Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Mito da Liberdade Vigiada pelo Grande Irmão

Artigo genial da conterrânea Thaís Saraiva falando sobre o poder total que está sendo estabelecido pelo capitalismo e seu fomento ao consumo inconsciente, controlando cada dia mais nossas vidas e nossas mentes sem que nos demos conta disso.

Como podemos pensar em ser livres se nem sequer concebemos o quanto somos escravos?
Que tipo de liberdade podemos conceber? Que tipo de liberdade estamos dispostos a ter, e a lutar para conseguir?

O artigo foi enviado para o grupo do Metareciclagem pela amigona Lelex, que o extraiu originalmente da revista Novae.



Quem é, afinal, esse tal de Big Brother
Saiba como os regimes totalitários e o capitalismo conseguem fabricar indivíduos submissos e, ainda por cima, em que se pode confiar

Artigo de Thaís Saraiva publicado originalmente no site da Nova-E


A maior parte dos brasileiros acredita que o "Big Brother" seja apenas um programa de televisão inventado na Holanda, no qual câmeras ocultas transmitem a intimidade e as baixarias dos participantes 24 horas por dia. Afinal, o que é esse fenômeno que mobiliza milhões de telespectadores nos países por onde passa? Sabemos que ele arruma empregos para especialistas em tecnologia da informação, inspira artigos de sorumbáticos cientistas políticos e provoca a ira dos defensores da democracia, dos direitos fundamentais e da privacidade dos cidadãos. Mas o que é (ou melhor, o quem é?) o Grande Irmão? Quem o inventou? Qual o seu objetivo, afinal? Melhor voltarmos no tempo para entender essa história.

AUTOR CONHECIDO - O ano era 1945 e ainda não haviam cicatrizado no Ocidente as feridas abertas pelos regimes totalitários de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, e de Joseph Stalin, na União Soviética comunista. Foi nesse contexto que o jornalista inglês Eric Blair, que assinava com o pseudônimo "George Orwell", publicou uma das obras mais vendidas de todos os tempos: "Animal Farm", uma alegoria infantil que denunciava a suposta predisposição da humanidade para a violência e como uma camarilha política poderia tomar de assalto o poder em nome do povo. No Brasil, o livro recebeu o título de "A Revolução dos Bichos" e, na década de 1970, inspirou o musical "Os Saltimbancos", de Chico Buarque, já assistida pela terceira geração de crianças. Qualquer brasileiro que tenha menos de 40 anos decerto já cantarolou na escola as músicas dessa peça.

Relembrar tais fatos tem por objetivo afirmar, simplesmente, que cada um de vocês já teve algum tipo de contato com George Orwell e que o verdadeiro pai do Big Brother não é um holandês especialista em exibicionismo na TV; mas sim um jornalista inglês, Orwell, cuja maior preocupação era denunciar o controle do Estado sobre o cidadão. Fez isso em "A Revolução dos Bichos", uma alegoria político-infantil, onde temos a palavra "granja" relacionada à sociedade e "porcos" relacionada aos já conhecidos "ditadores". Repetiu a dose, com muito mais precisão e repercussão, em seu livro seguinte: "1984", uma alegoria político-científica, onde surgiu o personagem Big Brother. Tratava-se de sua obra-prima; aliás, sua última obra. Orwell terminou de escrever "1984" em 1948; o livro foi publicado no ano seguinte. Aliás, uma curiosidade: o título original deveria ser "O Último Homem Livre da Europa", mas na última hora o autor resolveu inverter os números do ano –assim, 1948 virou 1984.

O LIVRO DO MAL - Nessa obra, George Orwell apresenta uma teoria sobre como um grupo bem organizado pode tomar o poder e controlar o Estado sem jamais ser importunado seriamente. O segredo seria montar um esquema que teria na tirania e no autoritarismo a própria condição de sua existência. Ou seja, os governantes deveriam exercer o terror, a tortura, a vigilância –e até a maldade— como pré-condição para a perpetuação no poder. O mal pelo mal, como faz o Darth Vader de Star War; o poder pelo poder, como fizeram Hitler e Stalin.

A sociedade era estruturada na mais completa desagregação social (sem imprensa livre, sindicatos ou associações; até mesmo sem famílias coesas), mas se mantinha coesa através da tirania, da coação e da vigilância. O Estado encontra um modo de conduzir as ações de todos os cidadãos; há regras e imposições até para os pensamentos: o que se pode e o que não se pode pensar. Toda a existência física e mental se curvava a esse regime de poder supremo.

O BIG BROTHER - O dirigente máximo dessa sociedade era chamado de Grande Irmão (Big Brother no original em inglês). É o grande tirano, aquele que todos tinham a obrigação de idolatrar, respeitar e obedecer cegamente, como se fosse um pai todo-poderoso, um deus. Ele não tem nome e jamais foi visto em público – era somente um retrato de um homem com enormes bigodes, inspirado na figura de Stalin. Ressalte-se que todos os regimes totalitários promoveram o culto à personalidade do líder máximo: o populismo. Aliás, nas tiranias boa parte do controle é exercido através do culto à figura do ditador, como ocorreu na União Soviética, na Alemanha, na Itália de Mussolini ou mesmo no Brasil de Getúlio Vargas.

O Big Brother de Orwell foi mais além. O governo instalou câmeras em todas as residências para vigiar os cidadãos, como no programa de TV "Big Brother". O escritor batizou essas câmeras de teletelas. Na época, 1948, a televisão comercial sequer havia entrado em operação e as teletelas não passavam de ficção científica. Através delas, o Big Brother poderia tudo ver sem ser visto. Poderia também estar presente em todos os lugares, levando sua imagem e sua mensagem. Ou seja, tinha os três poderes divinos: onividência, onipresença e onipotência. Todos em prol da dominação.

ÓDIO E ALIENAÇÃO - Para que o Big Brother de Orwell conquistasse a onipotência: o terceiro atributo divino, o ódio pelo próximo (ou por outras formas de organização social) era incitado pelo governo, fomentado e finalmente criado dentro do próprio sistema para dar continuidade e finalidade à subordinação. Em "1984", os cidadãos são obrigados a parar diariamente, na mesma hora, a fim de exercitar os "Cinco Minutos de Ódio". Parece inverossímil. Obra de ficção científica? Não, esses fatos aconteceram e acontecem. Naquela época, por exemplo, a ciência tentava dar veracidade às loucuras propostas por tiranos, como a superioridade da raça ariana defendida por Hitler; ou a inferioridade dos negros e das mulheres perante o homem branco. O assunto é atual, afinal, ainda hoje palestinos e judeus são criados no mesmo princípio do ódio.

Outro ponto importante a ressaltar é a alienação, base da dominação na obra de Orwell. O homem que vivia sob o comando do Big Brother não podia explorar sua mente ou o prazer que o corpo proporciona. A realidade conhecida era a que é o Big Brother queria mostrar. Ele também fez algumas concessões ilusórias, baseadas na liberdade vigiada, para aqueles que seguissem com disciplina a ideologia imposta pelo governante. Poucos percebem que essa realidade é construída artificialmente e que fora dela existem inúmeras possibilidades de viver. As pessoas enxergavam o mundo do Big Brother pensando enxergar a verdade absoluta, não sabiam que eram cegas; e, se percebiam pagavam caro por isso.

QUESTÃO DA PRIVACIDADE - O livro "1984" vendeu 10 milhões de exemplares em todo o mundo, 300 mil no Brasil, e se inscreveu como uma das obras mais importantes de todos os tempos. Durante os 44 anos que durou a "guerra fria", Orwell e o seu Big Brother eram estudados pela Ciência Política por conta da questão do totalitarismo. A partir da década de 1990, com o surgimento da internet e a expansão das novas tecnologias de comunicações, a alegoria do Big Brother passou a ser utilizada também para ilustrar uma nova questão em pauta: a privacidade. Começaram a surgir alertas dos especialistas em tecnologia sobre os perigos do monitoramento dos cidadãos proporcionados pelas novas tecnologias e pela internet em especial. Centenas de artigos passaram a acusar Bill Gates, dono da Microsoft, de tentar ser a encarnação do Big Brother fora da ficção.

Na virada do milênio, produtores de TV holandeses criaram um formato de programa baseado nos "realities shows", cuja característica principal é o monitoramento de pessoas confinadas em uma casa 24 horas por dia, com posterior exposição pública de suas intimidades. Batizado de "Big Brother", esse programa já teve versões exibidas em dezenas de países, da Austrália à Turquia. No Brasil, teve a primeira versão exibida entre março e abril de 2002, tornando-se repentinamente o assunto mais comentado do país. Curioso o capitalismo. Um dos maiores escritores de todos os tempos leva a vida inteira para elaborar uma obra-prima que levanta questões essenciais para os direitos humanos, como a liberdade e a privacidade, e de repente alguém dá um jeitinho de transformar seu alerta político em um produto de venda lucrativo. A política de cooptação atual é muito mais intensa que a aplicada pelo Império Romano.

DITADOR CAPITALISTA - Está ai um dos únicos equívocos de Orwell: achar que o totalitarismo ganharia a guerra. O neo-liberalismo, hoje, domina o mundo com totalidade quase absoluta. Como o Big Brother original, o capitalismo joga com uma realidade cheia de liberdades ilusórias e continua usando da ciência para validar seus atos de tirania e dominação. Em vez do controle total, inclusive do pensamento, basta controlar os principais meios de comunicação. Ao criar novos hábitos de consumo, leva-se os cidadãos a comprar e a instalar espontaneamente todo o aparato tecnológico de vigilância utilizada pelo Big Brother, sem necessidade de repressão.

As teletelas imaginadas por Orwell tornaram-se realidade com outro nome e formato. São os microcomputadores pessoais conectados à internet, com uma parafernália de softwares de vigilância e quebra de privacidade que receberam a denominação elegante de "CRM". No contexto atual a dominação é feita com o consentimento dos consumidores "bem informados". Por escolha, conforto, comodidade e rapidez, o Grande Irmão traz a modernidade para dentro de casa. Nosso sistema capitalista funciona como um ditador invisível, que controla a vida de todos através da "liberdade vigiada", onde as pessoas são induzidas a crer que são livres e que podem fazem suas próprias escolhas.

O pensador francês Michael Foucault, autor de clássicos como "Vigiar e Punir" e "Microfísica do Poder", tem observações pertinentes ao nosso tema. Em suas teorias a respeito da pós-modernidade, o pleno poder só pode ser exercido através das concessões, da falsa liberdade. Esse controle pode ser feito pela banalização da violência que confina as pessoas dentro do medo, pela estética que padroniza o belo, o "normal"; e por várias outras formas e teias que se articulam para aprisionar o homem dentro de sua própria existência. Escreve Foucault: "Fabricam-se indivíduos submissos, e se constitui sobre eles um sabor em que se pode confiar".


Thaís Saraiva, 22, é estudante de Comunicação da Universidade Católica de Brasília. Colaboraram com idéias e trechos os estudantes Carlos Alberto Teodoro e Rosana Assis. Este artigo foi elaborado como trabalho para a disciplina "Comunicação e Novas Tecnologias" e está sendo publicado com a revisão e sob a responsabilidade editorial do professor Carlos Hugo Studart.



sábado, 30 de agosto de 2008

Essa mudernidade!




É claro que é um fake, ou apenas um secretário de campanha do hômi. Mas achei curioso mesmo assim...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sem palavras de despedida...

Um grande amigo meu morreu nestes últimos dias.

A morte de alguém querido é sempre difícil. Quando se soma a juventude daquele que partiu, e as circunstâncias de sua partida, a situação se torna ainda pior. Fiquei os últimos 3 dias como que em um transe, sem saber ao certo o que pensar nem o que dizer, ouvindo por vezes o eco distante da gargalhada sonora de meu saudoso amigo no vento... sem rumo, como meus pensamentos.

Por vezes acho que sei lidar com a morte. Talvez saiba, a meu modo, sobreviver a ela. Mas mesmo assim, eu não estava pronto para isso. E eu, que sempre pareço ter algo a dizer (mesmo que seja besteira) sobre as coisas da vida, sinto que nada tenho a dizer neste momento.

Só o que me vem à cabeça é "Descansa, Bróder!".


E assim a vida segue.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"A vida é um rio..."

... quem quer, ela leva, quem não quer, ela arrasta."
(se não me engano, uma fala de Ana Terra em O Tempo e o Vento)

Meus planos de me mudar para um apartamento na Asa Norte com minha irmã, minha sobrinha, e com o DPadua acabaram desmoronando por uma série de imprevistos e impensados. Coisas da vida, como a impossibilidade das imobiliárias de reconhecer e respeitar os trabalhadores do novo mercado, a maluquice dos preços de aluguéis, e afins. Ficam agora os incêndios a apagar, coisas urgentes a resolver, e alguns aprendizados.

Nem sempre as coisas dão certo, mas sempre há algo de bom a se tirar de situações como estas. Em breve, talvez em alguns meses, vou acabar conseguindo alugar um apartamento e descer para a cidade. Espero que dê certo, então. Por hora, continuo sendo hóspede da casa da colina.

Ao menos a Fionna parece estar feliz com isso. Ela gosta daqui. Já eu, acho que gosto, mas gostaria muito mais de ter minha casa na cidade.

Mas é a vida. A gente faz o que pode, aprende, e segue em frente.

terça-feira, 11 de março de 2008

Justificativa de ausência...

A correria para dar conta do Global Voices Online E do Global Voices em Português ao mesmo tempo está grande. Quando além disso ainda me envolvo com mais dois projetos e, sobretudo, ainda tenho que viver uma vida normal (o que, por sinal, é mais importante do que tudo mais), o tempo para qualquer outra coisa fica bem escasso...

Ultimamente, só meu computador e minha namorada tem me visto com frequência.
Desculpem a relativa ausência aqui no blogue.
Quando posso, passo por aqui para escrever algo.

Abraços do Verde.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Comunicado do Estado Maior das FARC

Depois do ataque terrorista do exército colombiano contra um acampamento das FARC, que vitimou o dirigente revoluncionário Raúl Reyes e outros 15 guerreiros, e que ocasionou o rompimento de relações diplomáticas entre Equador e Colômbia, o Alto Comando das FARC soltou o seguinte comunicado através de seus canais de comunicação (e que chegou a mim através da Lelex, que o enviou para o grupo do Metareciclagem):



correspondencia de prensa - boletín solidario
Agenda Radical
Edición internacional del Colectivo Militante
5 de marzo 2008
Redacción y suscripciones:
germain5@chasque.net

Colombia

Comunicado de las FARC-EP
¡Honor y Gloria eterna para el comandante Raúl Reyes!

Pronunciamiento del Secretariado de las FARC-EP: El comandante Joaquín Gómez reemplaza a Raúl Reyes en su puesto en el Secretariado

1. Informamos al pueblo colombiano y a la opinión internacional, que ha muerto el comandante Raúl Reyes, revolucionario integral y ejemplar, que entregó toda su vida a la causa de los explotados, la liberación nacional y la Patria Grande que soñó Bolívar. Rendimos honores para él y para los otros 15 guerrilleros caídos a su lado.

2. El comandante, cayó cumpliendo la misión de concretar a través del Presidente Chávez, una entrevista con el presidente Sarkozy, donde se avanzara en encontrar soluciones a la situación de Ingrid Betancur y al objetivo del intercambio humanitario.

3. La alevosía del ataque, la perversidad y el cinismo mentiroso de Álvaro Uribe para deformar las circunstancias de la muerte del comandante Raúl, no solo tensionan peligrosamente las relaciones de este gobierno con las repúblicas hermanas, sino que golpearon de gravedad las posibilidades del Intercambio Humanitario y anularon la salida política al conflicto con este régimen paramilitarizado y pro-yanqui.

4. A los presidentes Hugo Chávez, Nicolás Sarkozy, Rafael Correa, Daniel Ortega, Cristina Fernández, Evo Morales y a todos los gobiernos amigos de la paz, a los familiares de los prisioneros y a esa inmensa mayoría que apoya el Intercambio Humanitario los alentamos a continuar luchando por el despeje de Florida y Pradera.

5. La causa de la paz cimentada en la justicia social por la que el comandante Raúl Reyes ofrendó su vida, sigue ondeando en lo más alto de las montañas de Colombia, en la Plataforma Bolivariana, el Plan Estratégico de las FARC y en la voluntad inquebrantable de lucha de los guerrilleros y del pueblo en todo el país. A Raúl lo recordaremos siempre con profundo cariño, destacándose en él su firmeza revolucionaria, su perseverancia, su tesón y eficacia para dar a conocer ante la comunidad internacional la realidad de las FARC como ejército Revolucionario y, su entereza para dinamizar la estrategia bolivariana de unidad continental.

6. Informamos que el comandante Joaquín Gómez ingresa a partir de la fecha como miembro pleno del Secretariado del Estado Mayor Central.

Honor y Gloria eterna para el comandante Raúl Reyes.

Por la Nueva Colombia, la Patria Grande y el Socialismo: Ni un paso atrás!

Secretariado del Estado Mayor Central de las FARC-EP
Montañas de Colombia Marzo 2 del 2008

Correspondencia de Prensa - Agenda Radical - Boletín Solidario
Ernesto Herrera (editor):
germain5@chasque.net
Edición internacional del Colectivo Militante - Por la Unidad de los Revolucionarios
Gaboto 1305 - Teléfono (5982) 4003298 - Montevideo - Uruguay

Agendaradical@egrupos.net


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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ligeiramente incomunicável...

Nâo consegui acessar o Gmail durante todo o dia. O site simplesmente não carrega. Acredito que seja algum problema no meu navegador, mas ainda não consegui descobrir o que é.

De qualquer forma, o que importa é a desagradável sensação de estar meio incomunicável -- sem poder ler email nem acessar o gmail-talk. Meu trabalho, acumulado pela viagem, está se acumulando mais ainda já que não consigo acessar meus grupos de trabalho...

Bem... é a vida. Se não consigo trabalhar, faço o que posso e depois aproveito para descansar. Espero que o Gmail volte a funcionar na minha máquina em breve...


UPDATE:
Foi só escrever um post a respeito que meu gmail voltou, misteriosamente, a funcionar no final do dia. Agora é colocar todos os emails recebidos durante a viagem em dia...

Vejo um bocado de trabalho pela frente.

domingo, 22 de julho de 2007

Uma história sobre o lixo da minha casa.

Moro em uma comunidade relativamente (bem pouco) afastada da cidade. Por aqui, a coleta de lixo é feita por uma família sisuda -- um homem, uma mulher, dois meninos pequenos -- que mora em um bairro próximo.

Logo que me mudei para cá, não sabia do dia em que a carrocinha de lixo passava. Fui surpreendido uma vez aquele povo castanho e silencioso, de olhares agressivos, pegando os meus sacos de lixo. Lembrei-me de ter sido avisado que cobravam dez reais pelo serviço, mas uma rápida olhada em minha carteira me fez descobrir que eu não tinha nem um centavo em "meio circulante" comigo naquele momento. Prometí pagá-los depois, logo que sacasse dinheiro. O homem me respondeu com um olhar frio e um grunhido que poderia ter sido um assentimento ou uma ameaça de agressão física. Saquei o dinheiro e fiz com que chegasse a ele, espero, por meio de nosso faz-tudo/zelador/pau-para-toda-obra/contador-de-causos Arlindo.

Depois disso, a família castanha pareceu ignorar a minha casa em suas coletas subsequentes. O lixo começou a se acumular, mas eu devia estar ocupado para notar isso antes do fim da semana passada. Depois disso, venho tentando chamá-los de volta sempre, mas não sei como entrar em contato com eles. Há uma barreira de lixo na frente da minha casa.

Hoje, quando abri a porta de casa para pegar uma vassoura para varrer meu quarto (sim! eu arrumei meu quarto!), me deparei com aquela montanha fedentina e fui atacado por tantos mosquitos que nem sei precisar quantas picadas levei. Voltei correndo para dentro de casa, intimidado por meu lixo e o ecossistema que se desenvolveu à volta dele.

Sentindo-me meio ridículo, me coloquei a refletir sobre como nos acostumamos a ter coisas simples -- como a coleta de lixo -- como coisas garantidas, e não temos a menor idéia do que é não ter alguém para levar seu lixo embora. Não foi por mal -- talvez apenas desorganização -- que eu não paguei o coletor de lixo no primeiro momento. Vou procurá-lo daqui a pouco, pedir ao Arlindo para que o encontre, gritar aos quatro cantos pedindo para que ele venha me salvar das montanhas fétidas que barram a entrada da minha casa.

Espero que ele volte.
Estou aprendendo uma lição séria sobre o preço de meus gostos "civilizados".

Vocês tem idéia do quanto fede o lixo que vocês produzem, e do quanto vocês precisam das pessoas que o coletam mansamente para vocês?

Agora eu tenho.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

muita fome e "slow food"

Morrendo de fome, já passado um bom tempo da hora do almoço, decidido a não comer nada da comida velha ou pré-fabricada que grassa em minha cozinha, frustrado por ter passado os últimos dois dias juntando material para um post que não consigo escrever...

Eis que me chega por email a dica do Marcelo Terça-Nada!

Slow Food no Brasil
O movimento Slow Food surgiu na Itália em 1989 como contraponto ao fast-food, mas vai muito além disso: é uma associação internacional que reúne pessoas apaixonadas por gastronomia, comunidades de pequenos produtores de alimento, pesquisadores, chefs de cozinha, cozinheiros e gourmets. Realiza diversas ações para preservação da biodiversidade e pela adoção do consumo consciente (também chamado de consumo crítico). É um movimento que celebra o prazer de se alimentar, valoriza os modos tradicionais de se preparar os alimentos e brinda a variedade e a qualidade da comida. Hoje o Slow Food conta com mais de 80 mil associados em 120 países.

O Slow Food Brasil lançou seu site www.slowfoodbrasil.com para divulgar suas ações no país; estimular que mais pessoas se envolvam e se associem; e para reforçar ainda mais os laços entre os consumidores, acadêmicos, ecogastrônomos, chefs de cozinha e produtores de alimento.


Ai que vontade de comer comida de verdade... :)

Acho que vou sair pela cidade à cata de um restaurante decente para comer algo gostoso...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

vivendo e aprendendo...

Querido diário...
(e por quê não se pode começar um post assim?)

Hoje aprendí muitas coisas.

Aprendí que as aparelhos Gillete Sensor3 se encaixam perfeitamente nos cartuchos de refill (danada de palavra feia) Gillete SensorExcel, e que o mundo não acaba por causa disso. Na verdade isso estava escrito na caixa, mas eu nunca havia parado pra ler (e por pouco não fui inutilmente à farmácia para trocar os cartuchos comprados por engano). Vai dizer que você já sabia disso!?

Aprendí que o terceiro modo mais simples de não se ter cerveja para tomar quando se quer, depois dos indiscutíveis "esquecer de comprar" e "esquecer de colocar na geladeira", é "esquecer de tirá-las do congelador". A lata de cerveja congelada sobre minha mesa, babando lamentavelmente uma espuma sorvetina branca, não me deixa esquecer disso...

Aprendí que a vida pode ser um bocado surreal, meu querido diário, e que quando você pensa que as coisas vão ser de um jeito -- vruomps! -- vem a vida e muda tudo, e você se vê enlouquecido e se preparando para fazer depois de amanhã uma viagem que você queria que chegasse logo, mas que você nunca imaginava que seria antecipada por motivos tão tristes...
E, não, eu não acho que vruomps é uma onomatopéia inadequada. Você acha?

Aprendí também, e já aprendí tarde, que os leitores do Alriada não se interessam muito por minhas idéias sobre absurdos do cristianismo moderno ou sobre a corrupção em Brasília. Observando as estatísticas de acesso do blogue, notei que dos quase 300 acessos diários, menos de 5% se destina à página inicial e muito poucos se destinam diretamente a estes posts. Enquanto isso, a discussão sobre a reprodução dos Teletubbies e a bandeira da Escócia estão bombando no Google. Na verdade, acho que nem mesmo eu consigo achar estes meus posts dos últimos meses lá muito interessantes. Perdoem-me, vai. Eu estava morrendo de tédio aqui no Rio, e eu sei que vocês me acham um cara legal. Foi só um período pouco inspirado! Prometo que vou voltar a escrever meu velho blog de nonsense e coisas engraçadas e perfeitamente pouco úteis. Vocês ainda me amam?

Encerro assim, meu querido diário, minhas reflexões da noite.

Agora só tenho que colocar aquela bendita tradução daquele bendito post no ar... e... pronto, agora vou poder descansar. :D

sexta-feira, 25 de maio de 2007

correria...

Sabe aqueles dias bem corridos, daqueles em que você não sabe nem por onde começar a fazer tudo que tem que fazer?

Pois é. Eu também não gosto deles.
Lá vou eu para a correria...

Com sorte, consigo fazer os posts que planejei até o final do dia.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Sobre o SPAMMER desconhecido...

Será que alguém gosta de receber SPAM? Acho muito difícil que alguém goste. Alguns se incomodam mais, outros menos. Talvez haja aqueles que acham este ou aquele SPAM útil. É difícil de acreditar, mas tudo é possível, não é mesmo? Vai que o cara está insatisfeito com o próprio pênis, ou quer comprar um diploma universitário, e acredita em qualquer oferta que o façam. Com muita imaginação eu consigo acreditar que uma ou outra pessoa ache útil este ou aquele spam. Mas é necessária muita imaginação para conceber alguém que esteja insatisfeito com o próprio pênis, queria comprar um diploma, busque um remédio infalível para a calvície e acredite sempre que "aquela" herança é mesmo para si -- tudo ao mesmo tempo e muitas vezes por dia. Posso afirmar com uma certa segurança que não deve haver, então, ninguém que goste de receber SPAM.

Mas e quem envia SPAMs? Será que estas pessoas gostam de receber SPAMs? Ou não se importam em recebê-los, ou tem problemas penianos e de titulação acadêmica (e um bocado de estupidez)? Acho mais crível que nem mesmo eles gostem de receber SPAMs, do mesmo jeito que eu e você não gostamos. Afinal, prefiro crer que SPAMMERS são gente como a gente, ao menos no sentido mais básico de "ser gente". Uma vez que eles enviam SPAM mesmo assim, mesmo sem gostar de recebê-lo, posso crer que estes caras que são "gente como a gente" são também um bocado anti-sociais e inconvenientes. Pior do que isso, eles não devem estar nem aí para o que você acha do que eles estão enviando, e não fazem a menor idéia do quão estúpida e inútil é sua atividade. Afinal, cá entre nós, quantas serão as pessoas que compram os produtos SPAMeados?

De um modo ou de outro, se houver algum SPAMMER lendo esta divagação, eu gostaria de fazer uma enquete:
Você está insatisfeito com o seu pipi, precisa comprar seu diploma, acredita em qualquer besteira que te falam ou é simplesmente um COMPLETO IDIOTA?

Agradeço pela atenção. :)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Pedófilos de pixels?

Estão dizendo por aí que já há avatares de pedófilos atacando avatares de criancinhas no Second Life. Há quem diga que isso é crime. Descartando a histeria coletiva que a palavra "pedofilia" causa nas pessoas em geral, fica a pergunta: aliciar, constranger sexualmente ou "machucar" o avatar alheio é crime? (e então o prazer que eu tinha em trucidar a tiros os avatares dos jogadores do time adversário no Counter Strike faz de mim um assassino frio e psicótico?)

Vamos com calma. A pergunta não é simples. O intento de se aproveitar da inocência, e do corpo, de uma criança, mesmo que sua realização seja apenas virtual ou no campo das idéias, já é algo bem delicado. Mas arrogar a um intento, realizado virtualente, a dimensão criminal (ou chamar a isso de estupro e/ou pedofilia) me soa mais um daqueles exageros que os jornais adoram cometer para impressionar os leigos. Estupro é pipi na pepeca de quem não quer. Pedofilia é pipi, ou qualquer outra coisa, na pepeca ou no popô de uma criança, e coisa do gênero. O que pode estar acontecendo entre aqueles avatares pode ser uma vontade destas coisas, mas certamente não pode receber o mesmo nome (e muito menos o mesmo tratamento) que seus correlatos reais, nem pela mídia nem pela justiça.

E no fim das contas, o que um homem ou mulher faz para obter seu prazer sem prejudicar física ou psicologicamente ninguém, não é também da conta de mais ninguém. Vamos deixar de ser tão exageradamente moralistas. Deixa isso pro Bentinho XVI e seus "Papabóis" :)

Em tempo... como é que se estupra alguém no Second Life? :)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Sincronicidade saudável (para um Duende que anda pensando em ser um pouco menos largadão...)

Justo agora que andava procurando, ainda meio sem rumo, uma forma de levar uma vida (um pouco) mais saudável e cuidar um pouco mais do meu corpo, me deparo com um excelente post do Marmota a respeito do mesmo tema. Ao que parece, é tempo dos blogueiros junkies resolverem perceber que possuem um corpo que se presta a algo mais do que levar seus cérebros para passear ou presenteá-los com todas as formas de prazer sensorial...

No post, o Marmota fala a respeito de uma outra blogada, esta mais antiga, feita em 2004 por Julio Daio Borges no Digestivo Cultural. Naquela blogada o Julio dá algumas dicas óbvias a respeito de alguns bons hábitos (mínimos) que devem ser cultivados em busca de uma vida mais saudável e mais prazeirosa (segundo ele mesmo).

As idéias (coladas do post do Marmota) são bem simples:

- Estabelecer horários fixos para comer e dormir (tudo que um jornalista um blogueiro, escritor ou boêmio não consegue). Mas é bom tentar: não há corpo que aguente acordar cada dia em uma hora diferente, ou mesmo jantares às três da manhã após aquele almoço das cinco da tarde.

- Atenção redobrada na hora das refeições: evite comer por compulsão. Mastigue devagar e evite muito líquido durante as refeições. Evite mais ainda se o líquido em questão for refrigerante.

- Arrume tempo para uma atividade física, nem que seja uma simples caminhada. Isso faz uma grande diferença. Os efeitos serão ainda maiores se você conseguir desvencilhar qualquer ocupação intelectual durante seus exercícios. Mais ainda se optar por um contato direto com a natureza.
Eu, que assim como o Marmota e o Julio sempre fui avesso a exercícios e preocupações com a saúde (e que até hoje acho que sou o duende pimpão molecão de sempre), começo a sentir que é hora de prestar mais atenção nisso. Vou tentar praticar estes hábitos (embora as caminhadas e a diminuição de líquidos -- com excessão da cerveja -- seja mais fácil do que regrar meus horários de dormir e acordar), só para ver no que dá. Se isso significar que minha mente vai voltar a funcionar e eu vou conseguir trabalhar e escrever, tanto melhor. Se não, espero ao menos ficar com mais fôlego para mais excessos posteriores... he he he... :)

Parafraseando o Marmota:
"É difícil, eu sei. Mas um dia eu vou conseguir."


UPDATE:
O próprio Marmota admitiu (nos comentários ali abaixo) que não conseguiu a "proeza" na época da publicação original do post (que minha mente cansada não havia percebido ser uma republicação de um post também de 2004). De qualquer forma seguimos, blogueiros junkies que somos, tentando melhorar um pouco nossos terríveis habitos, na busca de uma vida um bocadinho mais saudável e menos pançuda... :D

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Todos os caminhos (escusos) levam ao Congresso?

Diz O Globo que as investigações (da Operação Furacão, sobre a máfia dos caça-níqueis) "podem chegar até o congresso". Infelizmente, isso não é mais nenhuma novidade. Tenho para comigo que quase qualquer grande crime ou mau-caratismo de nossa República possa ser traçado até a pretensa santa-casa da Democracia brasileira se a polícia (e os jornais) investigarem bem. Com jeitinho, qualquer coisa chega até o congresso (até mesmo o Bispo Crivella, que agora inventou de achar que igreja evangélica também é cultura).

Sou só eu que tenho a impressão de que tem algo muito errado com o governo do meu país?


p.s. enquanto isso, em outro país um pouco mais ao norte e um pouco mais maluco que o nosso, o tal Cho deu uma boa mãozinha para que a mídia marrom o pegue para cristo da maluquice norte-americana.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Como é difícil montar uma mesa "de fácil montagem"!

Passei o dia de ontem quase inteiro às voltas com a montagem da mesa nova que comprei. Apesar da propaganda (enganosa) de "montagem super fácil", penei um bocado por conta das instruções ilógicas de montagem e do acabamento duvidoso das peças. Depois de montada, a mesa ficou bem bonitinha mas... sinceramente... nunca mais acredito em "mesas de fácil montagem".

O problema já começou na hora em que abrí a caixa onde vinham as "peças de fácil montagem". Um dos tampos da mesa estava quebrado. Já pensando no trabalho que me daria para trocar aquela maldita chapa de madeira lamentavelmente partida, fui até a loja onde comprei a mesa e -- que surpresa -- eles trocaram a parte quebrada sem titubear. Talvez o problema seja normal, mas não posso deixar de ficar surpreso com o atendimento deles.

Depois, começa a longa aventura da montagem. Mais de uma vez as instruções faziam afirmações gráficas ilógicas (e, note, o manual de instruções era apenas gráfico). As chapas de compensado não possuíam os furos destinados aos parafusos, o que me forçava a enfiar os parafusos "no muque" (como dizia meu pai) para conseguir afixar as partes da mesa. Mais de uma vez fui forçado a desmanchar o que já tinha feito, pois as instruções me mandavam realizar os estágios da montagem em ordem absurda. Imagine, por exemplo, montar toda a mesa para depois ter que me enfiar por debaixo dela, entre o tampo e as fixações da base, para conseguir apertar as braçadeiras que afixam o tampo. É uma das coisas que eles queriam que eu fizesse. Conclui, então, que fui o felizardo comprador de um móvel feito especialmente para Homem Elástico.

Talvez os móveis das linhas mais luxuosas da Madesa sejam melhores, mais fáceis de montar e contenham material e instruções de montagem mais caprichosos. Mas a minha nova estante 9426 (me sentí em uma cena de Clube da Luta quando olhei para ela montada, igualzinha milhares de outras...) esconde, por trás de sua beleza funcional, um bocado de incompetência (da fábrica e deste montador que vos escreve) e descaso (só da fábrica, pois eu juro que fiz TUDO para montá-la da melhor forma possível).

E assim seguem os dias...