Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Mito da Liberdade Vigiada pelo Grande Irmão

Artigo genial da conterrânea Thaís Saraiva falando sobre o poder total que está sendo estabelecido pelo capitalismo e seu fomento ao consumo inconsciente, controlando cada dia mais nossas vidas e nossas mentes sem que nos demos conta disso.

Como podemos pensar em ser livres se nem sequer concebemos o quanto somos escravos?
Que tipo de liberdade podemos conceber? Que tipo de liberdade estamos dispostos a ter, e a lutar para conseguir?

O artigo foi enviado para o grupo do Metareciclagem pela amigona Lelex, que o extraiu originalmente da revista Novae.



Quem é, afinal, esse tal de Big Brother
Saiba como os regimes totalitários e o capitalismo conseguem fabricar indivíduos submissos e, ainda por cima, em que se pode confiar

Artigo de Thaís Saraiva publicado originalmente no site da Nova-E


A maior parte dos brasileiros acredita que o "Big Brother" seja apenas um programa de televisão inventado na Holanda, no qual câmeras ocultas transmitem a intimidade e as baixarias dos participantes 24 horas por dia. Afinal, o que é esse fenômeno que mobiliza milhões de telespectadores nos países por onde passa? Sabemos que ele arruma empregos para especialistas em tecnologia da informação, inspira artigos de sorumbáticos cientistas políticos e provoca a ira dos defensores da democracia, dos direitos fundamentais e da privacidade dos cidadãos. Mas o que é (ou melhor, o quem é?) o Grande Irmão? Quem o inventou? Qual o seu objetivo, afinal? Melhor voltarmos no tempo para entender essa história.

AUTOR CONHECIDO - O ano era 1945 e ainda não haviam cicatrizado no Ocidente as feridas abertas pelos regimes totalitários de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, e de Joseph Stalin, na União Soviética comunista. Foi nesse contexto que o jornalista inglês Eric Blair, que assinava com o pseudônimo "George Orwell", publicou uma das obras mais vendidas de todos os tempos: "Animal Farm", uma alegoria infantil que denunciava a suposta predisposição da humanidade para a violência e como uma camarilha política poderia tomar de assalto o poder em nome do povo. No Brasil, o livro recebeu o título de "A Revolução dos Bichos" e, na década de 1970, inspirou o musical "Os Saltimbancos", de Chico Buarque, já assistida pela terceira geração de crianças. Qualquer brasileiro que tenha menos de 40 anos decerto já cantarolou na escola as músicas dessa peça.

Relembrar tais fatos tem por objetivo afirmar, simplesmente, que cada um de vocês já teve algum tipo de contato com George Orwell e que o verdadeiro pai do Big Brother não é um holandês especialista em exibicionismo na TV; mas sim um jornalista inglês, Orwell, cuja maior preocupação era denunciar o controle do Estado sobre o cidadão. Fez isso em "A Revolução dos Bichos", uma alegoria político-infantil, onde temos a palavra "granja" relacionada à sociedade e "porcos" relacionada aos já conhecidos "ditadores". Repetiu a dose, com muito mais precisão e repercussão, em seu livro seguinte: "1984", uma alegoria político-científica, onde surgiu o personagem Big Brother. Tratava-se de sua obra-prima; aliás, sua última obra. Orwell terminou de escrever "1984" em 1948; o livro foi publicado no ano seguinte. Aliás, uma curiosidade: o título original deveria ser "O Último Homem Livre da Europa", mas na última hora o autor resolveu inverter os números do ano –assim, 1948 virou 1984.

O LIVRO DO MAL - Nessa obra, George Orwell apresenta uma teoria sobre como um grupo bem organizado pode tomar o poder e controlar o Estado sem jamais ser importunado seriamente. O segredo seria montar um esquema que teria na tirania e no autoritarismo a própria condição de sua existência. Ou seja, os governantes deveriam exercer o terror, a tortura, a vigilância –e até a maldade— como pré-condição para a perpetuação no poder. O mal pelo mal, como faz o Darth Vader de Star War; o poder pelo poder, como fizeram Hitler e Stalin.

A sociedade era estruturada na mais completa desagregação social (sem imprensa livre, sindicatos ou associações; até mesmo sem famílias coesas), mas se mantinha coesa através da tirania, da coação e da vigilância. O Estado encontra um modo de conduzir as ações de todos os cidadãos; há regras e imposições até para os pensamentos: o que se pode e o que não se pode pensar. Toda a existência física e mental se curvava a esse regime de poder supremo.

O BIG BROTHER - O dirigente máximo dessa sociedade era chamado de Grande Irmão (Big Brother no original em inglês). É o grande tirano, aquele que todos tinham a obrigação de idolatrar, respeitar e obedecer cegamente, como se fosse um pai todo-poderoso, um deus. Ele não tem nome e jamais foi visto em público – era somente um retrato de um homem com enormes bigodes, inspirado na figura de Stalin. Ressalte-se que todos os regimes totalitários promoveram o culto à personalidade do líder máximo: o populismo. Aliás, nas tiranias boa parte do controle é exercido através do culto à figura do ditador, como ocorreu na União Soviética, na Alemanha, na Itália de Mussolini ou mesmo no Brasil de Getúlio Vargas.

O Big Brother de Orwell foi mais além. O governo instalou câmeras em todas as residências para vigiar os cidadãos, como no programa de TV "Big Brother". O escritor batizou essas câmeras de teletelas. Na época, 1948, a televisão comercial sequer havia entrado em operação e as teletelas não passavam de ficção científica. Através delas, o Big Brother poderia tudo ver sem ser visto. Poderia também estar presente em todos os lugares, levando sua imagem e sua mensagem. Ou seja, tinha os três poderes divinos: onividência, onipresença e onipotência. Todos em prol da dominação.

ÓDIO E ALIENAÇÃO - Para que o Big Brother de Orwell conquistasse a onipotência: o terceiro atributo divino, o ódio pelo próximo (ou por outras formas de organização social) era incitado pelo governo, fomentado e finalmente criado dentro do próprio sistema para dar continuidade e finalidade à subordinação. Em "1984", os cidadãos são obrigados a parar diariamente, na mesma hora, a fim de exercitar os "Cinco Minutos de Ódio". Parece inverossímil. Obra de ficção científica? Não, esses fatos aconteceram e acontecem. Naquela época, por exemplo, a ciência tentava dar veracidade às loucuras propostas por tiranos, como a superioridade da raça ariana defendida por Hitler; ou a inferioridade dos negros e das mulheres perante o homem branco. O assunto é atual, afinal, ainda hoje palestinos e judeus são criados no mesmo princípio do ódio.

Outro ponto importante a ressaltar é a alienação, base da dominação na obra de Orwell. O homem que vivia sob o comando do Big Brother não podia explorar sua mente ou o prazer que o corpo proporciona. A realidade conhecida era a que é o Big Brother queria mostrar. Ele também fez algumas concessões ilusórias, baseadas na liberdade vigiada, para aqueles que seguissem com disciplina a ideologia imposta pelo governante. Poucos percebem que essa realidade é construída artificialmente e que fora dela existem inúmeras possibilidades de viver. As pessoas enxergavam o mundo do Big Brother pensando enxergar a verdade absoluta, não sabiam que eram cegas; e, se percebiam pagavam caro por isso.

QUESTÃO DA PRIVACIDADE - O livro "1984" vendeu 10 milhões de exemplares em todo o mundo, 300 mil no Brasil, e se inscreveu como uma das obras mais importantes de todos os tempos. Durante os 44 anos que durou a "guerra fria", Orwell e o seu Big Brother eram estudados pela Ciência Política por conta da questão do totalitarismo. A partir da década de 1990, com o surgimento da internet e a expansão das novas tecnologias de comunicações, a alegoria do Big Brother passou a ser utilizada também para ilustrar uma nova questão em pauta: a privacidade. Começaram a surgir alertas dos especialistas em tecnologia sobre os perigos do monitoramento dos cidadãos proporcionados pelas novas tecnologias e pela internet em especial. Centenas de artigos passaram a acusar Bill Gates, dono da Microsoft, de tentar ser a encarnação do Big Brother fora da ficção.

Na virada do milênio, produtores de TV holandeses criaram um formato de programa baseado nos "realities shows", cuja característica principal é o monitoramento de pessoas confinadas em uma casa 24 horas por dia, com posterior exposição pública de suas intimidades. Batizado de "Big Brother", esse programa já teve versões exibidas em dezenas de países, da Austrália à Turquia. No Brasil, teve a primeira versão exibida entre março e abril de 2002, tornando-se repentinamente o assunto mais comentado do país. Curioso o capitalismo. Um dos maiores escritores de todos os tempos leva a vida inteira para elaborar uma obra-prima que levanta questões essenciais para os direitos humanos, como a liberdade e a privacidade, e de repente alguém dá um jeitinho de transformar seu alerta político em um produto de venda lucrativo. A política de cooptação atual é muito mais intensa que a aplicada pelo Império Romano.

DITADOR CAPITALISTA - Está ai um dos únicos equívocos de Orwell: achar que o totalitarismo ganharia a guerra. O neo-liberalismo, hoje, domina o mundo com totalidade quase absoluta. Como o Big Brother original, o capitalismo joga com uma realidade cheia de liberdades ilusórias e continua usando da ciência para validar seus atos de tirania e dominação. Em vez do controle total, inclusive do pensamento, basta controlar os principais meios de comunicação. Ao criar novos hábitos de consumo, leva-se os cidadãos a comprar e a instalar espontaneamente todo o aparato tecnológico de vigilância utilizada pelo Big Brother, sem necessidade de repressão.

As teletelas imaginadas por Orwell tornaram-se realidade com outro nome e formato. São os microcomputadores pessoais conectados à internet, com uma parafernália de softwares de vigilância e quebra de privacidade que receberam a denominação elegante de "CRM". No contexto atual a dominação é feita com o consentimento dos consumidores "bem informados". Por escolha, conforto, comodidade e rapidez, o Grande Irmão traz a modernidade para dentro de casa. Nosso sistema capitalista funciona como um ditador invisível, que controla a vida de todos através da "liberdade vigiada", onde as pessoas são induzidas a crer que são livres e que podem fazem suas próprias escolhas.

O pensador francês Michael Foucault, autor de clássicos como "Vigiar e Punir" e "Microfísica do Poder", tem observações pertinentes ao nosso tema. Em suas teorias a respeito da pós-modernidade, o pleno poder só pode ser exercido através das concessões, da falsa liberdade. Esse controle pode ser feito pela banalização da violência que confina as pessoas dentro do medo, pela estética que padroniza o belo, o "normal"; e por várias outras formas e teias que se articulam para aprisionar o homem dentro de sua própria existência. Escreve Foucault: "Fabricam-se indivíduos submissos, e se constitui sobre eles um sabor em que se pode confiar".


Thaís Saraiva, 22, é estudante de Comunicação da Universidade Católica de Brasília. Colaboraram com idéias e trechos os estudantes Carlos Alberto Teodoro e Rosana Assis. Este artigo foi elaborado como trabalho para a disciplina "Comunicação e Novas Tecnologias" e está sendo publicado com a revisão e sob a responsabilidade editorial do professor Carlos Hugo Studart.



terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Você não é ninguém se não estiver no Twitter"

A Paulinha Góes deu a dica por email, e eu fui lá sacar. É uma música engraçadinha, e até bem espertinha, a respeito de alguns aspectos da socialização em rede (digitalmente mediada). Abaixo, o clip original, e a tradução (de minha autoria) da música para quem precisar de uma. Tudo que tenho a dizer é: é bacaninha, vale a pena ouvir e rir, e talvez pensar.




Você Não É Ninguém Se Não Estiver No Twitter


Você não é ninguém se não estiver no Twitter
E se você ainda não está lá você nem percebeu
Se você não foi bookmarkeado, retwittado e blogado
Você poderia muito bem não ter existido

Nos velhos tempos era tudo uma questão de realizações
Colecionar todos os seus troféus em um altar
Então todos descobriram a internet
E de repente você teve que ficar online

Uma home page era tudo que você precisava
Para parecer bem sucedido sem ser um geek
Contanto que você atualizasse semi-anualmente
E checasse seu email uma ou duas vezes por semana

Você não é ninguém se não estiver no Twitter...

A tecnologia está se movendo bem depressa
E a próxima coisa que você precisava era um blog
Com publicações íntimas e detalhadas
E de vez em quando a foto do seu cachorro

Mais recentemente os estudantes nos trouxeram o Facebook
E todo mundo teve centenas de amigos
As festas lá nas fotos parecem ótimas
Elas nem são tão boas, mas todo mundo finge

Você não é ninguém se não estiver no Twitter...

Agora você precisa publicar cada momento
E cada simples pensamento que te passa pela cabeça
Me disseram que o Twitterverso é cheio de merda
Mas a maioria de nós é até bem sofisticado

Nós validamos as inseguranças uns dos outros
E tiramos onda com os gadgets que compramos
Nós rolamos de rir de qualquer sinal de piada
E tentamos nos auto-promover sem que percebam

Você não é ninguém se não estiver no Twitter...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tradução colaborativa do Plurk para pt-br leva apenas 3 horas

Começou hoje, e já terminou, a tradução colaborativa do site de micro-blogging e relacionamentos Plurk para a língua portuguesa brasileira. Os "portões" foram abertos para a tradução pt-br do site às 19:00, horário de Brasília, e por volta das 22:20 já havia sido concluída, e já estávamos em fase de revisão. É redundante dizer que este foi um recorde no histórico do PCTP (Plurk Collaborative Translation Project), e que mais uma vez os brazucas mostraram seu valor na rede. O colega plurkeiro e tradutor Gabriel merece boa parte dos aplausos, por ter sido um dos maiores colaboradores (junto com este que vos escreve).

E agora vocês já sabem a quem xingar se alguma parte da tradução do Plurk estiver ruim ou bizarra. :)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O coração do Campus Party?

Marcelo Branco falou ontem (09/02) em entrevista ao PlayZone da RedeTV que o coração do Campus Party são os cabos de conexão de 5 gigabit.

Permita-me discordar de você, Marcelão. Os cabos estão aí para conectar as pessoas. As pessoas não estão lá, ou por aí, para serem movidas pelos cabos. São os cabos que existem para as pessoas.
Os cabos podem ser as veias, as vias, mas o coração do Campus Party, da Internet e de qualquer outra coisa que a gente faça é... invariavelmente... a gente.

Gente, pessoas, nós da rede... eu e você. Se não forem as pessoas o coração do Campus Party, não há porquê qualquer um de nós ir ao evento. Ele poderia acontecer sozinho, com seus cabos e brinquedos tecnológicos.

Não se deve nunca confundir os viajantes com as estradas. Estradas não vão a lugar algum. Elas só nos levam até lá, e existem simplesmente porque alguém quer viajar.

Nos vemos todos amanhã no Campus Party.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Notícias sobre a nova regulamentação da internet no Japão, no Global Voices em Português.

Pelo que parece, o projeto da nova regulamentação da internet no Japão -- que prevê inclusive controle sobre os "conteúdos abertos" que trafegam pela rede -- está a todo vapor. A coisa é delicada e preocupante, mas a princípio é até um alívio observar como as noções de democracia (digital) japonesa estão razoavelmente bem azeitadas.

Primeiro produziu-se um relatório inicial com propostas para a regulamentação, e este foi submetido a uma consulta pública em um site governamental do Japão (onde recebeu mais de 270 comentários). Depois disso, foi elaborado um relatório final que -- pasmem -- levou em conta várias das colocações feitas na consulta pública. Não é impressionante!?

Mas nem tudo são flores de cerejeira no novo projeto da regulamentação da internet nipônico. Há ainda uma grande preocupação a respeito dos futuros passos que o projeto pode dar em processo de transformação em lei (a ser votada, a princípio, em 2010. um tempão, não?). Colocações ainda vagas sobre responsabilidades e penalidades a serem aplicadas (embora estas últimas tenham sido rechaçadas na consulta pública, fazendo o governo recuar) ainda preocupam os blogueiros japoneses, e a possibilidade de que a avaliação do conteúdo fique à cargo do próprio governo, e não de uma agência mista independente, estão eriçando os cabelos de nossos colegas da terra do sol nascente.

Quer saber mais a respeito? A matéria de Chris Salzberg para o Global Voices Online (traduzida por Paula Góes, a corajosa, para o Global Voices em Português) captura uma grande quantidade de material sobre o assunto, retirado da blogosfera japonesa.

E por aqui? Como vão as coisas? Será que, quando chegado o momento um tanto inevitável de que a discussão de uma nova regulamentação de internet no Brasil ganhe força novamente, será que o nosso governo também vai saber perguntar com jeitinho e escutar as respostas com carinho? Um exemplo razoável de como fazê-lo não nos falta. Hai!

Site do Ministério da Cultura do Brasil é notícia aqui e na Europa.

Deu um bocado de trabalho, mas valeu a pena. O novo site do Ministério da Cultura do Brasil -- todo feito em WordPress com uns plugins bacanas -- é agora notícia no WebInsider e (motivo de admiração e inveja) na Europa.

Não que precisemos da aprovação (ou da ovação) deles para saber que a coisa é boa, mas é sempre bom ver um bom trabalho ser reconhecido. Espero que isto sirva para mostrar aos pessimistas de plantão para quê serviu todo aquele trabalho para mudar o modo de pensar e fazer internet no governo -- trabalho de fé e de força de vontade de tanta gente boa que conhecí e que ainda acompanho em sua luta diária lá na Esplanada.



Parabéns pro Murilão e toda a sua equipe. Parabéns para toda a galera do SL-Gov.
Vocês estão, como de costume, de parabéns.

Abraços do Verde.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

te dou um dado.

Aproximadamente 40% dos spam-comments que recuso diariamente no Global Voices em Português são anúncios (uns mais criativos que os outros) de Viagra.

Isso pode até ser comum nestes tempos internéticos mas, alguém além de mim acha isso bizarro?


Disclaimer:
Te dou um dado é uma pérola de Luciana Gimenez capturada pelo olhar ferino do pessoal do blogue homônimo Te dou um dado.

César Cardoso distribui tapas na cara da blogosfera...

César Cardoso distribui com ferina porém humilde fartura alguns tapas na cara da web2.0 e da blogosfera em seu blogue. Este blogueiro que vos escreve não podia deixar passar...

De The amorality of Web 2.0:

I’m all for blogs and blogging. (I’m writing this, ain’t I?) But I’m not blind to the limitations and the flaws of the blogosphere - its superficiality, its emphasis on opinion over reporting, its echolalia, its tendency to reinforce rather than challenge ideological extremism and segregation. Now, all the same criticisms can (and should) be hurled at segments of the mainstream media.

De McLuhan’s web:

McLuhan understood that as media become more interactive, they also become more potent tools for manipulation. They not only transmit information to us but gather information about us. In anticipating the Internet, McLuhan sounded a warning as much as a welcome.


Estas e outras pérolas dos tapas na cara do pensador da web você lê aqui. Portanto, depois de ler tudo que te interessa por aqui, por quê não vai lá ver?


UPDATE:

Em tempo, os "tapas na cara" foram dados por Nicholas Carr e ecoados pelo César. É melhor eu deixar isso claro antes que o Cesão resolva me dar uns tapas...

domingo, 18 de novembro de 2007

enquanto isso no Global Voices em Português...

Enquanto as "tropas de elite" de Recife entram numas de incorporar a turma do Capitão Nascimento e cantar aquela (agora novamente famosa) música do Tihuana enquanto invadem um presídio rebelado (veja aqui), Sami Ben Gharbia fala sobre o mapeamento da censura na internet e Luis Carlos Diaz comenta os prolongamentos blogosféricos da "crise do calaboca" (que, pelo visto, ainda não morreu).

A super Paula Góes nos apresenta com duas matérias bem bacanas. A primeira delas fala sobre a censura da foto de Rogéria, ícone transexual e da luta pelos direitos de gays, lésbicas e transexuais, em uma exposição de fotografias realizada no Congresso. Seria mera hipocrisia, ou uma boa dose de preconceito? A segunda matéria aponta para a discussão que rola na blogosfera lusófona sobre o racismo no Brasil. Vale a pena ler.

Por fim, tem dica sobre a cobertura do Blogcamp BH feita pelo Ronaldo Ferraz, do Superfície Reflexiva.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Algumas boas novas sobre o Global Voices em Português.

Mas não foi apenas de reflexões e soul-searching que foram feitas minhas últimas semanas. Entre as muitas coisas boas -- realmente muito boas! -- que andei fazendo nos últimos tempos, está o meu trabalho no Global Voices em Português.

Para quem não sabe, o Global Voices Online (www.globalvoicesonline.org) é um observatório das blogosferas de lugares e um amplificador das vozes das pessoas e grupos que não recebem a devida atenção das mídias tradicionais e de internet, ou são por elas mal representados. Neste trabalho, diversos editores captam o que está sendo assunto nas blogosferas (blogues, flogs, vlogs, podcasts, listas de discussão, etc...) destes lugares e escrevem artigos trazendo estes temas e discussões para o observatório das Vozes Globais. Paralelo ao projeto do Global Voices Online existe o projeto Global Voices Lingua, que se propõe a traduzir e amplificar o conteúdo produzido para o Global Voices Online (cujo material é produzido em inglês) para outras línguas do mundo. São hoje quase 10 os sites do projeto Lingua, e como alguns de vocês já devem saber, estou atualmente coordenando o site que trabalha com a tradução e amplificação do conteúdo para a lingua portuguesa, o Global Voices em Português.

Tem sido bastante bacana trabalhar com a excelente equipe de voluntários que se formou à volta do projeto. A sempre presente (e sempre disposta) Paula Góes e a super animada (e igualmente competente) Luana Selva tem dado um show, encabeçando a lista das maiores tradutoras do site. Mas elas fazem mais do que isso. São também extremamente envolvidas com todo o funcionamento do projeto, dando sugestões, responsabilizando-se pela resolução de problemas e pelo apoio aos colaboradores mais novos e, sobretudo, criando um clima de trabalho muito agradável no grupo de discussão. Sou fã destas minhas colegas!

Mas elas não são as únicas que estão de parabéns (e tornando a experiência de trabalhar com o GV cada dia mais satisfatória): nossos outros colaboradores, Adriana Yamashita, Maria Cristina Rauh e o recém-chegado Hudson, também merecem parabéns pela disposição de colaborar e pelo bom trabalho que já fizeram e que ainda irão fazer. Não posso (nem quero) também deixar de citar o excelente trabalho feito pela Cilene Dutra nos primeiros dias do Global Voices em Português, que foi fundamental nos primeiros dias do projeto. A todos vocês, o meu sincero e feliz muito obrigado!

Hoje o Global Voices em Português não apenas é o site com o maior número de acessos únicos por dia no projeto Lingua (com uma média de mais de 600 por dia, o que é muito para um site com efetivamente 2 meses de vida e ainda no começo de seu crescimento), mas é também um site que apresenta para o público lusófono a variedade de notícias e olhares que o Global Voices Online representa em seu site original para o público anglófono, com uma crescente qualidade de tradução e formatação. Estamos ainda começando, mas estamos orgulhosos de nosso trabalho.

Se você estiver interessado em colaborar com o projeto Global Voices em Português, traduzindo matérias ou apresentando alguma outra forma de nos ajudar, ou se estiver interessado de exibir os nossos feeds em seu blogue ou site de notícias, entre em contato comigo pelo email daniel.carvalho [em] gmail [ponto] com.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Censura na internet

Aproveitando que já estou por aqui, vale também dar um destaque ao post do DPadua sobre censura na internet. Nele, o DP fala do Censortive (sobre o qual também falo neste post) e sobre dois sites que fazem testes para avaliar se um site está sendo censurado e bloqueado em algum lugar do mundo.

" Estudo europeu recente mostra que a censura está viva e crescendo na rede. A OpenNet Initiative é uma boa fonte de informações a respeito deste cenário de controle em vários países.
[...]
Além de mudar a plataforma da web para algo mais p2p e livre, o que mais podemos fazer?"

Como disse a Luana em um comentário feito em outro post meu, "Quanto tempo será que o mundo vai demorar pra aprender que fluxo de informação é naturalmente livre, rápido e muito difícil de se interromper?"

Ao que parece, ainda vai levar algum tempo antes que os governos (e os poderosos do velho mundo) se apercebam de que é cada dia mais difícil se calar a boca dos comuns...

sábado, 9 de junho de 2007

Vozes brasileiras, Vozes Globais.

Assim como o Zé Murilo, meu querido irmão, e aquele que me apresentou ao Global Voices Online, eu vinha querendo fazer um post sobre este assunto há algum tempo. Hoje, o mesmo Zé Murilo me poupou um bocado de trabalho com seu excelente post a respeito de sua experiência com o Global Voices e sobre suas perspectivas deste fantástico bridge blog global.

No post, Murilo cita a definição dada para o Global Voices Online pelo também excelente blogueiro Tiago Dória (que, inclusive, já o entrevistou sobre o GVO).

O Global Voices Online é o que chamam de "bridge blog", um site que faz a ponte entre pessoas de culturas diferentes. Ele registra e traduz para outras línguas as discussões mais significativas que estão acontecendo em diversas blogosferas do mundo. [o debate no Brasil sobre 10 anos dos blogs ficou em destaque]. É uma troca constante de informações e opiniões que você não vê na chamada "grande mídia".
Entrevista com José Murilo Jr, do Global Voices Online - Tiago Dória Weblog

Além disso, o post do Murilão também fala sobre duas novas iniciativas supercalifragilisticexpialidocious do Global Voices Online: O GV-Lingua e o Rising Voices:
O GV-Lingua é a implementação de sites Global Voices nos diversos idiomas: da mesma forma que já temos o site em português funcionando, também em espanhol, chinês tradicional, chinês simplificado, russo, bangla e francês já se pode acompanhar o que o mundo está falando via Global Voices. A iniciativa tem gerado efeitos surpreendentes nos conceitos que fundamentaram o projeto, alimentando a descentralização de processos editoriais em rede e diminuindo a ênfase na anglofonia como default necessário para o diálogo inter-cultural. Neste projeto, estamos buscando colaboradores que estejam interessados em participar como tradutores -- do inglês para o português. Interessados devem entrar em contato -- estudantes de tradução e / ou relações internacionais, são especialmente bem vindos.

Quanto ao 'Rising Voices', trata-se de um recém criado programa de microcrédito para apoiar projetos de ensino de técnicas de publicação web em comunidades carentes e afastadas, com o objetivo de demonstrar o potencial de ferramentas como blogs, videoblogs e podcasts. Configura-se como parte importante no movimento de 'dar voz' àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de experimentar diretamente as possibilidades de expressão na rede. Os interessados em concorrer a esta primeira chamada devem se apressar pois o prazo para entrega de projetos vai até 15 de junho. Vejo esta iniciativa como uma grande oportunidade de aprimorar os conceitos de inclusividade difundidos pelo GVO e aposto em seu sucesso -- não apenas por estar sendo coordenada pelo grande colega e amigo David Sasaki.

E por falar na entrevista do Zé Murilo para o Tiago Dória, há dois trechos da fala de meu irmão que valem ser pinçados de lá, por sua preciosidade em contextualizar o valor do Global Voices Online para as blogosferas e para a mídia cidadã:
"(...)(No Global Voices Online) não existem editores por país. Quanto ao funcionamento geral do GVO, considero que o trabalho de retaguarda é a chave do sucesso do projeto.

O intercâmbio constante entre editores e autores, através de listas (globais e regionais), wikis, blog coletivo interno e irc, proporciona uma sintonia virtual surpreendente em se tratando de pessoas com origens tão absolutamente diversas.

Neste ambiente basicamente composto por blogueiros, os editores (regionais e linguísticos) organizam a colaboração dos autores com base nas manifestações das respectivas blogosferas. Portanto, em última instância quem pauta o GVO são os blogs locais, cabendo aos GVOers coletar, contextualizar, e traduzir.

Circunstâncias especiais podem originar pautas inter-regionais: neste momento, por exemplo, está sendo montada uma resenha sobre a reação global dos blogs ao código de conduta para blogueiros do Tim O'Reilly, e aí todos colaboram.(...)"
(Zé Murilo, sobre a estrutura do GVO)


"(...)
Em minha opinião a principal característica do fenômeno blog é proporcionar visibilidade à manifestação individual, pessoal, desprovida das camadas institucionais que permeiam, direcionam e formatam (aprisionam? capturam?) a cobertura da grande mídia.

Portanto considero a especificidade da manifestação dos blogs decorrência natural de um conceito que incorpora de forma radical os princípios da read/write web, no âmbito de um processo de descentralização e desintermediação que a rede irá gradativamente operar em todos os setores.

Já estamos vendo o desenrolar do processo nos segmentos da música e da mídia, e este ano parece que o audiovisual é a bola da vez.

Sendo formada por blogueiros internacionais em conversa constante, a comunidade GVO me parece bem posicionada para perceber, captar e amplificar estes elementos transformadores que podem ser observados de forma sistemática nas diversas blogosferas, e que dificilmente seriam reportados pelos veículos da mídia tradicional.

Neste sentido, no atual momento da história, os blogs são um contraponto à mídia tradicional. Mas acredito que esta revolução está apenas começando... "

(o mesmo, sobre a função dos blogs como um contraponto natural à mídia tradicional)

Além do Zé Murilo, a galera brasileira no Global Voices também conta com o antenadíssimo blogueiro e jornalista Roberto Romano Taddei, do Zero{Blog} - Networkjornalismo (e que também é autor de manuais de auto publicação "Conquiste a Rede", publicados há tempos no Overmundo). Taddei também disse algumas coisas bacanas sobre o Global Voices Online no post que fez sobre o assunto há uns dias atrás:
"(...)a partir de maio, o Global Voices tem agora uma versão em português para que os falantes do idioma que não são versados em inglês possam também participar dessas vozes globais. O projeto, editado no Brasil por José Murilo Junior, está em seu início e procura por voluntários que queiram traduzir os artigos que estão na central em inglês.

Mas o site não se presta apenas a isto. É possível também escrever nesta central em inglês que abastece os sites regionais em Francês, Espanhol, Chinês, Bengali e Russo. Portanto, a central em português é um canal para quem quiser denunciar ou simplesmente sugerir assuntos e blogs relevantes para as vozes globais, para que o mundo possa prestar atenção no que está acontecendo.

Uma dica: professores de inglês no Brasil, Portugal e outros países lusófonos poderiam ajudar a traduzir estes conteúdos em salas de aula, com o apoio dos alunos. E porque não? Se você estudou inglês, porque não ajuda também? E você, que não sabe inglês, mas está por dentro de um assunto importante, tem relatos de dentro de uma situação de ataques aos direitos humanos ou apenas uma notícia relevante, alerte o Global Voices."

E agora lá vou eu, me meter no meio destes caras tão legais, e desta elevadas e variadas vozes de todos os cantos. Vai ser... e está sendo... muito bacana.

A minha experiência com o GVO, que está apenas começando, tem sido fascinante. Não apenas tenho me deliciado em ler as tantas matérias publicadas no site por blogueiros de tantas partes do mundo -- aprendendo tanto a respeito das pessoas de diferentes lugares e culturas e suas realidades atuais e imediatas -- como também tenho aproveitado a oportunidade para estabelecer conversas com tantas pessoas diferentes, interessantes e cheias de coisas a dizer.

Além disso tudo, tenho descoberto também, por conta de minhas (ainda poucas) colaborações para o GV-Língua Português, uma vocação ainda não muito explorada para a tradução. Anos de leitura de livros de RPG ou literatura no original, e de escrita bilíngue para os mais diversos fins, acabaram me tornando um tradutor mais hábil do que eu imaginava, e esta foi uma habilidade que muito me alegrou descobrir. Pretendo fazer muitas traduções ainda para o GV-Lingua, além de tentar arrebanhar o máximo de colaboradores possível para este site de tradução de posts do GVO.

Enfim, sou um homem dado a me apaixonar por idéias (e ideais) quando os considero ricos, fascinantes e dotados de potencial para tornar melhor o mundo ou trazer felicidade e alegria. O Global Voices Online, com todos os seus "projetos braços", é uma destas idéias -- como também o é o meu querido Overmundo -- e estou abraçando este primeiro com o mesmo carinho com que abracei o segundo desde o ano passado. Vamos ver onde vão estas idéias, onde elas vão me levar, e até onde saberei levá-las.

A vida é boa quando você acredita no que faz e faz o que acredita.


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    sexta-feira, 18 de maio de 2007

    Sobre o SPAMMER desconhecido...

    Será que alguém gosta de receber SPAM? Acho muito difícil que alguém goste. Alguns se incomodam mais, outros menos. Talvez haja aqueles que acham este ou aquele SPAM útil. É difícil de acreditar, mas tudo é possível, não é mesmo? Vai que o cara está insatisfeito com o próprio pênis, ou quer comprar um diploma universitário, e acredita em qualquer oferta que o façam. Com muita imaginação eu consigo acreditar que uma ou outra pessoa ache útil este ou aquele spam. Mas é necessária muita imaginação para conceber alguém que esteja insatisfeito com o próprio pênis, queria comprar um diploma, busque um remédio infalível para a calvície e acredite sempre que "aquela" herança é mesmo para si -- tudo ao mesmo tempo e muitas vezes por dia. Posso afirmar com uma certa segurança que não deve haver, então, ninguém que goste de receber SPAM.

    Mas e quem envia SPAMs? Será que estas pessoas gostam de receber SPAMs? Ou não se importam em recebê-los, ou tem problemas penianos e de titulação acadêmica (e um bocado de estupidez)? Acho mais crível que nem mesmo eles gostem de receber SPAMs, do mesmo jeito que eu e você não gostamos. Afinal, prefiro crer que SPAMMERS são gente como a gente, ao menos no sentido mais básico de "ser gente". Uma vez que eles enviam SPAM mesmo assim, mesmo sem gostar de recebê-lo, posso crer que estes caras que são "gente como a gente" são também um bocado anti-sociais e inconvenientes. Pior do que isso, eles não devem estar nem aí para o que você acha do que eles estão enviando, e não fazem a menor idéia do quão estúpida e inútil é sua atividade. Afinal, cá entre nós, quantas serão as pessoas que compram os produtos SPAMeados?

    De um modo ou de outro, se houver algum SPAMMER lendo esta divagação, eu gostaria de fazer uma enquete:
    Você está insatisfeito com o seu pipi, precisa comprar seu diploma, acredita em qualquer besteira que te falam ou é simplesmente um COMPLETO IDIOTA?

    Agradeço pela atenção. :)