Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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domingo, 10 de fevereiro de 2008

O coração do Campus Party?

Marcelo Branco falou ontem (09/02) em entrevista ao PlayZone da RedeTV que o coração do Campus Party são os cabos de conexão de 5 gigabit.

Permita-me discordar de você, Marcelão. Os cabos estão aí para conectar as pessoas. As pessoas não estão lá, ou por aí, para serem movidas pelos cabos. São os cabos que existem para as pessoas.
Os cabos podem ser as veias, as vias, mas o coração do Campus Party, da Internet e de qualquer outra coisa que a gente faça é... invariavelmente... a gente.

Gente, pessoas, nós da rede... eu e você. Se não forem as pessoas o coração do Campus Party, não há porquê qualquer um de nós ir ao evento. Ele poderia acontecer sozinho, com seus cabos e brinquedos tecnológicos.

Não se deve nunca confundir os viajantes com as estradas. Estradas não vão a lugar algum. Elas só nos levam até lá, e existem simplesmente porque alguém quer viajar.

Nos vemos todos amanhã no Campus Party.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Não é Fantástico, Homer?

É realmente fantástica a capacidade da Rede Globo de se superar em mediocridade e jornalismo sensacionalista mal intencionado em seu especial dominical "Fantástico".

Matérias ruins e cheias de distorções, apresentadas com o tom de quem fala com um débil mental (ou com um Homer Simpson, como diria o William Bonner), perfazem todo o programa: Exotização dos índios do Alto Xingú, estatísticas estapafúrdias advindas de pesquisadores ingleses que nada têm o que fazer, comentários sobre os hábitos de mentir sobre gastos dos casais de Ipanema e Leblon (que para a Globo parecem ser o Brasil inteiro) e um especial de moda exortando a beleza do balonê...

Onde a Globo vai parar com essa merda toda? Onde bem quiser, como de costume.
Afinal de contas, por pior que seja a programação, todo mundo assiste.
Isso não é Fantástico?

Duuuuuuuuuff!


P.S. Quer mais? Tropa de Elite ternurinha no Central da Periferia (aquele programa que serve pra empatizar os fodidos com os mais fodidos do mundo afora) e lições neoliberais engraçadinhas de política externa latino-americana em um tal de "Central de Boatos", ou coisa do gênero. É fantástico. =)

P.P.S. Eu achei EXTREMAMENTE PREOCUPANTE a maneira como aqueles idiotas do Melhores do Mundo (grupo de teatro brasiliense que, se bem me lembro, um dia já foi engraçado) falam da Venezuela e do povo venezuelano na estréia do terrível quadro "Central de Boatos" do Fantástico. Se toda brincadeira tem fundo de verdade, a verdade no fundo das piadas dos caras parece ser uma só: vamos, brincando, jogar todo mundo contra nossos vizinhos latinos mais radicais. Tio Sam e "brimo" Mainardi devem ter achado engraçado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Mas hein?

Eu sempre fico abismado com a televisão brasileira...


"Em Janeiro tem Lula?

Não.

Tem Lola."



Alguém me explica que diabo é isso?

domingo, 18 de novembro de 2007

o ridículo televisivo nosso de cada dia...

Toda vez que eu paro em frente a uma televisão por mais de 10 minutos, me assalta novamente a vontade de montar um blogue só para comentar o ridículo televisivo que nos é presenteado todos os dias pelos canais abertos de tevê (e pelos canais fechados de "tevêacábo" também).



A idéia é da Patinha (minha companheira de olhos de águia e, até onde sei, a única pessoa a ver a pagada de peitinho da Ivete Sangalo no Faustão), mas cada vez mais acho que ia ser uma brincadeira no mínimo interessante.

Se eu encontrar um tempinho no trabalho e ela na feitura da monografia, a gente dá à luz este tal blogue. É claro que um estímulo dos leitores pode ajudar. :)

sábado, 10 de novembro de 2007

Sem Limites e sem noção.


Zapeando sem rumo pelos canais da recém instalada televisão que agora se assenta em minha sala de estar (sim, eu me rendí! mas só a ligo quando a Patinha me visita), encontrei um programa de auditório (sem platéia) absolutamente sem noção em um canal que nunca havia visto antes. Nele, uma insólita figura loira, usando um terno que bem poderia ter sido doado a um brechó por Sílvio Santos, falava de amor, paixão e amenidades frente a um cenário ao mesmo tempo brega e espartano. Ao final de sua diatribe, ele anuncia a próxima atração:

- "Agora vamos chamar um dos maiores cantores da música brasileira! Vem aí, Ângelo Máximo!..."

Quem!?

É claro que eu tive que sentar e assistir esta bizarrice.

O ilustre desconhecido Máximo nos presenteou com um de seus maiores sucessos em playback, chamado "Domingo Feliz" (Meu domingo /Alegre vai ser / Pois pretendo sair com você / Ye ye ye que dia feliz / De mãos dadas vamos andar / Muitos beijos iremos trocar / Ye ye ye que dia feliz... (quer mais?))

Foi assim que eu descobrí o programa "Sem Limite", apresentado pelo loiríssimo Raul Freixes (algo assim como um Miguel Falabella magro, sensível e que gosta de rosas), e a recém-lançada Rede Brasil de Televisão. Ao longo dos quarenta minutos de programa que eu assistí (sempre informado do horário por um Freixes que não parava de olhar no relógio), eu e Patinha fomos presenteados com algumas das maiores pérolas da televisão brasileira, como:

- "Ãngelo Máximo é uma pessoa muito talentosa e muito humilde, e muito romântico, e muito talentoso e... muito humilde"

- "Os homens andam fazendo mais coisas em cima de seus carros e motos (sic) do que em cima das mulheres"

- "Muita gente pensa que dar rosas a uma mulher é cafona. Não é. É uma amostra da sensibilidade, do amor e da paixão..."

- "Este é o programa Sem Limite, porque nós aqui não temos limites."

- "A seguir... pela primeira vez na televisão brasileira... um LAGARTO!!"

- Raul: "Professor, existe alguma ligação entre os lagartos e as lagartixas?"
- Entrevistado: "Bem, todos eles tem quatro patas e são répteis."

E a maior pérola:

- "Vejam bem! Pela primeira vez na televisão brasileira... opa... o que ele está fazendo? Ele está fazendo cocô. Pela primeira vez na televisão brasileira, um lagarto fazendo cocô!" (câmera dá um close no momento íntimo do largarto defecando sobre a mesa do apresentador).


Agora que eu descobrí Raul Freixes, Faustão virou passado. Ninguém é tão sem noção quanto o loirão! :D