Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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terça-feira, 24 de março de 2009

"Are Bloggers Born or Made?"

Este é um texto fantástico do David Sasaki, do igualmente fantástico projeto Rising Voices do Global Voices Online, sobre a importância de se ensinar as pessoas a blogarem, mesmo quando a maior parte delas nunca vá se tornar efetivamente um blogueiro frequente. Trata-se de um problema de expectativas -- de que todas as sementes lançadas irão florescer, e de que o farão na hora em que esperamos -- e não da verdadeira importância e eficiência em se distribuir a boa nova blogueira para todas as pessoas...

Queria muito ter tempo de traduzir o texto, mas não vai rolar. Colo então o texto em inglês mesmo, do jeito que o recebí na lista de discussão do Rising Voices. Se alguém o citar e/ou o traduzir, não esqueça de citar o autor, David Sasaki (que é um cara muito legal!) e o Rising Voices e, se possível, citar também que achou o texto aqui no Alriada...

"Dear All,

I frequently hear from coordinators of citizen media outreach projects who are disappointed by the fact that so many of their participants stop blogging two or three months after their first post. This is a common problem, but in my opinion, it is a problem of expectations rather than results.

Most of us have spent at least a few hours of our lives learning how to play the piano, guitar, or some other instrument. But only a select few have continued playing that instrument throughout our adult lives. In fact, most of us probably stopped playing just a couple months after our first lesson. This doesn't mean, however, that piano teachers should feel demoralized by their supposed "low success rate". After all, we are only able to find the best musicians by teaching the fundamentals to as many people as possible. Imagine how many Mozart's, Fela Kuti's, and Gilberto Gil's have passed silently through history because they were never given the opportunity to express their musical talent.

Blogging is much the same way. Just as everyone can press the keys of a piano, so too can we all start and maintain a blog. But that doesn't mean that everyone will keep at it. In my experience, only about 10% of the participants of the blogging workshops I have facilitated continue blogging six months later.

Important Tools for Important Times

The other 90% of workshop participants will write only occasionally, or not at all. But, significantly, most do still remember how to publish to a blog even months or years later. This is significant because during times of emergency they have the means to share information.

For example, many of the participants of workshops organized by Foko Madagascar stopped blogging for weeks after they first opened their blogs. But when a political crisis hit their country, which led to last week's coup, many of those same new bloggers realized the importance of being able to share local information to an international audience in real time. In fact, those same individuals became the go-to sources of information for everyone wanting to stay informed about Madagascar's political crisis. Lova Rakotomalala, one of Foko's four founders, has explained in detail how Madagascar's bloggers and Twitter users were able to influence international coverage of the crisis.

What This Means for Project Facilitators

Above all else, it is important to set realistic expectations and to feel satisfied if only a few of the workshop participants become passionate bloggers. Heather Ford, a well known South African blogger, recently gave a workshop in Durban, South Africa, which left her feeling frustrated. Heather suggests charging a small fee for workshops to ensure that participants really have a strong desire to learn and apply the skills. Those who lack the money could write a letter requesting a scholarship.

Some psychologists have even suggested that there are certain personality traits common to most bloggers. As a project coordinator you could specifically seek out individuals who share those personality traits.

In my experience, however, it is impossible to accurately predict who will keep blogging and who will not. Blogging, like playing a musical instrument or learning how to draw, is a worthy skill to learn as a simple means of expression. Besides, you never know who will be the next Ravi Shankar, Michaelangelo, or the next great blogger until (s)he has a chance to learn the skills and tools.

New Rising Voices Projects - Stay Tuned

Over the next few weeks we'll be getting to know each of the newest six Rising Voices grantee projects. For those of you who just can't wait, please check out Maryna Reshetnyak's feature on Public Fund Mental Health based in Almaty, Kazakhstan and an introductory video about Project Ceasefire Liberia. Also, keep your eyes on the Rising Voices website for updates from all 20 projects, links to relevant resources and grants, and new pictures and videos.

All the best,

David"

Para saber mais sobre o Rising Voices, clique aqui.

Abraços do Verde.


UPDATE:

A Lu Ladybug teve a doçura de traduzir o texto quase na íntegra e publicá-lo em seu blogue! Valeu mesmo, Lu! Para os que não pegaram o texto em inglês, clique aqui para lê-lo em português no Ladybug Brasil. A dica foi do próprio David Sasaki, por email.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Veja copia artigo do Global Voices traduzido por blogueiro.

Para muitos de meus colegas da blogosfera brasileira (como o grande Luiz Nassif), isso já não é novidade. A Veja, economizando inteligência (!?) e jornalistas (!!!???), plagiou um artigo do Global Voices Online, não citou a fonte do artigo original nem o tradutor, permitiu que seu jornalista (aquele que estava economizando a si mesmo) assinasse a matéria e ainda ignorou as cartas enviadas à redação pedindo explicações sobre o episódio. Veja você como é a Veja.

Infelizmente eu estava sem computador (meu pobre notebook sucumbiu aos pelos de meus gatos e precisou de um tempo no estaleiro) quando este plágio veio à tona, e eu sei que estou muito atrasado em minha manifestação -- principalmente se levarmos em conta que sou o Coordenador do Global Voices em Português. Mas já que estou atrasado, vou tentar contar a história com calma...

O artigo Palestine: Bloggers in Gaza Describe the Fear, publicado por Ayesha Saldanha no Global Voices Online, e traduzido inicialmente por Caim do blogue LivrEAção (que depois do incidente tornou-se parte de nosso time de tradutores do GV em Português), foi descaradamente plagiado pela Veja no artigo entitulado Blogueiros Narram o Drama de Guerra em Gaza, publicado no site da revista. O jornalista André Pontes assina a matéria como se fosse dele. Economizou trabalho, claro, e economizou também na inteligência. Será que ele e seus chefes acreditavam que ninguém iria notar o plágio descarado?

Todos sabemos a qualidade do trabalho jornalístico (!!??) da Veja piora a cada dia. Não é supresa que eles plagiem sem citar fontes, roubem material, mintam, se façam de desentendidos. Mas não é por isso que devemos parar de reclamar ou de nos indignar frente aos absurdos cometidos por esta revista semanal sem compromisso algum com o jornalismo, e muito menos com a ética.

Segundo levantamento de minha colega e amiga Paula Góes, aqui vão alguns blogues que já falaram também deste episódio;

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/01/11/o-plagio-da-veja/
http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/2009/01/o-plgio-da-veja.html
http://blogdocrato.blogspot.com/2009/01/mais-uma-da-ia-por-jos-nilton-mariano.html
http://esquerdopata.blogspot.com/2009/01/tablide-dos-civita-comete-um-crime-mais.html
http://ujsdf.blogspot.com/2009/01/o-plgio-da-veja.html
http://jubalcabralfilho.blogspot.com/2009/01/plgio-em-alta-voltagem.html
http://dishumor.wordpress.com/2009/01/12/a-veja-na-faixa-de-gaza/
http://www.jesocarneiro.com/jornalismo/veja-chupa-reportagem-do-gvo.html
http://oleododiabo.blogspot.com/2009/01/tempo-instvel.html
http://bloglog.globo.com/blog/post.do?act=loadSite&id=13846&permalink=true
http://lucianoalvarenga.blogspot.com/2009/01/o-plgio-da-veja.html
http://esteticida.blogspot.com/2009/01/repassando-o-plgio-da-veja-o-gvo-ou.html

Estou ainda na correria para colocar em dia todo o trabalho atrasado pelos problemas que tive em meu computador, mas na medida do possível eu volto depois em outro post falando mais sobre o plágio da Veja e seu desenrolar.

Para quem vai ao Campus Party 2009, podemos bater um papo sobre o tema por lá. E caso alguém do semanário neoliberal deseje conversar, nem que seja só para dizer "foi mal aê, duende" em off, não vai ser difícil me achar por lá.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Aqui é Sací.

Indiferente dos liberalismos e estrangeirismos (Viva Tolkien também, mas aqui é o Brasil!), hoje aqui é Dia do Sací (com festa e música). Dia de publicar meu artigo sobre o Sací no Global Voices Online (aqui em inglês, e aqui em português), e erguer um brinde aos imaginários e aos sacís.



Viva o Sací. Porque aqui é Dia do Sací!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aborto como direito, e o direito que não temos de falar dos outros...

Um breve roundup que escreví para o Global Voices Online, traduzido também (obviamente) para o Global Voices em Português, deu um bocado o que falar. Como é mais simples mostrar do que explicar, colo abaixo o roundup e os comentários que já rolaram até agora..

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Brasil: O aborto é um direito, não um crime

Imagem do tradutor

2008-10-02 @ 22:30 UTC · Publicado originalmente por Daniel Duende

Traduzido por Daniel Duende· Veja o post original


Países:
Brazil
Tópicos:
Criança, Cyber-Ativismo, Gênero, Saúde, Direitos Humanos, Lei, Racismo
Línguas:
Portuguese

O Sapataria, um blogue brasileiro sobre direitos LGBT e da mulher, publicou fotos do recente protesto promotivo por entidades ligadas a questões de gênero contra o enfoque dado ao aborto nas leis brasileiras, e partilha conosco algumas idéias sobre o tema: “Em vários países o fato do aborto ser considerado crime penaliza diretamente as mulheres pobres, principalmente as negras, que tem menos acesso aos serviços de saúde e métodos contraceptivos. […] Trata-se de um atentado à autonomia e à dignidade das mulheres, em sua maioria pobre, sem acesso a assistência jurídica e psicológica.”

13 comentários

  1. Jandira Disse:

    Olá Daniel! Valeu pelo comentário no blog, esse é realmente um tema que nos é muito caro! A vida das mulheres precisa estar em primeiro lugar nas políticas e práticas, na sociedade brasileira e no mundo!
    Tamojunt@s! Abraços, Jandira (Sapataria - Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF - Brasil)

  2. Daniel Duende Disse:

    Olá Jandira. Parabéns pelo trabalho que vocês vem fazendo no blogue Sapataria. Podem contar com o Global Voices Online para amplificar a voz de vocês na defesa dos direitos da mulher em toda a sua diversidade. Esta é a nossa missão.

    Abraços do Verde.

  3. João Disse:

    Olá Jandira, olá Daniel,
    Surpreende-me ver alguém a falar de aborto e mostrar que nem sabe o que isso é !!! Na verdade, para além dos direitos das mulheres seria bom ter em conta o direito do filho (abortado) e do pai: haverá filho sem pai? É preciso esclarecer-se que no aborto existem 3 personagens todas elas importantes e omitir qualquer uma é no mínimo desonesto!

    Sobre a personagem quase sempre esquecida, recomendo a leitura da história da Gianna Jessen, certamente vão gostar e porque não publicá-la no blog?
    História da Gianna Jessen:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/testemunho-impressionante-de-vida_27.html

    Para quem não sabe bem como é feito o aborto, aqui ficam algumas luzes:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/os-instrumentos-do-aborto.html

    Voltando ao direito das mulheres:
    É espantosa a forma como os defensores do aborto defendem as mulheres mais pobres: eliminando-lhes o filho. Não haverá formas de ajuda realmente eficazes e solidárias?
    Para quem passa dificuldades dar um aborto é dar muito pouco!!!
    Se pretenderem saber do “benefício” que o aborto trás para as mulheres (pobres e ricas), podem ler e divulgar:

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/10/rssia-250-000-mulherempor-ano-ficam.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/08/site-sobre-os-riscos-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/05/mais-sobre-as-consequncias-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/depresso-causada-pelo-aborto-muitos.html

    OBRA DE TEATRO SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DO ABORTO:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/laura-zapata-actriz-mexicana-prepara.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/o-lado-obscuro-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/royal-college-of-psychiatrists-afirmam.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/testemunhos-de-quem-lamenta-o-aborto.html

    câncer:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/novos-estudos-sobre-efeitos-do-aborto.html

    Morte no México:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/jovem-morre-vtima-de-aborto.html

    e agora? Acha mesmo que o aborto é defensável?

  4. Sim Disse:

    Já que voce anda a mostra blogs de Portugal eu digo que sou de Portugal e desde que o aborto foi autorizado muito menos mulheres morrem e ha muito menos criminalidade, voce e catolico pois eu nao viva a sua vida a sua maneira e eu a minha.

  5. Daniel Duende Disse:

    Olá João,

    Creio que o que disse a/o comentadora/or Sim parece se confirmar em outros países também. A taxa de mortalidade de mulheres em países em que o direito de escolha sobre a gestação lhes é legalmente negado costuma ser um bocado influenciada por este fato. Em países como o Brasil, milhares de mulheres morrem todos os anos por conta de complicações ligadas a gestações de risco ou decorrentes de abortos clandestinos. Trata-se, então, não apenas de uma questão de moral ou opinião. Trata-se de uma realidade, um problema bem real, da saúde pública de todos os países, que deve ser visto com um olhar sério e honesto, de preferência despido de egoísmos, achismos e radicalismos religiosos.

    Além disso, por trás do argumento de que “há 3 pessoas envolvidas em uma gestação”, geralmente pode se encontrar uma tentativa espúria de desempoderar (ainda mais) a mulher em seu direito de decidir sobre a própria vida. É contra isso que lutam tantas mulheres pelo mundo, como a Jandira, que deixou o primeiro comentário acima. Mais do que apenas pelo direito de escolher sobre a gestação que venha a ocorrer dentro de seus corpos, mas sobretudo sobre todos os direitos imprescindíveis para que possam viver com dignidade. O feto que ainda não nasceu não é, então, desimportante. Mas torná-lo mais importante do que a vida e a dignidade da mulher, me parece nada mais do que uma tentativa de reduzir ainda mais a importância ou os direitos das mulheres. Pior ainda, acreditar que o homem, que não gesta, não sente dores do parto, não amamenta, e que muitas vezes sente-se na total liberdade de se abstrair de qualquer responsabilidade pela vida que a mulher carrega no ventre (exceto quando resolve lutar pelos abstratos direitos “do feto”, geralmente do feto “dos outros”), tem algum grande direito de opinar sobre a vida alheia, só pode ser o tipo de piada de mau gosto que costumam fazer os homens pelo mundo afora.

    Abraços do Verde.

  6. Sim Disse:

    Nao sendo hipocrita mas a maior coisa que a sociedade ganha com isto é muito menos gente violenta e menos criminosos , sim porque a maioria dos criminosos que matam estrupam etc , vem de familias disfuncionais e pobres claro que ha excepção mas regra é essa , e depois no meu país não descontam para sociedade , o estado dá casas a eles obriga a pagar uma renda minima como 1 real , e mesmo assim nao pagam e se obrigam a sair de casa destroiem-na , com o aborto conseguimos evitar muito o crime e um mundo muito melhor para todos nós e todas crianças que nascem de familias com condiçoes e amor para dar , porque o amor não é tudo , ter filhos requer ter dinheiro não é por ela cá fora e os outros que as aturem , mas se voces no brasil querem manter a fé católica quando vivem na miséria e acham que países como espanha usa suécia que tem uma qualidade de vida muito acima e vivem muito mais felizes e civilizados estão errados , então força é uma opção na india dizem que os pobres que morrem pobres nascem ricos é a forma de controlar pobres , aí inventam deus para aguentarem uma vida de miseria e sofrimento.

  7. Daniel Duende Disse:

    Veja bem, Sim…

    O argumento de que o aborto pode ser uma forma de diminuir a violência urbana, que seria causada pela quantidade “grande demais” de pessoas pobres, advindas de “famílias disfuncionais” (que muitos pensam ser uma exclusividade dos “pobres”) e de ambientes violentos, não é nenhuma novidade por aqui por estas terras brasileiras. De fato, há até alguns políticos que defendem o aborto, com foco principal no aborto para mulheres “pobres”, como uma forma de controle de criminalidade futura. Creio, contudo, que isso já se torna levar a discussão para um outro lado, com o qual não concordo.

    Defender o direito de escolha da mulher, de todas as mulheres, independende de cor, credo, nacionalidade ou origem social e econômica, é uma coisa. Defender o aborto como uma forma de se diminuir a quantidade de “potenciais criminosos” (afinal, para muitos, pobreza e crime são sinônimos) é outra coisa totalmente diferente. Defender que a mulher tem o direito de decidir sobre sua vida e seu corpo é diferente, bem diferente, de esperar que este direito vá livrar a classe média dos “filhos indesejados da pobreza”. A meu ver, não é assim que a coisa funciona.

    A pobreza se combate de outras formas, muitas outras, e é claro que uma delas é se dar atenção a todas as necessidades sociais das classes excluídas e emprecidas, entre elas as questões de saúde pública entre as quais o aborto figura. Mas o aborto não pode ser visto como uma forma “mais digerível” de controle étnico/social. Aborto é um direito, não ferramenta estatal de combate ao crime e à pobreza.

    Além disso, cada país é um país. Não sei se comparar Portugal com a Suécia faz algum sentido para os portugueses. Mas comparações entre o Brasil e qualquer país europeu fazem muito pouco sentido, a meu ver, quando se leva em consideração a absoluta diferença entre as realidades históricas e sociais destes países. Não é a legalização do aborto que transformará o Brasil em Suécia, nem a mudança de uma política ou lei qualquer que transformará Angola nos Estados Unidos da América. Infelizmente a coisa não é tão simples assim.

    Por outro lado, considero um pouco ofensiva a noção muitas vezes propalada por alguns cidadãos europeus de que o Brasil é um país que vive na miséria. Muito pelo contrário. O Brasil é um país muito rico, o que torna a enorme pobreza na qual vive grande parte de sua população ainda mais gritante. É claro que há muito do que causa esta pobreza que também está por trás da legislação que proíbe o aborto no Brasil, mas não se deve confundir dois problemas que apenas tem em comum algumas de suas causas.

    Em suma, acredito no aborto como um direito reprodutivo da mulher. Mas não acredito no discurso que coloca o aborto como uma eventual solução para a pobreza e o crime. Há muito preconceito e uma certa dose de facismo de classe-média por trás deste discurso, e isso em nada serve as mulheres pobres que tanto se beneficiariam por retomar o direito a decidir sobre seus corpos.

    Abraços do Verde.

  8. Sim Disse:

    O problema do mundo inteiro na criminalidade na pobreza em tudo neste mundo é só e apenas um as pessoas pobres terem filhos devia ser proibido estamos alimentar uma bola que nunca mais vai acabar , eu dava subsidios para gente pobre nao ter filhos.

  9. Daniel Duende Disse:

    Acredito que insinuar uma conexão direta entre a pobreza e o crime, e sugerir o aborto compulsório ou a proibição de certos grupos sociais de gerarem filhos, sejam demonstrações gritantes de facismo, profundo preconceito social e desrespeito pelo ser humano em todas as suas formas.

    Isso transcende em muito a esfera da discussão sobre o aborto ou sobre os direitos reprodutivos femininos, e vai rapidamente às raias do desrespeito aos direitos humanos já assegurados — o que é um retrocesso. E neste ponto, pareio-me com quem acredita que todas as pessoas tem o DIREITO de ter filhos, criá-los com dignidade e transmitir a eles os melhores valores sociais e pessoais. Somo a isso minha crença no DIREITO de todas as pessoas, principalmente as mulheres, de decidir quando NÃO ter filhos, mesmo em face de uma gravidez indesejável.

    Levar esta discussão para o campo minado do facismo e da eugenia social é absurdo, e condenável.

    Abraços do Verde.

  10. Pola Disse:

    Prezado Daniel,
    Reforço aqui tudo o que você disse até agora. Seus comentários estão totalmente de acordo com a defesa do aborto que nós, mulheres e homens feministas, fazemos. Gostaria de acrescentar apenas - para argumentar sobre o que o João escreveu - um comentário sobre o papel do pai nesse processo. A figura do genitor é realmente importantíssima na tomada de decisão da mulher sobre ter ou não um filho. Sua presença ou ausência influencia sem dúvida nos casos de aborto por gravidez indesejada - quando as mulheres são forçadas a engravidar, não por sua vontade, mas por vontade do marido ou companheiro, ou naqueles em que o sustento e os cuidados com a criança, e portanto, o ônus econômico e social recai exclusivamente sobre a mulher - por abandono do parceiro. Além disso, é importante lembrar que grande parte dos homens concordam com o aborto como solução para uma gravidez indesejada (seja de amantes ou esposas), chegando a contribuir financeiramente com o procedimento. No entanto, a realização do procedimento e a responsabilização pela decisão tomada recaem exclusivamente sobre a mulher. Cadê os pais nesse momento??? Não há justificativa para essa reivindicação “machista” e patriarcalisca!!!
    Historicamente os homens atribuiram toda a responsabilidade pelo cuidado dos filhos às mulheres, assim como sempre coube a elas o trabalho doméstico. Agora as mulheres revindicam o direito de decidir sobre seu corpo e sobre a maternidade e os homens dariam uma enorme contribuição à civilização se nos permitissem realizar essa escolha autonomamente.
    Há braços feministas!

  11. Sim Disse:

    Amigo isso e tudo muito bonito e eu concordo com cada 1 faz o que quer tem liberdade para isso o problema e que depois prejudicam a minha vida prejudicam a vida da criança obrigam-nos a pagares-lhe casa comida e tudo , e a criança revoltada ainda vem matar os nossos filhos por isso essa utopia que voce tem de bonito nao resulta veja o resultado que ta ai , voce tem o direito a fazer o que quiser desde que nao ultrapasse a liberdade dos outros , se uma pessoa nao tem dinheiro para comer nao deve ter filhos , eu nao sei como as pessoas ajudam africa sabendo que a fome doenças vai-se prepetuar porque eles tem 10 crianças por pessoa em vez de incentivarem a nao terem mais filhos para finalmente terem uma sociedade boa.

  12. Daniel Duende Disse:

    Vamos por partes então, Sim…

    As minhas palavras, que você chama de utopias, são marcos mínimos de respeito aos direitos humanos. Se você acredita que o respeito aos direitos humanos é uma utopia, considero isso um bocado preocupante. O que você quer dizer, por exemplo, com “obrigam-nos a pagares-lhe casa comida e tudo”? Crê, por exemplo, que os necessitados o são por que o querem? Acredita na falácia liberal de que quem trabalha enriquece e que os pobres são os preguiçosos que não quiseram trabalhar para enriquecer? Acredita que todos tem chances? Estará chamando de preguiçosos então os africanos, nas costas dos quais — por meio da escravidão — Portugual enriqueceu explorando suas colônias? Estará chamando de preguiçosos aqueles que foram privados e roubados daquilo que tinham para enriquecer outros, que exploravam também seu trabalho? O que é que você chama de preguiça? Se você acredita que ser roubado, violentado e empobrecido simplesmente por que tinha riqueza é preguiça, deveria pensar então que seus filhos — que você teme que sejam atacados pelos “filhos dos pobres” — devem ser muito preguiçosos, afinal eles só seriam atacados pois tem coisas a serem roubadas, a serem cobiçadas. Pense nisso.

    Não é também, a meu ver, uma utopia respeitar as dificuldades e questões de pessoas que vivem em contextos que você não entende nem tem como entender. Você já andou pela África? Já estudou sua história fora dos livros que os maiores exploradores do continente africano escreveram? Já leu a história escrita pelos explorados, ou será que a história dos “preguiçosos que só sabem ter filhos” não te interessa? O mundo é mais complicado do que a rua calma que contemplas de sua janela européia, mas pode acreditar — a bonança que tens e temes que seja roubada foi construída com o sangue daqueles que agora deploras. Sente-se no direito de fazê-lo? Então não se surpreenda com a revolta daqueles que tão soberbos criticas agora. A violência social é em grande parte uma expressão desta revolta.

    E se você não sabe por quê as pessoas ajudam a Africa, talvez devesse entender um pouco melhor por quê a Africa é a Africa que hoje vemos. Terá sido sempre um continente pobre “cheio de coelhos preguiçosos”? Ou será que a pobreza, a guerra, a doença e a desgraça que hoje açoitam o continente africano tem, de muitas formas, algo a ver com a invasão, a colonização, a manipulação política e econômica e a exploração lá promovidas pelos colonizadores, missionários e emissários de Europa?

    E o que tudo isso tem a ver com o direito da mulher em decidir o que fazer com seu corpo? Como é que fomos parar de uma coisa na outra? Para mim parece simples: é muito fácil falar de um tema e esquecer da forma como ele se articula com tantos outros. Conhecimento, consciência, não são coisas fáceis de se obter. É por isso, pelo reconhecimento de nossa própria ignorância, que deveríamos saber ouvir mais do que falar. Pois a cada passo na direção que consideramos certa, podemos estar tropeçando em tantas mais outras questões que são bem mais complexas do que entendemos…

    E assim gira o mundo, Sim. E ele não gira à volta de nossos umbigos brancos, burgueses e ricos.

    Abraços do Verde.

  13. Daniel Duende Disse:

    Olá Pola,

    obrigado pelo apoio. Concordo plenamente também com suas colocações. É necessário que as pessoas abram os olhos para tendências que são seguidas e afirmações que são feitas inocentemente, mas que na verdade representam a continuidade da opressão de gênero em nossa sociedade (e em várias outras). O mesmo se aplica a questões raciais e sociais. Por vezes não enxergamos — por não saber ou por não querer ver — mas são justamente as coisas que achamos mais normais aquelas que são mais perversas.

    Abraços do Verde.




UPDATE:
E o debate continua, indo e vindo em alguns momentos, mas sempre chegando a algum lugar... creio eu...
Ou então é só impressão minha, pois parece ter gente que não entende e nunca vai entender que o buraco é bem mais embaixo...


  • Sim Disse:

    Como voce pode justificar alguem que nao tem dinheiro para si ter 3 filhos e eles morrerem a fome e pura ignorancia nao tenho pena de pobre nao , nao querem trabalhar tem filhos como meio de sustento , nao escolheram nascer assim mas escolheram continuar assim e eu nao sou rico.

  • Daniel Duende Disse:

    Justificar? A complexidade humana precisa ser justificada?
    Nem sempre as pessoas agem como nós, olhando de fora, consideramos mais racional. Isso não quer dizer que não tenham seus motivos. Quer dizer, no máximo, que nós não os compreendemos ou enxergamos.

    Mas eu fiquei impressionado com suas frases…
    “nao querem trabalhar tem filhos como meio de sustento , nao escolheram nascer assim mas escolheram continuar assim”?
    Você realmente acredita que “os pobres” não querem trabalhar, e tem filhos como meio de sustento? Pior ainda, acredita que eles escolheram continuar pobres? Você não pode estar falando sério, Sim.

    De qualquer forma, parece que essa discussão não vai a lugar algum. Você nem se deu ao trabalho de responder minhas perguntas. Sabe-se lá se sequer lê o que escrevo…

    Abraços do Verde.

  • Diviol Rufino Disse:

    A vida está acima de qualquer credo ou religião. Quando ela está em jogo, não importam as diferenças. O que precisa aumentar em nós é a busca de soluçõe criativas e sermos capazes de lidar construtivamente com a grande tarefa a que todos somos chamados: contruir um mundo solidário. As mulheres negras e pobres que continuam abortando são o espelho da degradação social a que chegamos, elas precisam ser amparadas no seu desejo de ser mães e não serem estimuladas - pela nossa ganância - a serem assassinas.

  • Daniel Duende Disse:

    Olá Diviol Rufino,

    Eu também acredito que a vida está acima de qualquer credo e de qualquer religião. Mas chamo a atenção para o quê estamos chamando de vida. Será ela meramente um fato biológico, sobrevivência e continuidade da vida biológica, ou estamos falando de uma vida completa, com dignidade, oportunidades de crescimento e de realização pessoal?

    Quisera vivêssemos em um mundo onde todos tem oportunidades de forma igual. Quisera vivêssemos em uma sociedade que recebe bem a todos, e onde todos podem encontrar apoio entre todos — uma comunidade sem preconceitos, bairrismos, exploração…

    Mas esta não é a nossa realidade. E na nossa realidade, muitas pessoas vivem — no sentido biológico — e morrem sem ter tido uma chance sequer de viver de forma digna, e sem nenhuma oportunidade de sair da situação limite onde nasceu e viveu. E é nesta sociedade, a sociedade em que vivemos, que o direito de escolha por parte da mulher e do casal se faz mais necessário. O direito de escolher se quer colocar no mundo um filho que, assim como você, não terá chances. O direito de escolher se pode arcar com mais uma boca para alimentar, mais um dependente para cuidar, mais uma pessoa para ver sofrer ou, pior ainda, para ter que abandonar.

    Se vivêssemos naquele mundo perfeito, provavelmente todas as pessoas também teriam perfeitos conhecimentos de métodos anticoncepcionais, e todos eles seriam 100% eficazes. Naquele mesmo mundo perfeito, todas as pessoas teriam amor e saúde interior suficiente para criar quantos filhos quisessem, e teriam todo o apoio para isso.

    Mas no mundo em que vivemos, com todas as suas guerras, toda a pobreza, toda a doença do corpo e da alma, e como toda a falibilidade humana, retirar do indivíduo o direito de escolher sobre a própria vida, e uma vida que possa vir a colocar no mundo, é um absurdo. É neste mundo em que vivemos, já que não vivemos nem sabemos de nenhum outro, que o aborto deve ser um direito de toda mulher.

    Se um dia vivermos em um mundo diferente, a gente conversa.

    Abraços do Verde.

  • Diviol Rufino Disse:

    Se a humanidade tivesse optado pelo aborto, priorizando a classe pobre, nós não teríamos conhecido a genialidade de muitos artistas, atletas, lideres mundiais de peso, jogadores do futebol brasileiro - que trazem inúmeras divisas para os clubes de vários países e empresas do mundo. Foi com esse discurso excludente que - não a muito tempo atrás - o mundo ficou estarrecido com um Hitler, um mussolini e tantos outros que ainda estão cm o poder de extermíno entre as mãos. O que precisamos mesmo é criar vergonha na cara, sairmos do nosso egoismo, da nossa indiferença, dos nossos medos de fundo narcisista, e estender a mão para quem mais precisa, criando políticas públicas adequadas, sistema de saúde garantido para todos, educação de qualidade, habitação e saneamento, - em suma -, formarmos uma geração nova de jovens politizados e conscientes e não deixarmos que muitos que estão no poder - os famosos ladrões de colarinho branco (muitos dos quais nasceram em berço de ouro!), aqueles que não roubam para comer mas para engordar suas contas em bancos do exterior, não metam a mão naquilo que é patrimônio de todos, ganhos honestos de milhões de brasileiros que - como eu e tantos - pagam seus impostos diretos e indiretos (e não são poucos!).
    Trabalhei muitos anos no Rio de Janeiro e conheci - graças ao meu trabalho - inúmeras pessoas de comunidades carentes que trabalham duramente para manter suas famílias na dignidade e na honestidade. Bandidos? Existem, como em todos os lugares. Morei no Rio 12 anos e nunca fui assaltado. Mas, em contrapartida (a poucos dias, na Europa, fui roubado por um grupo de jovens, brancos, ricos, drogados!) Não sou preconceituoso - diga-se de passagem - mas, fatos como esses nos convencem de que o que precisamos é de outra coisa: precisamos de mais vida, mais amor!

  • Sim Disse:

    Quando voce nao estuda e nao tem pais ricos , voce escolhe ser pobre , quando voce tem um emprego com um salario minimo e quer viver na segurança disso , voce escolhe ser pobre , quando voce tem filhos ja tendo pouco dinheiro ai assina sua sentença de pobre para toda vida , agora quando voce faz sacricicios para investir no seu negocio na sua vida e adbica de muita vida pessoal para ter uma boa vida no futuro ai nao escolhe ser pobre.

  • Daniel Duende Disse:

    Senhor Diviol Rufino, concordo plenamente com as necessidades sociais que apresentas em sua resposta. Precisamos mesmo de mais e melhor educação para nosso povo, melhores oportunidades para nossa gente, indiferente de classe ou cor da pele. Precisamos de mais segurança, mais e melhor atendimento de saúde, mais respeito e incentivo à cultura. Precisamos, sobretudo, de mais respeito pelo ser humano.

    E é por uma questão de respeito — respeito pela dignidade e pela soberania da mulher sobre seu corpo — que defendo o direito de escolha. Direito de escolha não significa estímulo ao aborto, como pode ter sugerido nosso comentador ‘Sim’, nem significa desvalorização da vida. Pelo contrário, significa valorizar muito mais a escolha livre que cada mulher poderá fazer — a de ter filhos em um contexto em que estes não são uma obrigação. Valorizará muito mais também a vida, vida desejada, que advirá da gestação escolhida e desejada pela mãe. Valorizará, sobretudo, o direito de todos a uma vida digna, neste mundo em que vivemos ou em qualquer outro.

    Precisamos de mais vida e mais amor, disso não há dúvida. Mas precisamos também sair de nosso pedestal de machos que enxergam o mundo apenas com os olhos do gênero que há séculos domina a cultura e a sociedade, e entender o que querem, e merecem, estas mulheres que chamamos de esposas, filhas, senhoras, meninas, empregadas, chefes, beatas ou putas, mas que dificilmente sabemos enxergar como aquilo que na realidade são — mulheres, com suas demandas, suas dificuldades e suas particularidades. Precisamos de mais respeito à mulher!

    Abraços do Verde.

  • Daniel Duende Disse:

    Caro(a) Sim,

    onde você vive todos aqueles que desejam estudar, tem a oportunidade de fazê-lo? Onde você vive, todos tem acesso a um emprego com ao menos um salário mínimo de remuneração e, mais do que isso, tem possibilidade de sonhar e ousar ir além disso? Onde você vive todas as pessoas tem acesso a informações sobre controle de natalidade, saúde reprodutiva e maternidade responsável? Todos tem acesso à educação, à saúde e aos direitos básicos de um ser humano? Isso tudo é muito bom, mas levando em conta que o mundo não é assim como parece ser no lugar em que você vive, acho que o buraco é bem mais embaixo.

    Mais uma vez sugiro que você enxergue um pouco além de sua janela. Algumas das coisas que dizes estão fazendo pouco sentido quando vistas da perspectiva de quem vive em lugares do mundo onde as oportunidades, o emprego, a educação e a saúde deixam muito a desejar…

    Abraços do Verde.

  • Sim Disse:

    Explique-me como pode alguem que passa fome nao tem condições ter 10 filhos e esperar um dia a ser rico que amor pelas crianças pode ter ?

  • Daniel Duende Disse:

    Você acredita que alguém que passa fome, por falta de dinheiro ou por falta de comida na região que reside, teve educação suficiente para refletir sobre isso? Acredita que conheça métodos contraceptivos? Acha que deveria, na falta de métodos contraceptivos, abster-se de atividade sexual? Acredita que as mulheres desta região tenham acesso a algum tipo de conhecimento sobre controle de natalidade? Em suma, acredita que estas pessoas são como você, pensam como você, e sabem o que você sabe? Por vezes, notar que se tratam de pessoas diferentes, muito diferentes, vivendo em realidades diferentes, muito diferentes, da sua, pode ajudar você a entender o que acontece. Foi isso que eu quis dizer quando te sugerí olhar um pouco além de sua janela, e se informar sobre as realidades que cercam pessoas em outros contextos.

    Abraços do Verde.

  • Sim Disse:

    Mas eu nao critico eles eu critico voces que em vez de ajudar e enviarmos dinheiro para africa ou gente pobre ai no brasil o mais importante seria natalidade e educação para o problema não se arrastar para sempre , porque se vamos ajuda-los com eles a terem 10 filhos e a multiplicação da pobreza e criminalidade e o mundo está como está por isso.

  • Daniel Duende Disse:

    Eu concordo com você, Sim, sobre a importância maior de se investir em educação e informação. Mas acho que a questão também não é tão simples assim. A que você se refere quando diz “em vez de mandar dinheiro para a Africa”? Que dinheiro, e de que forma está sendo enviado, e com que finalidade?

    Quanto ao Brasil, não sei se você sabe, mas no momento há um enorme investimento do governo por aqui para possibilitar as pessoas a saírem da pobreza absoluta ou progredirem profissionalmente, o que inclui ações de educação e infra-estrutura. Entre estas ações, inclui-se a informação a respeito de planejamento familiar e controle de natalidade. Além disso, nosso presidente é favorável à legalização do aborto enquanto direito da mulher e da família, mas a existência de uma bancada forte que se opõe a isso no Congresso impede que tal mudança legal ocorra no Brasil neste momento.

    Abraços do Verde.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Global Voices em Português chega ao seu milésimo artigo traduzido

São 3:44 da manhã de mais uma madrugada quase virada trabalhando. Acabo de traduzir um artigo do Global Voices Online que traz a tradução do post em árabe que levou o blogueiro Erraji à prisão no Marrocos. Enquanto passeio pelas estatísticas do site durante meu último cigarro da noite, me apercebo que há um número lindamente redondo na contagem total de artigos traduzidos pelo Global Voices em Português: 1000.



Mas eu não consegui isso sozinho. Foi graças ao esforço, à dedicação e à boa vontade de todos aqueles que ontem e hoje colaboram (ou colaboraram) com o Global Voices em Português que agora chegamos a esta marca. Com trabalho, e sobretudo com muita vontade, e a receptividade dos leitores em toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Global Voices em Português cresce e se aprimora a cada dia, rumo à tradução número 1001, à tradução número 2002, e assim por diante...

Acima de tudo, a nossa meta é uma extensão daquela do Global Voices Online: agregar, organizar e amplificar a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.

Parabéns para todos nós.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Bondade do Google

Vez por outra o Google é bonzinho comigo, e resolve indexar meus comentários citando justo a parte mais inspirada:

Comment on Palestine: The Word of the Israeli Against that of an ...
By Daniel Duende
... is highly called for in the Israeli media and State foreign affairs. This is a complex world. It’s not easy to live in it. But that’s no excuse for our mistakes. We are all responsible for the world we live in. Best, Daniel Duende.
Comments for Global Voices Online - http://globalvoicesonline.org

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Links sobre a Lei Azeredo

A absurda tentativa de golpe na internet brasileira propalada pelo senador Eduardo Azeredo (e bancada pelo banco Bradesco, pela Scopus Informática e outros "bem intencionados" grupos) gerou muito barulho na blogosfera. E também, não é pra menos. A "lei Azeredo" é mal escrita, mal intencionada, chegando a ser inconstitucional em vários pontos, e vem sendo vendida como algo que não é -- uma solução definitiva para os problemas da internet brasileira. A única coisa que a lei efetivamente soluciona são os problemas das grandes indústrias de conteúdo de áudio e vídeo, que insistem em vender o que é barato a preços proibitivos, e as dificuldades de bancos e certas empresas em fazer os usuais milhões em um mercado que não mais entendem.

Infelizmente muitos estão caindo na conversa do Azeredo -- por pura ignorância, acredito eu -- e a lei já passou pelo Senado. Na esperança de que o povo brasileiro (e os digníssimos deputados) larguem a preguiça mental e lutem contra este absurdo jurídico, muitos de nós não desistem da luta contra mais esta tentativa empresarial de colocar uma rédea na internet, e transformar todos os usuários em criminosos a priori (para serem processados ao bel prazer dos juízes ou dos algozes da vez).

Os links abaixo falam por si mesmos. Depois, quando tiver tempo, escrevo mais sobre o assunto.

(os links abaixo foram todos enviados pelo irmão-barbudim Dpadua, o qual eu havia esquecido de creditar na pressa em que escrevi o post)

Oito perguntas ao Eduardo Azeredo sobre a lei de crimes na Internet (por Sérgio Amadeu)
IDG Now Podcast sobre crimes digitais

SaferNet Brasil - O Que Denunciar?
Brasil Contra a Pedofilia | Em defesa da infância e adolescência
A lei do senador Azeredo e o que ela faz da Internet
Interactive Narratives - The Best in Multimedia Storytelling and Multimedia Journalism
Premiação A Rede 2008
Home - Pencil Project
Circo digital:Portal comunitário - Circo digital
Página Inicial ¦ Circo Digital
Página Inicial — Portal da Rede Mocambos
tudismocroned: Partido Pirata convida
Resposta do gabinete do Mercadante « PortuguesIlha
A Nova Corja » Blog Archive » Azeredo me considera pessoa de má-fé
Senador Azeredo volta a colocar Internet livre em risco no Brasil | Remixtures
Protesto de brasileiros contra o projecto de lei do senador Azeredo para o cibercrime aumenta de tom | Remixtures
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
m a r t e l a d a - crítica vitriólica e comentários sarcásticos por marcelo träsel
A Nova Corja » Blog Archive » Azeredo me considera pessoa de má-fé
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
A lei seca e o direito de locomoção de todos nós - Terra - Rizzatto Nunes
Senador Azeredo volta a colocar Internet livre em risco no Brasil | Remixtures
tudismocroned: Partido Pirata convida
Resposta do gabinete do Mercadante « PortuguesIlha
The Bureau of Piracy and The Pirate Bay on Tour 2008
Avaaz.org - The World in Action
Una-se a pessoas de todo o mundo na mobilização por assuntos globais.
Everyone hates stealth
Então, Somos Todos Criminosos - A2K
Observatorio - Internet brasileira precisa de marco regulatório civil, não criminal
Franklin Street Statement on Freedom and Network Services :: autonomo.us
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
Blog do Sergio Amadeu
Petição ao Senado Federal - Pelo debate e transparência no PL de Controle da Internet
Do celular direto pra cela
blogs/lxo/2008-07-02-navegando-pro-xadrez.pt
blogs/lxo/2008-07-05-surpresa,-sou-contra.pt
PSL Brasil - Alexandre Oliva escreve sobre o projeto de lei do senador Azeredo - 11724
blogs/lxo/2008-07-07-manchetes-cybercriminosas.pt
Comissão debate nesta terça uso de sistema anti-cópia para a TV digital
Debate Urgente: Crimes na internet
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Noticiário produzido pela Agencia de Notícias do Senado Federal - Secretaria de Comunicação Social - Agência Senado
Substitutivo aprovado ontem no Senado « PortuguesIlha
Projeto ainda vai passar pela Câmara Federal « PortuguesIlha
Senado aprova projeto nocivo à Internet Agora é a vez da Câmara
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Noticiário produzido pela Agencia de Notícias do Senado Federal - Secretaria de Comunicação Social - Agência Senado
Observatório da Imprensa
PSL Brasil - Senador Azeredo consegue convencer Senador Mercadante a aderir ao movimento pela vigilância na rede? - 11759
PSL Brasil - Projeto Azeredo Aprovado no Senado - 11760
PSL Brasil - Projeto Azeredo - "Nervosismo e Cibercrime. Por Pedro Rezende" - 11762
Observatório da Imprensa
Senado aprova projeto contra crimes de pedofilia na internet - Internet - IDG Now!
Prazo para guardar logs de internautas deve ser modificado, diz Abranet - Internet - IDG Now!
Orkut: as razões para o sucesso da rede social do Google entre brasileiros - Internet - IDG Now!
Entenda os principais pontos da lei para crimes de informática - Internet - IDG Now!
Yaso.in » As leis brasileiras é que são burras?
Trabalho Sujo: Cut Copy
blogs/lxo/2008-07-10-demagocracia-e-os-delisola.pt
Electronic Frontier Foundation | Defending Freedom in the Digital World
Sociedade Livre... até quando?
WeBlog - A2K
Censura não !
Partido Pirata - Home
III CIDE - Congresso Internacional - III Congresso Internacional de Direito Eletrônico
Carta Aberta: Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira - Google Discovery
Assessoria do Senador Eduardo Azeredo responde à Carta Aberta da Blogosfera - Google Discovery
Folha Online - Informática - Lei sobre crimes virtuais transfere ação do Estado para a sociedade, diz Abranet - 11/07/2008
As leis brasileiras é que são burras?
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Crimes digitais: como a nova lei pode afetar seu cotidiano virtual - Internet - IDG Now!
São Paulo – Amparado por advogados com experiência em TI, IDG Now! cita possíveis conseqüências do PLS 76/2000 para seu dia-a-dia.
Observatorio - Todos poderemos ser cibercriminosos
Observatorio do direito à comunicação
Provedores e gestores criticam lei que tipifica crimes na internet - O Globo Online
RIO - O projeto que tipifica crimes praticados na internet, aprovado na madrugada desta quinta-feira, vem causando muita polêmica entre os usuários da grande rede no Brasil. Muitos consideram que o substitutivo apresentado pelo senador...
Além destes, há também o artigo da Paula Góes no Global Voices sobre as imprecisões da lei.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Notícias do Global Voices Summit...

Estamos chegando agora à metade do segundo dia de reuniões privadas do Global Voices Online no GV Summit 2008, e a quantidade de informação e conversas interessantes que está se deflagrando à minha volta está sendo estonteante. De fato, depois da cervejada de ontem estou um bocado tonto por conta da ressaca também. :)

Não tive tempo de blogar -- mal tive tempo de plurkar -- o que está rolando aqui, pois há muito a se discutir e já é complexo o bastante pra mim me concentrar em todas estas discussões. Acredito que poderei falar mais a respeito de tudo que rolou aqui quando eu chegar no Brasil e tiver algum tempo pra blogar.

Por hora, quem quiser acompanhar o Summit pode fazê-lo pela página oficial do evento.


p.s. acabei de me tocar que perdí uma reunião da qual TINHA que ter participado hoje. Acho melhor eu me concentrar no que está acontecendo aqui. Abraços a todos.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Algumas coberturas do GV Summit 2008....

O European Journalism Center tem um feed sobre as coberturas e blogadas do GV Summit 2008 em sua página principal. No site do The Economist, já há um artigo sobre o evento também. E, é claro, o Ethan Zuckerman está blogando sobre o evento, assim como várias outras pessoas (como vc pode conferir no feed do EJC).

Esta legião de blogueiros e "jornalistas cidadãos" (por falta de um termo melhor) não perdem tempo. Já há um tag específico do evento no Flickr. Por hora a maioria das fotos ainda é de passeios por Budapest (afinal, quem viria a Budapest para um evento e não passearia um pouco!?), mas acho que isso deve mudar ao longo do dia. A Neha Viswanathan está tirando fotos legais daqui de dentro das reuniões.

De resto, paulagoes e cyberjuan estão lançando umas plurkadas sobre o evento no Plurk.

É claro que esta não é uma lista exaustiva. Está mais para "algumas anotações". Mais tarde, ou a qualquer momento, eu volto aqui e faço um update sobre quem mais está falando sobre o evento. Pra saber das descobertas mais frescas e dos comentários mais recentes, basta acompanhar o meu Plurque.

Atualizando em meio à correria...

A correria dos últimos dias tem sido tão grande que nem tive tempo de vir até aqui e contar o que está acontecendo. De fato, eu acho que me enganei quando pensei que teria tempo para blogar depois que chegasse aqui na Europa.

Ok, mas vamos começar pelo começo. O que estou fazendo aqui na Europa?
Viajei até aqui como convidado do Global Voices Online para o Global Voices Summit 2008 (para quem não sabe ainda, sou coordenador do site Global Voices em Português), que estará acontecendo nos próximos dias aqui em Budapest.
Viajei no dia 24, e cheguei em Amsterdam no dia 25. Depois de algumas aventuras e desventuras pelas ruas da cidade onde a noite quase nunca cai (nesta época do ano), cheguei finalmente a Budapest ontem (dia 26) para participar do congresso. Quando tiver tempo, conto sobre o que rolou na viagem até aqui.

Por hora vou me concentrar em plurkar e blogar sobre o que está rolando no evento. Acompanhem o que estou vendo, ouvindo, conversando e pensando aqui no Alriada Express e em meu timeline no Plurk. (se vc ainda não está no Plurk, é hora de entrar). Há também um streaming de video do evento, aqui.

p.s. o crédito da foto do post é da georgiap. :)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Hoje no Global Voices em Português...

Um artigo de José Murilo Junior (meu caríssimo irmão) sobre o debate blogosférico a respeito das novas reservas de petróleo descobertas no Brasil, que podem estar entre as maiores do mundo, e uma excelente ronda de Laura Vidal pelos blogues venezuelanos em busca de opiniões a respeito do novo (e um bocado revolucionário) Curriculo Educacional Bolivariano, são os destaques de hoje do Global Voices em Português.

Pessoalmente, achei ótimas as duas matérias. A tradução da matéria do José Murilo marca a estréia de nossa nova tradutora, Raquel Coelho. Seja bem vinda, Raquel. E parabéns pela excelente estréia.

Além disso, temos um artigo sobre a nova medida do governo Kuwaitiano que pretende deportar estrangeiros que reincidam em infrações de trânsito. Perder a carteira de motorista e o passaporte por conta do mesmo sinal vermelho é dose, não? Mas talvez eles tenham seus motivos.

As curtas do dia também estão muito interessante. Vá lá e confira.

Em tempo, a super Paulinha Góes, ainda em recuperação de alguns problemas de saúde causados por seu indiscutível amor ao trabalho (muito bem executado), está dando um show em sua volta ao Global Voices, e em seu novo blogue Lusosfera, onde ela coleta vozes da lusosfera e comenta o conteúdo do Global Voices Online e o conteúdo traduzido para o GVP.


UPDATE: A Paulinha está trazendo lá no Lusosfera várias novas informações, algumas delas quentinhas, a respeito do caso do bloqueio do Wordpress no Brasil. Ela está em cima dessa história desde o começo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

E agora, Isabella no Global Voices em Português.

Eu sei que já havia feito um post falando que o artigo estava no Global Voices Online, mas o trabalho que tive com a matéria foi tanto que deu vontade de fazer mais um post só para avisar que agora o artigo está traduzido lá no Global Voices em Português.

"[...] No passado, os maiores grupos midiáticos do Brasil não foram sempre cuidadosos ao marcar este ou aquele suspeito como culpado de um crime. A polícia e as autoridades brasileiras foram frequentemente pressionadas a dar à mídia as informações e afirmações desejadas por esta para fazer com que indivíduos sob investigação parecessem culpados aos olhos do público mesmo antes da conclusão das investigações. Se, ao final das investigações oficiais, fosse revelado que o real culpado era outra pessoa, os mesmos jornais raramente se preocuparam em corrigir estes erros, rapidamente se voltando para o próximo gol da final do campeonato, para o próximo escândalo político ou morte terrível.

E o circo midiático e troca de acusações já começou no caso de Isabella Nardoni. Sejam culpados ou não do terrível crime, o pai e a madrasta de Isabella já foram condenados sob os holofotes televisivos e nas capas de jornais brasileiros, e um dos maiores colaboradores destas afirmações de culpa é o promotor público responsável pelo caso, Francisco Cembranelli, que já deu várias entrevistas sugerindo acreditar que as investigações irão estabelecer o casal como culpado do assassinato. [...]"

Leia o artigo inteiro lá no GVP.



quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Orkut é a voz do povo?

Já cansou a discussão sobre o Orkut ser ou não a voz das classes mais populares, de fora de nosso clubinho fechado de elite blogueira, na internet. Cansou? Cansou a quem? A nós do clubinho (eu, que tenho certo nojo desse clubinho, também não posso ter o desbunde de dizer que não faço parte dele).

Deixando de lado as estatísticas do instituto "vozes do além" e correlatos, é fácil notar que boa parte da blogosfera brasileira é branca, de classe média, interessada em certos temas bem específicos da classe da qual fazem parte e, desconfio, também bem inclinada a repetir chavões ideológicos de gênero, classe e posição política que -- estes sim -- já deveriam ter nos cansado.

Enquanto isso o Orkut tem de tudo. É um lugar repleto de gente idiota mas com várias excessões preciosas, falando besteira cheia de propriedade ou simplesmente manifestando sua opinião, discutindo em pé de igualdade nos longos threads de discussão dos mais variados grupos -- ou ao menos daqueles que não foram criados só para se ter um grupo de imagem e nome engraçadinhos em seu perfil, e que não fomentam discussão nenhuma.

O Orkut é mais a nossa cara, queiram ou não, e falar mal dele é falar mal do espelho. Se se fala muita besteira por lá, é por que falamos mesmo muita besteira. Se boa parte das pessoas que se manifestam por lá dizem também apenas o lugar-comum, é por que é isso mesmo que boa parte de nós faz em qualquer discussão, quando sequer se digna a discutir. Se o Orkut é espaço de machismos, racismos, bairrismos, bobagens e futilidade, é porque este é o nosso retrato geral enquanto internautas, e não porque o Orkut é ruim. De um jeito ou de outro, bom ou ruim, é lá que boa parte de nossos internautas se encotram. Aderir ao supremo bairrismo de que algo dito no Orkut valha menos do que algo dito em um blogue me parece mais uma manifestação de nossa usual estupidez blogueira.

O que me admira é que mesmo sabendo de tudo isso há muito tempo, só hoje me toquei (e mesmo assim, apenas por inspiração de um email de um dos líderes do Global Voices -- portanto o chefe do meu chefe do meu chefe) que para buscar as vozes brasileiras que tem pouco alcance eu deveria olhar para o Orkut, e não para a nossa blogosfera. Não que ela não tenha muito a dizer, mas em termos de representatividade nas conversas o Orkut continua dando de dez a zero.

Estou escrevendo tudo isso em fluxo de consciência, só como uma forma de dizer que agora em diante vou me concentrar mais no Orkut quando escrever minhas matérias para o Global Voices. E vamos ver no que dá...

Cotovelos judaicos

Pelo visto os cotovelos judaicos estão doendo um bocado por conta da "missão de paz" de Jimmy Carter na Palestina. Será que é por conta daquele livro dele, ou apenas porquê ele foi falar com todas aquelas pessoas que o povo de Israel estava "fingindo que não existiam para ver se eles iam embora"?

Não sei qual é a do cara, e tenho uma tendência a desconfiar de qualquer pessoa que tenha sido presidente dos Estados Unidos. De fato, tenho que admitir, gosto tanto de Norte Americanos quanto gosto de Israelenses. Mas que está sendo divertido ver o quanto o povo de Israel anda incomodado com Carter, ahhh, isso não tem preço. :)

Em tempo, não resistí à tentação de deixar um comentário na matéria do Global Voices sobre o assunto, espinafrando o americano que ainda acredita que é o governo palestino, e não o seu, o responsável pela queda de suas preciosas duas torres...

Caso Isabella Nardoni no Global Voices Online

Meu artigo sobre o caso Isabella Nardoni e a cobertura da mídia brasileira para casos como o dela já está no Global Voices Online. Até o final do dia, deve estar traduzido para o português lá no Global Voices em Português.

Este artigo deu trabalho, e foi cercado de contratempos mesmo depois de pubblicado. É um alívio ter ele entregue à rede, e poder me desincumbir dele.
Prometo que no próximo pego mais leve, e escolho um tema mais fácil...

Que tal... o FISL? :)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Da maneira ultrajante como se trata uma mulher nas Bahamas.

"Uma mulher das Bahamas “que foi arrastada da casa em que vivia por policiais uniformizados que não a permitiram vestir qualquer roupa e que ficou detida em uma área pública de uma delegacia de Nassau por muitas horas neste estado antes de receber a permissão de se cobrir” foi considerada culpada das acusações de linguagem obscena, comportamento desordeiro e resistir à prisão: Womanish Words [Palavras Femininas, em inglês] chama isso de “um ultraje aos direitos humanos”."

Eu chamo isso de uma amostra clara, contundente e profundamente revoltante da estupidez masculina e do abuso de poder policial. Mas desconfio que vocês devem ter palavras ainda mais contundentes para falar a respeito.

Mas acima de todas as palavras, o que é que se pode fazer a respeito disso?
Tem gente lutando contra estes absurdos, e contra outros mais encobertos mas não menos inaceitáveis. Queria poder ajudá-las, se de nenhuma outra forma, amplificando suas vozes.

Alguém me dá a dica de alguns blogues bacanas e respeitados sobre feminismo, direitos da mulher, lutas de gênero e assuntos correlatos?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Fitna

O filme de Geert Wilders está causando um bocado de burburinho dentro e fora das blogosferas tanto dos EUA e Europa quanto do mundo Islãmico. Ao que parece, o filme trata de como o Quran, e portanto o Islamismo, exorta seus seguidores à violência contra os infiéis.

Mas há um comentador neste post de Sami Ben Gharbia para o GV Advocacy que (apesar de fazer um comentário meio idiota sobre a guerra do Vietnã e parecer um bocado fanático) explica o quanto os versos quranicos citados pelo filme foram retirados de seu contexto original. Vistos por esta luz, e na íntegra da Sura de onde foram tirados, os versos não parecem mais belicistas do que boa parte do Antigo Testamento da Bíblia.

E agora, quem é que segue (ou se orgulha em dizer que segue) um livro sagrado que incita à violência? São só os muçulmanos? Conta outra, Geert.

Sobre o filme, que ainda não vi inteiro, tenho já alguma opinião formada mas prefiro não dizer nada antes de assistí-lo. Mas associar os versos quranicos à derrubada do World Trade Center, que bem sabemos ter sido obra de (a príncípio) cristãos americanos e não muçulmanos de algum outro lugar do mundo, logo no início do filme me parece uma amostra boa de que este pode ser realmente idiota.


(veja o filme inteiro aqui)

Mas hey! Proibí-lo ou bloquear acesso a ele não é a forma certa de lidar com sua idiotice. Como dizem por aí, uma afirmação idiota merece uma resposta inteligente para desprová-la, e não um tiro de .45.


p.s. não resisti e fiz um comentário lá na discussão sobre a matéria do Sami no GV Advocacy. Acho que foi um comentário bem razoável, mas sinto que foi uma puxada de orelha um pouco dolorida. De qualquer forma, acho que pode ser bom. Vamos ver no que vai dar...

domingo, 2 de março de 2008

Um chamado à colaboração.

Como vocês puderam ler no meu post anterior, assumi agora interinamente a Co-Editoria de Lingua Portuguesa do Global Voices Online. Entre minhas demandas está a publicação diária de links para blogues e blogadas relevantes das blogosferas lusófonas do mundo.

Como não acredito em trabalhar só, chamo meus amigos/leitores a me ajudarem.

Se você conhece/escreve um blogue relevante sobre qualquer assunto (mesmo que seja apenas sua opinião) em língua portuguesa (qualquer dos sabores da língua!), ou viu alguma blogada relevante nos últimos dias (também em língua portuguesa), que tal me dar uma dica?

Mande o endereço do blogue ou da blogada, se possível com seu comentário a respeito da relevância do mesmo ou da mesma, para o meu email daniel.carvalho[at]gmail.com ou deixe um comentário aqui neste post com a dica.


A blogosfera, e o Duende que vos escreve, ficará eternamente agradecido pela sua colaboração.


Abraços do Verde.


p.s. aos amigos blogueiros, ficaria muito grato se passassem em frente o meu pedido. aceito dicas de desconhecidos, desde que sejam boas. :)

Correrias, partos do dia a dia...

Agora é oficial. Além de cortar um dobrado na coordenação do Global Voices em Português, um site dedicado a selecionar e traduzir conteúdos do Global Voices Online para a língua portuguesa, estou também interinamente ocupando a editoria de língua portuguesa do Global Voices Online.

A experiência tem sido interessante, mas também um bocado desgastante. Escrever meu primeiro artigo, sobre o Campus Party (que finalmente consegui publicar ontem), para o GV foi um verdadeiro parto. Por outro lado, o trabalho de fazer os links curtos (roundups) é bem bacana. Acho que deve ser uma questão de tempo até eu pegar o jeito e me adaptar a somar as duas funções. Até lá, chicotadas no escriba...

p.s. em meio a tudo isso, me ressinto da falta de tempo para viver e escrever poesia e contar histórias.

p.p.s. para quem estava me perguntando, e ainda não se sentiu respondido, a matéria sobre o Campus Party em inglês está aqui, e sua tradução está aqui.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mapeando a Lusosfera

Ecoando um excelente post e uma excelente iniciativa da Paulinha Góes (get well soon, my dear!)...

Criei um mapinha no google para indexar os blogues em português no mundo inteiro de acordo com a localização do autor. Essa indexação, espero, me ajudará na cobertura da lusofera que faço para o Global Voices Online (que por um lado é o motivo da minha quase ausência).

Mapa da Lusosfera

Clique aqui para ampliar

Se você, visitante, tem blogue em português, por favor ajude a populá-lo (e se calhar a divulgar o projeto no seu blog!). É super fácil se colocar no mapa, só é preciso ter uma conta no Google. Veja aqui os passos:

- Entre na sua conta no Google,
- Vá ao mapa da Lusosfera
- Faça uma busca no topo pelo seu código postal, endereço, cidade ou país, a depender do quão especifíco você queira ser, :)
- Clique em ‘Save to my maps’ na caixa que vai aparecer, escolha Blogs em Português no menu dessa caixa e clique em ‘Save’.
- Edite essa entrada, colocando seu nome/pseudônimo, e se quiser, país, acrescentando os detalhes que quiser sobre o seu blogue e, claro, o link dele. Por incrível que pareça, tem gente que esquece desse detalhe básico!
-Depois é só clicar em OK de novo.

Para não ficar tão off-topic, aproveite para conhecer o projeto Língua, que traduz o Global Voices Online, e o novo design do Global Voices em Português - cada vez mais vistoso!

(o post original está aqui)