Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Vítimas dos direitos do alheio (à lei)

Estava pensando com meus botões...

Cortando toda a merda facista de que "bandido tem que morrer mesmo" (bem que alguns merecem, mas a coisa não é tão simples assim), tenho a impressão de que vivemos em um dos países onde os criminosos tem mais direitos em todo o mundo. O naipe dos direitos de nossos bandidos é comparável ao dos direitos dos criminosos em vários países europeus (que, sabe-se lá, devem ser algum bom exemplo de civilização ocidental). É claro que só tem direito quem tem bom advogado e, portanto, só tem direito o bandido que tem uma quadrilha ou um partido por trás (como os líderes do tráfico do Rio de Janeiro, ou o Pedrinho Passos). Os outros bandidos, assim como resto da população brasileira que faz o que pode para não cometer nenhum crime, só se fode.

Do jeito que a coisa vai, estamos nos tornando vítimas do descumprimento de nossos direitos à segurança e à justiça e, ao mesmo tempo, vítimas dos direitos dos criminosos que só se aplicam àqueles criminosos que, cá entre nós, deveriam ter um pouquinho menos deles (pelo bem de todos nós).

É por essas e por outras que eu tenho a impressão de que nosso mundo está de cabeça para baixo.


Alice, como é que faz para ir para o lado certo do espelho, minha filha?!

Pedro Passos finalmente preso... mas até quando?

A Clarinha enviou para o AINN:

Operação Navalha: PF prende Pedro Passos e presidente do BRB

Maria Carolina Lopes
Do CorreioWeb

*Atualizada às 16h21*

*17/05/2007
10h37*-A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 46 acusados de integrar uma quadrilha que fraudava licitações públicas em obras federais de todo País. Entre eles, estão empresários, servidores e autoridades públicas, como o deputado distrital Pedro Passos (PMDB), o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Roberto Figueiredo, o ex-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, os prefeitos de Camaçari (BA), Luiz Caetano (PT), e de Sinopi (MT), Nilson Aparecido Leitão(PSDB), além do diretor do Detran de
Alagoas, Márcio Gomes, o presidente da Companhia Energética do Piauí, Jorge Targa Júnior, e o assessor especial do Ministério de Minas e Energia, Ivo Almeida Costa.

De acordo com a Polícia Federal, os acusados agiam infiltrados em órgãos federais, estaduais, distritais e municipais com a finalidade de assegurar a liberação de recursos para obras inexistentes ou superfaturadas. A quadrilha desviou recursos dos ministérios de Minas e Energia (MME), da Integração Nacional, das Cidades e do Planejamento. Recursos do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) também foram repassados irregularmente. Há suspeitas de que a quadrilha agiu também superfaturando obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa Luz para Todos, do Governo Federal.(...)"
(clique aqui para ler o email inteiro no AINN)


Enfim, algumas boas notícias, não é?
Será que eles vão "seguir o fio" até chegar no Roriz, ou a Polícia Federal ainda não está disposta a tanto? Será que desta vez a Justiça vai resistir às pressões dos "coleguinhas" destes ilustres presos e vai mantê-los na cadeia? Será que vão cassar o mandato do Pedrinho e ele, enfim, poderá responder pela agressão estúpida que cometeu contra uma familia a um tempo atrás?

Não. Infelizmente não. Pedro Passos já está em casa, sob custódia da "polícia legislativa", que recebe ordens de Alírio Neto (PPS-DF), presidente da Câmara Legislativa do DF. Alírio, que já foi delegado da Polícia Civil, tem prática no assunto. Pena que a "prática" da Polícia Civil tenha sido sempre a de livrar a cara dos amigos do Roriz. Por sua vez, Pedrinho Passos já tem prática em escapar da prisão.

Se sair mais pizza, me vê uma de brócolis com bacon.
(não. não teve graça. não tem mais graça nenhuma...)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Deputado Distrital Pedro Passos agride pai de família com filho no colo ao ser vaiado em Brasília.

Quando li o email contando esta história de absurdo desrespeito e desfaçatez por parte deste bem conhecido parlamentar brasiliense, enviada por uma amiga ao AINN, cheguei à conclusão de que não poderia ficar em silêncio. Em uma rápida pesquisa encontrei já o mesmo relato publicado no site do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos e a repercussão do mesmo em matéria da Tribuna do Brasil. Vamos, então, ao relato contido no email e depois a algumas considerações. (os links e grifos são adição minha)

Meus amigos,

Escrevo para fazer relato de violência gratuita sofrida por membros da minha família no último domingo, 11/02.

Minha irmã caçula, que está grávida de seis meses, foi assistir à folia de reis na Granja do Torto com meu cunhado e meu sobrinho Iuca que está com 2 anos e 10 meses.

Eles chegaram lá por volta das 17h e perto das 21h, quando já se preparavam para ir embora, aconteceu um incidente muito desagradável.

O deputado distrital Pedro Passos, que tem uma ficha penal bem extensa e aproveita o instituto da imunidade parlamentar para continuar impune, ultrapassou todos os limites da boa convivência, cometendo um ato covarde contra minha família.

Um pouco antes do encerramento da festa, subiu ao palco para tentar transformar uma festa popular em palanque político. Várias pessoas ficaram indignadas com a impropriedade do deputado e começaram a protestar com vaias. Entre essas pessoas estavam: minha irmã, cunhado e sobrinho. Eles estavam sentados e meu sobrinho dormia no colo do pai.

Num ataque de fúria, o deputado Pedro Passos desceu do palco e agrediu meu cunhado com dois socos. Antes, porém, tentou intimidá-lo com o famoso jargão "Você me conhece? Sabe com quem está falando?" Um dos socos atingiu meu cunhado no lábio superior. O outro pegou de raspão e quase atingiu a cabeça do meu sobrinho. Minha irmã e outras pessoas que assistiram à atitude covarde seguiram o deputado enquanto procuravam um policial militar. O ato final do parlamentar foi ameaçar minha irmã e sua família dizendo "que tem meios de encontrá-los".

As providências cabíveis foram tomadas. Eles registraram boletim de ocorrência na 2ª DP (Asa Norte), assinado por sete testemunhas. Em seguida, foram ao IML e fizeram o exame de corpo de delito. Além disso, acionaram a imprensa. Desde domingo, o caso está tendo repercussão em todas as mídias e também na Câmara Legislativa.

O deputado Pedro Passos obviamente nega a agressão e a ameaça e já concede entrevistas -muito bem orientado por seus advogados - com a alegação de que "apenas reagiu a uma ação/manifestação premeditada".

Ação premeditada de manifestantes? Que manifestantes? Um professor, pai de família, com sua esposa grávida e seu filho menor de idade? Várias pessoas manifestaram, democraticamente, com vaias, o repúdio à tentativa do deputado de faturar politicamente num evento público.

E o deputado foi "tomar satisfações", como ele mesmo admitiu em entrevista, justamente com uma pessoa que não tinha chances de defesa? E o que é pior: que estava com o filho dormindo em seu colo?

Minha família faz agora o que todos deveriam fazer. Estamos recorrendo aos meios disponíveis para dar publicidade irrestrita a este lamentável incidente A certeza da impunidade e a omissão de muitas vítimas acabam banalizando atos violentos como este.

Hoje, dia 13 de fevereiro, meu cunhado ingressou com uma representação por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa. Aos amigos que tenham interesse em acompanhar os desdobramentos do caso, peço que se manifestem para que eu continue enviando e-mails. A melhor demonstração de solidariedade que posso receber de todos vocês é que repassem esta mensagem aos seus catálogos de endereços eletrônicos.

Obrigada pela atenção!

Abraços,

Viviane Ponte Sena
Jornalista
Assessora de impresa do DIAP
Sócia da F4 Comunicação

É desnecessário dizer que esta é uma situação absurda e não de todo nova em Brasília. Pedro Passos e outros "amigos" de Joaquim Roriz desfrutam da liberdade de fazer o que bem quiserem na cidade, escondidos no mais das vezes por trás de suas im(p)unidades parlamentares ou, melhor ainda, por trás do poder de seu estimado amigo ex-governador. Não são poucas as notícias a respeito de crimes e descarados desrespeitos ao povo e ao bem público perpetrados por esta quadrilha que tomou o poder da Capital Federal há mais de quinze anos. Nada disso é mais novidade, como já disse. A pergunta que nunca quer calar é "até quando"?

Se Pedro Passos, por poderes (legais ou ilegais) próprios ou por apadrinhamento de Joaquim Roriz consegue calar a mídia tradicional e amansar tantos magistrados, que por fim o beneficiam em qualquer processo que por ventura surja contra sua lamentável pessoa, por outro lado existe a blogosfera que não se cala. É hora então de passar em frente estas e tantas outras tristes histórias da ação da lamentável corja que manda e desmanda em Brasília.

Se você tem um blog, comente esta notícia. Verifique as fontes e vá atrás de mais informações, se não confiar nas fontes e links que apresentei. Se participa de algum grupo de discussão onde tal notícia seja cabível, passe-a em frente. Existe uma organização criminosa de grileiros, corruptos, estelionatários e salafrários que impunemente prolongam seu poder na (e sobre a) cidade de Brasília. Só a blogosfera e a divulgação e discussão destes fatos por parte de cidadãos (digitais ou não) conscientes pode fazer alguma diferença onde a justiça e os jornais brasilienses já se omitiram ou foram silenciados.