Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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terça-feira, 24 de março de 2009

"Are Bloggers Born or Made?"

Este é um texto fantástico do David Sasaki, do igualmente fantástico projeto Rising Voices do Global Voices Online, sobre a importância de se ensinar as pessoas a blogarem, mesmo quando a maior parte delas nunca vá se tornar efetivamente um blogueiro frequente. Trata-se de um problema de expectativas -- de que todas as sementes lançadas irão florescer, e de que o farão na hora em que esperamos -- e não da verdadeira importância e eficiência em se distribuir a boa nova blogueira para todas as pessoas...

Queria muito ter tempo de traduzir o texto, mas não vai rolar. Colo então o texto em inglês mesmo, do jeito que o recebí na lista de discussão do Rising Voices. Se alguém o citar e/ou o traduzir, não esqueça de citar o autor, David Sasaki (que é um cara muito legal!) e o Rising Voices e, se possível, citar também que achou o texto aqui no Alriada...

"Dear All,

I frequently hear from coordinators of citizen media outreach projects who are disappointed by the fact that so many of their participants stop blogging two or three months after their first post. This is a common problem, but in my opinion, it is a problem of expectations rather than results.

Most of us have spent at least a few hours of our lives learning how to play the piano, guitar, or some other instrument. But only a select few have continued playing that instrument throughout our adult lives. In fact, most of us probably stopped playing just a couple months after our first lesson. This doesn't mean, however, that piano teachers should feel demoralized by their supposed "low success rate". After all, we are only able to find the best musicians by teaching the fundamentals to as many people as possible. Imagine how many Mozart's, Fela Kuti's, and Gilberto Gil's have passed silently through history because they were never given the opportunity to express their musical talent.

Blogging is much the same way. Just as everyone can press the keys of a piano, so too can we all start and maintain a blog. But that doesn't mean that everyone will keep at it. In my experience, only about 10% of the participants of the blogging workshops I have facilitated continue blogging six months later.

Important Tools for Important Times

The other 90% of workshop participants will write only occasionally, or not at all. But, significantly, most do still remember how to publish to a blog even months or years later. This is significant because during times of emergency they have the means to share information.

For example, many of the participants of workshops organized by Foko Madagascar stopped blogging for weeks after they first opened their blogs. But when a political crisis hit their country, which led to last week's coup, many of those same new bloggers realized the importance of being able to share local information to an international audience in real time. In fact, those same individuals became the go-to sources of information for everyone wanting to stay informed about Madagascar's political crisis. Lova Rakotomalala, one of Foko's four founders, has explained in detail how Madagascar's bloggers and Twitter users were able to influence international coverage of the crisis.

What This Means for Project Facilitators

Above all else, it is important to set realistic expectations and to feel satisfied if only a few of the workshop participants become passionate bloggers. Heather Ford, a well known South African blogger, recently gave a workshop in Durban, South Africa, which left her feeling frustrated. Heather suggests charging a small fee for workshops to ensure that participants really have a strong desire to learn and apply the skills. Those who lack the money could write a letter requesting a scholarship.

Some psychologists have even suggested that there are certain personality traits common to most bloggers. As a project coordinator you could specifically seek out individuals who share those personality traits.

In my experience, however, it is impossible to accurately predict who will keep blogging and who will not. Blogging, like playing a musical instrument or learning how to draw, is a worthy skill to learn as a simple means of expression. Besides, you never know who will be the next Ravi Shankar, Michaelangelo, or the next great blogger until (s)he has a chance to learn the skills and tools.

New Rising Voices Projects - Stay Tuned

Over the next few weeks we'll be getting to know each of the newest six Rising Voices grantee projects. For those of you who just can't wait, please check out Maryna Reshetnyak's feature on Public Fund Mental Health based in Almaty, Kazakhstan and an introductory video about Project Ceasefire Liberia. Also, keep your eyes on the Rising Voices website for updates from all 20 projects, links to relevant resources and grants, and new pictures and videos.

All the best,

David"

Para saber mais sobre o Rising Voices, clique aqui.

Abraços do Verde.


UPDATE:

A Lu Ladybug teve a doçura de traduzir o texto quase na íntegra e publicá-lo em seu blogue! Valeu mesmo, Lu! Para os que não pegaram o texto em inglês, clique aqui para lê-lo em português no Ladybug Brasil. A dica foi do próprio David Sasaki, por email.

A dor e a delícia de ter voz

Essa história do "mensalinho blogueiro" que atingiu o Noblat, além de outras histórias recentes e antigas, me fizeram pensar no quanto estar "no palanque" também é estar "na berlinda", e o quanto isso é saudável. Quando uma pessoa, seja blogueiro, jornalista, político, ou o que for, dá um passo a frente e chama a atenção das outras -- para falar, para se colocar, para propor ou mesmo para realizar -- esta atenção não o acompanha apenas no momento em que ele chama os holofotes. Quando alguém se investe de poder -- seja só o de comunicação, ou o poder de mando -- todas as atenções estarão voltadas para ele, e cada um de seus passos será vigiado, e cada uma de suas atitudes questionada, seja por boas intenções ou pelos desígnios de seus adversários políticos. Se por um lado, geralmente o lado de quem está no topo, isso pode parecer terrível -- até mesmo a expressão da inveja, da baixeza e da irresponsabilidade de quem questiona e reclama -- por outro, é justamente esta atenção um dos mecanismos que equilibra a balança.

Sem me extender muito, pois consegui expressar essas idéias em uns 280 caracteres há uns minutos atrás, acho que isso se aplica perfeitamente ao caso do Noblat. Sem dizer que ele tenha ou não cometido algum ilícito, ou que esteja mesmo "na lista de pagamento" do Senado por quaisquer "serviços" que sejam, é justo que as atenções se voltem para ele para interpelá-lo: "-- Peraí, Noblat? Que história é essa!?"

Estas interpelações é que ajudam a figura pública a manter o cuidado e a atenta retidão desejada, e a dão a chance de se explicar, e mostrar que ainda são dignas da confiança e do poder que detém. Se estes mesmos questionamentos mancham "irreversivelmente" a reputação de alguém -- algo que não acontece em um país de memória tão curta que elege Collores e Malufs -- isto certamente se dá por conta da inaptidão ou impossibilidade da pessoa em explicar seus atos E... e não vamos esquecer deste E... porque ninguém é perfeito, e as reputações completamente ilibadas são geralmente construídas em cima de mentiras.

Então, das duas uma: se por um lado, vários grupos seguem cada vez mais esconder seus atos e os atos dos seus, em nome do bom nome e da "paz e ordem", outros se ocupam incasávelmente de atirar para todos os lados, encontrando cada falha de quem quer que seja e jogando a merda nos ventiladores das mídias -- sim, das mídias, porque o que aquilo que os jornais calam, os blogues falam. Nenhum dos dois lados os faz sem suas razões, e todos fazem lá seus estragos e mal feitos em suas atividades. Mas se eu tiver que escolher um dos dois lados, que seja o de trazer a tona o que fede e o que é feio, para que todos tenham a chance de se xplicar e de mostrar a verdadeira beleza que tem, se tiverem alguma.

Porque ninguém é perfeito, e ainda não aprendemos a viver sem governantes, ídolos e chefes, temos que entender que estes mesmos sempre serão imperfeitos como nós, e que se alguém deve ir à frente para puxar o grupo, que sejam aquelas pessoas que apesar de seus defeitos, vícios e paixões, sejam ainda as melhores a ocupar suas posições.

Há tantas pessoas que podem apontar tantos de meus defeitos, e já cometi tantos erros. Se ainda acredita em algo do que fala, escuta o que digo, e me respeita. É porque é possível se respeitar alguém apesar de sua imperfeição. Isso deve se aplicar a todos. Então... que venha a tona aquilo que é, e cada um mostre do que realmente é feito e do que realmente é capaz. E vamos em frente, tentando encontrar os caminhos e as pessoas em quem confiar.

Em tempo... Noblat deu a sua versão para os fatos, e alguns acreditaram, outros não, e outros ainda levantaram novas indagações. Segue o bonde, e quem quiser, que acompanhe. Dessa história já tirei que tudo corre como deveria. Vamos apontar o dedo sim, mas sem esquecer de pensar também em quem somos e no que estamos fazendo, sim?

#prontofalei.

Agora posso voltar ao meu trabalho.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elas Dispensam Esta Rosa

Marjorie Rodrigues escreveu um manifesto refletindo sobre a realidade na qual vivem as mulheres, na véspera do dia a elas "dedicado". Mais do que isso, Marjorie também chamou as blogueiras (e alguns blogueiros) lusófonos a republicarem o material e abrirem a discussão sobre a situação vivida pelas mulheres em nosso tempo e sociedade. A adesão ao movimento foi enorme. Sem mais tagarelar, reproduzo o manifesto escrito pela Marjorie, sabendo que ninguém pode falar melhor sobre o assunto do que ela e todas as outras mulheres que participaram ou não do manifesto, mas que sabem onde lhes aperta o sapato.


dispense

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

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Não se surpreenda se também encontrar este texto em outros blogs e perfis do orkut ou se recebê-lo por e-mail ou impresso. Isto faz parte de uma campanha conjunta, organizada por mim e por esta comunidade.

Se quiser, pode reproduzir o texto e a imagem em seu blog ou perfil! No entanto, não se esqueça de me dar os créditos pela autoria. Também seria muito legal se você linkasse as meninas.




Não quis republicar o manifesto da Marjorie no mesmo dia em que o resto das blogueiras, por entender que este é um movimento delas -- do qual sou um observador e um admirador, mas não me arrogo o direito de ser um participante, ao menos não sem um convite.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Global Voices em Português chega ao seu milésimo artigo traduzido

São 3:44 da manhã de mais uma madrugada quase virada trabalhando. Acabo de traduzir um artigo do Global Voices Online que traz a tradução do post em árabe que levou o blogueiro Erraji à prisão no Marrocos. Enquanto passeio pelas estatísticas do site durante meu último cigarro da noite, me apercebo que há um número lindamente redondo na contagem total de artigos traduzidos pelo Global Voices em Português: 1000.



Mas eu não consegui isso sozinho. Foi graças ao esforço, à dedicação e à boa vontade de todos aqueles que ontem e hoje colaboram (ou colaboraram) com o Global Voices em Português que agora chegamos a esta marca. Com trabalho, e sobretudo com muita vontade, e a receptividade dos leitores em toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Global Voices em Português cresce e se aprimora a cada dia, rumo à tradução número 1001, à tradução número 2002, e assim por diante...

Acima de tudo, a nossa meta é uma extensão daquela do Global Voices Online: agregar, organizar e amplificar a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.

Parabéns para todos nós.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mapeando a Lusosfera

Ecoando um excelente post e uma excelente iniciativa da Paulinha Góes (get well soon, my dear!)...

Criei um mapinha no google para indexar os blogues em português no mundo inteiro de acordo com a localização do autor. Essa indexação, espero, me ajudará na cobertura da lusofera que faço para o Global Voices Online (que por um lado é o motivo da minha quase ausência).

Mapa da Lusosfera

Clique aqui para ampliar

Se você, visitante, tem blogue em português, por favor ajude a populá-lo (e se calhar a divulgar o projeto no seu blog!). É super fácil se colocar no mapa, só é preciso ter uma conta no Google. Veja aqui os passos:

- Entre na sua conta no Google,
- Vá ao mapa da Lusosfera
- Faça uma busca no topo pelo seu código postal, endereço, cidade ou país, a depender do quão especifíco você queira ser, :)
- Clique em ‘Save to my maps’ na caixa que vai aparecer, escolha Blogs em Português no menu dessa caixa e clique em ‘Save’.
- Edite essa entrada, colocando seu nome/pseudônimo, e se quiser, país, acrescentando os detalhes que quiser sobre o seu blogue e, claro, o link dele. Por incrível que pareça, tem gente que esquece desse detalhe básico!
-Depois é só clicar em OK de novo.

Para não ficar tão off-topic, aproveite para conhecer o projeto Língua, que traduz o Global Voices Online, e o novo design do Global Voices em Português - cada vez mais vistoso!

(o post original está aqui)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Rivalidade entre blogueiros e jornalistas?


(video publicado no youtube por alelou, satirizando a rivalidade
entre blogueiros e jornalistas no Campus Party)


O assunto é velho, mas os dois lados adoram requentá-lo. Será que existe realmente uma rivalidade entre blogueiros e jornalistas, ou a questão se assemelha mais a um conflito de modos de pensar, trabalhar e agir que poderia ser resolvido se houvesse interesse de ambos os lados nisso?

Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Rivalidade presume que existe uma competição, uma rixa, relativamente irrenconciliável, entre os dois grupos. Discordâncias e conflitos são outra coisa, bem mais comum e mais complexa. Passam por princípios, modos de atuar, posicionamentos socio-políticos e diferenças complexas que não são tão "interessantes" para quem não está realmente "interessado" em entendê-las. Há, contudo, quem tenha muito interesse em flautear rivalidades. Rivalidades dão posts bombásticos e artigos chamativos em jornais. Diferenças, discordâncias, são mais difíceis de entender, discutir e lidar. Discutir diferenças e encontrar caminhos é complicado, não movimenta blogs (e adsenses) e não vende jornal.

Será que há mesmo essa tal rivalidade, ou trata-se apenas de membros destes "irreconciliáveis" grupos agindo em conjunto (vejam só!) no sentido de não entender o que acontece entre eles? Seria engraçado pensar que a tal rivalidade seja uma "invenção" dos rivais, não seria?

---

Ainda sobre a tal rivalidade, que aparece na matéria da Folha Online que citei no post anterior, é engraçado observar como certas ações são "apropriadas" ou "reapropriadas" por blogueiros e imprensa para confirmar suas versões dos fatos, e da rixa.

"[...]Além de, em conjunto, fazer uma cobertura praticamente em tempo real dos bastidores da feira (é possível ver isso em agregadores de blogs como o Blogblogs.com.br), a classe foi responsável por uma das maiores polêmicas do evento: a rivalidade com os jornalistas.

As manifestações foram ganhando força durante a semana e chegaram ao clímax na quinta-feira (14), quando os blogueiros fizeram um protesto em frente à sala de imprensa da Campus Party --um "aquário" que fica ao lado das bancadas onde os "campuseiros" instalam seus computadores. Os representantes da "velha mídia" foram chamados de dinossauros. Veja o vídeo.[...]"

(extraído da matéria da Folha)


Vamos pegar o exemplo daqueles primeiros cartazes pregados no aquário dos jornalistas do Campus Party, dos quais já falei aqui e aqui, e dos quais sei muito bem por ter participado da ação desde sua concepção até sua realização.

O cartaz onde se diz "Não Alimente os Animais" foi idéia de uma famosa blogueira, que não quis participar da ação nem revelar seu nome, mas que em outro momento estava criticando um outro famoso blogueiro por ter uma postura "midia tradicinal X blogs". Não é curioso? Por outro lado, o cartaz onde se lê "Não bata no vidro, peixes exóticos sensíveis" foi uma brincadeira bolada por uma cientista social que conheço muito bem, e que não tem grande respeito nem pela mídia tradicional nem pelos blogueiros (nem interesse ou participação na tal "rivalidade" entre eles), e que estava pensando apenas em fazer uma brincadeira com o aquário, e não com seus noticiosos peixes. Acabou sendo lido como mais um "ataque" dos peixes fora do aquário aos peixes fora d'água (digo, dentro do aquário).

Não é engraçada a forma como alguns fomentam a rivalidade que depois criticam, enquanto outros transformam os fatos de modo a corroborar suas afirmações? Neste mundo da comunicação, a verdade parece ser uma coisa rara. É bom ficar atento. Todo mundo tem suas versões e, mais do que isso, seus interesses em que sejam aceitas. Não há santos, só blogueiros, jornalistas e leitores.

Quando é que vamos parar de flautear rivalidades, como se ainda estivéssemos no ensino médio, e vamos tentar entender qual o lugar de jornalistas, mídia tradicional, blogueiros, blogosfera e dos cidadãos em geral neste novo mundo de comunicação?

Let get a life and grow up, kids. Everyone is watching.

Minha entrevista pra Folha não saiu bem como combinado. Novidade?

A entrevista que dei por email ontem para o jornalista Thiago Faria, da Folha Online, foi publicada hoje na matéria "Campus Party tem graves problemas de organização, dizem blogueiros", da sessão de Informática. Para variar, minha entrevista e minha foto não saíram bem como combinado. Será que eu deveria ficar surpreso? E será que os jornalistas deveriam ficar surpresos quando alguns blogueiros implicam com eles e dizem que jornalistas e midia tradicional não são confiáveis? Deixo as respostas para vocês. Vou contar me limitar a contar o que aconteceu.

A história começou do jeito que contei neste post aqui. Depois disso, informado pelo Thiago que minha resposta estava meio longa (o que eu já imaginava. sou um verborrágico assumido), fornecí eu mesmo uma versão resumida da mesma (feita pela minha companheira Pata Nardelli, que tem poderes de síntese melhores que os meus):

1. O melhor do Campus Party.
Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores -- tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente -- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles.O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica. mas acredito que não caiba ao evento nenhum elogio irrestrito, infelizmente. Há muito o que se aprender aqui. Espero que aprendamos. O evento, pelo dinheiro e esforço que custou, e pelo tempo de planejamento que teve, poderia ter sido bem melhor.

2. O pior do Campus Party
Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogues e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autonomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos/temas chave no escopo da blogosfera brasileira. a maneira como o evento foi fechado em categorias estanque que fortalecem ainda mais os feudos temáticos -- modding, gaming, blogs, robótica, etc -- faz com que o evento se pareça mais com uma quantidade de eventos isolados dividindo o mesmo espaço do que com um único evento que abarque todas estas áreas. Mais do que isso, a forma como o evento está espacialmente dividido, com áreas definidas para cada tema/grupo, inibe a aproximação entre os participantes de áreas distintas e aliena ainda mais aqueles que não se identificam como membros de algum grupo em particular. Quem veio e está aqui sai com a certeza de que viu apenas o SEU Campus Party e não a festa inteira, pois uma boa parte da festa é "apenas para membros da confraria".

Avisei também que, caso este resumo ainda estivesse muito longo, deveriam entrar em contato comigo para que eu fizesse uma nova edição. Fiquei à espera, mas não fizeram mais nenhum comentário sobre o texto. Quando perguntei se o resumo enviado estava bom, responderam que sim...

Em vez disso, veja como saiu minha entrevista na matéria:

Daniel Duende (Brasília/DF) - veja a resposta completa no blog: O Novo Alriada Express

O melhor

Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores --tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente-- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles. É um grande encontro, mas infelizmente um grande encontro que também favorece um bocado a criação de grupos --clusters-- de pessoas que se concentram umas nas outras e que se fecham para o exterior. Há raras e preciosas exceções a isso, felizmente. O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica, mas mesmo este contato é limitado pela 'segmentação' criada pela própria estrutura do evento, que nos 'etiqueta' como blogueiros, modders, astrônomos, gamers, etc. A circulação entre grupos e áreas de interesse é possível, mas limitada.

O pior

Infelizmente há mais críticas do que elogios a se fazer ao evento. Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogs e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autônomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos e temas-chave no escopo da blogosfera brasileira (como os blogs de arte e literatura e aqueles que os escrevem, os esquecidos de sempre quando se fala de blogs)...


Parecida, de fato, mas com a escolha que ELES fizeram das coisas que eu falei. Ao menos eles mantiveram o combinado de linkar para meu blogue, onde estava minha entrevista na íntegra (mas não foram bacanas o bastante para linkar para o post certo).

A foto também não saiu bem como o combinado.

Quando me pediram para enviar uma foto eu enviei este original:



E esta sugestão de edição:



Mas em email, outro jornalista chamado Felipe Maia (que assina a matéria) me perguntou:
"Vc não quer que apareça o "Deus te abençoe" ou a mensagem inteira? Preciso avisar o pessoal da foto."
E eu o respondi:
"Se for possível colocar a imagem com a mensagem inteira, para mim está ótimo. Em meu recorte me preocupei de tirar a data colocada pela máquina que bateu a foto, coisa que sei que muita gente não gosta e acha feio. Se for possível recortar a imagem de modo a que meu rosto e a mensagem na íntegra (com o "to pedindo não to robando, deus te abençoe" incluídos), vou achar ainda melhor."

Mas como vocês podem ver na matéria, a foto saiu de um jeito um pouco diferente (sem a mensagem, deixando minha expressão na foto descontextualizada e... retirando totalmente a piada feita com o Windows).




Infelizmente não é mesmo surpresa que as minhas palavras tenham sido alteradas da forma que os jornalistas acharam melhor, e é compreensível que a Folha não quisesse estampar em sua matéria uma imagem que faz piada com o carro chefe da poderosa Microsoft, anunciante sua. Mas serei o único aqui a achar muito grave que jornalistas que recebem TODA a colaboração de suas fontes ainda assim não consigam publicar uma entrevista de modo honesto e integral (ou negociar adequadamente sua edição)? Serei o único a achar grave que me entrevistem e editem minhas palavras como bem querem?

Estas são algumas das coisas que os jornalistas devem pensar quando se perguntarem por quê é que tantos blogueiros implicam com eles e dizem que não são confiáveis. Senhores Thiago Faria e Felipe Maia, minha caixa de comentários está sempre aberta para ouvir o que os senhores tem a dizer sobre a matéria que fizeram.

Esta é uma conversa que pode estar apenas começando.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Entrevista pra Folha Online sobre o Campus Party

Recebi a uns minutos atrás um email do Thiago Guimarães, que se identifica como jornalista da Folha de S. Paulo e afirma estar fazendo uma entrevista com os blogueiros que estão no Campus Party a respeito do evento.

O email era assim:

Daniel, como vai?
Sou repórter de Informática da Folha Online e estamos fazendo uma pesquisa entre os blogueiros para uma reportagem sobre a Campus Party. Vi em seu blog que você está blogando direto do evento e gostaríamos de saber o que você considera ser:

1. O melhor do Campus Party
2. O pior da Campus Party

Pode ser apenas um parágrafo.
Precisamos saber também: sua idade e a cidade onde mora.

Um abraço
Thiago Faria
Repórter - Folha Online


E então eu, com minha usual verborragia animada, respondi ao email assim:

Olá Thiago. Seguem as respostas. Quero frisar que tanto seu email com as perguntas quanto as minhas respostas serão publicadas na íntegra em meu blog logo depois que este email for enviado.

Quem, e de onde, sou?
Eu sou o Daniel Duende, de Brasília. Tenho 30 anos.

1. O melhor do Campus Party.
Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores -- tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente -- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles. É um grande encontro, mas infelizmente um grande encontro que também favorece um bocado a criação de grupos -- clusters -- de pessoas que se concentram umas nas outras e que se fecham para o exterior. Há raras e preciosas excessões a isso, felizmente. O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica, mas mesmo este contato é limitado pela "segmentação" criada pela própria estrutura do evento, que nos "etiqueta" como blogueiros, modders, astrônomos, gamers, etc. A circulação entre grupos e áreas de interesse é possível, mas limitada. Há ainda a oportunidade de se assistir a algumas palestras interessantes, mas a programação está confusa e muitos temas que gostaríamos de ver discutidos estão sendo deixados de lado. Espero que a possibilidade de se "fazer acontecer" algumas atividades que não estão no programa se confirme nos próximos dois dias. Isso seria muito bom também. Por fim, acho que aquilo que é ruim no evento -- seus defeitos, que falarei na pergunta seguinte -- também acabam sendo uma boa amostra, uma experiência real, de algumas questões da realidade da internet brasileira e dos círculos sociais/culturais que a fazem e a frequentam. Sei que minha resposta pode estar fugindo um pouco da pergunta sobre "o melhor do Campus Party", mas acredito que não caiba ao evento nenhum elogio irrestrito, infelizmente. Há muito o que se aprender aqui. Espero que aprendamos. O evento, pelo dinheiro e esforço que custou, e pelo tempo de planejamento que teve, poderia ter sido bem melhor.

2. O pior do Campus Party.
Infelizmente há mais críticas do que elogios a se fazer ao evento. Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogues e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autonomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos/temas chave no escopo da blogosfera brasileira (como os blogues de arte e literatura e aqueles que os escrevem, os esquecidos de sempre quando se fala de blogues)... as críticas são muitas, e a meu ver um bocado relevantes. Para me concentrar apenas nos pontos que considero mais importantes em meio à quantidade de questões que se pode levantar sobre o evento, gostaria de falar um pouco mais sobre duas das críticas acima: o da desarticulação dos grupos e atividades dentro do evento e o da exclusão da temática dos blogues de literatura.

O Campus Party pode ter sido pensado originalmente como uma grande confraternização de quem está viajando e fazendo a internet e a era digital brasileira neste momento, mas a maneira como o evento foi fechado em categorias estanque que fortalecem ainda mais os feudos temáticos -- modding, gaming, blogs, robótica, etc -- faz com que o evento se pareça mais com uma quantidade de eventos isolados dividindo o mesmo espaço do que com um único evento que abarque todas estas áreas. Mais do que isso, a forma como o evento está espacialmente dividido, com áreas definidas para cada tema/grupo, inibe a aproximação entre os participantes de áreas distintas e aliena ainda mais aqueles que não se identificam como membros de algum grupo em particular. Some-se a isso as atividades que acontecem todas ao mesmo tempo, fazendo com que as pessoas tenham que se desligar do fluxo de seu grupo para poder prestar atenção a outro, e você tem alguns dos motivos que tornam o Campus Party um evento tão desarticulado. Quem veio e está aqui sai com a certeza de que viu apenas o SEU Campus Party e não a festa inteira, pois uma boa parte da festa é "apenas para membros da confraria".

A exclusão dos blogues literários não só da programação do Campus Party como também da própria concepção geral que se tem quando se fala de blogues e blogueiros é uma questão muito séria. Blogues são ferramentas, indiferente do que se faça com eles. Mas o que se vê aqui no Campus Party é que um grande segmento dos usuários desta ferramenta se reune e começa a se considerar como "os blogueiros", o que por analogia exclue aqueles que não são chamados e não participam deste segmento não muito literário da blogosfera. Quando um evento como o Campus Party não levanta a discussão sobre blogues e literatura, ou sobre o lugar dos blogues literários na blogosfera e na internet brasileira, esta cisão e esta invisibilidade social virtual dos blogues de literatura apenas se acentua. Talvez este seja um dos grandes problemas de eventos como o Campus Party e outros eventos ligados à internet. São reuniões de uns poucos entre grupos que já são por si só de elite, em que se exclui ativa ou passivamente todo o resto do que existe, alienando aqueles que não fazem parte nem procuram fazer parte desta elite do hype internetico brasileiro. O Campus Party é uma festa de uma parte da internet que parece acreditar ser o todo, ou os porta-vozes, de uma internet que nem sequer concebem em sua totalidade.

Eu sei que a resposta ficou um bocado longa. Mas é isso que tenho a responder a estas perguntas. Qualquer resposta mais curta seria incompleta, a meu ver. Ou talvez eu seja apenas verborrágico demais. Quem ler, decide.

Abraços do Verde.

É claro que a resposta ficou um bocado longa. Não tenho quase nenhuma esperança de que sequer uma parte dela seja utilizada na matéria do jornalista, mas tanto por vontade de publicar minha resposta como pelo bom hábito blogueiro de publicar todas as entrevistas que se responde, achei válido publicar isso aqui.

É claro que adoraria ler alguns comentários de vocês a respeito.


UPDATE:
Achei importante complementar que boa parte destas considerações foram destiladas em conversas com vários amigos e colegas que também estão no evento, principalmente na conversa que eu estava tendo com a Pata Nardelli pouco antes de chegar à minha máquina e deparar com o email da entrevista. De fato, uma boa parte das considerações que teci na parte de críticas vieram ou foram estimuladas por apontamentos feitos por ela.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Campus Party - Parte I

Acordamos atrasados, eu e Patinha, e tivemos que sair correndo para não perder a carona na Van que trazia o pessoal (maldito celular que resolveu tocar um "alarme silencioso" na hora de me acordar!). Na chegada ao evento, conseguimos escapar marginalmente da confusão da entrada/credenciamento dos participantes. Ficamos acompanhando de longe as filas gigantescas que serpenteavam para dentro do evento. Nos demos bem? Não sei. Já são cinco da tarde, estamos dentro do evento, mas até agora não temos credenciais e o F.Mafra continha sem computador. Bom, né?

Quando chegamos, o evento já estava começando a ficar movimentado. A primeira das muitas coisas bizarras que vimos -- entre as milhares que já esperamos ver -- são os blogueiros móveis da intel. É tão surreal que chega a ser engraçado. Há pouco fiquei sabendo que um deles levou um estabacão lá no primeiro andar. Não fiquei surpreso.

Depois de encontrar uma mesa onde pousar meu humilde laptop, fui procurar um live-cd do Ubuntu para me livrar do windão da minha máquina. Depois de rodar um pouco pelo evento perguntando aqui e ali se alguém me arranjava o bendito livecd, resolvi radicalizar. Por fim, acabei conseguindo instalar Ubuntu.

Depois de matar a fome que rugia em nossos estômagos, estou finalmente me aclimatando na minha máquina. Novos posts mais curtos e interessantes virão depois deste, mas eu precisava começar de alguma forma. Foi mal aê. =)

Abraços do Verde.
P.S. este post está a espera dos links de video e imagem que dão sentido a ele.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

curtas (para desenferrujar o blogueiro em mim)

- Dia 31 foi o BlogDay. O Uirá lembrou de mim (e também lembrou ao metal de que ele tem um blogue técnico). Fiquei feliz de ver o Alriada lembrado junto com seu irmão-psíquico mais velho, o excelente Alfarrábio do copoanheiro Bicarato (saudades, bica!). Coisas assim me fazem me sentir um pouco mais blogueiro de novo (ainda mais depois que o Uirá também ecoou este post aqui). :)

- Enquanto isso, tem gente no CMI ficando melindrada com a (boa) consideração que o pessoal do Ministério da Cultura tem com eles. Invariavelmente isso me faz lembrar dos revoltadinhos sem causa que conheci em meu segundo grau. Ninguém podia gostar deles, se não eles não eram "revoltados o bastante". Boa sorte pro CMI. :)

- Aproveitando a deixa, o Global Voices em Português está cada vez mais movimentado (e ganhando novos colaboradores a cada dia). Dá muito gosto de ver!

Por hora é isso. Espero voltar em breve com mais (e melhores) coisas a dizer.


UPDATE:
E por falar no Blógue-Day, o Alriada também foi citado no Navalha Infame, junto com o excelente Sabedoria de Improviso da Czarina. :)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A incrível história do jornal que ridicularizou os blogueiros (e seus leitores) e acreditava estar sendo engraçadinho.

(dica da Paulinha Góes, em uma lista de discussão do Global Voices em Português)




Os meus colegas falam por si mesmos, e eu assino embaixo:

"O Carlos Merigo acabou de publicar no Brainstorm#9 e no radinho de pilha um texto sobre a nova campanha do Estadão contra os blogs.

A campanha se baseia na idéia de que informação de qualidade só se acha na mídia tradicional. Se a intenção era criar algo engraçado eles já conseguiram, porque a campanha por si só já é uma piada.

Vou deixar aqui um link pro pessoal do Estadinho se informar melhor.

The State of the Blogosphere - Technorati"



"Antes que este filme sobre o "blog do Bruno" entrasse no ar, outro comercial anterior dessa campanha, "Ruivos" (que exibe três amigas suspirando por ruivos de aparelho, após terem lido num blog, escrito por um ruivo, que eles costumam ser mais bem-sucedidos do que os outros homens), já havia suscitado reações indignadas na blogosfera. Gabriel Tonobohn escreveu: "Jornais e revistas online têm um objetivo, que é de apenas informar. Blogs, além disso, dão opinião e possibilitam uma discussão dentro do seu espaço, junto ao leitor. É por isso que muito desses jornais também possuem blogs. Inclusive o próprio Estadão". Luciana Monte complementou: "Em regra, o blogueiro escreve sobre o que tem vontade. Blogueiros não obedecem a um editor-chefe, não têm pauta pré-determinada e seus artigos não sofrem sucessivos cortes para se ajustarem à linha editorial do veículo que paga o seu salário"."



"A mensagem é absolutamente clara e generalista: todos os blogs, e mais, TODO O CONTEÚDO CRIADO POR NÃO PROFISSIONAIS, não presta. A campanha é clara ao afirmar: blogs copiam informações, blogs só escrevem bobagem, blogs não tem discernimento.

Sinto muito se não era essa a intenção do jornal, se na verdade o que eles queriam dizer era "tome cuidado com o que lê". É tarde demais para fazer suposições, nós, blogueiros, só podemos falar do que está no ar, do que está sendo veiculado. Se a intenção era outra, há ainda mais motivos para a campanha estar errada."






"O Estadão está atirando para o lado errado. Recomendo fortemente à equipe comercial do site que estude a fundo o impacto social dessas ferramentas hoje, e avaliar se realmente está doendo no bolso deles a ascensão dos blogs brasileiros.

O triste disso tudo é que estão denegrindo o uso social da ferramenta blog. Um dos fins mais comuns para a ferramenta fica com sentido pejorativo, e arrasta junto tudo que o blog pode trazer de bom na internet.

E o mais engraçado? A única coisa que eu leio no Estadão hoje… são os blogs."


Estava demorando para que algum jornal disparar o primeiro tiro (contra o próprio pé, bem entendido) de uma guerra burra e desinformada contra a blogosfera. A mídia tradicional está agonizando por conta de seus próprios vícios. Nada mais natural do que tentar satirizar os vícios da mídia cidadã, onde eles existem, na tentativa de se firmar. Mas como diz o sempre sábio Inagaki, o futuro da mídia é a convergência e não a competição entre campos midiáticos. Se os jornais resolverem dar uma de "só tem espaço para nós aqui", em breve não terão mais espaço nenhum.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Criatividade em prol da liberdade de expressão...

Direto do Global Voices em Português:

Ryan McLaughlin, um blogueiro para lá de inovador e já há muito tempo residente na China acabou de lançar o Censortive, um plugin para o WordPress que converte palavras em imagens e estas cabem perfeitamente no post de seu blogue, possibilitando que os filtros de palavras sejam enganados. O suporte técnico para caracteres chineses ainda está sendo desenvolvido. Alguma sugestão [EN]?

Mais um exemplo da criatividade (e riqueza de recursos simples e úteis) dos jornalistas cidadãos e blogueiros dalí e de acolá para burlar a mania que alguns (governos) tem de controlar o fluxo de informação...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Eu também acho que assim não dá!

Ecoando o post do copoanheiro Paulo Bicarato, que por sua vez ecoa a "Mensagem do Pilgeróvski numa das listas":

Oi, pessoal.

Não sei se vocês estão a par, mas o senador Eduardo Azeredo entrou com um substitutivo projeto de lei no Senado que tipifica 11 crimes na Internet. O problema é que o projeto de lei tem alguns absurdos, como esses listados pelo site SaferNet:

http://safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/Noticia20070521123629

http://safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/Noticia20070514161351

Mais informações sobre o projeto podem ser visto na SaferNet também:

http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/PLSEduardoAzeredo

O Marcelo Träsel, do coletivo Insanus, postou no seu blog sobre as falhas que esse projeto de lei apresenta:

http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/PLSEduardoAzeredo

Mas o caso todo é o seguinte: acaba de ser divulgada a pauta da reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado de amanhã e a análise e *votação* do substitutivo foi incluída na pauta de última hora. Podem conferir:

http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CCJ/Pautas/20070523RO016.rtf

Ou seja: um projeto de lei polêmico, que restringe liberdades individuais, que abre espaço para *justiceiros virtuais*, que pede que os provedores mantenham por três anos os registros de acesso de seus clientes, entrou assim sem mais nem menos na pauta de votações, sem dar espaço para a sociedade discutir se tal lei é válida ou não.

Assim sendo é hora de, de novo, a sociedade pressionar para que não se aprove essa lei. Como? Através de blogs, emails, enfim, levantar a poeira.


Sabe quando você lê um projeto de lei e sente náuseas ao perceber que, ou alguém está fazendo muita merda sem querer (e pela pura ignorância digital que grassa entre muitos legisladores) ou, pior ainda, estão fazendo muita merda propositalmente...?

Tá na hora de lutar contra mais esta manobra obscurantista (ou mal intencionada) contra a liberdade da rede.

Tamo junto.


UPDATE:

O Zé Murilo escreveu uma excelente matéria para o Global Voices, tratando deste tema e reunindo algumas vozes da blogosfera brasileira sobre o assunto.

Sérgio Amadeu, sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e ativista de software livre, também escreveu sobre o assunto em seu blogue e em matéria para Centro de Mídia Independente - Brasil, que também apresenta outra matéria sobre o assunto.

Diploma de jornalista para quê, se ninguém aprende a ser jornalista na escola?

A Patrícia Köhler do blogue Cintaliga escreveu um post matador (e muito verdadeiro) sobre a realidade dos cursos de jornalismo e a inexplicável (e bem suspeita) necessidade de diploma para se exercer a profissão. Diploma para quê, se boa parte dos estudantes de jornalismo ou já nasceram para coisa (e seriam bons nela mesmo sem curso algum, como o são muitos blogueiros, entre os quais meu irmão) ou não vão levar jeito nenhum para o trampo de jornalista/comunicador nem depois de uma lavagem cerebral?

Segue um trecho do post da Patrícia (que eu encontrei por conta do Overfeeds):

"(...)Na verdade para ser jornalista é preciso ter senso crítico, ser analítico, ter MUITA disposição para enfrentar adversidades e problemas de toda ordem (imagina, alguém que tem preguiça/medo de pegar um ônibus num bairro mais distante do seu, de pedir informação, de apenas falar com um morador de rua tem mesmo capacidade – nem digo intelectualmente, mas principalmente estrutura emocional - para chegar a cargos altos, sejam eles em redações ou como correspondentes em lugares ou situações nem sempre aprazíveis?) e mais uma série de atributos que ou você nasce com eles ou espera a próxima encarnação e conta com a sorte.
Antes dos chatos de plantão me falarem "se reclama da universidade particular, por que não vai para uma pública?", como já fizeram anteriormente em conversas por aí, eu digo que já prestei na USP e não passei, e não tenho a menor vergonha disso, haja vista a relação canditado/vaga daquele curso. Não prestei Unesp ou mesmo univesidades fora do estado, e isso eu realmente lamento por não ter ao menos tentado.
Mas o problema, no meu entender, não reside apenas nisso. Há elite - e como há! – nas faculdades públicas, resta saber se eles agem como os alunos das particulares, com eventuais ataques de criança que se perdeu da mãe num supermercado, ou se lá eles resolvem agir de forma mais adulta e fazer valer os vários meses – às vezes mais de ano - de empenho nos cursinhos.
Mas eu JURO que queria saber o porquê do diploma para se exercer o jornalismo. JURO. Ninguém até hoje me deu respostas plausíveis. Quem sabe você, querido leitor, me convença?
Ninguém me ensinou a escrever na faculdade, muito menos a ler e ser criteriosa. Ninguém me imbuiu de coragem para ir a lugares sozinha com gravador e bloco de papel em punho. Ninguém fez recrudescer em mim a curiosidade, o interesse pela leitura, por ler artigos na Internet, em revistas, ler livros, por gostar de conhecer pessoas e suas vivências.
No dia em que um curso promover isso em um único aluno, talvez eu me renda.(...)"

Vai lá ler o post inteiro no blogue da Patrícia, pois ela parece saber muito bem do que está falando. Concordo com cada palavra do que ela disse. Não preciso, portanto, nem comentar mais nada sobre a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

Por outro lado este texto me fez pensar nas consequências (talvez até mesmo benéficas, por um certo ponto) desta proibição. Se por um lado você tem que ter um diploma para ser considerado um "jornalista", não é necessário ter diploma algum para ser blogueiro. Pelo contrário da tendência controladora e centralizadora (e mandona) da industria midiática tradicional, as midias alternativas que são a base da blogosfera e do jornalismo cidadão não discriminam cor, classe, credo, formação ou opinião. A única prova de fogo do blogueiro é saber se comunicar, ter algo a dizer e saber dizê-lo, zelar pela qualidade de sua informação e apresentação e, sobretudo, saber conversar. Não é justamente uma boa parte do que um jornalista deveria ser? Pois então, meus amigos jornalistas com ou sem diploma: vamos blogar!

E que se dane esta lei sem sentido, ou os jornais e meios de comunicação que se prendem a ela e não reclamam. Tudo isso está ficando um bocado demodê. Proibições como estas são um sinal de um velho "modo de fazer" que está em decadência. O jornalismo cidadão está crescendo, e amadurecendo, para tomar seu lugar.
(e foi mais ou menos isso que eu disse lá no comentário que deixei no post da Patrícia)

Quem viver e blogar, verá.



Ah, você ainda não sabe o que é Overfeeds?
Então leia isso aqui, oras!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

agradecimento (muito) atrasado.

A Luciana, do blogue Dia de Folga, fez vários elogios bacanas ao Alriada Express em um post do dia 21 de abril. Este duende, enrolado como é, nem havia ficado sabendo do post (ou dos elogios) na época. Agora que o Technorati me contou do babado é hora de agradecer, né?

Valeu mesmo hein, Lu?



p.s. que bom que a minha filhota deserdada, a comunidade Brasília do Orkut, te deu alegrias. esta era a idéia. :)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Love over gold: blogando por paixão, dinheiro, fama ou um pouco de tudo.

"(...)You've thrown your love to all the strangers
And caution to the wind

I takes love over gold
And mind over matter
To do what you do that you must
When the things that you hold
Can fall and be shattered
Or run through your fingers like dust"
Pego emprestado o título e um pedaço da letra desta ótima música do excelente quarto álbum homônimo do Dire Straits para voltar a um assunto que, ao que parece, está cada vez mais na moda: blogs, paixão e dinheiro.

Nestes últimos dias, além do post do Murilão sobre os 10 anos da blogosfera, publicado no Global Voices Online, que passa pelo assunto dos blogueiros remunerados e dos motivos para se blogar, há também vários outros colegas que voltaram (ou nunca saíram) do assunto:

O André, do blogue Marmota, comenta os resultados de algumas conversas sobre o tema (e do meme "Blog, escrever por paixão ou por dinheiro?" de Bruno Godoi), apontando que o motivo principal dos blogueiros brazucas para blogar é a paixão (o que não exclui a possibilidade de que o dinheiro e tudo mais sejam motivos secundários), em sua blogada "Escrever blogs por paixão ou por dinheiro?". O próprio André já havia dado outras pinceladas sobre o assunto a uns meses atrás em seu post "Blog-moleque e post-arte não ganha campeonato?", que inclusive me levou a entrar no papo com meu notório (e, err... peculiar) post "Que papo é esse de 'blogueiro profissional'?" (que me enfiou no meio de uma discussão que foi, no mínimo, cansativa -- pois eu não sabia ainda muito bem o que dizer a respeito).

Por outro lado o Ian Black, o mano véio do blogue Enloucrescendo, assume que está na parada pela grana, mas que não se corrompe. Ian faz uma exposição legal de seus motivos -- satisfatoriamente sonhadora (pois eu gosto de sonhadores) sem perder a objetividade -- em seu post "Ian Black, Profissão: Blogueiro". Neste mesmo post Ian se coloca a favor da idéia de que fazer dinheiro blogando não é ruim -- é um trabalho honrado como qualquer outro, só que particularmente bacana -- e que o problema não está na remuneração ao blogueiro e sim na sua forma de encarar o blogar, e a grana. O Ian é um coraçãozudo no mínimo sensato. :)

Já o Donizetti, do blogue Hedonismos, faz seu contraponto se colocando contrário à profissionalização (em um posicionamento com o qual concordo um bocado) embora concorde que pode ser justo e bom receber uma remuneração pelo trabalho que se faz com prazer. Para ele, o prazer de fazer é fundamental e a "profissionalização" pode ser bastante prejudicial à atividade blogueira, não apenas em sua isenção mas também em sua ludicidade. Donizetti defende a necessidade de se encontrar um meio termo entre a seriedade do profissional e o prazer do blogueiro, fazendo uma distinção entre "ganhar para escrever" e "escrever para ganhar". Coisas de blogueiros hedonistas, como nós...
Por sinal, o mesmo colega Donizetti fez um outro post no qual fala justamente sobre seu jeito hedonista de blogar.

O papo segue e vai longe, nestes e em vários outros blogs. Este post se presta apenas a chamar a atenção de quem ainda não se tocou da conversa, e pra marcar algumas idéias que estão sendo colocadas.
Quem tiver algo a dizer, que se manifeste. Por hora, diferente do que fiz na primeira "onda" da discussão, vou apenas observar.
O único ponto fundamental para mim em toda a história, e que parece ser ponto concordante entre todos os blogueiros bacanas que leio, é que não só o blogar, mas todas as coisas que fazemos na vida, não podem nunca ser despidos do prazer e da arte do fazer.

Não interessa se há dinheiro envolvido ou não, há de se viver com arte.

Sincronicidade saudável (para um Duende que anda pensando em ser um pouco menos largadão...)

Justo agora que andava procurando, ainda meio sem rumo, uma forma de levar uma vida (um pouco) mais saudável e cuidar um pouco mais do meu corpo, me deparo com um excelente post do Marmota a respeito do mesmo tema. Ao que parece, é tempo dos blogueiros junkies resolverem perceber que possuem um corpo que se presta a algo mais do que levar seus cérebros para passear ou presenteá-los com todas as formas de prazer sensorial...

No post, o Marmota fala a respeito de uma outra blogada, esta mais antiga, feita em 2004 por Julio Daio Borges no Digestivo Cultural. Naquela blogada o Julio dá algumas dicas óbvias a respeito de alguns bons hábitos (mínimos) que devem ser cultivados em busca de uma vida mais saudável e mais prazeirosa (segundo ele mesmo).

As idéias (coladas do post do Marmota) são bem simples:

- Estabelecer horários fixos para comer e dormir (tudo que um jornalista um blogueiro, escritor ou boêmio não consegue). Mas é bom tentar: não há corpo que aguente acordar cada dia em uma hora diferente, ou mesmo jantares às três da manhã após aquele almoço das cinco da tarde.

- Atenção redobrada na hora das refeições: evite comer por compulsão. Mastigue devagar e evite muito líquido durante as refeições. Evite mais ainda se o líquido em questão for refrigerante.

- Arrume tempo para uma atividade física, nem que seja uma simples caminhada. Isso faz uma grande diferença. Os efeitos serão ainda maiores se você conseguir desvencilhar qualquer ocupação intelectual durante seus exercícios. Mais ainda se optar por um contato direto com a natureza.
Eu, que assim como o Marmota e o Julio sempre fui avesso a exercícios e preocupações com a saúde (e que até hoje acho que sou o duende pimpão molecão de sempre), começo a sentir que é hora de prestar mais atenção nisso. Vou tentar praticar estes hábitos (embora as caminhadas e a diminuição de líquidos -- com excessão da cerveja -- seja mais fácil do que regrar meus horários de dormir e acordar), só para ver no que dá. Se isso significar que minha mente vai voltar a funcionar e eu vou conseguir trabalhar e escrever, tanto melhor. Se não, espero ao menos ficar com mais fôlego para mais excessos posteriores... he he he... :)

Parafraseando o Marmota:
"É difícil, eu sei. Mas um dia eu vou conseguir."


UPDATE:
O próprio Marmota admitiu (nos comentários ali abaixo) que não conseguiu a "proeza" na época da publicação original do post (que minha mente cansada não havia percebido ser uma republicação de um post também de 2004). De qualquer forma seguimos, blogueiros junkies que somos, tentando melhorar um pouco nossos terríveis habitos, na busca de uma vida um bocadinho mais saudável e menos pançuda... :D

quinta-feira, 19 de abril de 2007

please... leave your marks.

Não interessa a impressão que eu passe -- eu não sou um cara durão.

Eu gosto, e preciso, de um feedback de vez em quando. Então, meu amigo leitor, não se acanhe: Se você passou por aqui, leu, gostou ou não gostou, deixe sua marca -- um comentário -- mesmo que seja só dizendo um oi.

Coisas assim fazem os blogueiros se sentirem mais queridos, sabe?