Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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terça-feira, 24 de março de 2009

A dor e a delícia de ter voz

Essa história do "mensalinho blogueiro" que atingiu o Noblat, além de outras histórias recentes e antigas, me fizeram pensar no quanto estar "no palanque" também é estar "na berlinda", e o quanto isso é saudável. Quando uma pessoa, seja blogueiro, jornalista, político, ou o que for, dá um passo a frente e chama a atenção das outras -- para falar, para se colocar, para propor ou mesmo para realizar -- esta atenção não o acompanha apenas no momento em que ele chama os holofotes. Quando alguém se investe de poder -- seja só o de comunicação, ou o poder de mando -- todas as atenções estarão voltadas para ele, e cada um de seus passos será vigiado, e cada uma de suas atitudes questionada, seja por boas intenções ou pelos desígnios de seus adversários políticos. Se por um lado, geralmente o lado de quem está no topo, isso pode parecer terrível -- até mesmo a expressão da inveja, da baixeza e da irresponsabilidade de quem questiona e reclama -- por outro, é justamente esta atenção um dos mecanismos que equilibra a balança.

Sem me extender muito, pois consegui expressar essas idéias em uns 280 caracteres há uns minutos atrás, acho que isso se aplica perfeitamente ao caso do Noblat. Sem dizer que ele tenha ou não cometido algum ilícito, ou que esteja mesmo "na lista de pagamento" do Senado por quaisquer "serviços" que sejam, é justo que as atenções se voltem para ele para interpelá-lo: "-- Peraí, Noblat? Que história é essa!?"

Estas interpelações é que ajudam a figura pública a manter o cuidado e a atenta retidão desejada, e a dão a chance de se explicar, e mostrar que ainda são dignas da confiança e do poder que detém. Se estes mesmos questionamentos mancham "irreversivelmente" a reputação de alguém -- algo que não acontece em um país de memória tão curta que elege Collores e Malufs -- isto certamente se dá por conta da inaptidão ou impossibilidade da pessoa em explicar seus atos E... e não vamos esquecer deste E... porque ninguém é perfeito, e as reputações completamente ilibadas são geralmente construídas em cima de mentiras.

Então, das duas uma: se por um lado, vários grupos seguem cada vez mais esconder seus atos e os atos dos seus, em nome do bom nome e da "paz e ordem", outros se ocupam incasávelmente de atirar para todos os lados, encontrando cada falha de quem quer que seja e jogando a merda nos ventiladores das mídias -- sim, das mídias, porque o que aquilo que os jornais calam, os blogues falam. Nenhum dos dois lados os faz sem suas razões, e todos fazem lá seus estragos e mal feitos em suas atividades. Mas se eu tiver que escolher um dos dois lados, que seja o de trazer a tona o que fede e o que é feio, para que todos tenham a chance de se xplicar e de mostrar a verdadeira beleza que tem, se tiverem alguma.

Porque ninguém é perfeito, e ainda não aprendemos a viver sem governantes, ídolos e chefes, temos que entender que estes mesmos sempre serão imperfeitos como nós, e que se alguém deve ir à frente para puxar o grupo, que sejam aquelas pessoas que apesar de seus defeitos, vícios e paixões, sejam ainda as melhores a ocupar suas posições.

Há tantas pessoas que podem apontar tantos de meus defeitos, e já cometi tantos erros. Se ainda acredita em algo do que fala, escuta o que digo, e me respeita. É porque é possível se respeitar alguém apesar de sua imperfeição. Isso deve se aplicar a todos. Então... que venha a tona aquilo que é, e cada um mostre do que realmente é feito e do que realmente é capaz. E vamos em frente, tentando encontrar os caminhos e as pessoas em quem confiar.

Em tempo... Noblat deu a sua versão para os fatos, e alguns acreditaram, outros não, e outros ainda levantaram novas indagações. Segue o bonde, e quem quiser, que acompanhe. Dessa história já tirei que tudo corre como deveria. Vamos apontar o dedo sim, mas sem esquecer de pensar também em quem somos e no que estamos fazendo, sim?

#prontofalei.

Agora posso voltar ao meu trabalho.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Mito da Liberdade Vigiada pelo Grande Irmão

Artigo genial da conterrânea Thaís Saraiva falando sobre o poder total que está sendo estabelecido pelo capitalismo e seu fomento ao consumo inconsciente, controlando cada dia mais nossas vidas e nossas mentes sem que nos demos conta disso.

Como podemos pensar em ser livres se nem sequer concebemos o quanto somos escravos?
Que tipo de liberdade podemos conceber? Que tipo de liberdade estamos dispostos a ter, e a lutar para conseguir?

O artigo foi enviado para o grupo do Metareciclagem pela amigona Lelex, que o extraiu originalmente da revista Novae.



Quem é, afinal, esse tal de Big Brother
Saiba como os regimes totalitários e o capitalismo conseguem fabricar indivíduos submissos e, ainda por cima, em que se pode confiar

Artigo de Thaís Saraiva publicado originalmente no site da Nova-E


A maior parte dos brasileiros acredita que o "Big Brother" seja apenas um programa de televisão inventado na Holanda, no qual câmeras ocultas transmitem a intimidade e as baixarias dos participantes 24 horas por dia. Afinal, o que é esse fenômeno que mobiliza milhões de telespectadores nos países por onde passa? Sabemos que ele arruma empregos para especialistas em tecnologia da informação, inspira artigos de sorumbáticos cientistas políticos e provoca a ira dos defensores da democracia, dos direitos fundamentais e da privacidade dos cidadãos. Mas o que é (ou melhor, o quem é?) o Grande Irmão? Quem o inventou? Qual o seu objetivo, afinal? Melhor voltarmos no tempo para entender essa história.

AUTOR CONHECIDO - O ano era 1945 e ainda não haviam cicatrizado no Ocidente as feridas abertas pelos regimes totalitários de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, e de Joseph Stalin, na União Soviética comunista. Foi nesse contexto que o jornalista inglês Eric Blair, que assinava com o pseudônimo "George Orwell", publicou uma das obras mais vendidas de todos os tempos: "Animal Farm", uma alegoria infantil que denunciava a suposta predisposição da humanidade para a violência e como uma camarilha política poderia tomar de assalto o poder em nome do povo. No Brasil, o livro recebeu o título de "A Revolução dos Bichos" e, na década de 1970, inspirou o musical "Os Saltimbancos", de Chico Buarque, já assistida pela terceira geração de crianças. Qualquer brasileiro que tenha menos de 40 anos decerto já cantarolou na escola as músicas dessa peça.

Relembrar tais fatos tem por objetivo afirmar, simplesmente, que cada um de vocês já teve algum tipo de contato com George Orwell e que o verdadeiro pai do Big Brother não é um holandês especialista em exibicionismo na TV; mas sim um jornalista inglês, Orwell, cuja maior preocupação era denunciar o controle do Estado sobre o cidadão. Fez isso em "A Revolução dos Bichos", uma alegoria político-infantil, onde temos a palavra "granja" relacionada à sociedade e "porcos" relacionada aos já conhecidos "ditadores". Repetiu a dose, com muito mais precisão e repercussão, em seu livro seguinte: "1984", uma alegoria político-científica, onde surgiu o personagem Big Brother. Tratava-se de sua obra-prima; aliás, sua última obra. Orwell terminou de escrever "1984" em 1948; o livro foi publicado no ano seguinte. Aliás, uma curiosidade: o título original deveria ser "O Último Homem Livre da Europa", mas na última hora o autor resolveu inverter os números do ano –assim, 1948 virou 1984.

O LIVRO DO MAL - Nessa obra, George Orwell apresenta uma teoria sobre como um grupo bem organizado pode tomar o poder e controlar o Estado sem jamais ser importunado seriamente. O segredo seria montar um esquema que teria na tirania e no autoritarismo a própria condição de sua existência. Ou seja, os governantes deveriam exercer o terror, a tortura, a vigilância –e até a maldade— como pré-condição para a perpetuação no poder. O mal pelo mal, como faz o Darth Vader de Star War; o poder pelo poder, como fizeram Hitler e Stalin.

A sociedade era estruturada na mais completa desagregação social (sem imprensa livre, sindicatos ou associações; até mesmo sem famílias coesas), mas se mantinha coesa através da tirania, da coação e da vigilância. O Estado encontra um modo de conduzir as ações de todos os cidadãos; há regras e imposições até para os pensamentos: o que se pode e o que não se pode pensar. Toda a existência física e mental se curvava a esse regime de poder supremo.

O BIG BROTHER - O dirigente máximo dessa sociedade era chamado de Grande Irmão (Big Brother no original em inglês). É o grande tirano, aquele que todos tinham a obrigação de idolatrar, respeitar e obedecer cegamente, como se fosse um pai todo-poderoso, um deus. Ele não tem nome e jamais foi visto em público – era somente um retrato de um homem com enormes bigodes, inspirado na figura de Stalin. Ressalte-se que todos os regimes totalitários promoveram o culto à personalidade do líder máximo: o populismo. Aliás, nas tiranias boa parte do controle é exercido através do culto à figura do ditador, como ocorreu na União Soviética, na Alemanha, na Itália de Mussolini ou mesmo no Brasil de Getúlio Vargas.

O Big Brother de Orwell foi mais além. O governo instalou câmeras em todas as residências para vigiar os cidadãos, como no programa de TV "Big Brother". O escritor batizou essas câmeras de teletelas. Na época, 1948, a televisão comercial sequer havia entrado em operação e as teletelas não passavam de ficção científica. Através delas, o Big Brother poderia tudo ver sem ser visto. Poderia também estar presente em todos os lugares, levando sua imagem e sua mensagem. Ou seja, tinha os três poderes divinos: onividência, onipresença e onipotência. Todos em prol da dominação.

ÓDIO E ALIENAÇÃO - Para que o Big Brother de Orwell conquistasse a onipotência: o terceiro atributo divino, o ódio pelo próximo (ou por outras formas de organização social) era incitado pelo governo, fomentado e finalmente criado dentro do próprio sistema para dar continuidade e finalidade à subordinação. Em "1984", os cidadãos são obrigados a parar diariamente, na mesma hora, a fim de exercitar os "Cinco Minutos de Ódio". Parece inverossímil. Obra de ficção científica? Não, esses fatos aconteceram e acontecem. Naquela época, por exemplo, a ciência tentava dar veracidade às loucuras propostas por tiranos, como a superioridade da raça ariana defendida por Hitler; ou a inferioridade dos negros e das mulheres perante o homem branco. O assunto é atual, afinal, ainda hoje palestinos e judeus são criados no mesmo princípio do ódio.

Outro ponto importante a ressaltar é a alienação, base da dominação na obra de Orwell. O homem que vivia sob o comando do Big Brother não podia explorar sua mente ou o prazer que o corpo proporciona. A realidade conhecida era a que é o Big Brother queria mostrar. Ele também fez algumas concessões ilusórias, baseadas na liberdade vigiada, para aqueles que seguissem com disciplina a ideologia imposta pelo governante. Poucos percebem que essa realidade é construída artificialmente e que fora dela existem inúmeras possibilidades de viver. As pessoas enxergavam o mundo do Big Brother pensando enxergar a verdade absoluta, não sabiam que eram cegas; e, se percebiam pagavam caro por isso.

QUESTÃO DA PRIVACIDADE - O livro "1984" vendeu 10 milhões de exemplares em todo o mundo, 300 mil no Brasil, e se inscreveu como uma das obras mais importantes de todos os tempos. Durante os 44 anos que durou a "guerra fria", Orwell e o seu Big Brother eram estudados pela Ciência Política por conta da questão do totalitarismo. A partir da década de 1990, com o surgimento da internet e a expansão das novas tecnologias de comunicações, a alegoria do Big Brother passou a ser utilizada também para ilustrar uma nova questão em pauta: a privacidade. Começaram a surgir alertas dos especialistas em tecnologia sobre os perigos do monitoramento dos cidadãos proporcionados pelas novas tecnologias e pela internet em especial. Centenas de artigos passaram a acusar Bill Gates, dono da Microsoft, de tentar ser a encarnação do Big Brother fora da ficção.

Na virada do milênio, produtores de TV holandeses criaram um formato de programa baseado nos "realities shows", cuja característica principal é o monitoramento de pessoas confinadas em uma casa 24 horas por dia, com posterior exposição pública de suas intimidades. Batizado de "Big Brother", esse programa já teve versões exibidas em dezenas de países, da Austrália à Turquia. No Brasil, teve a primeira versão exibida entre março e abril de 2002, tornando-se repentinamente o assunto mais comentado do país. Curioso o capitalismo. Um dos maiores escritores de todos os tempos leva a vida inteira para elaborar uma obra-prima que levanta questões essenciais para os direitos humanos, como a liberdade e a privacidade, e de repente alguém dá um jeitinho de transformar seu alerta político em um produto de venda lucrativo. A política de cooptação atual é muito mais intensa que a aplicada pelo Império Romano.

DITADOR CAPITALISTA - Está ai um dos únicos equívocos de Orwell: achar que o totalitarismo ganharia a guerra. O neo-liberalismo, hoje, domina o mundo com totalidade quase absoluta. Como o Big Brother original, o capitalismo joga com uma realidade cheia de liberdades ilusórias e continua usando da ciência para validar seus atos de tirania e dominação. Em vez do controle total, inclusive do pensamento, basta controlar os principais meios de comunicação. Ao criar novos hábitos de consumo, leva-se os cidadãos a comprar e a instalar espontaneamente todo o aparato tecnológico de vigilância utilizada pelo Big Brother, sem necessidade de repressão.

As teletelas imaginadas por Orwell tornaram-se realidade com outro nome e formato. São os microcomputadores pessoais conectados à internet, com uma parafernália de softwares de vigilância e quebra de privacidade que receberam a denominação elegante de "CRM". No contexto atual a dominação é feita com o consentimento dos consumidores "bem informados". Por escolha, conforto, comodidade e rapidez, o Grande Irmão traz a modernidade para dentro de casa. Nosso sistema capitalista funciona como um ditador invisível, que controla a vida de todos através da "liberdade vigiada", onde as pessoas são induzidas a crer que são livres e que podem fazem suas próprias escolhas.

O pensador francês Michael Foucault, autor de clássicos como "Vigiar e Punir" e "Microfísica do Poder", tem observações pertinentes ao nosso tema. Em suas teorias a respeito da pós-modernidade, o pleno poder só pode ser exercido através das concessões, da falsa liberdade. Esse controle pode ser feito pela banalização da violência que confina as pessoas dentro do medo, pela estética que padroniza o belo, o "normal"; e por várias outras formas e teias que se articulam para aprisionar o homem dentro de sua própria existência. Escreve Foucault: "Fabricam-se indivíduos submissos, e se constitui sobre eles um sabor em que se pode confiar".


Thaís Saraiva, 22, é estudante de Comunicação da Universidade Católica de Brasília. Colaboraram com idéias e trechos os estudantes Carlos Alberto Teodoro e Rosana Assis. Este artigo foi elaborado como trabalho para a disciplina "Comunicação e Novas Tecnologias" e está sendo publicado com a revisão e sob a responsabilidade editorial do professor Carlos Hugo Studart.



sexta-feira, 20 de julho de 2007

Globo dá uma de moleque espiando a vizinha, e conta para todo mundo...

O que há de errado com esta matéria?

Assessor de Lula reage com gestos obscenos à notícia de defeito no avião da TAM

Plantão | Publicada em 19/07/2007 às 23h46m

O Globo Online; O Globo

Marco Aurélio Garcia flagrado no gabinete do Planalto ao lado de assessor / Foto: reprodução de TV

RIO - O assessor para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, e seu assessor de imprensa, Bruno Gaspar, reagiram com gestos obscenos à notícia de que o avião da TAM tinha um defeito no reverso da turbina .

Imagens divulgadas pela GloboNews TV na noite desta quinta-feira mostraram Garcia e Bruno de pé, na sala do assessor de Lula, no terceiro andar do Palácio do Planalto, vendo o Jornal Nacional no momento em que o telejornal deu a notícia.

Quando o apresentador William Bonner informou que a aeronave apresentava defeito, e que a TAM já sabia do problema, o assessor do presidente fez o movimento de espalmar umas das mãos e bater contra a outra, fechada, num gesto popular que significa "se f...". Na seqüência, Bruno faz uma encenação com os braços, simulando o gesto de copular, que tem conotação semelhante à anterior.

A cena foi capturada por um cinegrafista da Rede Globo, posicionado do lado de fora do Palácio do Planalto (veja o vídeo) .

No final da noite, em entrevista ao Jornal da Globo, Marco Aurélio Garcia negou que estivesse comemorando, e tentou justificar seu gesto intempestivo em relação à notícia sobre o problema mecânico com o avião da TAM.

- Essas imagens refletem minha indignação frente a uma determinada versão que se quis passar para a opinião pública, que creditava ao governo a responsabilidade de um acontecimento dramático. É indignação porque não se trata simplesmente de jogar a responsabilidade nas costas do governo. Trata-se de explorar uma tragédia na qual morreram 200 brasileiros. Então, isto é um sentimento de indignação, é uma reação privada que qualquer pessoa de bom senso teria neste momento - disse Garcia.

O gesto obsceno provocou reações indignadas entre parlamentares, como Pedro Simon (PMDB/RS) e Rodrigo Maia (DEM/RJ).

(texto "roubado" da Globonews, que não costuma deixar as pessoas copiarem seus textos. Parabéns pelo egoísmo e pela cara de pau, dona Globonews.)


E então? Viram o que há de errado com esta matéria?

Que agência de notícias de respeito posta cinegrafistas do lado de fora da sede de um governo nacional para ver a reação particular de funcionários dentro de seus gabinetes ao receber as notícias dadas pela mesma? Isso não apenas é invasão de privacidade. É invasão planejada de privacidade! A Globo está (como de costume) indo longe demais para alcançar seus objetivos.

E por que é que ninguém postou câmeras do lado de fora do gabinete dos deputados e senadores do PSDB e do DEM(o) quando a Globo estava espinafrando o governo por conta do acidente, ou veiculando o vídeo citado na matéria acima?

Porque não interessa! Neste jogo de mocinho e bandido que a mídia brasileira joga com a cabeça de seu público, neste momento interessa dizer que o governo é mau e a oposição é boazinha. A merda é que as pessoas caem neste jogo, o que força um assessor a ter que se desculpar pelos gestos que fez em um lugar onde, em tese, tinha privacidade.

Para a Globo, tudo vale para atingir seus objetivos, e apenas os seus objetivos. Infelizmente entre eles está atacar o governo Lula de todas as formas possíveis (leais ou desleais), mas não está fazer um jornalismo de qualidade e equilibrado.
Aliás, que empresa de notícias faz jornalismo "de qualidade e equilibrado" neste país?

É feio um homem adulto comemorar uma notícia sobre uma tragédia que salva seu governo de mais alguns ataques? E espionar as pessoas, e mentir, e ocultar informações, é o que?

É a Globo.


terça-feira, 17 de julho de 2007

Chop Suey ou A China Misteriosa

Wake up,
Grab a brush and put a little (makeup),
Grab a brush and put a little,
Hide the scars to fade away the (shakeup)
Hide the scars to fade away the,
Why'd you leave the keys upon the table?
Here you go create another fable
(Chop Suey - System of a Down)


Como nos informa o John Kennedy no Global Voices, O governo chinês anda censurando até relatórios do Banco Mundial ultimamente (não que os relatórios do B.M. primem pela honestidade, mas...):

Semana passada viu-se[EN] que o governo chinês convenceu[EN] o World Bank [Banco Mundial], [EN], a remover o número de mortes prematuras – 750.000[EN] a cada ano na China[EN] devido à poluição do ar e da água[EN] - junto com mais 30% do conteúdo, do relatório Cost of Pollution in China[Custo da Poluição na China], [EN], alegando que a verdade[EN] fomentaria inquietações sociais[EN] , e mais tarde[EN] dizendo que o relatório ficaria muito espesso[EN].


Mas isso não é tudo. Ao que parece as informações sobre a China andam esparsas tanto para quem está dentro quanto para quem está fora, como aponta a Oiwan Lam também no Global Voices em Português.

Postive solutions comenta, com toda razão, que: existe uma sede enorme por informações sobre a China, tanto internamente quanto do estrangeiro, mas ninguém tem os recursos/inclinação para saciar essa sede, e em vez disso todo mundo está bem satisfeito em usar informações de segunda, terceira e até quarta-mão[EN].

A China está levando um pouco longe demais a sua vocação para "terra misteriosa". Fazem mistério (ou inventam novas lendas) para o mundo sobre o que se passa lá dentro, assim como fazem mistério para seu próprio povo sobre o que acontece no mundo além de suas muralhas. E por falar em mistério, quantas pessoas morreram, enfim, no Massacre da Praça da Paz Celestial? (é claro que vocês lembram disso, não lembram?).

Bicicletas contra tanques (foto representativa, simbólica do massacre chinês). A bicicleta, partida ao meio e piso afundado são as trihas resultantes da passagem do tanque por lá
Bicicletas contra tanques (foto representativa, simbólica do massacre chinês). A bicicleta, partida ao meio e piso afundado são as trihas resultantes da passagem do tanque por lá


E nós da pizzaria do ninguém sabe e ninguém viu, ainda conseguimos achar isso absurdo? Ou serei só eu que acho que o mundo está virando pelo avesso?

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Dúvida 'estórica'.

E aquela história da Virginia Lane, de dizer que estava na cama com Getúlio Vargas no momento do 'assassinato' deste por "quatro homens encapuzados"? Alguém sabe no que deu? (Além do editorial indignado de Luiz Garcia, de O Globo?)

Eu bem acredito na hipótese de assassinato do Getúlio Vargas (embora me falte conhecimento histórico para dar palpite sobre o mandante do feito), mas daí a achar que a vedete estava na cama com Getúlio, presenciou sua morte e a contou só 50 anos depois... para um repórter da Rádio Globo que fazia uma reportagem sobre a vedete no Carnaval 2007? Papo estranho, hein?

Talvez a jovem senhora de 87 anos esteja variando, o que é provável, ou estivesse querendo promover o seu livro de memórias, o que é ainda mais provável. Mas estar na cama com o ilustre suicida/assassinado? Acho meio difícil. Além do mais, a tal "bem amada" não era a Aimée?

De qualquer forma... alguém sabe que fim levou essa história? Não encontrei mais nada a respeito além do post do Pilger ecoando o post do Nassif sobre o assunto, e ambos daquela época. Não deu em nada? Não sei o que é mais estranho...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Mais uma do Luís Estevão, do Sérgio Naya e do Paulo Otávio... para variar.

Dica do Cacá Bicarato.

"os empresários Luiz Estevão, Sérgio Naya e Paulo Octávio burlam um
bloqueio de bens e faturam R$ 32 milhões com a venda de um terreno
"

E, como eu disse em resposta à discussão sobre o tema que está rolando no AINN:
"(...)o problema consegue ser um pouco pior do que incapacidade ou
mera cumplicidade da justiça, meu amigo. É uma questão estrutural mesmo. A
influência destes senhores, principalmente a do Sr. Roriz, é simplesmente
imensa. Nos melhores moldes coronelistas, este pequeno clube é dono dos
jornais, das construtoras, de uma boa parte dos imóveis, dos juízes, das
polícias (sim, as polícias do DF são filhotes deles) e tudo mais na região.
Eles são praticamente donos do lugar e nada -- NADA -- pode ser feito para
impedí-los pois eles tem o governo distrital, e os poderes distritais, no
bolso e o governo federal não tem fôlego, coragem ou mesmo capacidade para
extrair este câncer. Seria necessário um governante, ou um ministro da
justiça, com muito culhão e com uma família a prova de balas para tirar essa
corja de lá. E é simples assim. O governo, a polícia e a justiça não fazem
nada contra eles pq eles simplesmente mandam, ou tem conchavos fortes, com
todos os 3.

Vale lembrar que quando assumiu seu primeiro mandato como presidente, o Lula
disse que iria dar um jeito no Roriz. Calou-se logo depois, quando viu que
"dar um jeito no Roriz" significava abrir guerra franca com o PMDB, que
defende com unhas e dentes seu rico e produtivo filhotinho. Não tem jeito. A
corrupção está tão entranhada na estrutuda do poder brasileiro que só uma
mudança estrutural poderia sacudí-la de lá.

A situação é dramática e está bem longe de uma solução."

É isso.
Quando será que isso vai mudar?

terça-feira, 3 de abril de 2007

vivendo perigosamente em meio ao apagão aéreo

A pouco mais de 12 horas da provável partida do meu vôo para São Paulo (de onde farei conexão para Brasília), me vejo rodando a rede em busca de sinais para ficar otimista sobre o que me espera no dia de amanhã. Ai que saudades dos tempos em que eu lia horóscopos, e não blogs e jornais, para saber se o meu dia de amanhã vai ser um inferno...

Mesmo com a capitulação do Governo, que levou os controladores de vôo paralizados a não apenas escapar da prisão como também ficarem sem chefe (não é ótimo?), parece que ainda vem chumbo grosso pelos ares. Tem gente falando de uma nova greve, desta vez dos controladores civis, que pode estourar a qualquer momento caso as negociações fiquem azedas. Isso é tudo que eu não queria ter que enfrentar amanhã. Sei que a vida dos controladores de vôo não está fácil -- pelo contrário, sei que eles trabalham em condições absurdas de estresse, precariedade e má remuneração -- mas não é muito fácil ser tão socialmente razoável quando é a sua bunda que vai ficar sentada no aeroporto esperando o seu vôo eventualmente decolar.

Há quem diga que a culpa é do governo. Sempre há quem diga que a culpa e do governo, afinal. Mas, quando é que a culpa de algo que acontece em um país não será do governo? Resta saber o que é "o governo" e o que as pessoas que culpam "o governo" acham, afinal, que "o governo" poderia estar fazendo. Eu sei que todo brasileiro sabe da melhor escalação para a seleção brasileira, e que todo Tucano ou "Democrata" (que é como as raposas do PFL se chamam agora) sabe perfeitamente como governar o Brasil quando não está governando. Agora, ficam as duas perguntas:

O que o governo, que para viariar é culpado de tudo, deveria fazer agora?

Será que eu chego em Brasília amanhã a tempo de pegar algum bar aberto?

Respondam-me estas perguntas que amanhã, se eu chegar vivo e em Brasília (pois posso acabar chegando vivo, mas não lá), eu dou uma olhada e conto como foram minhas aventuras.


Em tempo. Para quem quer ficar a par de tudo que está rolando, basta dar uma olhadinha na matéria mais recente do Zé Mura para o Global Voices Online. Eu eventualmente me esqueço (mau Duende, mau Duende) que meu irmão faz a melhor cobertura da blogosfera brasileira...


p.s. se rolar outro golpe militar, eu TRUCO!

terça-feira, 20 de março de 2007

Pedradas (muito) bem miradas na falácia da política, das cidades, e da beleza desta civilização. por Marcello Pedroso e eu.

"(...)Desde que me dei conta que tudo não passava de um joguinho de cartas marcadas muito do sem vergonha, de que todo esse papo era absolutamente vazio, vazio porque de fato não vai a lugar nenhum e não tem objetivo algum, porque não é relevante de maneira nenhuma, eu disse, e digo, de coração: Foda-se a política.

Não é a pólis a salvação, mas o sintoma mais óbvio de nossa degradação.
Fodeu para todo mundo (perdoe o vocabulário. Mais um motivo para escrever só uma vez sobre isso), mesmo, e não adianta espernear. Vamos nos acostumando com o fato de que quando nossos ancestrais de pouco tempo atrás inventaram de viver aglomerados e de quebra perder o manual de instruções da espécie, fizeram uma grande merda, e depois jogaram tudo no ventilador, e hoje continuamos achando que o problema é o tipo de merda que está sendo jogado na nossa cara.

Eu sou do tipo de pessoa que advoga pela idéia aparentemente absurda de desligar o ventilador da tomada e começar logo a recolher o cocô com as mãos pra fazer um monte de adubo prum novo começo no nosso sítio.(...)"
(trecho do post Política, de Marcello Pedroso, em seu SintropiaEspontânea)

Não é todo dia que encontro gente que tem pensamentos políticos (ou justamente não políticos) que traduzem tão facilmente o que penso. Marcello Pedroso, ou Marcelinho, velho conhecido dos tempos de Casa na Colina e longas partidas de xadrez no Estação 109 regadas a cerveja e excelente conversa, sempre me aparece com grandes sacadas. Mas esta sacada eu não pude deixar de ecoar, até porque é uma reafirmação de tudo que penso sobre este jogo complexo-inviável-absurdo-patético que é a política.

Costumo dizer que na falta de Reis Divinos, é melhor que o povo se governe a si mesmo, pois ninguém mais precisa ou pode fazê-lo. Some-se a isso que precisamos de governos, lideranças artificialmente instituidas e insolúveis nos momentos, simplesmente para resolver problemas absurdos que nós mesmos criamos nos passos tortos desta nossa civilização. Cidades gigantescas, embora tenham seus encantos, são um câncer na carne da terra e na alma de seus moradores. Países, fronteiras, governantes, são abstrações que tristemente nos são materializadas por forças que ora nos pertenciam mas que saíram de nosso controle. Inventamos uma civilização para nos dar uma vida melhor, e com ela inventamos cidades, governos, falsa abundância e problemas que hoje não sabemos como resolver. Onde está a vida melhor que almejávamos? Estão todos felizes?

Não fosse o dinheiro, ninguém seria capaz de acumular muito mais do que precisa. Não fossem os governos que nos tratam como nem o gado deveria ser tratado, com nossa bovina anuência, aprenderíamos -- teríamos que aprender -- a nos tornarmos mais atentos ao que é real e a nos unirmos em busca da sobrevivência e da solução de nossos problemas. Não fossem as cidades, haveria espaço para todos, cada um no seu canto, reunindo-se apenas pela vontade de encontrar ou pela necessidade de colaborar. Em meio a tudo isso, nos tornamos tantos, tão doentes e tão pobres da verdadeira riqueza humana, que começamos até mesmo a acreditar que precisamos dessa merda toda pra viver. Assim é, se nos parece. O dinheiro empobreceu a maioria para enriquecer a minoria. Os governos nos amputam de nossa capacidade de resolver problemas e de nos agruparmos nos conjuntos que bem quisermos, assim como de decidir nossas vidas. As cidades nos enlouquecem e nos atritam ao limite do ódio e da tensão humana, como bichos em jaulas mais ou menos luxuosas, mas ainda assim empilhadas.

Até onde nossa mania por festejar (ou se resignar) à merda de civilização em que nos metemos vai nos impedir de ver que não apenas estamos indo cada vez mais rápido para o mesmo velho lado errado, mas que também estamos levando nosso planeta e a nossa raça à destruição? Você realmente acredita que estamos construindo um mundo melhor? Realmente acredita que algum governante pode tornar o seu mundo melhor, ou que algum modelo econômico pode tornar a distribuição das posses entre as pessoas e a qualidade de vida de todos suficientemente humana? Você realmente acredita nesta nossa civilização? No excesso de SIM engolindo o nosso NÃO, por hora a gente continua colaborando pra tentar tirar a água deste enorme barco furado. Mas um dia este castelo de cartas vai cair e aí sim, graças aos Bons Deuses, vai ser hora de recomeçar. Oxalá, da próxima vez, façamos algo melhor do que esta péssima idéia na qual insistimos há séculos...


Até lá, vão continuar achando que sou um inocente maluco. Acho mais engraçada a parte do inocente, pois para ser são num mundo louco, é necessário ser louco.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Loose Change: Como George W. Bush fingiu um atentado terrorista e matou seu povo em benefício próprio.

Vamos colocar alguns pontos:

* George W. Bush e seu vice-presidente Dick Cheney tinham todos os motivos para querer que um grande atentado terrorista, daqueles que chocam o mundo todo, acontecesse em território norte-americano. Era tudo que eles precisavam para melhorar sua popularidade e ter uma boa desculpa para instalar um governo quase facista nos EUA e posar de guardiães do bem no mundo ocidental.

* Não era possível, tecnicamente falando, derrubar as duas torres do World Trade Center com dois míseros aviões. Não apenas o impacto não as derrubaria (como todos puderam ver que não derrubou), como o incêndio e danos estruturais consequentes não eram suficientes para fazê-las cair daquele modo.

* Um prédio que desaba, o faz aos poucos, de um modo desajeitado e absurdamente perigoso para os prédios da vizinhança. Para que um arranha-céu caia daquele modo reto, rápido e quase de uma forma limpa, seria necessário dinamitá-lo. Com um pouco de atenção aos vídeos e ao relato dos sobreviventes, pode-se ver que aconteceram centenas de explosões ao longo do World Trade Center na hora que antecedeu sua queda. As imagens dos bombeiros mostram o estrago causado pelo que só poderia ser uma bomba no térreo do prédio. Há centenas de outras evidências a este respeito.

* Qualquer um com dois olhos e um pouco de atenção pode notar que nenhum avião atingiu o Pentágono. Nenhum avião poderia cair sem deixar vestígios (tal coisa nunca aconteceu), e o estrago causado ao Pentágono é totalmente incongruente com o estrago causado pelo impacto até mesmo de um avião Cessna, quanto mais de um avião comercial do tamanho proposto. O fato de nenhuma câmera pegou o avião, e que ninguém afirma com certeza tê-lo visto batendo lá, parece ser ignorado convenientemente por todos.

* Nenhum avião caiu ou foi derrubado em nenhum campo norte-americano naquele dia. Ou, se o foi, isso nunca foi mostrado. Policiais que atenderam ao "local da queda" daquele quarto avião disseram que não havia nada lá -- nem destroços, nem corpos. Por sinal, algumas das aeronaves que teriam "sido destruídas" naquele dia ainda constam como aviões existentes e em uso nos EUA.

* Os terroristas acusados da ação não eram capazes de pilotar aviões bem o bastante para manobrá-los da forma que apontam as versões oficiais dos acidentes. Pior que isso, a maioria deles está viva e bem em algum outro lugar do mundo, como afirmam as próprias embaixadas de seus países.

* Não era possível em 2001 se ligar pelo celular de um avião em vôo, e as famílias dos que receberam ligações não reconheceram o jeito de seus "parentes" nas pretensas ligações que informavam o que acontecia naquele vôo.

* Nos dias que se seguiram ao ataque, o vídeo onde, em tese, Osama Bin Laden confessava o ataque, mostrava um homem que não poderia ser o pretenso líder do "Al Qaeda". O próprio Osama lançou naquela época um comunicado dizendo que não tinha nada a ver com os ataques.

* Centenas de pessoas apresentaram, a princípio, relatos e opiniões que apontavam na direção contrária à versão oficial sobre os atentados. No prazo de semanas, todos começaram a concordar a respeito da versão oficial, mesmo tendo afirmado antes que ela era absolutamente ilógica e impossível. Aqueles que mantiveram seus relatos que apontavam em direções diversas da versão oficial foram demitidos de seus cargos ou desapareceram.

* O governo e a mídia tradicional norte americana se recusa a discutir o assunto, ridiculariza quem tenta fazê-lo e, agora, inventou um bode expiatório perfeito (com carícias e remedinhos) para corroborar sua mentira assassina.

* O atual governo norte americano é, a olhos vistos, o maior grupo de terroristas e assassinos da face deste planeta.

Se você discorda destas afirmações, peço que assista a este filme. Seu nome é Loose Change, e foi disponibilizado na página LooseChange911.com desde pouco depois do falso atentado. Nele você encontrará o embasamento para estas e dezenas de outras afirmações que corroboram tudo que estou dizendo. Assistam o filme. Depois a gente conversa.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Quando o primeiro mundo realmente mostra seu valor...

Enquanto um projeto de lei prevê a prisão de "homossexuais" visando “proteger os valores e a moral da sociedade” na Nigéria, as escolas inglesas começarão a trabalhar em sala contos de fadas e outras obras literárias que abordam com naturalizade o amor entre dois indivíduos do mesmo sexo.

Tem horas em que o primeiro mundo realmente impõe respeito. E, veja bem, mesmo na Inglaterra nunca faltaram católicos (e outros bichos) para emperrar a evolução social. É tudo uma questão de respeito ao ser humano...

Enquanto isso ainda existem escroques eclesiásticos aqui no Brasil fazendo biquinho para a camisinha. Nem o presidente Lula, que anda namorando até a mais nojenta direita do Brasil, engole esse papo bobo bispal. Ô povinho atrasado (esses cristãos...).

Mas não tem problema não. Ainda acredito que um dia a gente sacode esta merda capitalista-judaico-cristã-estrangeira toda e se reconhece, sem hipocrisia, como realmente somos... o povo mais criativo, diverso, sensual, colorido e alegre que há.

Que os Deuses abençoem o Brasil e... desta vez... a Inglaterra também.


UPDATE:
Acompanhando uma discussão sobre a decisão britânica de se ler contos de fadas gay nas escolas, fico cada vez mais furioso com este discurso cristão de "preservação de valores cristãos" e de preconceito contra a diversidade humana. Este um discurso deste naipe que gera toda a divisão, todo o preconceito, todo o racismo, todo o facismo e divisão social, toda a cegueira e toda a soberba.

Como disse lá, em um comentário que duvide-ó-dó que seja publicado, quando era ainda criança fui forçado a assistir horas e horas de aulas de uma religião que não era a minha. Ninguém me perguntou qual era a minha opinião, e ninguém respeitou o fato de que eu não seguia aquela crença. Quando eu disse que estavam tentando empurrar valores que eram nocivos e perversos para mim, riram. É com esta mesma empáfia que condenam todos os outros valores que não os próprios, estes nojentinhos cristãos.

Agora, convenhamos: se eu posso forçar uma criança a assistir uma aula de religião, mesmo que ela não compactue com aquilo, porquê diabos eu não posso permitir que ela entre em contato com a diversidade humana através da literatura e dos contos de fadas? Acreditar que, ao ter acesso à realidade diversa do ser humano fará com que uma criança "escolha" este ou aquele caminho, é apenas parcialmente verdadeiro. É claro que para uma criança que esteja em conflito de identidade, ter acesso às diversas formas de ser existentes pode ajudá-la a se encontrar. Trocando em miúdos, se o menininho e a menininha são gays, ter acesso a esta literatura pode ajudá-los um bocado a entender o que são. Mas para aqueles que não forem, ler contos de fadas gays servirá apenas para que cresçam menos preconceituosos e estúpidos do que os pais que temem tais leituras. E, para terminar, 14 anos de ensino cristão não me fizeram me tornar cristão. Crianças tem convicções também e, mais do que isso, elas sabem muito bem quem são... até o dia em que algum adulto resolve dizer para elas quem elas deveriam ser.

É por estas e por outras que lamento os 1600 anos de atraso cristão que pairam sobre este mundo...
Cuspa-se no túmulo do fraco Teodósio, e viva a diversidade humana!

sábado, 3 de março de 2007

Não é só no Brasil...

...que acontecem casos de absoluto desrespeito por parte do governo em relação ao povo que o elegeu e que, inadvertidamente, o legitima. O recente caso dos maus tratos dispensados aos soldados feridos da Guerra do Iraque pelo Walter Reed Hospital, em Washington (e que segundo a reportagem parece lembrar alguns de nossos hospitais) levanta mais uma vez a questão (que se aplica tanto a eles quanto a nós): Por que é que aceitamos um trabalho tão porco do governo, quando ele deveria estar trabalhando para nós, e só para nós, seus únicos clientes?

A coisa fica um pouco pior, ao menos em tese, quando este desrespeito recai sobre quem estava fazendo o seu trabalho sujo, não é?