Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Boletim Barbudo sobre a Lei Big Brother do Azeredo

Por email, do DPadua:

Pessoas incríveis,

- Temos duas semanas para desarticular a aprovação
na Câmara, antes da volta do recesso (dia 4).
Todo mundo pode ajudar. Vejam como:
http://imaginarios.net/dpadua/?p=454

- Pra quem não está acompanhando, vale a pena
se inteirar lendo os posts da blogagem coletiva:
http://xocensura.wordpress.com/2008/07/19/hoje-e-dia-da-blogagem-politica/

- O G1 publicou uma análise da polêmica hoje. Entrem lá e comentem:
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL651929-6174,00-ENTENDA+A+POLEMICA+SOBRE+O+IMPACTO+DA+LEI+DE+CRIMES+CIBERNETICOS.html#frmPost

um abraço,
dpadua


O DPadua bloga no Fluxos, e está presente em todo lugar com sua presença e idéias barbudas.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Elogios ao Global Voices na Blogosfera.

Apesar de adoentado (sinto-me um zumbi arrastando os pés pela casa e me forçando a trabalhar só mais um pouco... só mais um pouco...) comecei bem o dia. Depois de fazer as traduções que ficaram faltando em minha agenda de ontem, quando não aguentei continuar trabalhando por conta da dor no corpo, me deparei com duas citações honrosas e bacanas ao Global Voices em Português.

A primeira é do Palanque do Blackão, em meio a um excelente post onde o blogueiro fala sobre a mídia política tradicional e alternativa brasileira, e faz uma análise do que não lê e do que lê, e por quê. Seus motivos para ler o GVP me deixaram para lá de orgulhoso:


"GLOBAL VOICES ONLINE: visual clean, manchetes curtas, resumo da matéria, cores específicas por continente, links para ler a matéria em outros idiomas e o expediente mais importante que um site de notícias deve ter nos dias atuais - parecer-se cada vez mais com um blog, dispondo as notícias mais recentes no topo da página (ordem cronológica reversa) e, acima de tudo, repletos de links para referências e espaço para COMENTÁRIOS. A audiência não é passiva: eles são críticos, são inquisidores, se não entenderam ou se estão sendo injustos, podem e devem ser corrigidos e o autor deve saber ser humilde, pedir desculpas quando estiver errado e citar sempre os blogueiros, leitores e comentadores que trouxerem novas informações confiáveis e checáveis."

A segunda é do Spontaneum Weblog, que linka para duas matérias do GVP neste post.

Valeu mesmo pelas citações, gente. Estarei observando atentamente o blogue de vocês de agora em diante!


P.S. quem escreve o Palanque do Blackão é o Hélio Sassen Paz. Desculpe não ter citado seu nome antes, companheiro. Com o sono que eu estava, ficou dificil encontrá-lo em meio a posts tão polpudos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Rivalidade entre blogueiros e jornalistas?


(video publicado no youtube por alelou, satirizando a rivalidade
entre blogueiros e jornalistas no Campus Party)


O assunto é velho, mas os dois lados adoram requentá-lo. Será que existe realmente uma rivalidade entre blogueiros e jornalistas, ou a questão se assemelha mais a um conflito de modos de pensar, trabalhar e agir que poderia ser resolvido se houvesse interesse de ambos os lados nisso?

Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Rivalidade presume que existe uma competição, uma rixa, relativamente irrenconciliável, entre os dois grupos. Discordâncias e conflitos são outra coisa, bem mais comum e mais complexa. Passam por princípios, modos de atuar, posicionamentos socio-políticos e diferenças complexas que não são tão "interessantes" para quem não está realmente "interessado" em entendê-las. Há, contudo, quem tenha muito interesse em flautear rivalidades. Rivalidades dão posts bombásticos e artigos chamativos em jornais. Diferenças, discordâncias, são mais difíceis de entender, discutir e lidar. Discutir diferenças e encontrar caminhos é complicado, não movimenta blogs (e adsenses) e não vende jornal.

Será que há mesmo essa tal rivalidade, ou trata-se apenas de membros destes "irreconciliáveis" grupos agindo em conjunto (vejam só!) no sentido de não entender o que acontece entre eles? Seria engraçado pensar que a tal rivalidade seja uma "invenção" dos rivais, não seria?

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Ainda sobre a tal rivalidade, que aparece na matéria da Folha Online que citei no post anterior, é engraçado observar como certas ações são "apropriadas" ou "reapropriadas" por blogueiros e imprensa para confirmar suas versões dos fatos, e da rixa.

"[...]Além de, em conjunto, fazer uma cobertura praticamente em tempo real dos bastidores da feira (é possível ver isso em agregadores de blogs como o Blogblogs.com.br), a classe foi responsável por uma das maiores polêmicas do evento: a rivalidade com os jornalistas.

As manifestações foram ganhando força durante a semana e chegaram ao clímax na quinta-feira (14), quando os blogueiros fizeram um protesto em frente à sala de imprensa da Campus Party --um "aquário" que fica ao lado das bancadas onde os "campuseiros" instalam seus computadores. Os representantes da "velha mídia" foram chamados de dinossauros. Veja o vídeo.[...]"

(extraído da matéria da Folha)


Vamos pegar o exemplo daqueles primeiros cartazes pregados no aquário dos jornalistas do Campus Party, dos quais já falei aqui e aqui, e dos quais sei muito bem por ter participado da ação desde sua concepção até sua realização.

O cartaz onde se diz "Não Alimente os Animais" foi idéia de uma famosa blogueira, que não quis participar da ação nem revelar seu nome, mas que em outro momento estava criticando um outro famoso blogueiro por ter uma postura "midia tradicinal X blogs". Não é curioso? Por outro lado, o cartaz onde se lê "Não bata no vidro, peixes exóticos sensíveis" foi uma brincadeira bolada por uma cientista social que conheço muito bem, e que não tem grande respeito nem pela mídia tradicional nem pelos blogueiros (nem interesse ou participação na tal "rivalidade" entre eles), e que estava pensando apenas em fazer uma brincadeira com o aquário, e não com seus noticiosos peixes. Acabou sendo lido como mais um "ataque" dos peixes fora do aquário aos peixes fora d'água (digo, dentro do aquário).

Não é engraçada a forma como alguns fomentam a rivalidade que depois criticam, enquanto outros transformam os fatos de modo a corroborar suas afirmações? Neste mundo da comunicação, a verdade parece ser uma coisa rara. É bom ficar atento. Todo mundo tem suas versões e, mais do que isso, seus interesses em que sejam aceitas. Não há santos, só blogueiros, jornalistas e leitores.

Quando é que vamos parar de flautear rivalidades, como se ainda estivéssemos no ensino médio, e vamos tentar entender qual o lugar de jornalistas, mídia tradicional, blogueiros, blogosfera e dos cidadãos em geral neste novo mundo de comunicação?

Let get a life and grow up, kids. Everyone is watching.

Minha entrevista pra Folha não saiu bem como combinado. Novidade?

A entrevista que dei por email ontem para o jornalista Thiago Faria, da Folha Online, foi publicada hoje na matéria "Campus Party tem graves problemas de organização, dizem blogueiros", da sessão de Informática. Para variar, minha entrevista e minha foto não saíram bem como combinado. Será que eu deveria ficar surpreso? E será que os jornalistas deveriam ficar surpresos quando alguns blogueiros implicam com eles e dizem que jornalistas e midia tradicional não são confiáveis? Deixo as respostas para vocês. Vou contar me limitar a contar o que aconteceu.

A história começou do jeito que contei neste post aqui. Depois disso, informado pelo Thiago que minha resposta estava meio longa (o que eu já imaginava. sou um verborrágico assumido), fornecí eu mesmo uma versão resumida da mesma (feita pela minha companheira Pata Nardelli, que tem poderes de síntese melhores que os meus):

1. O melhor do Campus Party.
Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores -- tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente -- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles.O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica. mas acredito que não caiba ao evento nenhum elogio irrestrito, infelizmente. Há muito o que se aprender aqui. Espero que aprendamos. O evento, pelo dinheiro e esforço que custou, e pelo tempo de planejamento que teve, poderia ter sido bem melhor.

2. O pior do Campus Party
Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogues e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autonomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos/temas chave no escopo da blogosfera brasileira. a maneira como o evento foi fechado em categorias estanque que fortalecem ainda mais os feudos temáticos -- modding, gaming, blogs, robótica, etc -- faz com que o evento se pareça mais com uma quantidade de eventos isolados dividindo o mesmo espaço do que com um único evento que abarque todas estas áreas. Mais do que isso, a forma como o evento está espacialmente dividido, com áreas definidas para cada tema/grupo, inibe a aproximação entre os participantes de áreas distintas e aliena ainda mais aqueles que não se identificam como membros de algum grupo em particular. Quem veio e está aqui sai com a certeza de que viu apenas o SEU Campus Party e não a festa inteira, pois uma boa parte da festa é "apenas para membros da confraria".

Avisei também que, caso este resumo ainda estivesse muito longo, deveriam entrar em contato comigo para que eu fizesse uma nova edição. Fiquei à espera, mas não fizeram mais nenhum comentário sobre o texto. Quando perguntei se o resumo enviado estava bom, responderam que sim...

Em vez disso, veja como saiu minha entrevista na matéria:

Daniel Duende (Brasília/DF) - veja a resposta completa no blog: O Novo Alriada Express

O melhor

Sem dúvida alguma, o melhor do Campus Party é encontrar amigos e colaboradores --tanto os que já conhecia pessoalmente e convivia quanto aqueles que ainda não conhecia pessoalmente-- e ter a oportunidade de conversar, trabalhar, rir ou simplesmente estar com eles. É um grande encontro, mas infelizmente um grande encontro que também favorece um bocado a criação de grupos --clusters-- de pessoas que se concentram umas nas outras e que se fecham para o exterior. Há raras e preciosas exceções a isso, felizmente. O evento também é interessante enquanto oportunidade de ver o trabalho de algumas comunidades com as quais antes não tinha muito contato, como a dos modders e do pessoal da robótica, mas mesmo este contato é limitado pela 'segmentação' criada pela própria estrutura do evento, que nos 'etiqueta' como blogueiros, modders, astrônomos, gamers, etc. A circulação entre grupos e áreas de interesse é possível, mas limitada.

O pior

Infelizmente há mais críticas do que elogios a se fazer ao evento. Desorganização, as proibições descabidas impostas aos participantes do evento, a presença excessiva e até um pouco ridícula de certas empresas, o foco excessivo na monetização de blogs e criação de empreendimentos de internet em detrimento do foco nas grupos e nas redes autônomas e espontâneas que fazem o coração da rede, a truculência de seguranças e da organização do evento para com os participantes, desarticulação entre os grupos e entre atividades dentro do evento, exclusão de alguns grupos e temas-chave no escopo da blogosfera brasileira (como os blogs de arte e literatura e aqueles que os escrevem, os esquecidos de sempre quando se fala de blogs)...


Parecida, de fato, mas com a escolha que ELES fizeram das coisas que eu falei. Ao menos eles mantiveram o combinado de linkar para meu blogue, onde estava minha entrevista na íntegra (mas não foram bacanas o bastante para linkar para o post certo).

A foto também não saiu bem como o combinado.

Quando me pediram para enviar uma foto eu enviei este original:



E esta sugestão de edição:



Mas em email, outro jornalista chamado Felipe Maia (que assina a matéria) me perguntou:
"Vc não quer que apareça o "Deus te abençoe" ou a mensagem inteira? Preciso avisar o pessoal da foto."
E eu o respondi:
"Se for possível colocar a imagem com a mensagem inteira, para mim está ótimo. Em meu recorte me preocupei de tirar a data colocada pela máquina que bateu a foto, coisa que sei que muita gente não gosta e acha feio. Se for possível recortar a imagem de modo a que meu rosto e a mensagem na íntegra (com o "to pedindo não to robando, deus te abençoe" incluídos), vou achar ainda melhor."

Mas como vocês podem ver na matéria, a foto saiu de um jeito um pouco diferente (sem a mensagem, deixando minha expressão na foto descontextualizada e... retirando totalmente a piada feita com o Windows).




Infelizmente não é mesmo surpresa que as minhas palavras tenham sido alteradas da forma que os jornalistas acharam melhor, e é compreensível que a Folha não quisesse estampar em sua matéria uma imagem que faz piada com o carro chefe da poderosa Microsoft, anunciante sua. Mas serei o único aqui a achar muito grave que jornalistas que recebem TODA a colaboração de suas fontes ainda assim não consigam publicar uma entrevista de modo honesto e integral (ou negociar adequadamente sua edição)? Serei o único a achar grave que me entrevistem e editem minhas palavras como bem querem?

Estas são algumas das coisas que os jornalistas devem pensar quando se perguntarem por quê é que tantos blogueiros implicam com eles e dizem que não são confiáveis. Senhores Thiago Faria e Felipe Maia, minha caixa de comentários está sempre aberta para ouvir o que os senhores tem a dizer sobre a matéria que fizeram.

Esta é uma conversa que pode estar apenas começando.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Esta semana no Global Voices em Português?

Na semana passada rolou (e eu acabei não blogando a respeito), uma dica bacana sobre a blogada do Lou Gold sobre como a Terra Preta (ou "Biochar", como os gringos a chamam) pode ser a solução para o aquecimento global.

Já nesta semana, temos o artigo da Paula Góes sobre a matéria da Veja ("revista você escolha bem ou, Veja bem!") que deu o que falar (sobretudo sobre jornalismo marrom) no blogue do Pedro Dória e em outros bons e maus cantos da blogosfera brasileira.

Além disso tivemos um artigo sobre o direito a voto dos expatriados angolanos, e outro sobre como fazer uma Constituição nada democrática (na Bolívia), e mais outro sobre as divagações dos blogueiros da Peace Corps em Burkina Faso (sobre galinhas e crianças irritantes, o peso de se carregar um balde de água e coisas afins).

Depois disso, descobrimos o que é uma Radiocicleta (e outras idéias mirabolantes porém bacanas da galera conectada da Colômbia) e também sobre o que o YouTube acha inapropriado de se publicar (e prefere apagar).

Temos também artigos sobre um blogueiro preso por motivos políticos no Irã e sobre a censura governamental sobre a internet na Síria.

Por fim temos boas notícias, como a prorrogação dos prazos de inscrição para micro-financiamentos do Rising Voices e duas boas sacadas, uma sobre blogagem social no Natal e outra sobre um manifesto bem humorado (e que pode render uma boa diversão) sobre a Guerra no Rio de Janeiro.

Ufa... é um bocado de coisa.
Porquê vocês não passam lá para dar uma olhada?

Abraços do Verde.