Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Deu pau no Plurk...

Em um dia em que o Orkut e a Last.FM sofreram de sérios soluços (de fato, o Orkut ficou horas fora do ar), o Plurk também não escapou. Depois de ficar cada vez mais lento nos últimos minutos, por fim, o Plurk acaba de travar.



É uma pena. Hoje foi a primeira vez em muitos dias que eu tava tendo tempo de plurkar meu trabalho e até participar das conversas interessantes promovidas pelos meus plurkamigos...

Boletim Barbudo sobre a Lei Big Brother do Azeredo

Por email, do DPadua:

Pessoas incríveis,

- Temos duas semanas para desarticular a aprovação
na Câmara, antes da volta do recesso (dia 4).
Todo mundo pode ajudar. Vejam como:
http://imaginarios.net/dpadua/?p=454

- Pra quem não está acompanhando, vale a pena
se inteirar lendo os posts da blogagem coletiva:
http://xocensura.wordpress.com/2008/07/19/hoje-e-dia-da-blogagem-politica/

- O G1 publicou uma análise da polêmica hoje. Entrem lá e comentem:
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL651929-6174,00-ENTENDA+A+POLEMICA+SOBRE+O+IMPACTO+DA+LEI+DE+CRIMES+CIBERNETICOS.html#frmPost

um abraço,
dpadua


O DPadua bloga no Fluxos, e está presente em todo lugar com sua presença e idéias barbudas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Links sobre a Lei Azeredo

A absurda tentativa de golpe na internet brasileira propalada pelo senador Eduardo Azeredo (e bancada pelo banco Bradesco, pela Scopus Informática e outros "bem intencionados" grupos) gerou muito barulho na blogosfera. E também, não é pra menos. A "lei Azeredo" é mal escrita, mal intencionada, chegando a ser inconstitucional em vários pontos, e vem sendo vendida como algo que não é -- uma solução definitiva para os problemas da internet brasileira. A única coisa que a lei efetivamente soluciona são os problemas das grandes indústrias de conteúdo de áudio e vídeo, que insistem em vender o que é barato a preços proibitivos, e as dificuldades de bancos e certas empresas em fazer os usuais milhões em um mercado que não mais entendem.

Infelizmente muitos estão caindo na conversa do Azeredo -- por pura ignorância, acredito eu -- e a lei já passou pelo Senado. Na esperança de que o povo brasileiro (e os digníssimos deputados) larguem a preguiça mental e lutem contra este absurdo jurídico, muitos de nós não desistem da luta contra mais esta tentativa empresarial de colocar uma rédea na internet, e transformar todos os usuários em criminosos a priori (para serem processados ao bel prazer dos juízes ou dos algozes da vez).

Os links abaixo falam por si mesmos. Depois, quando tiver tempo, escrevo mais sobre o assunto.

(os links abaixo foram todos enviados pelo irmão-barbudim Dpadua, o qual eu havia esquecido de creditar na pressa em que escrevi o post)

Oito perguntas ao Eduardo Azeredo sobre a lei de crimes na Internet (por Sérgio Amadeu)
IDG Now Podcast sobre crimes digitais

SaferNet Brasil - O Que Denunciar?
Brasil Contra a Pedofilia | Em defesa da infância e adolescência
A lei do senador Azeredo e o que ela faz da Internet
Interactive Narratives - The Best in Multimedia Storytelling and Multimedia Journalism
Premiação A Rede 2008
Home - Pencil Project
Circo digital:Portal comunitário - Circo digital
Página Inicial ¦ Circo Digital
Página Inicial — Portal da Rede Mocambos
tudismocroned: Partido Pirata convida
Resposta do gabinete do Mercadante « PortuguesIlha
A Nova Corja » Blog Archive » Azeredo me considera pessoa de má-fé
Senador Azeredo volta a colocar Internet livre em risco no Brasil | Remixtures
Protesto de brasileiros contra o projecto de lei do senador Azeredo para o cibercrime aumenta de tom | Remixtures
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
m a r t e l a d a - crítica vitriólica e comentários sarcásticos por marcelo träsel
A Nova Corja » Blog Archive » Azeredo me considera pessoa de má-fé
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
A lei seca e o direito de locomoção de todos nós - Terra - Rizzatto Nunes
Senador Azeredo volta a colocar Internet livre em risco no Brasil | Remixtures
tudismocroned: Partido Pirata convida
Resposta do gabinete do Mercadante « PortuguesIlha
The Bureau of Piracy and The Pirate Bay on Tour 2008
Avaaz.org - The World in Action
Una-se a pessoas de todo o mundo na mobilização por assuntos globais.
Everyone hates stealth
Então, Somos Todos Criminosos - A2K
Observatorio - Internet brasileira precisa de marco regulatório civil, não criminal
Franklin Street Statement on Freedom and Network Services :: autonomo.us
Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira Petition
Blog do Sergio Amadeu
Petição ao Senado Federal - Pelo debate e transparência no PL de Controle da Internet
Do celular direto pra cela
blogs/lxo/2008-07-02-navegando-pro-xadrez.pt
blogs/lxo/2008-07-05-surpresa,-sou-contra.pt
PSL Brasil - Alexandre Oliva escreve sobre o projeto de lei do senador Azeredo - 11724
blogs/lxo/2008-07-07-manchetes-cybercriminosas.pt
Comissão debate nesta terça uso de sistema anti-cópia para a TV digital
Debate Urgente: Crimes na internet
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Noticiário produzido pela Agencia de Notícias do Senado Federal - Secretaria de Comunicação Social - Agência Senado
Substitutivo aprovado ontem no Senado « PortuguesIlha
Projeto ainda vai passar pela Câmara Federal « PortuguesIlha
Senado aprova projeto nocivo à Internet Agora é a vez da Câmara
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Noticiário produzido pela Agencia de Notícias do Senado Federal - Secretaria de Comunicação Social - Agência Senado
Observatório da Imprensa
PSL Brasil - Senador Azeredo consegue convencer Senador Mercadante a aderir ao movimento pela vigilância na rede? - 11759
PSL Brasil - Projeto Azeredo Aprovado no Senado - 11760
PSL Brasil - Projeto Azeredo - "Nervosismo e Cibercrime. Por Pedro Rezende" - 11762
Observatório da Imprensa
Senado aprova projeto contra crimes de pedofilia na internet - Internet - IDG Now!
Prazo para guardar logs de internautas deve ser modificado, diz Abranet - Internet - IDG Now!
Orkut: as razões para o sucesso da rede social do Google entre brasileiros - Internet - IDG Now!
Entenda os principais pontos da lei para crimes de informática - Internet - IDG Now!
Yaso.in » As leis brasileiras é que são burras?
Trabalho Sujo: Cut Copy
blogs/lxo/2008-07-10-demagocracia-e-os-delisola.pt
Electronic Frontier Foundation | Defending Freedom in the Digital World
Sociedade Livre... até quando?
WeBlog - A2K
Censura não !
Partido Pirata - Home
III CIDE - Congresso Internacional - III Congresso Internacional de Direito Eletrônico
Carta Aberta: Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira - Google Discovery
Assessoria do Senador Eduardo Azeredo responde à Carta Aberta da Blogosfera - Google Discovery
Folha Online - Informática - Lei sobre crimes virtuais transfere ação do Estado para a sociedade, diz Abranet - 11/07/2008
As leis brasileiras é que são burras?
Senado Federal - Agência Senado -Notícias
Crimes digitais: como a nova lei pode afetar seu cotidiano virtual - Internet - IDG Now!
São Paulo – Amparado por advogados com experiência em TI, IDG Now! cita possíveis conseqüências do PLS 76/2000 para seu dia-a-dia.
Observatorio - Todos poderemos ser cibercriminosos
Observatorio do direito à comunicação
Provedores e gestores criticam lei que tipifica crimes na internet - O Globo Online
RIO - O projeto que tipifica crimes praticados na internet, aprovado na madrugada desta quinta-feira, vem causando muita polêmica entre os usuários da grande rede no Brasil. Muitos consideram que o substitutivo apresentado pelo senador...
Além destes, há também o artigo da Paula Góes no Global Voices sobre as imprecisões da lei.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Entrevista pra Folha Online sobre o Campus Party

Recebi a uns minutos atrás um email do Thiago Guimarães, que se identifica como jornalista da Folha de S. Paulo e afirma estar fazendo uma entrevista com os blogueiros que estão no Campus Party a respeito do evento.

O email era assim:

Daniel, como vai?
Sou repórter de Informática da Folha Online e estamos fazendo uma pesquisa entre os blogueiros para uma reportagem sobre a Campus Party. Vi em seu blog que você está blogando direto do evento e gostaríamos de saber o que você considera ser:

1. O melhor do Campus Party
2. O pior da Campus Party

Pode ser apenas um parágrafo.
Precisamos saber também: sua idade e a cidade onde mora.

Um abraço
Thiago Faria
Repórter - Folha Online


E então eu, com minha usual verborragia animada, respondi ao email assim:

Olá Thiago. Seguem as respostas. Quero frisar que tanto seu email com as perguntas quanto as minhas respostas serão publicadas na íntegra em meu blog logo depois que este email for enviado.

Quem, e de onde, sou?
Eu sou o Daniel Duende, de Brasília. Tenho 30 anos.

1. O melhor do Campus Party.
Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores -- tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente -- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles. É um grande encontro, mas infelizmente um grande encontro que também favorece um bocado a criação de grupos -- clusters -- de pessoas que se concentram umas nas outras e que se fecham para o exterior. Há raras e preciosas excessões a isso, felizmente. O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica, mas mesmo este contato é limitado pela "segmentação" criada pela própria estrutura do evento, que nos "etiqueta" como blogueiros, modders, astrônomos, gamers, etc. A circulação entre grupos e áreas de interesse é possível, mas limitada. Há ainda a oportunidade de se assistir a algumas palestras interessantes, mas a programação está confusa e muitos temas que gostaríamos de ver discutidos estão sendo deixados de lado. Espero que a possibilidade de se "fazer acontecer" algumas atividades que não estão no programa se confirme nos próximos dois dias. Isso seria muito bom também. Por fim, acho que aquilo que é ruim no evento -- seus defeitos, que falarei na pergunta seguinte -- também acabam sendo uma boa amostra, uma experiência real, de algumas questões da realidade da internet brasileira e dos círculos sociais/culturais que a fazem e a frequentam. Sei que minha resposta pode estar fugindo um pouco da pergunta sobre "o melhor do Campus Party", mas acredito que não caiba ao evento nenhum elogio irrestrito, infelizmente. Há muito o que se aprender aqui. Espero que aprendamos. O evento, pelo dinheiro e esforço que custou, e pelo tempo de planejamento que teve, poderia ter sido bem melhor.

2. O pior do Campus Party.
Infelizmente há mais críticas do que elogios a se fazer ao evento. Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogues e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autonomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos/temas chave no escopo da blogosfera brasileira (como os blogues de arte e literatura e aqueles que os escrevem, os esquecidos de sempre quando se fala de blogues)... as críticas são muitas, e a meu ver um bocado relevantes. Para me concentrar apenas nos pontos que considero mais importantes em meio à quantidade de questões que se pode levantar sobre o evento, gostaria de falar um pouco mais sobre duas das críticas acima: o da desarticulação dos grupos e atividades dentro do evento e o da exclusão da temática dos blogues de literatura.

O Campus Party pode ter sido pensado originalmente como uma grande confraternização de quem está viajando e fazendo a internet e a era digital brasileira neste momento, mas a maneira como o evento foi fechado em categorias estanque que fortalecem ainda mais os feudos temáticos -- modding, gaming, blogs, robótica, etc -- faz com que o evento se pareça mais com uma quantidade de eventos isolados dividindo o mesmo espaço do que com um único evento que abarque todas estas áreas. Mais do que isso, a forma como o evento está espacialmente dividido, com áreas definidas para cada tema/grupo, inibe a aproximação entre os participantes de áreas distintas e aliena ainda mais aqueles que não se identificam como membros de algum grupo em particular. Some-se a isso as atividades que acontecem todas ao mesmo tempo, fazendo com que as pessoas tenham que se desligar do fluxo de seu grupo para poder prestar atenção a outro, e você tem alguns dos motivos que tornam o Campus Party um evento tão desarticulado. Quem veio e está aqui sai com a certeza de que viu apenas o SEU Campus Party e não a festa inteira, pois uma boa parte da festa é "apenas para membros da confraria".

A exclusão dos blogues literários não só da programação do Campus Party como também da própria concepção geral que se tem quando se fala de blogues e blogueiros é uma questão muito séria. Blogues são ferramentas, indiferente do que se faça com eles. Mas o que se vê aqui no Campus Party é que um grande segmento dos usuários desta ferramenta se reune e começa a se considerar como "os blogueiros", o que por analogia exclue aqueles que não são chamados e não participam deste segmento não muito literário da blogosfera. Quando um evento como o Campus Party não levanta a discussão sobre blogues e literatura, ou sobre o lugar dos blogues literários na blogosfera e na internet brasileira, esta cisão e esta invisibilidade social virtual dos blogues de literatura apenas se acentua. Talvez este seja um dos grandes problemas de eventos como o Campus Party e outros eventos ligados à internet. São reuniões de uns poucos entre grupos que já são por si só de elite, em que se exclui ativa ou passivamente todo o resto do que existe, alienando aqueles que não fazem parte nem procuram fazer parte desta elite do hype internetico brasileiro. O Campus Party é uma festa de uma parte da internet que parece acreditar ser o todo, ou os porta-vozes, de uma internet que nem sequer concebem em sua totalidade.

Eu sei que a resposta ficou um bocado longa. Mas é isso que tenho a responder a estas perguntas. Qualquer resposta mais curta seria incompleta, a meu ver. Ou talvez eu seja apenas verborrágico demais. Quem ler, decide.

Abraços do Verde.

É claro que a resposta ficou um bocado longa. Não tenho quase nenhuma esperança de que sequer uma parte dela seja utilizada na matéria do jornalista, mas tanto por vontade de publicar minha resposta como pelo bom hábito blogueiro de publicar todas as entrevistas que se responde, achei válido publicar isso aqui.

É claro que adoraria ler alguns comentários de vocês a respeito.


UPDATE:
Achei importante complementar que boa parte destas considerações foram destiladas em conversas com vários amigos e colegas que também estão no evento, principalmente na conversa que eu estava tendo com a Pata Nardelli pouco antes de chegar à minha máquina e deparar com o email da entrevista. De fato, uma boa parte das considerações que teci na parte de críticas vieram ou foram estimuladas por apontamentos feitos por ela.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Blogblogs lerdo...

Já se vão 3 horas que o Feedburner capturou meu post sobre o Campus Party, e mais do que isso que o post foi publicado, e até agora o BlogBlogs ainda não percebeu que o Alriada Express é um blogue vivo.

Já chequei e re-chequei o endereço do feed cadastrado no BlogBlogs, e continuo pingando o site de 5 em 5 minutos, e até agora nada.

Assim não dá, né? Fico imaginando quantos outros blogs estão fora da conversa do LiveStream do Campus Party 2008 por conta desta lerdeza do BlogBlogs.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

curtas (para desenferrujar o blogueiro em mim)

- Dia 31 foi o BlogDay. O Uirá lembrou de mim (e também lembrou ao metal de que ele tem um blogue técnico). Fiquei feliz de ver o Alriada lembrado junto com seu irmão-psíquico mais velho, o excelente Alfarrábio do copoanheiro Bicarato (saudades, bica!). Coisas assim me fazem me sentir um pouco mais blogueiro de novo (ainda mais depois que o Uirá também ecoou este post aqui). :)

- Enquanto isso, tem gente no CMI ficando melindrada com a (boa) consideração que o pessoal do Ministério da Cultura tem com eles. Invariavelmente isso me faz lembrar dos revoltadinhos sem causa que conheci em meu segundo grau. Ninguém podia gostar deles, se não eles não eram "revoltados o bastante". Boa sorte pro CMI. :)

- Aproveitando a deixa, o Global Voices em Português está cada vez mais movimentado (e ganhando novos colaboradores a cada dia). Dá muito gosto de ver!

Por hora é isso. Espero voltar em breve com mais (e melhores) coisas a dizer.


UPDATE:
E por falar no Blógue-Day, o Alriada também foi citado no Navalha Infame, junto com o excelente Sabedoria de Improviso da Czarina. :)

quarta-feira, 4 de julho de 2007

A companhia foi debandada, mas os bons soldados não desistem jamais

O NoMínimo morreu, ou foi massacrado pelo desinteresse dos anunciantes ou do público geral de noticiosos, mas os seus corajosos blogueiros -- combatentes? -- não se deram por vencidos. Pedro Dória, Carla Rodrigues, José Paulo Kupfer, Luiz Antônio Ryff, Ricardo Calil e Sérgio Rodrigues já estão de volta ao front blogosférico para continuar seu trabalho e sua luta pelo bom texto jornalístico/bloguístico e pela qualidade da informação.

No mínimo eles merecem aplausos. Penso eu que eles merecem muito mais. Um brinde aos incansáveis combatentes da extinta companhia NoMínimo, que não (nos) abandonaram (n)a selva jornalística brasileira.

A dica foi do Idélber Avelar, do Biscoito Fino e Massa, que também está elogiando o Global Voices em Português. Valeu também Idélber!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Eu também acho que assim não dá!

Ecoando o post do copoanheiro Paulo Bicarato, que por sua vez ecoa a "Mensagem do Pilgeróvski numa das listas":

Oi, pessoal.

Não sei se vocês estão a par, mas o senador Eduardo Azeredo entrou com um substitutivo projeto de lei no Senado que tipifica 11 crimes na Internet. O problema é que o projeto de lei tem alguns absurdos, como esses listados pelo site SaferNet:

http://safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/Noticia20070521123629

http://safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/Noticia20070514161351

Mais informações sobre o projeto podem ser visto na SaferNet também:

http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/PLSEduardoAzeredo

O Marcelo Träsel, do coletivo Insanus, postou no seu blog sobre as falhas que esse projeto de lei apresenta:

http://www.safernet.org.br/twiki/bin/view/SaferNet/PLSEduardoAzeredo

Mas o caso todo é o seguinte: acaba de ser divulgada a pauta da reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado de amanhã e a análise e *votação* do substitutivo foi incluída na pauta de última hora. Podem conferir:

http://webthes.senado.gov.br/sil/Comissoes/Permanentes/CCJ/Pautas/20070523RO016.rtf

Ou seja: um projeto de lei polêmico, que restringe liberdades individuais, que abre espaço para *justiceiros virtuais*, que pede que os provedores mantenham por três anos os registros de acesso de seus clientes, entrou assim sem mais nem menos na pauta de votações, sem dar espaço para a sociedade discutir se tal lei é válida ou não.

Assim sendo é hora de, de novo, a sociedade pressionar para que não se aprove essa lei. Como? Através de blogs, emails, enfim, levantar a poeira.


Sabe quando você lê um projeto de lei e sente náuseas ao perceber que, ou alguém está fazendo muita merda sem querer (e pela pura ignorância digital que grassa entre muitos legisladores) ou, pior ainda, estão fazendo muita merda propositalmente...?

Tá na hora de lutar contra mais esta manobra obscurantista (ou mal intencionada) contra a liberdade da rede.

Tamo junto.


UPDATE:

O Zé Murilo escreveu uma excelente matéria para o Global Voices, tratando deste tema e reunindo algumas vozes da blogosfera brasileira sobre o assunto.

Sérgio Amadeu, sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e ativista de software livre, também escreveu sobre o assunto em seu blogue e em matéria para Centro de Mídia Independente - Brasil, que também apresenta outra matéria sobre o assunto.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Overmundo ganha o Prix Ars Electronica

O Overmundo, aquele nosso velho conhecido espaço/comunidade colaborativa sobre Cultura feita no Brasil ou por Brasileiros, é o ganhador de 2007 do prêmio Prix Ars Electronica na categoria Comunidades Digitais.

Copiando a notícia que está no site do Ministério da Cultura:

23.05.07
Site brasileiro Overmundo vence troféu Golden Nica
Da Redação - Folha de São Paulo

O troféu e 10 mil serão entregues em setembro, no Ars Electronica Festival

O site Overmundo (www.overmundo.com.br ) será anunciado hoje, na Áustria, como vencedor do Prix Ars Electronica na categoria comunidades digitais. É a primeira vez que uma página brasileira ganha o troféu Golden Nica, dado pelo Ars Electronica Center e um dos mais importantes do mundo na área.

A Wikipédia, enciclopédia virtual, venceu a mesma categoria em 2004. Em outras categorias, já foram dados Golden Nicas para filmes como "Toy Story", e iniciativas como a Creative Commons, licença que flexibiliza os direitos autorais. O troféu e 10 mil serão entregues em setembro, no Ars Electronica Festival.

"Não é um prêmio importante só para o Overmundo, mas para o desenvolvimento de projetos de internet e softwares livres no Brasil", afirma o antropólogo Hermano Vianna, coordenador do site ao lado de Ronaldo Lemos, Alexandre Youssef e José Marcelo Zacchi.

O dinheiro do prêmio deverá ser usado, segundo ele, em formas de tornar o código do Overmundo mais fácil, para que outras comunidades possam se valer dele -sem pagar.

O Overmundo superou 408 concorrentes. Em todo o prêmio, foram inscritos 3.374 projetos de 63 países. "Não conheço um outro site que discuta a diversidade cultural de um país com as ferramentas que utilizamos", diz Hermano.

O site entrou na rede em março de 2006. Editado por Helena Aragão, tem correspondentes em todos os Estados brasileiros e é aberto a colaborações de visitantes. Os textos mais votados ganham destaque no site, que no último mês recebeu cerca de 670 mil visitas.

Este não é apenas um reconhecimento importante para toda a comunidade (além de seus idealizadores e da galera que trabalha duro com alegria lá no escritório do Overmundo). É um sinal de que estamos todos em um bom caminho, e que apesar das dificuldades várias é possível fazer um espaço colaborativo de agregação/discussão/difusão de produção cultural totalmente baseado em uma comunidade de colaboração.





É uma vitória, mas também é só um começo de história, como diz o próprio Hermano Vianna em seu post sobre o prêmio publicado no Observatório do Overmundo:
" (...)Vários de nossos ídolos (pessoas e projetos) já ganharam o Golden Nica. Entre eles: Linus Torvalds (Linux), Neal Stephenson, Chris Cunnigham/Aphex Twin, Industrial Light and Magic, Ryuichi Sakamoto, Toy Story, Carsten Nicolai, Creative Commons etc. etc. O Prix Ars Eletronica existe desde 1987, mas o prêmio para Comunidades Digitais é bem mais recente: está na sua quarta edição. Na estréia dessa categoria, em 2004, a Wikipedia recebeu o Golden Nica. O Overmundo fica totalmente honrado e alegre de estar em tão boa companhia. O prêmio, que é de toda nossa comunidade de colaboradores (sem a qual o site não existiria - e não falamos isso retoricamente, nem de modo figurado), tem também um significado maior: incentiva que o mundo perceba a criatividade brasileira também para desenvolver novos projetos de internet, que podem servir de inspiração para outras culturas.

Mas claro que as honras do Golden Nica não vão nos fazer acreditar que nosso trabalho está completo: ficamos apenas mais confiantes de que tudo que foi feito até agora valeu a pena, e ganhamos mais energias para enfrentar os desafios que transformarão o Overmundo numa ferramenta cada vez mais útil para divulgar, diponibilizar e debater a imensa variedade da produção cultural do Brasil e de comunidades brasileiras espalhadas pelo planeta."

Quem ainda não conhece o Overmundo, chegue junto e veja com seus próprios olhos como é que funciona, e o quanto é bacana.
Ainda iremos muito longe. Você vem junto?

(a dica foi do DPadua)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Livros do velho sistema Storytelling da White Wolf para download no Rapidshares

O Google achou para mim, sem que eu sequer tivesse perguntado, esta página aqui. Qual não foi minha surpresa quando vi mais da metade dos livros do sistema de RPG Storytelling da White Wolf para baixar.

Se você é, assim como eu, um velho amante do sistema dos pontinhos, corra lá e baixe o que quiser antes que a festa acabe...

Eu já estou baixando um bocado de coisas bacanas de Changeling, feliz que nem criança que entra na loja de brinquedos e descobre que pode levar o que bem quiser... :D

Cultura e Pensamento + Redes = muitas possibilidades

O Zé Murilo escreveu em seu blogue Ecologia Digital sobre o mais recente evento promovido pelo programa Cultura e Pensamento. O ciclo de debates sobre 'Organização Colaborativa da Produção e do Conhecimento - a cultura das redes de informação compartilhada', do qual o Murilão participou e agora blogou parece ter sido bem bacana.

Em sua blogada
, o Zé Murilo nos conta:

"O evento aconteceu como uma reflexão sobre o próprio Cultura & Pensamento em sua potencialidade / capacidade de difusão em rede, pois desde sua concepção o programa trazia como idéia estruturante alargar o alcance dos debates propostos com o auxílio da web. Apesar das iniciativas de difusão dos debates presenciais através de webcast, disponibilização do registro integral do áudio dos eventos em arquivos mp3 (agora também vídeos), e da criação de foruns eletrônicos no site do Programa, o nível de participação não atingiu os níveis desejados. A meu ver, nada mais adequado do que induzir o C&P a curvar-se sobre si para avaliar e debater como melhor aliar a cultura das redes à realização de seus objetivos."
Vale principalmente dar uma sacada no videozinho feito pelo Murilo no fórum, e também publicado na blogada, em que podemos aprender um pouco mais sobre os primórdios irlandeses dos conflitos de direitos autorais (YAY!!!) e um pouco mais sobre a história da arte postal, entre outras questões bem interessantes...

Achou interessante? Então vai lá no Ecologia Digital olhar, oras!

domingo, 18 de março de 2007

"Cultura Digital parando de querer..."

UPDATE IMPORTANTE: Segundo o DPadua, em seu blog, "Deu tudo certo, as pessoas já estão começando a receber." :)

---

Ecoando o post do DPadua, que por sua vez ecoa o post do Uirá passarinho.

Uirá divulgando a situação: "Para quem não sabe, a equipe Cultura Digital já está a dois meses e meio trabalhando, sem parar e sem receber. Isso mesmo, não estamos recebendo nossos salários, nem ajudas de custo nem nada. Nosso contrato está parado numa das ilhas do imenso arquipélago burocrático do governo brasileiro. Não que já não estejamos acostumados a isso, já estivemos em situações piores nos tempos em que, ainda sem saber, ajudamos a fundamentar conceitualmente o programa Cultura Viva. Mas agora a situação está insustentável, MESMO!"

Pra quem não sabe, a ação cultura digital é um grupo de pessoas reunidas em 2003 colaborativamente na Internet (em sua grande maioria blogueiros, ativistas e pesquisadores) e foi responśavel por inventar (e mais tarde implementar) o que viria a ser o programa de inclusão social/digital do Ministério da Cultura do Brasil, o Cultura Viva, que põe em prática o uso, produção e reflexão de software livre e conhecimento livre em geral. Já entrando no terceiro ano de trabalho, a ação vem passando por inúmeras dificuldades, especialmente 3 meses de salário atrasado, o que interfere diretamente em sua capacidade de atender os pontos de cultura.

Trabalhei na Cultura Digital nos seus primeiros momentos de Ministério da Cultura, em 2004. Aprendí um bocado, e conheci de perto um bocado do que havia de bom e de ruim (muito ruim) dentro daquela estrutura. De resto, poupo-me de fazer qualquer outro comentário.

Espero que os meus bons amigos que ainda seguem naquele barco recebam o pagamento que merecem.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Já plantou sua árvore hoje?

Hoje comecei a fazer meus clicks lá no clickarvore.com. Segundo o site, para cada click dado no site, uma nova muda é plantada em projetos de reflorestamento. Caso queira, você também pode comprar mudas e plantá-las você mesmo. Para quem acredita na proposta do site, vale a pena. Por via das dúvidas, não me custou nada fazer um cadastro e dar um click. Espero que em algum lugar uma árvore vá ser plantada por causa disso. Se não, ao menos eu tentei.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

que papo é esse de "blogueiro profissional"?

(publicado originalmente no Caderno do Cluracão em 23.02.2007)

O André Oliveira, do blogue Marmota (agora parte integrante do "Shopping Center de Blogs" Interney Blogs), teceu umas considerações bem interessantes sobre essa coisa de blogueiro profissional:
"O que me assusta é saber que esse rótulo transforma as pessoas. Preocupadas com resultados, acabam se levando a sério demais.

Ser "blogueiro profissional" (ou "problogger", que é bem mais legal) é escrever pensando nos números. Nada contra essa prática: quero mais é que todos que procuram esse caminho transbordem a conta bancária. Agora, com tanta gente em busca das mesmas coisas, tenho uma visão muito pesada sobre o futuro da "blogosfera", caso ela "amadureça" por esse viés: isso aqui está se transformando em uma Serra Pelada, com gente demais se acotovelando atrás de alguns tostões."

O André também fala de algumas vicissitudes desse papo de ser blogueiro 'profissa':
"Então cá estou, blogueiro profissional, buscando formas de "monetizar" meu conteúdo; adotando todas as regrinhas de "Search Engine Otimization" para fisgar consumidores; patrulhando os aproveitadores - afinal de contas, além de ser assinado, conteúdo semelhante na rede atrapalha meu posicionamento no Google. Sem essa de compartilhar idéias só para conhecer gente nova ou simplesmente para marketing pessoal: agora, eu quero é ganhar dinheiro. Vou justificar minhas ações na cartilha da ética (e outras totalmente justificadas), mas vou seguir mesmo a lei da selva. E salve-se quem puder.

Tenho medo disso. É o mesmo discurso atribuído a outras áreas competitivas (no caso dos "jornalistas", é exatamente igual)."

E é aí que o cara pegou o espírito da coisa. Quem quer que a profissão -- ops... que o ofício -- de blogueiro se transforme em algo parecido com todos os outros ofícios que perderam a arte e viraram uma coreografia de cachorro comendo cachorro em luta por migalhas? Deste jeito, quem é que quer ser blogueiro profissional? Se eu me recusei a me tornar profissional em qualquer coisa que fosse, justamente para fugir desta mentalidade terrível que acompanha a alcunha, a profissionalização blogueira não faz então nenhum sentido.

Blogs são, como diz a própria apresentação do Interney Blogs "páginas dinâmicas e democráticas - qualquer internauta razoavelmente alfabetizado pode criar o seu). Além disso, possuem linguagem mais informal, interação maior com os leitores (clique aqui para deixar seu comentário!) e dão a seus autores liberdade para escrever o que quiserem, quando quiserem e como quiserem, desvencilhados de limites de caracteres, pautas pré-determinadas e deadlines.". Para se blogar, tem-se que ser igualmente dinâmico, desvencilhado de todas as amarras físicas ou mentais que apodrecem os mercados e as redações jornalísticas e, sobretudo, ter muito tesão por falar e conversar. Estas coisas não se profissionalizam. Então, vá lá, ganhar dinheiro com seu blog -- como ganhar dinheiro com qualquer coisa que se faz com paixão -- é uma delícia. Mas se tornar blogueiro profissional, com todas as vicissitudes e horrores do termo, é coisa de gente que não sabe o que está perdendo -- a própria alegria e liberdade que são a essência do blogar.

UPDATE PICANTE:
Decidi recolocar as frases finais do texto, que havia retirado anteriormente. No dia em que eu tiver que ter papas na língua sobre o que penso, é hora de parar de blogar. As frases eram:
"Se a atividade blogueira começa a obedecer a exigências de mercado, opiniões dominantes dos 'grandes', desígnios dos anunciantes, desejos da burguesia de atenção blogosférica e coisas afins, qual seria a sua diferença em relação às profissões de jornalista e publicitário? Nada contra os jornalistas e publicitários, conheço alguns deles que são fantásticos (curiosamente, a familia Bicarato é rica neles), mas eu sou blogueiro -- blo-guei-ro! -- e como tal gosto de acreditar que a atividade blogueira é como eu, livre pra pensar, falar e fazer o que achar que é certo, sem obedecer a mercados ou idéias nefastas do velho mundo que morre. Blogar é arte, ou então não me chamo mais de blogueiro."

Pronto. Falei. Agora posso seguir desopilado para posts mais leves...

Abraços do Verde


P.S. Em tempo, parabenizo o Edney véio de guerra e toda a galera do Interney Blogs pela proposta e pelo sucesso, e espero que todos eles ganhem tanta atenção, comentários e grana quanto merecem e quiserem ganhar. Só não gosto da idéia de que, para ganhar grana ou ter sucesso (seja lá o que isso significar), um blogueiro tenha que ser alguma coisa diferente do que naturalmente é -- um pensador que vive entre dois mundos e que auto-publica seu pensar e sentir nas teias da rede digital, para os olhos, mentes e corações da rede humana na qual vive.