet na Câmara.

No dia 5 de março, o deputado conservador ligado ao PSDB, Regis de Oliveira (PSC-SP), conseguiu aprovar seu parecer favorável ao projeto do Senador Azeredo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. O Parecer afirma que o projeto vigilantista e violador da privacidade na rede é constitucional e clama pela sua aprovação .

O projeto de lei do Senador Azeredo quer destruir as redes abertas, impor o fim da comunicação anônima na Internet e criminalizar práticas cotidianas na rede. Abre espaço para atacar as redes P2P, como tem ocorrido em todo o mundo (veja o exemplo do julgamento do Pirate Bay). O projeto do Senador Azeredo é apoiado pela Febraban e pelos banqueiros que querem repassar para a sociedade os custos da segurança bancária.

Quem quiser se somar à luta pela liberdade e privacidade na Internet, envie um e-mail para o deputado do seu Estado pedindo que vote contra o projeto de crimes da Internet re-escrito pelo Senador Azeredo. Porcure no site da Câmara o e-mail do deputado do seu Estado: http://www2.camara.gov.br/canalinteracao/faledeputado

Leia as postagens que esclarecem os riscos dos artigos 285-A, 285-B e 22 do projeto-substitutivo do Senador Azeredo:
http://samadeu.blogspot.com/search/label/contra%20PLC%20do%20Azeredo


Ajude a divulgar a petição contra o projeto original do Senador Azeredo.

Se você acha que é brincadeira ou exagero, ou que a Lei não deve ser lá tão má assim, provavelmente ainda não entendeu as implicações da mesma, ou quem está por trás de toda essa história. A hora de agir é agora. Depois, vai ser tarde demais para chorar o retrocesso e o leite derramado.

Abaixo o projeto de lei ABSURDO e MAL-INTENCIONADO do Senador Azeredo e de seus gananciosos e anti-éticos amigos da FEBRABAN e da velha indústria de agenciamento de conteúdo artístico (Gravadoras, Distribuidoras Cinematográficas, etc...)

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Quer que eu explique? Então aqui vai..." (mais um post sobre a Viação Itapemirim)

A pedido de Delamar da Cruz, assessor de imprensa do Grupo Itapemirim, que teve o cuidado de deixar um comentário no meu último post sobre a empresa pedindo para que eu enviasse por email os detalhes de minha reclamação, resolvi fazer este post.

Não vou mandar os detalhes por email, por um motivo muito simples: se o tivesse feito desde o princípio, eu nunca teria sido sequer contatado pelo Sr. Delamar. É sabido que a Itapemirim, como tantas outras empresas do Brasil, ignora solenemente as reclamações feitas por seus clientes, a não ser que estes façam barulho.

Posto isso, vou atender ao pedido do Sr. Delamar, mas usando os mesmos métodos que fizeram com que ele me dedicasse sua assessoral atenção. Vou publicar aqui os detalhes de minha reclamação sobre os ocorridos na viagem BSB-BH-BSB que fiz usando os serviços da empresa no ano retrasado...

1 - Equipe despreparada.
Na viagem de ida, o motorista não fazia idéia de como operar o ar condicionado do veículo. Ora ligava, ora desligava, e ora o aparelho desligava sozinho. Era possível ver o motorista mergulhando a cabeça no painel para entender os comandos, enquanto o ônibus derivava de um lado para o outro na pista. É claro que isso foi até mais desconfortável do que a constante variação de temperatura dentro do ônibus. Afinal de contas, não sofremos um acidente porque tivemos a sorte de contar com a habilidade dos motoristas que passavam por nós e que desviavam do ônibus enquanto nosso caríssimo condutor tentava descobrir, no meio da viagem, como operar o ar condicionado.

2 - Ônibus em péssimo estado de conservação, sujeitos a quebras no caminho.
Na viagem de volta, o primeiro ônibus já saiu apresentando problemas da rodoviária de Belo Horizonte. Mesmo assim, e apesar de ser interpelado pelos passageiros que perceberam que algo estava errado, o motorista insistiu em seguir viagem. Resultado: o ônibus parou 50km após deixar a capital mineira, e ficamos na beira da estrada, no escuro, esperando a chegada do próximo ônibus. A primeira coisa que o motorista nos disse foi "fiquem dentro do ônibus, pois esta é uma área perigosa". Fiquei grato por ter sido avisado, mas duas dúvidas ficaram martelando minha cabeça enquanto esperávamos no escuro: Por que diabos havíamos partido com um ônibus que estava com defeito? E por que, oh meu senhor, por QUÊ o motorista teria insistido em seguir viagem mesmo vendo que o veículo estava com problemas, só para parar no meio da estrada, em uma regiao perigosa? Será que foi a empresa que o forçou a isso, ou terá sido pura burrice e vontade de arriscar a si e a seus passageiros?

3 - Desrespeito pelo cliente.
Quando, após a quebra do primeiro ônibus, pedimos maiores informações ao motorista, e depois disso ao pessoal da empresa em uma das paradas do caminho, sobre a quebra do ônibus e sobre o estado do ônibus em que seguíamos viagem -- visivelmente velho e muito menos confortável -- fomos tratados com descaso e falta de educação. O atendente com o qual falei em ... (não me lembro agora o nome da cidade, mas é uma cidade que tem queijos famosos!) nos disse que "deveríamos estar felizes de estar seguindo viagem, e não ficar perguntando sobre o ônibus que estávamos indo".

É claro que ele tinha razão. Quando se viaja pela Itapemirim, você deve ficar feliz de chegar ao destino, e não ficar se preocupando com desconfortos, com quebras no meio da estrada, com descortesia da equipe ou com a falta absoluta de respeito da companhia por você. Afinal de contas, o importante é chegar, e a Itapemirim está nos fazendo um enorme favor em nos transportar. O fato de estarmos pagando por isso, e de termos direitos enquanto consumidores é e sempre foi apenas um detalhe...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elas Dispensam Esta Rosa

Marjorie Rodrigues escreveu um manifesto refletindo sobre a realidade na qual vivem as mulheres, na véspera do dia a elas "dedicado". Mais do que isso, Marjorie também chamou as blogueiras (e alguns blogueiros) lusófonos a republicarem o material e abrirem a discussão sobre a situação vivida pelas mulheres em nosso tempo e sociedade. A adesão ao movimento foi enorme. Sem mais tagarelar, reproduzo o manifesto escrito pela Marjorie, sabendo que ninguém pode falar melhor sobre o assunto do que ela e todas as outras mulheres que participaram ou não do manifesto, mas que sabem onde lhes aperta o sapato.


dispense

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

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Não quis republicar o manifesto da Marjorie no mesmo dia em que o resto das blogueiras, por entender que este é um movimento delas -- do qual sou um observador e um admirador, mas não me arrogo o direito de ser um participante, ao menos não sem um convite.