Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Hoje no Global Voices em Português...

Um artigo de José Murilo Junior (meu caríssimo irmão) sobre o debate blogosférico a respeito das novas reservas de petróleo descobertas no Brasil, que podem estar entre as maiores do mundo, e uma excelente ronda de Laura Vidal pelos blogues venezuelanos em busca de opiniões a respeito do novo (e um bocado revolucionário) Curriculo Educacional Bolivariano, são os destaques de hoje do Global Voices em Português.

Pessoalmente, achei ótimas as duas matérias. A tradução da matéria do José Murilo marca a estréia de nossa nova tradutora, Raquel Coelho. Seja bem vinda, Raquel. E parabéns pela excelente estréia.

Além disso, temos um artigo sobre a nova medida do governo Kuwaitiano que pretende deportar estrangeiros que reincidam em infrações de trânsito. Perder a carteira de motorista e o passaporte por conta do mesmo sinal vermelho é dose, não? Mas talvez eles tenham seus motivos.

As curtas do dia também estão muito interessante. Vá lá e confira.

Em tempo, a super Paulinha Góes, ainda em recuperação de alguns problemas de saúde causados por seu indiscutível amor ao trabalho (muito bem executado), está dando um show em sua volta ao Global Voices, e em seu novo blogue Lusosfera, onde ela coleta vozes da lusosfera e comenta o conteúdo do Global Voices Online e o conteúdo traduzido para o GVP.


UPDATE: A Paulinha está trazendo lá no Lusosfera várias novas informações, algumas delas quentinhas, a respeito do caso do bloqueio do Wordpress no Brasil. Ela está em cima dessa história desde o começo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mudando de assunto: Enquanto isso, no Global Voices em Português...

(é hora de mudar de assunto, e trabalhar um pouco em prol da blogosfera)

...tem linque para a blogada em que Luiz Azenha se questiona se a campanha anti-Chavez em vários lugares é mera coincidência ou se faz parte de uma agenda secreta (americana?). Faz sentido, se não for meio óbvio, não?

Tem também linque para uma blogada de Chico Fireman descendo a lenha nas regras de seleção do Oscar que deixaram o filme "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" fora da competição de melhor filme estrangeiro. Mas, afinal, por que precisamos de Oscares e do reconhecimento gringo se temos tantos festivais de cinema no Brasil, Chico?

Há ainda, entre tantas outras coisas interessantes, uma matéria sobre como o governo chinês esconde os mendigos de Pequim para fazer a cidade bonita para as Olimpiadas 2008 e um linque para a bombástica matéria do PE BodyCount que acusa a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco de maquiar os números sobre assassinatos no estado.

Outro destaque especial é outro linque para o blogue do Luiz Carlos Azenha, onde ele discute o papel fundamental e tragicômico da mídia no pânico a respeito da febre amarela que vem rolando nos últimos dias no Brasil. Isso me lembra da trapalhada midiática que levou a população ao pânico em 2000 a respeito da mesma febre amarela, o que levou algumas cidades (como Alto Paraíso de Goiás) a se transformarem quase em cidades fantasmas. Parabéns, novamente, para a midia tradicional brasileira.

Estas e muitas outras coisas você encontra nas blogosferas globais, mas pode encontrar tudo reunido no Global Voices Online e no Global Voices em Português.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A "boataria" mal intencionada da Globo será punida?

Pelo visto eu não fui o único a me chocar com o quadro "Central de Boatos" exibido no programa Fantástico de 16/12 (assista o quadro aqui, no próprio site da Globo). Com humor de má qualidade (os Melhores do Mundo já foram engraçados um dia...), o quadro ridicularizava ao mesmo tempo o Brasil, a Venezuela e a inteligência de seu espectador, assim como fazia "de brincadeirinha" afirmações no mínimo muito mal intencionadas sobre nossos vizinhos vizinhos venezuelanos.

Hoje, quando já estava desligando o computador, ví um auspicioso comentário de gmarun em meu último post sobre o assunto, informando que o PCB havia entrado com uma representação no Ministério Público contra a Globo por conta da fantástica palhaçada.

Colo abaixo o texto da representação, extraído do Observatório da Imprensa:

REPRESENTAÇÃO JUDICIAL CONTRA A GLOBO:

Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador Geral do Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), registrado no Tribunal Superior Eleitoral e inscrito no CNPJ, sob o número 01585552/0001-71, vem, através de seu advogado e Secretário Geral, IVAN MARTINS PINHEIRO, brasileiro, advogado inscrito na OAB-RJ, sob o número 17.517, com endereço na sede do partido, à Rua Teotônio Regadas, 26 – sala 402, Lapa, Rio de Janeiro (RJ), apresentar

REPRESENTAÇÃO

em face da Rede Globo de Televisão, com sede nesta cidade, tendo em vista que, em seu programa "Fantástico", edição de 16 de dezembro último, violou o parágrafo único e praticamente todos os incisos do "caput" do artigo quarto da Constituição Brasileira, cláusula pétrea de nossa Carta Magna, que trata dos princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil:

** prevalência dos direitos humanos;

** autodeterminação dos povos;

** não-intervenção;

** igualdade entre os Estados;

** defesa da paz;

** solução pacífica dos conflitos;

** repúdio ao terrorismo e ao racismo;

** cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.

Parágrafo Único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

1 - Com o notório objetivo de instigar um conflito militar entre o Brasil e a República Bolivariana da Venezuela, aquela emissora exibiu, em horário nobre, no programa de maior audiência nacional, uma provocativa reportagem sob o título: "O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA UMA GUERRA CONTRA A VENEZUELA?".

2 - A programação foi exaustivamente promovida, de forma sensacionalista, nos dias anteriores à difusão, com chamadas renitentes, em que se perguntava: "COMO REAGIRIAM OS BRASILEIROS A UMA INVASÃO DA VENEZUELA AO NOSSO PAÍS?".

3 - Para escamotear da população brasileira suas deletérias intenções - e certamente para tentar fugir das penas da lei -, a reportagem assumiu uma forma híbrida, para passar a impressão de que se tratava de humor. Para enganar os brasileiros entrevistados na fronteira, os repórteres passavam-lhes a impressão de que se tratava de uma reportagem do tradicional programa dominical.

4 - Inúmeras passagens do programa - que podem ser verificadas na gravação áudio-visual que se anexa à presente - evidenciam a transgressão dos princípios constitucionais acima arrolados. O programa já começa com a caluniosa insinuação de que a Venezuela está se armando para invadir o Brasil. Trata-se de uma notória fraude. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o adversário externo do governo venezuelano é o governo norte-americano e não o brasileiro.

5 - Os repórteres manipulam, sem qualquer pudor, a inocência, o patriotismo e a falta de informação e consciência política de alguns compatriotas nossos que vivem naquela fronteira. Entre outras irresponsabilidades e leviandades, perguntam aos incautos se lutariam em defesa do Brasil, na iminência da agressão venezuelana. Chegam ao ponto de percorrer, em um carro decorado com nossas cores nacionais, a via principal de Pacaraima (RR), promovendo uma "convocação de emergência", incitando a população a se "alistar para a guerra contra a Venezuela". Isto se dá exatamente na fronteira entre os dois países amigos, fomentando um clima de hostilidade e agressividade entre vizinhos que ali, mais do que em outros rincões, têm intensa interação familiar, cultural, social e econômica.

6 - O programa trata de ridicularizar, satanizar e estereotipar o Presidente da Venezuela, através de edição de imagens para que pareça um agressor de nosso país. O objetivo político central é uma solerte campanha para instar o governo brasileiro a reforçar sua fronteira com a Venezuela e se armar para poder "enfrentar o país agressor".

7 - Para tal, tentam ridicularizar também as nossas Forças Armadas. Enquanto as Forças Armadas venezuelanas são apresentadas como "a maior força bélica da América Latina", as nossas são caracterizadas como sucateadas, ineficientes, obsoletas. Nesse desiderato, não faltam cenas grotescas e patéticas, como os locutores treinando brasileiros para se defenderem com pedras. Há uma passagem em que um ator, fazendo o papel do Presidente Hugo Chávez (chamado debochadamente de "Chaverito"), passa incólume pela fronteira, de três maneiras: a pé, de bicicleta e a cavalo. Tudo com a cumplicidade de funcionárias da Receita Federal brasileira que aparecem no programa, sendo que uma delas tem o seguinte diálogo com o locutor:

** Locutor: "Os venezuelanos são bons vizinhos?"

** Funcionária: "Com toda sinceridade? Não!"

** Locutor: "Vocês botam tranca aqui no posto após o expediente, para não ter nenhum venezuelano passando por aqui?"

** Funcionária: "Claro".

8 - Ao fim deste bloco, afirma o locutor, categórico e solene:

"Está provado: a hora que Chávez quiser, ele invade o Brasil."

9 - O grave é que o programa em foco, de imensa audiência popular, criou uma imagem de credibilidade que leva muitos brasileiros, sobretudo os que não têm visão crítica da manipulação midiática, a terem suas opiniões formadas exatamente por suas reportagens, que, aliás, têm muito pouco humor. Sua matéria prima principal é o sensacionalismo. Quem de nós já não ouviu, quando se quer confirmar que determinada informação é verídica: "Mas isso "deu" no Fantástico!".

10 - O final do programa é uma provocante e abjeta apologia à guerra entre o povo brasileiro e o venezuelano, onde os locutores revelam suas intenções, em frases repugnantes e sórdidas como estas:

"E se o tempo fechar entre Brasil e Venezuela: será que estamos preparados?"

"Qualquer movimento estranho na fronteira, liguem para Brasília e reclamem com o síndico."

11 - Para insinuar que o perigo não se limita ao norte, na fronteira com a Venezuela, mas que a "invasão" pode vir também pelo sul, pela fronteira com a Bolívia, o programa aproveita para ridicularizar o Presidente boliviano, Evo Moralez, colocando-o como submisso ao Presidente Chávez. Quando o locutor informa ao público: "Agora, vamos ver como está a fronteira sul", imediatamente entra uma charge animada de Evo Morales propondo Chávez para Presidente da Bolívia.

12 - Na realidade, o programa ofendeu três Presidentes: o Presidente da Bolívia, como uma marionete, um fantoche; o Presidente da Venezuela, como um invasor, um ditador; o Presidente do Brasil, como um pusilânime, um omisso, que não reage e não prepara o país para se defender da "invasão". A todos, portanto, agravou com dano material, moral e às suas imagens.

13 - O desrespeito é tão grave e notório que o programa foi ao ar exatamente no momento em que o Presidente Luiz Inácio da Silva estava num intervalo de visitas aos dois países, justamente para estreitar os laços de amizade e colaboração entre seus povos, na perspectiva da integração latino-americana! No dia anterior, nosso Presidente chegara da Venezuela; no dia seguinte, viajou para a Bolívia.

14 – A nosso juízo, não se tratou de coincidência. O programa é parte de uma insidiosa e contumaz campanha de manipulação [WINDOWS-1252?]– a serviço de interesses imperiais -, destinada a tentar frear a determinação inabalável dos povos da América Latina, no sentido de romper os grilhões que os levaram à dependência, ao subdesenvolvimento e à iniqüidade social.

15 – A importância que a Constituição brasileira atribui ao nosso convívio harmonioso com os países latino-americanos é muito relevante, a ponto de estabelecer como princípio a busca da integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

16 - Diante de todo o exposto é que o PCB requerer ao ilustre dirigente do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL que intente a AÇÃO PÚBLICA que julgar compatível contra a Rede Globo de Televisão para que, com base no inciso V, do artigo 5º de nossa Constituição Federal,

SEJA ASSEGURADO O DIREITO DE RESPOSTA, PROPORCIONAL AO AGRAVO, NO MESMO PROGRAMA E NO MESMO DIA DA SEMANA E HORÁRIO EM QUE SE PRODUZIRAM AS OFENSAS, A REPRESENTANTES DESIGNADOS PELOS GOVERNOS OFENDIDOS, A SABER: DA BOLÍVIA, DO BRASIL E DA VENEZUELA.

17 - Finalmente, requer o PCB que o eminente Procurador analise a transgressão de nossos princípios constitucionais à luz da legislação penal e daquela que regulamenta a concessão pública de emissoras de televisão, estudando a possibilidade de se postular a aplicação de sanções, tendo em vista, entre outros dispositivos, o artigo 221, de nossa Carta Magna, que estabelece que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão exclusivamente a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, à promoção da cultura nacional e ao respeito aos valores éticos e sociais da nação. Entre estes, Excelência, destacam-se a tradição brasileira de privilegiar o convívio fraterno entre os povos e o respeito absoluto à sua autodeterminação.

Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 2007

Ivan Martins Pinheiro

Com cópia para:

- Presidência da República Federativa do Brasil

- Ministérios das Relações Exteriores e das Comunicações;

- Embaixadas da Bolívia e da Venezuela;

- Associação Brasileira de Imprensa;

- Ordem dos Advogados do Brasil (RJ).


Agora vamos ver onde essa história vai dar. Se uma quantidade suficiente de pessoas se indignar com o caso, talvez a Globo não transforme esta representação do PCB em mais uma piada. O pessoal da editoria do Fantástico deve se achar muito engraçadinho, e os "Melhores do Mundo" são uns palhaços que agora envergonham a profissão, mas eu não sou palhaço. E você, está achando tudo muito engraçado?


p.s. parece que tem gente que está achando mesmo tudo muito engraçado. não é uma gracinha?

domingo, 18 de novembro de 2007

enquanto isso no Global Voices em Português...

Enquanto as "tropas de elite" de Recife entram numas de incorporar a turma do Capitão Nascimento e cantar aquela (agora novamente famosa) música do Tihuana enquanto invadem um presídio rebelado (veja aqui), Sami Ben Gharbia fala sobre o mapeamento da censura na internet e Luis Carlos Diaz comenta os prolongamentos blogosféricos da "crise do calaboca" (que, pelo visto, ainda não morreu).

A super Paula Góes nos apresenta com duas matérias bem bacanas. A primeira delas fala sobre a censura da foto de Rogéria, ícone transexual e da luta pelos direitos de gays, lésbicas e transexuais, em uma exposição de fotografias realizada no Congresso. Seria mera hipocrisia, ou uma boa dose de preconceito? A segunda matéria aponta para a discussão que rola na blogosfera lusófona sobre o racismo no Brasil. Vale a pena ler.

Por fim, tem dica sobre a cobertura do Blogcamp BH feita pelo Ronaldo Ferraz, do Superfície Reflexiva.

Calaboca (ainda) não morreu?

O calaboca proferido pelo Rei da Espanha e não obedecido por Hugo Chávez tem dado o que falar.

De um lado tem gente elogiando o velho Rei por ter dido na cara do ditador "aquilo que ele precisava ouvir". Por outro, tem gente vendo na atitude do Rei, e na 'postura revolucionária' de Chávez em não calar a boca, exemplos simbólicos da dominação espanhola sobre a América Latina.

Mas as coisas mais interessantes de se ver sobre o assunto são o vídeo do babado e o post de José Roberto Duque que mostra o quanto El Rey sabe lidar com tiranos.

Para completar a palhaçada, Carlos Andrés Perez, ex-presidente da Venezuela, escreveu ao Rei da Espanha pedindo desculpas pelo incidente. Tem gente que não perde uma chance de calar a boca, não é mesmo?

No fim das contas, fico pensando se as pessoas não tem nada mais importante a pensar e fazer do que ficar comentando ad infinitum a respeito do episódio e encontrando mil significados mirabolantes nele. Quando é que o calaboca vai morrer?