Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pra terminar o assunto...

Eu já estou de saco cheio de ver mais um crime se transformando em circo da mídia no Brasil. Já estou de saco cheio de ouvir falar do assassinato da Eloá, do assassino que virou pobre homem apaixonado pra depois virar pobre psicopata, ou do pobre pai que virou malfeitor procurado. Acredito, por acreditar na inteligência de vocês, que também já estejam de saco cheio de tudo isso.

Então, pra encerrar o assunto e não voltar mais a ele, vou me calar (como talvez já devesse ter feito antes) e republicar dois textos que a Patinha me enviou falando sobre o tema sob uma ótica feminista. Se te interessa ler algo relativamente diferente daquilo que os jornais estão bombardeando sobre vocês, leiam os textos abaixo.

O primeiro foi publicado no Vi o Mundo do Azenha e no site da ADITAL, mas o ví originalmente no email passado pela Patinha.

Brasil - Feminicídio ao vivo: o que nos clama Eloá




Maria Dolores de Brito Mota e Maria da Penha Maia Fernandes *

Adital -

Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo de dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira. No Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970, as denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra suas parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da defesa da honra, e desenvolveram-se ações de movimentos feministas e democráticos pela punição aos assassinos de mulheres. A alegação da defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema vai emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela sociedade por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres. O assassinato de Ângela Diniz, em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a absolvição do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma reação pela defesa "honra". Na verdade, as circunstâncias mostravam um crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o relacionamento amoroso, e a inconformidade do assassino com este fim. Essa decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino. Outro crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a campanha "quem ama não mata".

Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O assassino, durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um tiro na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça, local de representação da identidade individual. Um crime em que não apenas a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega - o feminino. Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo, da vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o "extremo de um continuum de terror anti-feminino", incluindo várias formas de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações, agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o seu assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle do corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder sobre ela - base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder, é um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima, premeditado.

Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings, estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato [1] é necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o caminho para os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de violência de gênero contra as mulheres.
Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das Delegacias de Apoio às Mulheres - DEAMs, que hoje somam 339 no país, o surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de apoio que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando trabalho de denúncia e conscientização social para o combate e prevenção dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres.
Mas, ainda assim, as violências e o feminicídio continuam a acontecer. Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram vítimas de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005, 118 mortes e em 2004, mais 105 casos [2]. As mulheres estão num caminho de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do patriarcado continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É preciso que toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades, desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
Notas:
[1] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debate emergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006.
[2] Dados disponíveis em: http://www.patriciagalvao.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=1076


* Ma. Dolores: Socióloga, professora da Universidade Federal do Ceará / Maria da Penha: Inspiradora do nome da Lei Federal 11340/2006. Colaboradora de Honra da Coordenadoria de Políticas para Mulheres da Prefeitura de Mulheres

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O segundo foi provavelmente publicado pela AMB, mas não consegui encontrar o link. Novamente, o artigo chegou a mim através do email da Patinha. (Minha professora e melhor colaboradora no que se trata de questões de gênero e feminismo, além de ser minha querida companheira).

Eloá – A Morte Anunciada

Analba Brazão Teixeira

Secretária Executiva da AMB

Semana passada o Brasil acompanhou de perto o seqüestro que culminou com a morte de Eloá. Uma Adolescente de apenas 15 anos de idade, que morreu por que decidiu não reatar o namoro com Lindemberg.

A tragédia anunciada se transformou numa briga pela audiência da imprensa televisiva e escrita, em que em nenhum momento, ao longo da sensacionalista cobertura do "caso Eloá" a imprensa classificou como mais um caso de Violência contra as Mulheres, que estava preste a entrar na contagem dos homicídios sofridos por mulheres que resolvem não reatar os namoros, casamentos. Será que não se reconheceu como violência contra as mulheres, pelo fato dela só ter 15anos?

Lindenberg passou a ser o centro de atenção de todos e de todas e mais uma vez uma atitude extrema de machismo é levada para o plano da patologia. O ciúme, a posse e a honra ganham o nome de "amor" de decepção amorosa, em que Eloá de Vítima passa a ser quase tratada como algoz, na boca de análises de psicólogas colocadas no ar "Se ela tivesse aceitado dialogar, nada disso teria acontecido".

Pelo contrário, o algoz de Eloá e Naiara, a todo instante era enaltecido: Qual o perfil de Linderberg? Bom rapaz, trabalhador, amigo de todos, "era apenas um pouco ciumento". E se chegou a este extremo é porque possui alguma patologia, dizia outro psiquiatra. Como reconhecemos as características desta patologia que uma pessoa carrega para cometer um crime como esse? Pergunta feita por apresentadores de programas televisivas.

Patologia? Ou ele não agüentou "perder" o controle que queria ter da vida de Eloá? Ou sentiu a sua "honra maculada" por que Eloá,não queria continuar o namoro que ele próprio terminara?

O que acompanhamos foi estarrecedor e nos mostrou como ainda é tratada no Brasil a violência contra as mulheres. O que nós feministas chamamos de "posse" arraigada na cultura machista, a imprensa chama de decepção amorosa. O que se reconheceu foi "a legítima dor de amor dele por Eloá", numa tentativa forçada de transformar um seqüestro em novela, de proteger um criminoso que atentava contra a vida de uma mulher indefesa, de romantizar um crime. Resguardado por sua dor, Lindembergue foi capaz de torturá-la por horas a fio, de adiar um desfecho previsto e planejado para exaltar-se diante de seu sofrimento, contínuo, prolongado e, graças às tecnologias da comunicação ,teve público. Sim, a agonia da menina de 15 anos foi transmitida ao vivo,entrecortada por flashes e entrevistas pungentes de programas de auditório sensacionalistas. Os mesmos que enaltecem a carreira ascendente de ex-participantes de reality shows e celebridades com alcunha de fruta ou legume. Linderberg era a estrela do momento, dono total da situação em que duas vidas (Eloá e Naiara) corriam um risco real. E Linderberg perguntava: Qual é o canal de televisão que está me entrevistando? Este é realmente o papel da mídia, aconselhar o seqüestrador? Será que se Eloá fosse de uma família de Posses, o tratamento sensacionalista em que a vida dela estava em risco teriasido o mesmo? Questões para refletirmos diariamente.A mesma mídia, agora, faz outro tipo de sensacionalismo com a doação de órgãos, tentando transformar Eloá em Santa. Assim, desconsideram mais uma vez o absurdo de sua morte. E desconsideram que nós, mulheres, não queremos ser santas. Nós, mulheres, queremos viver. E viver com autonomia, com liberdade.

Acompanhamos,ao longo de toda a trama televisionada a uma sutil (e branda) retomada do velho e gasto argumento da 'violenta emoção'. Tão em voga nos anos 70. O mesmo que levou Doca Street a atirar no rosto de Angela Diniz. Sim, as dores de"amor" matam, ou melhor dizendo, a dor da rejeição da perda da posse, mata. E já o fizeram, por muito tempo, impunemente. Não foi à toa que o slogan'Quem ama não mata' ganhou cartazes e ruas há mais de duas décadas e continua tão presente nos nossos dias.

Tiro no rosto, tiro na virilha, que isso significa? Por que quase sempre essas são as partes do corpo escolhidos nos casos de homicídios nas relações afetivo-conjugal? Podemos pensar que no caso da rejeição e da perda do ser amado", os homens impulsionados pelas marcas de uma cultura sexista e patriarcal, tem que aniquilar as possibilidades de realizar o prazer e o desejo do outro.

Não podemos deixar de assinalar também o papel desastroso da polícia, que teve um empenho total na garantia da vida do assassinato. A polícia se condescendeu com o algoz e entregou à ele a vida das duas meninas. A todo tempo, o comandante da operação manifestava preocupação em que Linderbegue não estragasse sua vida, em detrimento das duas vidas das mulheres. Afinal de contas o bom moço não tinha antecedentes, era uma ótima pessoa e estava apenas sofrendo de uma decepção amorosa. Qual era a negociação de Linderbergue? A vida de Eloá.

Não é por acaso que o Brasil possui uma Lei que pune crimes de violência doméstica, que, aliás, traz o nome de uma mulher vítima desta mesma sorte de 'amor', sendo alvo de duas tentativas de assassinato cometidas pelo então marido. Uma história tristemente comum, que, talvez, se distinga apenas porque Maria da Penha, sim, conseguiu sobreviver.

Mas, muitas não tiveram e não tem a mesma sorte. Eloás, Vandas, Angelas, Rosângelas, Mirians, Reginas, Robertas, Marias.Morreram e morrem indefesas, dentro de suas próprias casas, agredidas, surradas e humilhadas por aqueles que, sob o pretexto do amor, disciplinam aqueles corpos sobre os quais acreditam ter direitos.

Isto acontece porque vivemos numa sociedade que ainda concebe que, se um homem alega amar uma mulher, ou se tiveram ou tem algum acerto de conjugalidade, isto lhe dá direitos sobre a vida dela.

Em nome de uma suposta 'honra' masculina, que, quando ameaçada, insurge ensandecida, a ponto de humilhar, ferir e matar aquela que decidiu romper e não reatar a relação.

Quem torceu pelo amor de Lindembergue, quem acreditou que ele pudesse sair daquele prédio de mãos dadas com a ex-namorada esqueceu ou reforçou o tipo de cultura em que vivemos.

Quem tratou aquele drama passional como se não tivéssemos, neste país, de forma gritante, e em todo planeta, uma numerosa estatística de crimes de honra ajudou a puxar o gatilho. Que conclusão podemos chegar? O Machismo Mata.


Pronto. Que Eloá descanse em paz, e que um dia o rumo dos ventos mude e as pessoas percebam que o buraco é sempre mais embaixo, e que um dia as mulheres não morram mais na mão de seus maridos, namorados, ou de desconhecidos que acham que é muito natural estuprá-las nas ruas...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ser blogueiro...?


O que é
(e o que significa) ser um blogueiro?

Quem me ajuda a refletir sobre esta pergunta?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

algumas reflexões.

Tenho refletido um bocado sobre a função dos blogueiros em nossa sociedade, e principalmente feito uma auto-crítica a respeito da minha atuação enquanto blogueiro (com uma grande ajuda do impiedoso e viril olhar antropológico de minha ranzinza porém adorável companheira). Vou poupar-lhes dos meandros e das tortuosas linhas seguidas pelos meus pensamentos nos últimos dias. Quero apenas fazer algumas colocações que me soaram importantes depois de pensar um bocado...

Primeiro, gostaria de pedir desculpas aos meus 8 leitores pela saraivada de besteiras e afirmações impensadas às quais vez por outra são sujeitados neste blogue. Por vezes não levei a sério o bastante a minha responsabilidade de comunicador, e sobretudo a enorme diferença entre vossos olhos e penicos. Sim, eu admito que falei muita besteira em muitos de meus posts e, mesmo quando não o fiz, poderia ainda assim ter feito uma reflexão melhor a respeito dos temas que abordei. Se for para falar o óbvio, ou falar uma besteira qualquer de mesa de bar, é melhor fazer isso em boa companhia em um boteco.

Não há nada de errado em se falar besteira. Muitos blogues se propõe a fazer isso. Este já foi um deles. Um dia, não sei se pelo passar dos anos ou por uma tentativa de mudar meu tom, inventei de ser um "blogueiro sério". É claro que isso acabou soando como mais uma piada. Há quem diga que não tenho vocação para isso. O tempo dirá se tenho. Tudo que sei é que tenho uma vocação razoável para o nonsense, e gosto disso. Mas na hora de falar besteira, fala-se besteira. É melhor não falar besteira em momentos e temas que alguém pode me levar a sério. Admito que tenho que ter mais responsabilidade com o que falo por aqui.

Postas estas coisas, fico me perguntando quais serão os caminhos deste blogue. Em certos momentos, penso em dar meia volta e retornar à proposta 'nonsênsica' que norteou seu nascimento e primeiros passos. Em outros momentos, acredito que deveria me disciplinar e tornar este blogue em um lugar de um pouco mais de seriedade (sic!) e respeito (sic duplo!). Seja como for, acho que devo ter a responsabilidade de deixar um pouco mais claro quando estou falando apenas besteira, e quando estou fazendo uma reflexão séria a respeito de algo. E quando estiver falando sério, ser mais cuidadoso com as minhas palavras.

A vida é assim mesmo, dizem. Vou me furtar de citar Santo Agostinho, pois eu detesto o fã clube religioso que detém o copyright espiritual de suas palavras, mas havia um tempo para se fazer coisas de moleque, e há um tempo para se crescer -- ao menos em alguns aspectos. Vamos ver que rumos o Alriada Express (e eu) iremos tomar neste momento de nova maturidade (sem perder o senso de humor). Eu com vinte-e-nove, ele com cinco -- está na hora de nos darmos ao respeito (combo sic! 3 hits, hó yuken!!!).

Queiramos ou não, neste momento em que a força da blogosfera brasileira cresce (ao menos em alguns círculos), a responsabilidade de se ter um blogue -- este palanque digital que nos dá voz ao menos dentro de nossa elite de "com-computador e com-internet" -- aumenta a cada dia. Mesmo que para alguns seja claro que blogues são apenas representações digitais dos indivíduos que estão por trás dos mesmos, ainda há aqueles que entendem a palavra escrita publicada em um blogue de uma forma análoga àquela publicada em um jornal. Isso não apenas é inevitável, pois fomos muitas vezes educados a utilizar a palavra jornalística (à qual a palavra blogueira tantas vezes se assemelha e se mistura) como elemento base de nossa construção de visão de mundo, mas é também algo complexo demais para ser simplesmente tido como bom e ruim. Ao mesmo tempo que a seriedade, por vezes pouco crítica, com que alguns lêem jornais e blogues pode ser muito ruim, é ela também que dá um pouco da força da qual desfruta hoje a blogosfera. Se as pessoas entendessem sempre, como por vezes professamos que gostaríamos que elas entendessem, que um blogue é apenas uma pessoa falando através de uma ferramenta, talvez não levassem os blogues tão a sério. Da mesma forma, estas são as pessoas que levam os jornais a sério, e que acreditam em governos -- a maioria (mesmo dentro da minoria informatizada que representamos). Posto isso, é necessária uma reflexão a respeito da influência que se pode ter sobre o seu leitor e, sobretudo, sobre a qualidade das idéias e reflexões que se está publicando. Não me engano achando que as minhas palavras tem tanto alcance assim. Sou bom em algumas coisas, mas considero-me um blogueiro medíocre. Mas uma boa parte desta mediocridade veio da falta de atenção e seriedade com que levei este blogue tantas vezes. Hoje quero não apenas me tornar um blogueiro melhor, mas também mais ciente de que se em algum momento aquilo que escrevo fizer alguma diferença para alguém, devo estar muito consciente e atento para o modo como estou fazendo esta diferença. Posso ser um blogueiro ruim, mas sou um aspirante a blogueiro do bem. :)

Não sei se falei coisa com coisa, mas esta era uma reflexão desabafo que queria partilhar com vocês. Se ninguém tiver lido, não tem problema. Agora vamos dar um rumo a este blogue.


Abraços do Verde.

terça-feira, 26 de junho de 2007

a louca nobreza do trabalho.

Dizem por aí que o trabalho enobrece o homem. Deve ser verdade. Trabalhar faz bem para a cabeça e para a alma. Produzir é um prazer para quem reconhece a beleza de uma coisa bem feita.

Mas dependendo da situação, da pressão, das metas, podemos dizer também que o trabalho enlouquece o homem. Contudo, certas coisas são dúbias e tem muitos sentidos nesta vida. Então, talvez haja também uma certa nobreza nesta loucura. Quem há de dizer o que é louco ou são num mundo como este, e quem há de dizer que algo é nobre ou não?

Só podemos saber, quando muito, o que é bom.
Isso é o que ainda vou descobrir. Se tanto trabalho é bom...

Tudo que sei é que ainda tenho uma pilha de textos para traduzir, e eu VOU CONSEGUIR!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

sentidos ocultos por trás de "Marcha soldado"...

Estava pensando enquanto preparava meu café da manhã...

Será que há algum significado político oculto por trás daquela velha cantiga "marcha soldado / cabeça de papel. / se não marchar direito / vai preso pro quartel. / o quartel pegou fogo, / a polícia deu sinal: / acode acode acode / a bandeira nacional!"?

Não é um pensamento absurdo. Vejam bem: por quê o soldado tem a cabeça de papel? Será uma mera referência aos chapeuzinhos de soldado que usávamos quando crianças(!?) nos desfiles de sete de setembro? Ou será que há algum significado por trás disso, sobre a fragilidade ou falta de profundidade da cabeça dos milicianos? E essa história de "se não marchar direito, vai preso pro quartel"? Isso sempre me assustou na infância. Não será uma ameaça velada aludindo ao rigor dos militares? Por fim: o quartel pega fogo com o soldado (preso no verso anterior) dentro, e a polícia quer salvar só a bandeira nacional? E o pobre do "cabeça de papel" que "não marcha direito"? vira carvão?

Ou essa cantiga é assustadora, ou eu deveria dormir entre o jantar e o café da manhã em vez de ficar trabalhando a madrugada inteira... hahahahah

quarta-feira, 6 de junho de 2007

vivendo e aprendendo...

Querido diário...
(e por quê não se pode começar um post assim?)

Hoje aprendí muitas coisas.

Aprendí que as aparelhos Gillete Sensor3 se encaixam perfeitamente nos cartuchos de refill (danada de palavra feia) Gillete SensorExcel, e que o mundo não acaba por causa disso. Na verdade isso estava escrito na caixa, mas eu nunca havia parado pra ler (e por pouco não fui inutilmente à farmácia para trocar os cartuchos comprados por engano). Vai dizer que você já sabia disso!?

Aprendí que o terceiro modo mais simples de não se ter cerveja para tomar quando se quer, depois dos indiscutíveis "esquecer de comprar" e "esquecer de colocar na geladeira", é "esquecer de tirá-las do congelador". A lata de cerveja congelada sobre minha mesa, babando lamentavelmente uma espuma sorvetina branca, não me deixa esquecer disso...

Aprendí que a vida pode ser um bocado surreal, meu querido diário, e que quando você pensa que as coisas vão ser de um jeito -- vruomps! -- vem a vida e muda tudo, e você se vê enlouquecido e se preparando para fazer depois de amanhã uma viagem que você queria que chegasse logo, mas que você nunca imaginava que seria antecipada por motivos tão tristes...
E, não, eu não acho que vruomps é uma onomatopéia inadequada. Você acha?

Aprendí também, e já aprendí tarde, que os leitores do Alriada não se interessam muito por minhas idéias sobre absurdos do cristianismo moderno ou sobre a corrupção em Brasília. Observando as estatísticas de acesso do blogue, notei que dos quase 300 acessos diários, menos de 5% se destina à página inicial e muito poucos se destinam diretamente a estes posts. Enquanto isso, a discussão sobre a reprodução dos Teletubbies e a bandeira da Escócia estão bombando no Google. Na verdade, acho que nem mesmo eu consigo achar estes meus posts dos últimos meses lá muito interessantes. Perdoem-me, vai. Eu estava morrendo de tédio aqui no Rio, e eu sei que vocês me acham um cara legal. Foi só um período pouco inspirado! Prometo que vou voltar a escrever meu velho blog de nonsense e coisas engraçadas e perfeitamente pouco úteis. Vocês ainda me amam?

Encerro assim, meu querido diário, minhas reflexões da noite.

Agora só tenho que colocar aquela bendita tradução daquele bendito post no ar... e... pronto, agora vou poder descansar. :D

sexta-feira, 25 de maio de 2007

reflexões, torcicolo e... e... e é isso.

Toda vez que releio meus posts aqui no Alriada eu penso a mesma coisa:
"Ahn.... tá legal... tá legalzinho, mas tá muito sério. Isso não parece comigo."
Ou será que parece? Não... não parece não. Bem... acho que eu deveria deixar esta seriedade para escrever em outros lugares, que pedem esta seriedade, como o Global Voices e, quiçá, o Overmundo (embora eu goste de manter meu humor por lá). Mas aqui? Aqui é meu blog. É minha casa. Tinha que ter a minha cara. É... acho que tenho que repensar um pouco o meu jeito de escrever por aqui. Isso aqui não parece com o blog do Daniel Duende.

Daqui a pouco o Ornitorrinco Bugalú, de onde quer que esteja, vai soltar raios e fumos fétidos sobre mim para me punir...

Falando em punição:
Estou com um puta torcicolo.
Acho que estou precisando de uma massagem. Alguém se habilita?


Tá... tá... vou voltar ao trabalho.

domingo, 20 de maio de 2007

Dancem macacos, dancem...

(dica da Nanath)



Além de hilário, é um bom lembrete para quando a gente começa a ver o mundo com olhos muito complicados. As coisas são mais simples do que a gente tenta fazer elas serem, macacada. :)

"And the holy snake said: CUT THE CRAP!!!"

quarta-feira, 2 de maio de 2007

parado e sem cor...

Me disseram ontem que este blog está muito sério, parado, sem cor e sem graça.
Acho que ela tem razão. Eu não tenho muita vocação para me fingir de sério.

O Duende está pensando no que faz agora com este blog.
Boas coisas virão (espero).

terça-feira, 20 de março de 2007

Pedradas (muito) bem miradas na falácia da política, das cidades, e da beleza desta civilização. por Marcello Pedroso e eu.

"(...)Desde que me dei conta que tudo não passava de um joguinho de cartas marcadas muito do sem vergonha, de que todo esse papo era absolutamente vazio, vazio porque de fato não vai a lugar nenhum e não tem objetivo algum, porque não é relevante de maneira nenhuma, eu disse, e digo, de coração: Foda-se a política.

Não é a pólis a salvação, mas o sintoma mais óbvio de nossa degradação.
Fodeu para todo mundo (perdoe o vocabulário. Mais um motivo para escrever só uma vez sobre isso), mesmo, e não adianta espernear. Vamos nos acostumando com o fato de que quando nossos ancestrais de pouco tempo atrás inventaram de viver aglomerados e de quebra perder o manual de instruções da espécie, fizeram uma grande merda, e depois jogaram tudo no ventilador, e hoje continuamos achando que o problema é o tipo de merda que está sendo jogado na nossa cara.

Eu sou do tipo de pessoa que advoga pela idéia aparentemente absurda de desligar o ventilador da tomada e começar logo a recolher o cocô com as mãos pra fazer um monte de adubo prum novo começo no nosso sítio.(...)"
(trecho do post Política, de Marcello Pedroso, em seu SintropiaEspontânea)

Não é todo dia que encontro gente que tem pensamentos políticos (ou justamente não políticos) que traduzem tão facilmente o que penso. Marcello Pedroso, ou Marcelinho, velho conhecido dos tempos de Casa na Colina e longas partidas de xadrez no Estação 109 regadas a cerveja e excelente conversa, sempre me aparece com grandes sacadas. Mas esta sacada eu não pude deixar de ecoar, até porque é uma reafirmação de tudo que penso sobre este jogo complexo-inviável-absurdo-patético que é a política.

Costumo dizer que na falta de Reis Divinos, é melhor que o povo se governe a si mesmo, pois ninguém mais precisa ou pode fazê-lo. Some-se a isso que precisamos de governos, lideranças artificialmente instituidas e insolúveis nos momentos, simplesmente para resolver problemas absurdos que nós mesmos criamos nos passos tortos desta nossa civilização. Cidades gigantescas, embora tenham seus encantos, são um câncer na carne da terra e na alma de seus moradores. Países, fronteiras, governantes, são abstrações que tristemente nos são materializadas por forças que ora nos pertenciam mas que saíram de nosso controle. Inventamos uma civilização para nos dar uma vida melhor, e com ela inventamos cidades, governos, falsa abundância e problemas que hoje não sabemos como resolver. Onde está a vida melhor que almejávamos? Estão todos felizes?

Não fosse o dinheiro, ninguém seria capaz de acumular muito mais do que precisa. Não fossem os governos que nos tratam como nem o gado deveria ser tratado, com nossa bovina anuência, aprenderíamos -- teríamos que aprender -- a nos tornarmos mais atentos ao que é real e a nos unirmos em busca da sobrevivência e da solução de nossos problemas. Não fossem as cidades, haveria espaço para todos, cada um no seu canto, reunindo-se apenas pela vontade de encontrar ou pela necessidade de colaborar. Em meio a tudo isso, nos tornamos tantos, tão doentes e tão pobres da verdadeira riqueza humana, que começamos até mesmo a acreditar que precisamos dessa merda toda pra viver. Assim é, se nos parece. O dinheiro empobreceu a maioria para enriquecer a minoria. Os governos nos amputam de nossa capacidade de resolver problemas e de nos agruparmos nos conjuntos que bem quisermos, assim como de decidir nossas vidas. As cidades nos enlouquecem e nos atritam ao limite do ódio e da tensão humana, como bichos em jaulas mais ou menos luxuosas, mas ainda assim empilhadas.

Até onde nossa mania por festejar (ou se resignar) à merda de civilização em que nos metemos vai nos impedir de ver que não apenas estamos indo cada vez mais rápido para o mesmo velho lado errado, mas que também estamos levando nosso planeta e a nossa raça à destruição? Você realmente acredita que estamos construindo um mundo melhor? Realmente acredita que algum governante pode tornar o seu mundo melhor, ou que algum modelo econômico pode tornar a distribuição das posses entre as pessoas e a qualidade de vida de todos suficientemente humana? Você realmente acredita nesta nossa civilização? No excesso de SIM engolindo o nosso NÃO, por hora a gente continua colaborando pra tentar tirar a água deste enorme barco furado. Mas um dia este castelo de cartas vai cair e aí sim, graças aos Bons Deuses, vai ser hora de recomeçar. Oxalá, da próxima vez, façamos algo melhor do que esta péssima idéia na qual insistimos há séculos...


Até lá, vão continuar achando que sou um inocente maluco. Acho mais engraçada a parte do inocente, pois para ser são num mundo louco, é necessário ser louco.

domingo, 18 de março de 2007

memórias de um blogueiro meio desmemoriado

Enquanto remexia meus arquivos do Alriada Express dos meses de agosto, setembro e outubro de 2004, em busca de meus (poucos) posts a respeito da Cultura Digital, me deparei com tantos posts interessantes que quase abandonei o trabalho só para ficar lendo meus próprios escritos...

Quanta coisa aconteceu! Quanta coisa foi pensada, dita, escrita, relembrada...
Toda vez que dou uma passeada pelos arquivos do Alriada Express me pego pensando que deveria fazer uma expedição mais organizada por eles. Reler os arquivos mês a mês de todos estes quase 5 anos de Alriada Express, e pinçar algumas raridades interessantes.

Espero me lembrar de fazer isso em minha próxima tarde entediada.

quarta-feira, 14 de março de 2007

ambiguidade residencial (ou como eu quase me levei à falência com contas de celular)

Sou menino do interior. Nasci e fui criado naquela cidade estranha, fantástica e provinciana que porventura é a capital do País. Embora seja, como qualquer ser humano curioso e apaixonado pela vida, muito chegado em uma novidade, nunca fui muito de viajar (até agora). A personagem Ana Terra, do O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo, dizia que "A vida é como um rio. Quem quer ir ela leva. Quem não quer, ela arrasta.". Pois este rio da vida, no qual nado com gosto, acabou me trazendo para o outro Rio, o de Janeiro. Sem perder meu amor pela minha cidade quadradinha natal, apaixonei-me por esta outra. Como são estranhos os caminhos do coração de um homem, não é mesmo?

Encanto-me cada dia mais com esta cidade tão cheia de vida, onde em cada canto e travessa existe tanto... Mas ainda mantenho uma saudade fininha e aguda das formas quadradas e das pessoas daquela minha cidade. Posto isso, revezo-me entre encantos com a velha capital, minha nova cidade, e a nova capital, minha velha cidade, e fico neste eterno meio termo que me leva a ficar sempre na dúvida a respeito de onde devo estar. Meus planos são os de ficar por aqui pelo Rio por mais tempo, mas sempre me vejo sentindo tanta tanta tanta falta dos meus amigos...

Que acabo quase me levando à falência com interurbanos.

Puta que pariu, Duende. R$780,00 de conta de telefone é o fim da picada, né? Se liga, muleke!

Quando é que eu vou aprender que Duende pobre morando no Rio de Janeiro só deve se comunicar com os amigos da velha cidade por email e ême-ésse-êne?

terça-feira, 6 de março de 2007

Países onde queremos morar

Em uma matéria muito interessante e cheia de descobertas preciosas, Hermano Vianna mostra algumas facetas do Brasil que não apenas dá certo, mas que também encanta. Vale a pena dar uma olhada e descobrir um pouco mais sobre o Instituto de Neurociências do Rio Grande do Norte, macacos ciborgues e potiguares biônicos, cientistas capoeiristas, ou sobre o Do Sol Rock Bar e seus eventos, ou ainda sobre a cena indie de Natal ou o mestre dos bonecos Chico Daniel (o mestre está morto. longa vida ao mestre!) e muitos outros pequenos países interessantes. São tantos os países que a gente poderia querer morar, e todos eles dentro deste mesmo Brasil.

O Brasil que a gente quer morar pode ser em qualquer lugar. Basta sonhar, acreditar, e fazer acontecer.

sábado, 3 de março de 2007

Não é só no Brasil...

...que acontecem casos de absoluto desrespeito por parte do governo em relação ao povo que o elegeu e que, inadvertidamente, o legitima. O recente caso dos maus tratos dispensados aos soldados feridos da Guerra do Iraque pelo Walter Reed Hospital, em Washington (e que segundo a reportagem parece lembrar alguns de nossos hospitais) levanta mais uma vez a questão (que se aplica tanto a eles quanto a nós): Por que é que aceitamos um trabalho tão porco do governo, quando ele deveria estar trabalhando para nós, e só para nós, seus únicos clientes?

A coisa fica um pouco pior, ao menos em tese, quando este desrespeito recai sobre quem estava fazendo o seu trabalho sujo, não é?

O homem olhando a lua sumir

Hoje é dia de eclipse lunar. Segundo o site da Folha Online, o eclipse deve ser visível a olho nu a partir das 22:05 em todo o Brasil. Já o astrônomo entrevistado no Jornal da Globo afirmou que o eclipse deve começar por volta das 19hs da noite. De um jeito ou de outro, esta é uma boa noite para se ficar ao ar livre entre bons amigos e olhar para o céu, e se lembrar do encanto e do assombro que um fenômeno desses trazia para os antigos. Pode ser uma boa metáfora para entender o nosso assombro frente ao desconhecido. É também uma boa noite para contemplar o encanto que se perdeu, agora que explicações científicas roubaram dos eclipses o seu poder auspicioso.


(fonte: Editoria de Arte/Folha Imagem)

Quando era criança, nos idos de 1996 1986, o Cometa de Halley passou pela terra. Lembro-me de toda a excitação que nos varreu, animados pela Globo e seus "globos-repórter especiais", naquela ocasião. Seria uma tentativa de se recuperar ao menos um pouco da mágica do céu em um momento escuro para o Brasil, ou seria apenas uma tentativa de distração? Eu, criança que era, não me importava. Aboletava-me dias seguidos na janela do velho apartamento da 105 norte onde morava meu irmão e olhava para o céu... e... não via nada. A passagem do Halley naquele ano foi bem bôcomoca. Mas eu minha imaginação, o cometa estava lá. Era um momento mágico, de qualquer forma, porque eu acreditava ao menos que havia alguma coisa diferente no céu.

Em outros momentos, outros fenômenos como este marcaram de alguma forma minha vida. Lembro-me de um eclipse solar que marcou um momento particularmente escuro da minha vida, e de um eclipse lunar que... bem... foi um eclipse lunar muito memorável. Havia um encanto emprestado pelos eventos de minha vida a estes eventos astronômicos, mas eu não me sentia mais encantado por eles em si. Talvez isso aconteça bem mais do que eu gostaria em nossas vidas contemporâneas.

Quando olhamos para o céu observando um eclipse da lua hoje em dia, estamos olhando apenas para uma curiosidade astronômica. Mas havia um tempo em que eventos como este eram um sinal de muitas coisas, muitas mudanças, e da vontade dos Deuses. Dentro de mim há alguém que ainda vive neste tempo, e sente falta desta magia.

No fundo, ao olhar para o eclipse, eu não acho que seja o único que se sente sendo mais do que apenas um homem olhando a lua sumir e reaparecer.

A magia nos faz tanta falta, não é mesmo?


UPDATE:
Surpreendentemente, a Folha estava errada e a Globo estava certa. O eclipse começou por volta das 19:00hs da noite de hoje. Por outro lado, eu gostaria de estar surpreso por eu estar em casa escrevendo em vez de estar na praia vendo o eclipse na hora em que ele aconteceu. Vamos lá, um eclipse não é uma coisa tão rápida assim. Porquê fiquei aqui em casa? É aí que entra a falta de magia, e a falta de vontade de fazer as coisas. É... acho que estou um pouco deprimido.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

a hora de parar e sair por aí...

Todo blogueiro ou, seria melhor dizer, toda pessoa que escreve conhece aquele momento em que tem que escrever sobre uma ou muitas coisas e tenta... tenta... tenta, mas não sai nada. Não é falta de inspiração nem muito menos falta do que dizer. Não é falta de assunto nem de vontade ou esforço. É uma falta ou excesso de sei-lá-o-quê, que trava nossas engrenagens literárias e blogueiras e não permite que saia mais nada.

Quando você começa a escrever o mesmo post pela quinta vez, depois de tê-lo apagado nas outras quatro vezes ao perceber que nem sabia mais do quê estava falando neles...

Quando você começa a sentir desespero e questionar o sentido da vida e de blogar, e a pensar em todos os probleminhas que você tem que resolver e que ficam para depois porquê você está ali tentando escrever, e ainda assim não consegue escrever...

Quando você percebe que não lembra mais da cara do porteiro do seu prédio e nota que tem saudades de todas as vezes que sentou com um amigo ou amiga para tomar uma cerveja...

Enfim... quando o escrever vira um sofrimento e mesmo assim nada de útil é produzido, é hora de sair de casa e se lembrar que você mora em Copacabana e tem uma praia, um mar, um céu e uma cidade linda e cheia de vida lá fora.

Nem sempre se pode ser Deus. Disso eu já sabia.
Mas digo-lhes também...
Nem sempre se pode ser blogueiro.


Vou sair por aí. Volto quando, mais do que ter algo a dizer, eu tiver prazer também em dizê-lo.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Alriada Express em obras.

O Alriada Express deve passar por reformas profundas em breve. Não apenas no template (que terá que ser modificado, ou até refeito, para adequar-se às demandas do novo Blogger), mas também em sua proposta. Agora que "desmembrei" meu fluxo de posts entre os meus 3 blogs (Alriada Express, Caderno do Cluracão e Luneta Feérica, no Overmundo), preciso repensar com calma qual é a função e a "linha" do Alriada Express.

Até lá, este blog deve permanecer em hiato (enquanto ajusto o template e as minhas idéias sobre o Alriada). Isso não quer dizer que vou ficar sem blogar. Os posts sobre arte e cultura, bem como os posts a respeito de minha produção, já são parte da alçada do Caderno do Cluracão, onde agora vou publicar também, provisoriamente, algumas das coisas que viriam para cá (como posts sobre internet, blogosfera e afins). Já o Luneta Feérica é um blog para links, comentários e matérias a respeito de coisas que estão acontecendo na cultura brasileira dentro e fora da internet.

Nos vemos por aqui em breve.
Já nos outros blogs, a atividade vai estar a todo vapor.


Abraços do Verde.