"(...)Desde que me dei conta que tudo não passava de um joguinho de cartas marcadas muito do sem vergonha, de que todo esse papo era absolutamente vazio, vazio porque de fato não vai a lugar nenhum e não tem objetivo algum, porque não é relevante de maneira nenhuma, eu disse, e digo, de coração: Foda-se a política.
Não é a pólis a salvação, mas o sintoma mais óbvio de nossa degradação.
Fodeu para todo mundo (perdoe o vocabulário. Mais um motivo para escrever só uma vez sobre isso), mesmo, e não adianta espernear. Vamos nos acostumando com o fato de que quando nossos ancestrais de pouco tempo atrás inventaram de viver aglomerados e de quebra perder o manual de instruções da espécie, fizeram uma grande merda, e depois jogaram tudo no ventilador, e hoje continuamos achando que o problema é o tipo de merda que está sendo jogado na nossa cara.
Eu sou do tipo de pessoa que advoga pela idéia aparentemente absurda de desligar o ventilador da tomada e começar logo a recolher o cocô com as mãos pra fazer um monte de adubo prum novo começo no nosso sítio.(...)"
(trecho do post Política, de Marcello Pedroso, em seu SintropiaEspontânea)
Não é todo dia que encontro gente que tem pensamentos políticos (ou justamente
não políticos) que traduzem tão facilmente o que penso. Marcello Pedroso, ou Marcelinho, velho conhecido dos tempos de Casa na Colina e longas partidas de xadrez no Estação 109 regadas a cerveja e excelente conversa, sempre me aparece com grandes sacadas. Mas esta sacada eu não pude deixar de ecoar, até porque é uma reafirmação de tudo que penso sobre este jogo
complexo-inviável-absurdo-patético que é a política.
Costumo dizer que na falta de Reis Divinos, é melhor que o povo se governe a si mesmo, pois ninguém mais precisa ou pode fazê-lo. Some-se a isso que precisamos de governos, lideranças artificialmente instituidas e insolúveis nos momentos, simplesmente para resolver problemas absurdos que nós mesmos criamos nos passos tortos desta nossa civilização. Cidades gigantescas, embora tenham seus encantos, são um câncer na carne da terra e na alma de seus moradores. Países, fronteiras, governantes, são abstrações que tristemente nos são materializadas por forças que ora nos pertenciam mas que saíram de nosso controle. Inventamos uma civilização para nos dar uma vida melhor, e com ela inventamos cidades, governos, falsa abundância e problemas que hoje não sabemos como resolver. Onde está a vida melhor que almejávamos? Estão todos felizes?
Não fosse o dinheiro, ninguém seria capaz de acumular muito mais do que precisa. Não fossem os governos que nos tratam como nem o gado deveria ser tratado, com nossa bovina anuência, aprenderíamos -- teríamos que aprender -- a nos tornarmos mais atentos ao que é real e a nos unirmos em busca da sobrevivência e da solução de nossos problemas. Não fossem as cidades, haveria espaço para todos, cada um no seu canto, reunindo-se apenas pela vontade de encontrar ou pela necessidade de colaborar. Em meio a tudo isso, nos tornamos tantos, tão doentes e tão pobres da verdadeira riqueza humana, que começamos até mesmo a acreditar que precisamos dessa merda toda pra viver. Assim é, se nos parece. O dinheiro empobreceu a maioria para enriquecer a minoria. Os governos nos amputam de nossa capacidade de resolver problemas e de nos agruparmos nos conjuntos que bem quisermos, assim como de decidir nossas vidas. As cidades nos enlouquecem e nos atritam ao limite do ódio e da tensão humana, como bichos em jaulas mais ou menos luxuosas, mas ainda assim empilhadas.
Até onde nossa mania por festejar (ou se resignar) à merda de civilização em que nos metemos vai nos impedir de ver que não apenas estamos indo cada vez mais rápido para o mesmo velho lado errado, mas que também estamos levando nosso planeta e a nossa raça à destruição? Você realmente acredita que estamos construindo um mundo melhor? Realmente acredita que algum governante pode tornar o seu mundo melhor, ou que algum modelo econômico pode tornar a distribuição das posses entre as pessoas e a qualidade de vida de todos suficientemente humana? Você realmente acredita nesta nossa civilização? No excesso de SIM engolindo o nosso NÃO, por hora a gente continua colaborando pra tentar tirar a água deste enorme barco furado. Mas um dia este castelo de cartas vai cair e aí sim,
graças aos Bons Deuses, vai ser hora de recomeçar. Oxalá, da próxima vez, façamos algo melhor do que esta péssima idéia na qual insistimos há séculos...
Até lá, vão continuar achando que sou um inocente maluco. Acho mais engraçada a parte do inocente, pois
para ser são num mundo louco, é necessário ser louco.
Sou contra o aborto pq acredito que já ha vida a partir do momento da concepção…
Mas não é sobre isso que quero falar vcs comentaram sim sobre o direito de escolha e tudo mais, porem ninguém tocou nos problemas psicológicos que o aborto traz a mãe.Ninguém ate agora falou que o numero de suicídios de mulheres são bem maiores nos paises que o aborto é legalizado. Como também o numero de depressão e é claro esquizofrenia uma doença que a pessoa se fecha para o mundo e inventa um só pra ela, outra coisa o numero de criança esta diminuindo, pois nas classes mais baixas o numero de filhos por família é de 3 e em classes mais altas é de 0,7 se continuarmos assim daqui a pouco teremos poucas pessoas entre nós. Terminando acho que se o aborto for legalizado estaremos matando grandes pessoas que podem estar vindo para a melhora deste mundo…
Outro detalhe o maior índice de aborto são nas classes alta e média onde as pessoas tem dinheiro para educá-los. Normalmente o pobre tem os filhos não para se aproveitar deles, mas sim, para ter alguma alegria no fim de um dia ruim.
Olá Taise,
Vamos por partes, então. É claro que há questões psicológicas ou, melhor dizendo, questões psíquicas grandes envolvidas em um aborto. Da mesma forma que há questões psíquicas igualmente grandes envolvidas em uma gestação, em um parto e na criação de um filho, tanto mais se for um filho indesejado. É claro que nada que envolva a concepção, gestação, a interrupção ou a continuidade da mesma pode ser levado de forma leviana. São questões sérias, e eu acredito que a decisão de fazer um aborto possa ser difícil, e marcar uma mulher por muito tempo. Mas o mesmo pode ser dito da decisão de levar em frente uma gravidez, com tudo que envolve dar à luz e criar um filho, muitas vezes em condições difíceis. Não vi aí, portanto, nenhum argumento que embase que não se dê escolha as mulheres a respeito da questão. É uma escolha difícil, mas é uma escolha que pertence à mulher, e não deve ser retirada dela.
Quanto ao número de suicídios nos países onde o aborto é legalizado. Antes de mais nada, de onde você tirou os dados para esta afirmação? Segundo, devemos lembrar que cada país é um país, e inúmeros fatores moldam e afetam a taxa de suicídio de um país. Você pode afirmar que são os abortos, legais ou clandestinos, que causam a alta taxa de suicídio nos países do norte da Europa? Não encontrei até hoje um estudo convincente sobre motivações para o suicídio em um dado país. Será que você escreveu o primeiro e eu nem fiquei sabendo?
E sobre as estatísticas a respeito de casos de depressão e esquizofrenia? Você poderia me dizer também de onde é que vieram estes números? Nunca encontrei uma pesquisa sequer que apontasse uma co-relação entre a legalização do aborto e certas questões de saúde psiquiátrica. Por outro lado, posso te mostrar vários estudos que correlacionam a proibição do aborto com as taxas de mortalidade mulheres em idade fértil. Vamos trocar umas figurinhas?
Você poderia também aproveitar a oportunidade, cara Taíse, para nos explicar melhor a sua conceituação de depressão e esquizofrenia. Ela parece um pouco diferente daquela que estudei na faculdade de Psicologia.
Seguindo em frente, você está mesmo preocupada com a diminuição de natalidade? Acredita que a diminuição da natalidade nos países mais ricos seja uma tendência preocupante? Por quê? Há muitos que se preocupam com isso, mas seus motivos são para lá de condenáveis: temem viver em um mundo onde há muito mais “não brancos” do que brancos, o que precipita ainda mais um possível conflito dos desprovidos contra os “providos”. Você está entre esses, ou teme apenas que um dia a humanidade desapareça por poder escolher entre ter filhos ou não? Avise-me no dia em que a Suíça ou a Dinamarca estiverem vazias. Eu ia gostar de comprar uma casa baratinha desocupada por lá.
Por fim, cada vida é uma promessa. É claro que uma vida que não acontece pode significar uma promessa não cumprida. Mas que tal nos preocuparmos primeiro com as milhões de vidas cujas promessas não podem ser cumpridas, ainda que continuem vivendo, por conta da pobreza, do preconceito, da exploração, da fome, da guerra e de tantos outros flagelos? Em vez de se preocupar tanto com a gestação dos outros, que tal salvar algumas crianças que estão agora mesmo em um orfanato PRECISANDO de alguém que as ajude a cumprir a promessa que representa suas vidas? Ser contra do direito de escolha da mulher com o argumento de que ela pode estar matando “um grande gênio”, quando na verdade não se está nem aí para os tantos “grandes gênios” que podem estar pedindo dinheiro na janela do seu carro é no mínimo desonesto. Mas a palavra que eu usaria para isso é outra, mas eu prefiro guardá-la só para mim.
Acima de tudo, por que é que os “grandes gênios” e as “grandes pessoas” teriam mais direito de viver do que as outras? Então o problema são as vidas, ou as vidas dos “seres superiores”?
E, por fim, por que é que você acha que a maioria dos abortos acontece nas classes altas? Eu poderia acreditar nisso, já que as pessoas das classes mais abastadas tem DINHEIRO não apenas para pagar um médico que realize um aborto clandestino, como também tem STATUS para conseguir fugir da prisão, caso sejam descobertos. Afinal, o aborto da moça branca, filha do abastado comerciante ou do grande executivo e da mulher “honesta” que se dedicou aos filhos é um pouco menos “criminoso” do que o aborto da moça negra e pobre que está sangrando na fila do SUS, não é mesmo?
Mas o fato é que você não tem estes dados. Ninguém os tem. Como fazer uma estatística confiável sobre algo que tem que acontecer na surdina, escondido de tudo e de todos, por que o Governo se acha no direito de decidir pela cidadã o que ele deve fazer com a sua vida pessoal e sexual? Abortos são feitos todos os dias, em todas as classes, e mulheres morrem ou sofrem terríveis efeitos colaterais, completamente à margem de todas as estatísticas oficiais, simplesmente porque o aborto é PROIBIDO. E esta proibição não impede, nem nunca impedirá ninguém, de decidir a própria vida. Trata-se apenas de uma maneira de lavar as mãos, fechar os olhos, e afirmar que quem sofre por conta disso “merece o que teve”.
Em suma, eu acho triste ver uma mulher defendendo leis e entendimentos sociais que foram criados para oprimí-la. Mas cada um pensa de um jeito.
Ainda espero pelas fontes dos dados e estatísticas, e pelas respostas das perguntas que te fiz.
Abraços do Verde.