Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais conversa fiada sobre o aborto e direitos reprodutivos...

Lembram daquele roundup que fiz no Global Voices sobre manifestações "pró-escolha" em Brasília, e que estavam dando uma discussão looonga nos comentários?

A conversa continua até hoje. Mas esta última comentadora nos presenteou com quase toda a coleção de pérolas "pró-vida" que se ouve por aí. Uma oportunidade perfeita para o chato do Duende que vos escreve, que adora discutir, dar mais uma daquelas suas loooongas respostas ponto a ponto, mostrando o absurdo de cada afirmação. Se ainda tem saco de ler sobre o assunto, vou colar os comentários da moça e a minha resposta abaixo:

  1. Taise Disse:

    Sou contra o aborto pq acredito que já ha vida a partir do momento da concepção…
    Mas não é sobre isso que quero falar vcs comentaram sim sobre o direito de escolha e tudo mais, porem ninguém tocou nos problemas psicológicos que o aborto traz a mãe.Ninguém ate agora falou que o numero de suicídios de mulheres são bem maiores nos paises que o aborto é legalizado. Como também o numero de depressão e é claro esquizofrenia uma doença que a pessoa se fecha para o mundo e inventa um só pra ela, outra coisa o numero de criança esta diminuindo, pois nas classes mais baixas o numero de filhos por família é de 3 e em classes mais altas é de 0,7 se continuarmos assim daqui a pouco teremos poucas pessoas entre nós. Terminando acho que se o aborto for legalizado estaremos matando grandes pessoas que podem estar vindo para a melhora deste mundo…

  2. Taise Disse:

    Outro detalhe o maior índice de aborto são nas classes alta e média onde as pessoas tem dinheiro para educá-los. Normalmente o pobre tem os filhos não para se aproveitar deles, mas sim, para ter alguma alegria no fim de um dia ruim.

  3. Daniel Duende Disse:

    Olá Taise,

    Vamos por partes, então. É claro que há questões psicológicas ou, melhor dizendo, questões psíquicas grandes envolvidas em um aborto. Da mesma forma que há questões psíquicas igualmente grandes envolvidas em uma gestação, em um parto e na criação de um filho, tanto mais se for um filho indesejado. É claro que nada que envolva a concepção, gestação, a interrupção ou a continuidade da mesma pode ser levado de forma leviana. São questões sérias, e eu acredito que a decisão de fazer um aborto possa ser difícil, e marcar uma mulher por muito tempo. Mas o mesmo pode ser dito da decisão de levar em frente uma gravidez, com tudo que envolve dar à luz e criar um filho, muitas vezes em condições difíceis. Não vi aí, portanto, nenhum argumento que embase que não se dê escolha as mulheres a respeito da questão. É uma escolha difícil, mas é uma escolha que pertence à mulher, e não deve ser retirada dela.

    Quanto ao número de suicídios nos países onde o aborto é legalizado. Antes de mais nada, de onde você tirou os dados para esta afirmação? Segundo, devemos lembrar que cada país é um país, e inúmeros fatores moldam e afetam a taxa de suicídio de um país. Você pode afirmar que são os abortos, legais ou clandestinos, que causam a alta taxa de suicídio nos países do norte da Europa? Não encontrei até hoje um estudo convincente sobre motivações para o suicídio em um dado país. Será que você escreveu o primeiro e eu nem fiquei sabendo?

    E sobre as estatísticas a respeito de casos de depressão e esquizofrenia? Você poderia me dizer também de onde é que vieram estes números? Nunca encontrei uma pesquisa sequer que apontasse uma co-relação entre a legalização do aborto e certas questões de saúde psiquiátrica. Por outro lado, posso te mostrar vários estudos que correlacionam a proibição do aborto com as taxas de mortalidade mulheres em idade fértil. Vamos trocar umas figurinhas?

    Você poderia também aproveitar a oportunidade, cara Taíse, para nos explicar melhor a sua conceituação de depressão e esquizofrenia. Ela parece um pouco diferente daquela que estudei na faculdade de Psicologia.

    Seguindo em frente, você está mesmo preocupada com a diminuição de natalidade? Acredita que a diminuição da natalidade nos países mais ricos seja uma tendência preocupante? Por quê? Há muitos que se preocupam com isso, mas seus motivos são para lá de condenáveis: temem viver em um mundo onde há muito mais “não brancos” do que brancos, o que precipita ainda mais um possível conflito dos desprovidos contra os “providos”. Você está entre esses, ou teme apenas que um dia a humanidade desapareça por poder escolher entre ter filhos ou não? Avise-me no dia em que a Suíça ou a Dinamarca estiverem vazias. Eu ia gostar de comprar uma casa baratinha desocupada por lá.

    Por fim, cada vida é uma promessa. É claro que uma vida que não acontece pode significar uma promessa não cumprida. Mas que tal nos preocuparmos primeiro com as milhões de vidas cujas promessas não podem ser cumpridas, ainda que continuem vivendo, por conta da pobreza, do preconceito, da exploração, da fome, da guerra e de tantos outros flagelos? Em vez de se preocupar tanto com a gestação dos outros, que tal salvar algumas crianças que estão agora mesmo em um orfanato PRECISANDO de alguém que as ajude a cumprir a promessa que representa suas vidas? Ser contra do direito de escolha da mulher com o argumento de que ela pode estar matando “um grande gênio”, quando na verdade não se está nem aí para os tantos “grandes gênios” que podem estar pedindo dinheiro na janela do seu carro é no mínimo desonesto. Mas a palavra que eu usaria para isso é outra, mas eu prefiro guardá-la só para mim.

    Acima de tudo, por que é que os “grandes gênios” e as “grandes pessoas” teriam mais direito de viver do que as outras? Então o problema são as vidas, ou as vidas dos “seres superiores”?

    E, por fim, por que é que você acha que a maioria dos abortos acontece nas classes altas? Eu poderia acreditar nisso, já que as pessoas das classes mais abastadas tem DINHEIRO não apenas para pagar um médico que realize um aborto clandestino, como também tem STATUS para conseguir fugir da prisão, caso sejam descobertos. Afinal, o aborto da moça branca, filha do abastado comerciante ou do grande executivo e da mulher “honesta” que se dedicou aos filhos é um pouco menos “criminoso” do que o aborto da moça negra e pobre que está sangrando na fila do SUS, não é mesmo?

    Mas o fato é que você não tem estes dados. Ninguém os tem. Como fazer uma estatística confiável sobre algo que tem que acontecer na surdina, escondido de tudo e de todos, por que o Governo se acha no direito de decidir pela cidadã o que ele deve fazer com a sua vida pessoal e sexual? Abortos são feitos todos os dias, em todas as classes, e mulheres morrem ou sofrem terríveis efeitos colaterais, completamente à margem de todas as estatísticas oficiais, simplesmente porque o aborto é PROIBIDO. E esta proibição não impede, nem nunca impedirá ninguém, de decidir a própria vida. Trata-se apenas de uma maneira de lavar as mãos, fechar os olhos, e afirmar que quem sofre por conta disso “merece o que teve”.

    Em suma, eu acho triste ver uma mulher defendendo leis e entendimentos sociais que foram criados para oprimí-la. Mas cada um pensa de um jeito.

    Ainda espero pelas fontes dos dados e estatísticas, e pelas respostas das perguntas que te fiz.

    Abraços do Verde.


Bem, não digam que eu não avisei que a resposta era longa. Mas pela quantidade de besteiras que eu vejo sendo ditas em comunidades sobre o assunto no Orkut, e geralmente besteiras muito parecidas, eu não quis perder a chance de registrar algumas respostas fáceis -- do tipo que qualquer um com 3 ou 4 neurônios consegue dar -- para estas "pérolas pró-vida".

Eu não canso de me impressionar com a capacidade das pessoas (incluindo, muitas vezes, a minha própria) de falar besteira, muitas vezes sem nem pensar no que está dizendo...

UPDATE:
A moça voltou lá no roundup para responder minhas perguntas. Mudou um bocado de tom, e disse que era uma pessoa que ainda estava refletindo sobre o assunto. Não é o que os comentários iniciais dela deram a entender, mas, cada um sabe de sí. Passei para ela o link da comunidade Aborto Não Deve Ser Crime do Orkut e pedi para que ela fosse se informar com o pessoal de lá, que sabe muito mais do que eu sobre o assunto. É claro que não pude perder também a chance de aconselhar a moça a não sair repetindo todos os argumentos que ouve por aí...

...Como se eu tivesse "estatura moral" pra apontar o dedo para quem faz isso, né? Mas eu estou aprendendo. :)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aborto como direito, e o direito que não temos de falar dos outros...

Um breve roundup que escreví para o Global Voices Online, traduzido também (obviamente) para o Global Voices em Português, deu um bocado o que falar. Como é mais simples mostrar do que explicar, colo abaixo o roundup e os comentários que já rolaram até agora..

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Brasil: O aborto é um direito, não um crime

Imagem do tradutor

2008-10-02 @ 22:30 UTC · Publicado originalmente por Daniel Duende

Traduzido por Daniel Duende· Veja o post original


Países:
Brazil
Tópicos:
Criança, Cyber-Ativismo, Gênero, Saúde, Direitos Humanos, Lei, Racismo
Línguas:
Portuguese

O Sapataria, um blogue brasileiro sobre direitos LGBT e da mulher, publicou fotos do recente protesto promotivo por entidades ligadas a questões de gênero contra o enfoque dado ao aborto nas leis brasileiras, e partilha conosco algumas idéias sobre o tema: “Em vários países o fato do aborto ser considerado crime penaliza diretamente as mulheres pobres, principalmente as negras, que tem menos acesso aos serviços de saúde e métodos contraceptivos. […] Trata-se de um atentado à autonomia e à dignidade das mulheres, em sua maioria pobre, sem acesso a assistência jurídica e psicológica.”

13 comentários

  1. Jandira Disse:

    Olá Daniel! Valeu pelo comentário no blog, esse é realmente um tema que nos é muito caro! A vida das mulheres precisa estar em primeiro lugar nas políticas e práticas, na sociedade brasileira e no mundo!
    Tamojunt@s! Abraços, Jandira (Sapataria - Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF - Brasil)

  2. Daniel Duende Disse:

    Olá Jandira. Parabéns pelo trabalho que vocês vem fazendo no blogue Sapataria. Podem contar com o Global Voices Online para amplificar a voz de vocês na defesa dos direitos da mulher em toda a sua diversidade. Esta é a nossa missão.

    Abraços do Verde.

  3. João Disse:

    Olá Jandira, olá Daniel,
    Surpreende-me ver alguém a falar de aborto e mostrar que nem sabe o que isso é !!! Na verdade, para além dos direitos das mulheres seria bom ter em conta o direito do filho (abortado) e do pai: haverá filho sem pai? É preciso esclarecer-se que no aborto existem 3 personagens todas elas importantes e omitir qualquer uma é no mínimo desonesto!

    Sobre a personagem quase sempre esquecida, recomendo a leitura da história da Gianna Jessen, certamente vão gostar e porque não publicá-la no blog?
    História da Gianna Jessen:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/testemunho-impressionante-de-vida_27.html

    Para quem não sabe bem como é feito o aborto, aqui ficam algumas luzes:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/os-instrumentos-do-aborto.html

    Voltando ao direito das mulheres:
    É espantosa a forma como os defensores do aborto defendem as mulheres mais pobres: eliminando-lhes o filho. Não haverá formas de ajuda realmente eficazes e solidárias?
    Para quem passa dificuldades dar um aborto é dar muito pouco!!!
    Se pretenderem saber do “benefício” que o aborto trás para as mulheres (pobres e ricas), podem ler e divulgar:

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/10/rssia-250-000-mulherempor-ano-ficam.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/08/site-sobre-os-riscos-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/05/mais-sobre-as-consequncias-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/depresso-causada-pelo-aborto-muitos.html

    OBRA DE TEATRO SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DO ABORTO:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/laura-zapata-actriz-mexicana-prepara.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/o-lado-obscuro-do-aborto.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/royal-college-of-psychiatrists-afirmam.html

    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/03/testemunhos-de-quem-lamenta-o-aborto.html

    câncer:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/novos-estudos-sobre-efeitos-do-aborto.html

    Morte no México:
    http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/jovem-morre-vtima-de-aborto.html

    e agora? Acha mesmo que o aborto é defensável?

  4. Sim Disse:

    Já que voce anda a mostra blogs de Portugal eu digo que sou de Portugal e desde que o aborto foi autorizado muito menos mulheres morrem e ha muito menos criminalidade, voce e catolico pois eu nao viva a sua vida a sua maneira e eu a minha.

  5. Daniel Duende Disse:

    Olá João,

    Creio que o que disse a/o comentadora/or Sim parece se confirmar em outros países também. A taxa de mortalidade de mulheres em países em que o direito de escolha sobre a gestação lhes é legalmente negado costuma ser um bocado influenciada por este fato. Em países como o Brasil, milhares de mulheres morrem todos os anos por conta de complicações ligadas a gestações de risco ou decorrentes de abortos clandestinos. Trata-se, então, não apenas de uma questão de moral ou opinião. Trata-se de uma realidade, um problema bem real, da saúde pública de todos os países, que deve ser visto com um olhar sério e honesto, de preferência despido de egoísmos, achismos e radicalismos religiosos.

    Além disso, por trás do argumento de que “há 3 pessoas envolvidas em uma gestação”, geralmente pode se encontrar uma tentativa espúria de desempoderar (ainda mais) a mulher em seu direito de decidir sobre a própria vida. É contra isso que lutam tantas mulheres pelo mundo, como a Jandira, que deixou o primeiro comentário acima. Mais do que apenas pelo direito de escolher sobre a gestação que venha a ocorrer dentro de seus corpos, mas sobretudo sobre todos os direitos imprescindíveis para que possam viver com dignidade. O feto que ainda não nasceu não é, então, desimportante. Mas torná-lo mais importante do que a vida e a dignidade da mulher, me parece nada mais do que uma tentativa de reduzir ainda mais a importância ou os direitos das mulheres. Pior ainda, acreditar que o homem, que não gesta, não sente dores do parto, não amamenta, e que muitas vezes sente-se na total liberdade de se abstrair de qualquer responsabilidade pela vida que a mulher carrega no ventre (exceto quando resolve lutar pelos abstratos direitos “do feto”, geralmente do feto “dos outros”), tem algum grande direito de opinar sobre a vida alheia, só pode ser o tipo de piada de mau gosto que costumam fazer os homens pelo mundo afora.

    Abraços do Verde.

  6. Sim Disse:

    Nao sendo hipocrita mas a maior coisa que a sociedade ganha com isto é muito menos gente violenta e menos criminosos , sim porque a maioria dos criminosos que matam estrupam etc , vem de familias disfuncionais e pobres claro que ha excepção mas regra é essa , e depois no meu país não descontam para sociedade , o estado dá casas a eles obriga a pagar uma renda minima como 1 real , e mesmo assim nao pagam e se obrigam a sair de casa destroiem-na , com o aborto conseguimos evitar muito o crime e um mundo muito melhor para todos nós e todas crianças que nascem de familias com condiçoes e amor para dar , porque o amor não é tudo , ter filhos requer ter dinheiro não é por ela cá fora e os outros que as aturem , mas se voces no brasil querem manter a fé católica quando vivem na miséria e acham que países como espanha usa suécia que tem uma qualidade de vida muito acima e vivem muito mais felizes e civilizados estão errados , então força é uma opção na india dizem que os pobres que morrem pobres nascem ricos é a forma de controlar pobres , aí inventam deus para aguentarem uma vida de miseria e sofrimento.

  7. Daniel Duende Disse:

    Veja bem, Sim…

    O argumento de que o aborto pode ser uma forma de diminuir a violência urbana, que seria causada pela quantidade “grande demais” de pessoas pobres, advindas de “famílias disfuncionais” (que muitos pensam ser uma exclusividade dos “pobres”) e de ambientes violentos, não é nenhuma novidade por aqui por estas terras brasileiras. De fato, há até alguns políticos que defendem o aborto, com foco principal no aborto para mulheres “pobres”, como uma forma de controle de criminalidade futura. Creio, contudo, que isso já se torna levar a discussão para um outro lado, com o qual não concordo.

    Defender o direito de escolha da mulher, de todas as mulheres, independende de cor, credo, nacionalidade ou origem social e econômica, é uma coisa. Defender o aborto como uma forma de se diminuir a quantidade de “potenciais criminosos” (afinal, para muitos, pobreza e crime são sinônimos) é outra coisa totalmente diferente. Defender que a mulher tem o direito de decidir sobre sua vida e seu corpo é diferente, bem diferente, de esperar que este direito vá livrar a classe média dos “filhos indesejados da pobreza”. A meu ver, não é assim que a coisa funciona.

    A pobreza se combate de outras formas, muitas outras, e é claro que uma delas é se dar atenção a todas as necessidades sociais das classes excluídas e emprecidas, entre elas as questões de saúde pública entre as quais o aborto figura. Mas o aborto não pode ser visto como uma forma “mais digerível” de controle étnico/social. Aborto é um direito, não ferramenta estatal de combate ao crime e à pobreza.

    Além disso, cada país é um país. Não sei se comparar Portugal com a Suécia faz algum sentido para os portugueses. Mas comparações entre o Brasil e qualquer país europeu fazem muito pouco sentido, a meu ver, quando se leva em consideração a absoluta diferença entre as realidades históricas e sociais destes países. Não é a legalização do aborto que transformará o Brasil em Suécia, nem a mudança de uma política ou lei qualquer que transformará Angola nos Estados Unidos da América. Infelizmente a coisa não é tão simples assim.

    Por outro lado, considero um pouco ofensiva a noção muitas vezes propalada por alguns cidadãos europeus de que o Brasil é um país que vive na miséria. Muito pelo contrário. O Brasil é um país muito rico, o que torna a enorme pobreza na qual vive grande parte de sua população ainda mais gritante. É claro que há muito do que causa esta pobreza que também está por trás da legislação que proíbe o aborto no Brasil, mas não se deve confundir dois problemas que apenas tem em comum algumas de suas causas.

    Em suma, acredito no aborto como um direito reprodutivo da mulher. Mas não acredito no discurso que coloca o aborto como uma eventual solução para a pobreza e o crime. Há muito preconceito e uma certa dose de facismo de classe-média por trás deste discurso, e isso em nada serve as mulheres pobres que tanto se beneficiariam por retomar o direito a decidir sobre seus corpos.

    Abraços do Verde.

  8. Sim Disse:

    O problema do mundo inteiro na criminalidade na pobreza em tudo neste mundo é só e apenas um as pessoas pobres terem filhos devia ser proibido estamos alimentar uma bola que nunca mais vai acabar , eu dava subsidios para gente pobre nao ter filhos.

  9. Daniel Duende Disse:

    Acredito que insinuar uma conexão direta entre a pobreza e o crime, e sugerir o aborto compulsório ou a proibição de certos grupos sociais de gerarem filhos, sejam demonstrações gritantes de facismo, profundo preconceito social e desrespeito pelo ser humano em todas as suas formas.

    Isso transcende em muito a esfera da discussão sobre o aborto ou sobre os direitos reprodutivos femininos, e vai rapidamente às raias do desrespeito aos direitos humanos já assegurados — o que é um retrocesso. E neste ponto, pareio-me com quem acredita que todas as pessoas tem o DIREITO de ter filhos, criá-los com dignidade e transmitir a eles os melhores valores sociais e pessoais. Somo a isso minha crença no DIREITO de todas as pessoas, principalmente as mulheres, de decidir quando NÃO ter filhos, mesmo em face de uma gravidez indesejável.

    Levar esta discussão para o campo minado do facismo e da eugenia social é absurdo, e condenável.

    Abraços do Verde.

  10. Pola Disse:

    Prezado Daniel,
    Reforço aqui tudo o que você disse até agora. Seus comentários estão totalmente de acordo com a defesa do aborto que nós, mulheres e homens feministas, fazemos. Gostaria de acrescentar apenas - para argumentar sobre o que o João escreveu - um comentário sobre o papel do pai nesse processo. A figura do genitor é realmente importantíssima na tomada de decisão da mulher sobre ter ou não um filho. Sua presença ou ausência influencia sem dúvida nos casos de aborto por gravidez indesejada - quando as mulheres são forçadas a engravidar, não por sua vontade, mas por vontade do marido ou companheiro, ou naqueles em que o sustento e os cuidados com a criança, e portanto, o ônus econômico e social recai exclusivamente sobre a mulher - por abandono do parceiro. Além disso, é importante lembrar que grande parte dos homens concordam com o aborto como solução para uma gravidez indesejada (seja de amantes ou esposas), chegando a contribuir financeiramente com o procedimento. No entanto, a realização do procedimento e a responsabilização pela decisão tomada recaem exclusivamente sobre a mulher. Cadê os pais nesse momento??? Não há justificativa para essa reivindicação “machista” e patriarcalisca!!!
    Historicamente os homens atribuiram toda a responsabilidade pelo cuidado dos filhos às mulheres, assim como sempre coube a elas o trabalho doméstico. Agora as mulheres revindicam o direito de decidir sobre seu corpo e sobre a maternidade e os homens dariam uma enorme contribuição à civilização se nos permitissem realizar essa escolha autonomamente.
    Há braços feministas!

  11. Sim Disse:

    Amigo isso e tudo muito bonito e eu concordo com cada 1 faz o que quer tem liberdade para isso o problema e que depois prejudicam a minha vida prejudicam a vida da criança obrigam-nos a pagares-lhe casa comida e tudo , e a criança revoltada ainda vem matar os nossos filhos por isso essa utopia que voce tem de bonito nao resulta veja o resultado que ta ai , voce tem o direito a fazer o que quiser desde que nao ultrapasse a liberdade dos outros , se uma pessoa nao tem dinheiro para comer nao deve ter filhos , eu nao sei como as pessoas ajudam africa sabendo que a fome doenças vai-se prepetuar porque eles tem 10 crianças por pessoa em vez de incentivarem a nao terem mais filhos para finalmente terem uma sociedade boa.

  12. Daniel Duende Disse:

    Vamos por partes então, Sim…

    As minhas palavras, que você chama de utopias, são marcos mínimos de respeito aos direitos humanos. Se você acredita que o respeito aos direitos humanos é uma utopia, considero isso um bocado preocupante. O que você quer dizer, por exemplo, com “obrigam-nos a pagares-lhe casa comida e tudo”? Crê, por exemplo, que os necessitados o são por que o querem? Acredita na falácia liberal de que quem trabalha enriquece e que os pobres são os preguiçosos que não quiseram trabalhar para enriquecer? Acredita que todos tem chances? Estará chamando de preguiçosos então os africanos, nas costas dos quais — por meio da escravidão — Portugual enriqueceu explorando suas colônias? Estará chamando de preguiçosos aqueles que foram privados e roubados daquilo que tinham para enriquecer outros, que exploravam também seu trabalho? O que é que você chama de preguiça? Se você acredita que ser roubado, violentado e empobrecido simplesmente por que tinha riqueza é preguiça, deveria pensar então que seus filhos — que você teme que sejam atacados pelos “filhos dos pobres” — devem ser muito preguiçosos, afinal eles só seriam atacados pois tem coisas a serem roubadas, a serem cobiçadas. Pense nisso.

    Não é também, a meu ver, uma utopia respeitar as dificuldades e questões de pessoas que vivem em contextos que você não entende nem tem como entender. Você já andou pela África? Já estudou sua história fora dos livros que os maiores exploradores do continente africano escreveram? Já leu a história escrita pelos explorados, ou será que a história dos “preguiçosos que só sabem ter filhos” não te interessa? O mundo é mais complicado do que a rua calma que contemplas de sua janela européia, mas pode acreditar — a bonança que tens e temes que seja roubada foi construída com o sangue daqueles que agora deploras. Sente-se no direito de fazê-lo? Então não se surpreenda com a revolta daqueles que tão soberbos criticas agora. A violência social é em grande parte uma expressão desta revolta.

    E se você não sabe por quê as pessoas ajudam a Africa, talvez devesse entender um pouco melhor por quê a Africa é a Africa que hoje vemos. Terá sido sempre um continente pobre “cheio de coelhos preguiçosos”? Ou será que a pobreza, a guerra, a doença e a desgraça que hoje açoitam o continente africano tem, de muitas formas, algo a ver com a invasão, a colonização, a manipulação política e econômica e a exploração lá promovidas pelos colonizadores, missionários e emissários de Europa?

    E o que tudo isso tem a ver com o direito da mulher em decidir o que fazer com seu corpo? Como é que fomos parar de uma coisa na outra? Para mim parece simples: é muito fácil falar de um tema e esquecer da forma como ele se articula com tantos outros. Conhecimento, consciência, não são coisas fáceis de se obter. É por isso, pelo reconhecimento de nossa própria ignorância, que deveríamos saber ouvir mais do que falar. Pois a cada passo na direção que consideramos certa, podemos estar tropeçando em tantas mais outras questões que são bem mais complexas do que entendemos…

    E assim gira o mundo, Sim. E ele não gira à volta de nossos umbigos brancos, burgueses e ricos.

    Abraços do Verde.

  13. Daniel Duende Disse:

    Olá Pola,

    obrigado pelo apoio. Concordo plenamente também com suas colocações. É necessário que as pessoas abram os olhos para tendências que são seguidas e afirmações que são feitas inocentemente, mas que na verdade representam a continuidade da opressão de gênero em nossa sociedade (e em várias outras). O mesmo se aplica a questões raciais e sociais. Por vezes não enxergamos — por não saber ou por não querer ver — mas são justamente as coisas que achamos mais normais aquelas que são mais perversas.

    Abraços do Verde.




UPDATE:
E o debate continua, indo e vindo em alguns momentos, mas sempre chegando a algum lugar... creio eu...
Ou então é só impressão minha, pois parece ter gente que não entende e nunca vai entender que o buraco é bem mais embaixo...


  • Sim Disse:

    Como voce pode justificar alguem que nao tem dinheiro para si ter 3 filhos e eles morrerem a fome e pura ignorancia nao tenho pena de pobre nao , nao querem trabalhar tem filhos como meio de sustento , nao escolheram nascer assim mas escolheram continuar assim e eu nao sou rico.

  • Daniel Duende Disse:

    Justificar? A complexidade humana precisa ser justificada?
    Nem sempre as pessoas agem como nós, olhando de fora, consideramos mais racional. Isso não quer dizer que não tenham seus motivos. Quer dizer, no máximo, que nós não os compreendemos ou enxergamos.

    Mas eu fiquei impressionado com suas frases…
    “nao querem trabalhar tem filhos como meio de sustento , nao escolheram nascer assim mas escolheram continuar assim”?
    Você realmente acredita que “os pobres” não querem trabalhar, e tem filhos como meio de sustento? Pior ainda, acredita que eles escolheram continuar pobres? Você não pode estar falando sério, Sim.

    De qualquer forma, parece que essa discussão não vai a lugar algum. Você nem se deu ao trabalho de responder minhas perguntas. Sabe-se lá se sequer lê o que escrevo…

    Abraços do Verde.

  • Diviol Rufino Disse:

    A vida está acima de qualquer credo ou religião. Quando ela está em jogo, não importam as diferenças. O que precisa aumentar em nós é a busca de soluçõe criativas e sermos capazes de lidar construtivamente com a grande tarefa a que todos somos chamados: contruir um mundo solidário. As mulheres negras e pobres que continuam abortando são o espelho da degradação social a que chegamos, elas precisam ser amparadas no seu desejo de ser mães e não serem estimuladas - pela nossa ganância - a serem assassinas.

  • Daniel Duende Disse:

    Olá Diviol Rufino,

    Eu também acredito que a vida está acima de qualquer credo e de qualquer religião. Mas chamo a atenção para o quê estamos chamando de vida. Será ela meramente um fato biológico, sobrevivência e continuidade da vida biológica, ou estamos falando de uma vida completa, com dignidade, oportunidades de crescimento e de realização pessoal?

    Quisera vivêssemos em um mundo onde todos tem oportunidades de forma igual. Quisera vivêssemos em uma sociedade que recebe bem a todos, e onde todos podem encontrar apoio entre todos — uma comunidade sem preconceitos, bairrismos, exploração…

    Mas esta não é a nossa realidade. E na nossa realidade, muitas pessoas vivem — no sentido biológico — e morrem sem ter tido uma chance sequer de viver de forma digna, e sem nenhuma oportunidade de sair da situação limite onde nasceu e viveu. E é nesta sociedade, a sociedade em que vivemos, que o direito de escolha por parte da mulher e do casal se faz mais necessário. O direito de escolher se quer colocar no mundo um filho que, assim como você, não terá chances. O direito de escolher se pode arcar com mais uma boca para alimentar, mais um dependente para cuidar, mais uma pessoa para ver sofrer ou, pior ainda, para ter que abandonar.

    Se vivêssemos naquele mundo perfeito, provavelmente todas as pessoas também teriam perfeitos conhecimentos de métodos anticoncepcionais, e todos eles seriam 100% eficazes. Naquele mesmo mundo perfeito, todas as pessoas teriam amor e saúde interior suficiente para criar quantos filhos quisessem, e teriam todo o apoio para isso.

    Mas no mundo em que vivemos, com todas as suas guerras, toda a pobreza, toda a doença do corpo e da alma, e como toda a falibilidade humana, retirar do indivíduo o direito de escolher sobre a própria vida, e uma vida que possa vir a colocar no mundo, é um absurdo. É neste mundo em que vivemos, já que não vivemos nem sabemos de nenhum outro, que o aborto deve ser um direito de toda mulher.

    Se um dia vivermos em um mundo diferente, a gente conversa.

    Abraços do Verde.

  • Diviol Rufino Disse:

    Se a humanidade tivesse optado pelo aborto, priorizando a classe pobre, nós não teríamos conhecido a genialidade de muitos artistas, atletas, lideres mundiais de peso, jogadores do futebol brasileiro - que trazem inúmeras divisas para os clubes de vários países e empresas do mundo. Foi com esse discurso excludente que - não a muito tempo atrás - o mundo ficou estarrecido com um Hitler, um mussolini e tantos outros que ainda estão cm o poder de extermíno entre as mãos. O que precisamos mesmo é criar vergonha na cara, sairmos do nosso egoismo, da nossa indiferença, dos nossos medos de fundo narcisista, e estender a mão para quem mais precisa, criando políticas públicas adequadas, sistema de saúde garantido para todos, educação de qualidade, habitação e saneamento, - em suma -, formarmos uma geração nova de jovens politizados e conscientes e não deixarmos que muitos que estão no poder - os famosos ladrões de colarinho branco (muitos dos quais nasceram em berço de ouro!), aqueles que não roubam para comer mas para engordar suas contas em bancos do exterior, não metam a mão naquilo que é patrimônio de todos, ganhos honestos de milhões de brasileiros que - como eu e tantos - pagam seus impostos diretos e indiretos (e não são poucos!).
    Trabalhei muitos anos no Rio de Janeiro e conheci - graças ao meu trabalho - inúmeras pessoas de comunidades carentes que trabalham duramente para manter suas famílias na dignidade e na honestidade. Bandidos? Existem, como em todos os lugares. Morei no Rio 12 anos e nunca fui assaltado. Mas, em contrapartida (a poucos dias, na Europa, fui roubado por um grupo de jovens, brancos, ricos, drogados!) Não sou preconceituoso - diga-se de passagem - mas, fatos como esses nos convencem de que o que precisamos é de outra coisa: precisamos de mais vida, mais amor!

  • Sim Disse:

    Quando voce nao estuda e nao tem pais ricos , voce escolhe ser pobre , quando voce tem um emprego com um salario minimo e quer viver na segurança disso , voce escolhe ser pobre , quando voce tem filhos ja tendo pouco dinheiro ai assina sua sentença de pobre para toda vida , agora quando voce faz sacricicios para investir no seu negocio na sua vida e adbica de muita vida pessoal para ter uma boa vida no futuro ai nao escolhe ser pobre.

  • Daniel Duende Disse:

    Senhor Diviol Rufino, concordo plenamente com as necessidades sociais que apresentas em sua resposta. Precisamos mesmo de mais e melhor educação para nosso povo, melhores oportunidades para nossa gente, indiferente de classe ou cor da pele. Precisamos de mais segurança, mais e melhor atendimento de saúde, mais respeito e incentivo à cultura. Precisamos, sobretudo, de mais respeito pelo ser humano.

    E é por uma questão de respeito — respeito pela dignidade e pela soberania da mulher sobre seu corpo — que defendo o direito de escolha. Direito de escolha não significa estímulo ao aborto, como pode ter sugerido nosso comentador ‘Sim’, nem significa desvalorização da vida. Pelo contrário, significa valorizar muito mais a escolha livre que cada mulher poderá fazer — a de ter filhos em um contexto em que estes não são uma obrigação. Valorizará muito mais também a vida, vida desejada, que advirá da gestação escolhida e desejada pela mãe. Valorizará, sobretudo, o direito de todos a uma vida digna, neste mundo em que vivemos ou em qualquer outro.

    Precisamos de mais vida e mais amor, disso não há dúvida. Mas precisamos também sair de nosso pedestal de machos que enxergam o mundo apenas com os olhos do gênero que há séculos domina a cultura e a sociedade, e entender o que querem, e merecem, estas mulheres que chamamos de esposas, filhas, senhoras, meninas, empregadas, chefes, beatas ou putas, mas que dificilmente sabemos enxergar como aquilo que na realidade são — mulheres, com suas demandas, suas dificuldades e suas particularidades. Precisamos de mais respeito à mulher!

    Abraços do Verde.

  • Daniel Duende Disse:

    Caro(a) Sim,

    onde você vive todos aqueles que desejam estudar, tem a oportunidade de fazê-lo? Onde você vive, todos tem acesso a um emprego com ao menos um salário mínimo de remuneração e, mais do que isso, tem possibilidade de sonhar e ousar ir além disso? Onde você vive todas as pessoas tem acesso a informações sobre controle de natalidade, saúde reprodutiva e maternidade responsável? Todos tem acesso à educação, à saúde e aos direitos básicos de um ser humano? Isso tudo é muito bom, mas levando em conta que o mundo não é assim como parece ser no lugar em que você vive, acho que o buraco é bem mais embaixo.

    Mais uma vez sugiro que você enxergue um pouco além de sua janela. Algumas das coisas que dizes estão fazendo pouco sentido quando vistas da perspectiva de quem vive em lugares do mundo onde as oportunidades, o emprego, a educação e a saúde deixam muito a desejar…

    Abraços do Verde.

  • Sim Disse:

    Explique-me como pode alguem que passa fome nao tem condições ter 10 filhos e esperar um dia a ser rico que amor pelas crianças pode ter ?

  • Daniel Duende Disse:

    Você acredita que alguém que passa fome, por falta de dinheiro ou por falta de comida na região que reside, teve educação suficiente para refletir sobre isso? Acredita que conheça métodos contraceptivos? Acha que deveria, na falta de métodos contraceptivos, abster-se de atividade sexual? Acredita que as mulheres desta região tenham acesso a algum tipo de conhecimento sobre controle de natalidade? Em suma, acredita que estas pessoas são como você, pensam como você, e sabem o que você sabe? Por vezes, notar que se tratam de pessoas diferentes, muito diferentes, vivendo em realidades diferentes, muito diferentes, da sua, pode ajudar você a entender o que acontece. Foi isso que eu quis dizer quando te sugerí olhar um pouco além de sua janela, e se informar sobre as realidades que cercam pessoas em outros contextos.

    Abraços do Verde.

  • Sim Disse:

    Mas eu nao critico eles eu critico voces que em vez de ajudar e enviarmos dinheiro para africa ou gente pobre ai no brasil o mais importante seria natalidade e educação para o problema não se arrastar para sempre , porque se vamos ajuda-los com eles a terem 10 filhos e a multiplicação da pobreza e criminalidade e o mundo está como está por isso.

  • Daniel Duende Disse:

    Eu concordo com você, Sim, sobre a importância maior de se investir em educação e informação. Mas acho que a questão também não é tão simples assim. A que você se refere quando diz “em vez de mandar dinheiro para a Africa”? Que dinheiro, e de que forma está sendo enviado, e com que finalidade?

    Quanto ao Brasil, não sei se você sabe, mas no momento há um enorme investimento do governo por aqui para possibilitar as pessoas a saírem da pobreza absoluta ou progredirem profissionalmente, o que inclui ações de educação e infra-estrutura. Entre estas ações, inclui-se a informação a respeito de planejamento familiar e controle de natalidade. Além disso, nosso presidente é favorável à legalização do aborto enquanto direito da mulher e da família, mas a existência de uma bancada forte que se opõe a isso no Congresso impede que tal mudança legal ocorra no Brasil neste momento.

    Abraços do Verde.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Contra a Criminalização do Aborto

Recebí por email, e passo em frente por aqui (no texto abaixo há inclusive as informações precisas sobre a exibição extraordinária do filme "O Aborto dos Outros"):

---------- Forwarded message ----------


Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres!
Pela não criminalização das mulheres e pela legalização do aborto!
Em razão do Dia Latino- Americano pela Descriminalização do aborto, dia 28 de setembro, as entidades e organizações feministas abaixo assinadas convidam para o lançamento, no Distrito Federal, Frente nacional pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto":
CUT-DF e Sindicatos Filiados, Marcha Mundial de Mulheres – DF, CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Cidadãs Positivas, Sapataria: Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF, Coturno de Vênus, Fórum de Mulheres Negras -DF, Promotoras Legais Populares – DF, korpus krisis, Wendo -DF.
Dia 23/09 - terça-feira
Exibição do filme "O aborto dos outros", com a presença da diretora Carla Gallo
Local: Auditório do CEAN (607 norte, entrada pela L2)
Horário:
14h - Primeira exibição
16h - Oficina "batucada feminista"
19h - Segunda exibição
Dia 26/09 - sexta-feira
Ato com performance, batucada e panfletagem
Local: concentração na plataforma superior da Rodoviária (próx. semáforo)
Horário: a partir das 16h
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O Aborto dos Outros
(O Aborto dos Outros, Brasil, 2007)
Gênero: Documentário
Duração: 72 min.
Cotação: 9,1 (19 votos)
Diretor(es): Carla Gallo (2)
Estréia: 19.09.2008
SINOPSE
Vítima de estupro, uma menina de 13 anos aguarda no hospital os procedimentos para um aborto legal já autorizado. Grávida de seis meses, uma mulher casada concorda em interromper a gravidez a conselho médico, depois que exames constatam defeitos irreversíveis no feto. Também vítimas de estupro, outras mulheres, uma delas mãe de três filhos, debatem-se com seus dilemas religiosos, temendo castigo de Deus depois da intervenção. Empregada doméstica que recorreu a um remédio para provocar o aborto teve hemorragia intensa, foi parar num hospital. Acabou denunciada e sendo algemada na cama, além de enfrentar um processo. Vista sob o prisma de situações-limite, a maternidade de mulheres geralmente pobres revela aspectos solitários e extremos.
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MANIFESTO CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS MULHERES QUE PRATICAM ABORTO
EM DEFESA DOS DIREITOS DAS MULHERES!
Centenas de mulheres no Brasil estão sendo perseguidas, humilhadas e condenadas por recorrerem à prática do aborto. Isso ocorre porque ainda temos uma legislação do século passado – 1940 –, que criminaliza a mulher e quem a ajudar.
A criminalização do aborto condena as mulheres a um caminho de clandestinidade, ao qual se associam graves perigos para as suas vidas, saúde física e psíquica, e não contribui para reduzir este grave problema de saúde pública.
As mulheres pobres, negras e jovens, do campo e da periferia das cidades, são as que mais sofrem com a criminalização. São estas que recorrem a clínicas clandestinas e a outros meios precários e inseguros, uma vez que não podem pagar pelo serviço clandestino na rede privada, que cobra altíssimos preços, nem podem viajar a países onde o aborto é legalizado, opções seguras para as mulheres ricas.
A estratégia dos setores ultraconservadores, religiosos, intensificada desde o final da década de 1990, tem sido o "estouro" de clínicas clandestinas que fazem aborto. Os objetivos destes setores conservadores são punir as mulheres e levá-las à prisão. Em diferentes Estados , os Ministérios Públicos, ao invés de garantirem a proteção das cidadãs, têm investido esforços na perseguição e investigação de mulheres que recorreram à prática do aborto. Fichas e prontuários médicos de clínicas privadas que fazem procedimento de aborto foram recolhidos, numa evidente disposição de aterrorizar e criminalizar as mulheres. No caso do Mato Grosso do Sul, foram quase 10 mil mulheres ameaçadas de indiciamento; algumas já foram processadas e punidas com a obrigação de fazer trabalhos em creches, cuidando de bebês, num flagrante ato de violência psicológica contra estas mulheres.
A estas ações efetuadas pelo Judiciário somam-se os maus tratos e humilhação que as mulheres sofrem em hospitais quando, em processo de abortamento, procuram atendimento. Neste mesmo contexto, o Congresso Nacional aproveita para arrancar manchetes de jornais com projetos de lei que criminalizam cada vez mais as mulheres. Deputados elaboram Projetos de Lei como o "bolsa estupro", que propõe uma bolsa mensal de um salário mínimo à mulher para manter a gestação decorrente de um estupro. A exemplo deste PL, existem muitos outros similares.
A criminalização das mulheres e de todas as lutas libertárias é mais uma expressão do contexto reacionário, criado e sustentado pelo patriarcado capitalista globalizado em associação com setores religiosos fundamentalistas. Querem retirar direitos conquistados e manter o controle sobre as pessoas, especialmente sobre os corpos e a sexualidade das mulheres.
Ao contrário da prisão e condenação das mulheres, o que necessitamos e queremos é uma política integral de saúde sexual e reprodutiva que contemple todas as condições para uma prática sexual segura.
A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada e não uma obrigação das mulheres. Deve ser compreendida como função social e, portanto, o Estado deve prover todas as condições para que as mulheres decidam soberanamente se querem ou não ser mães, e quando querem. Para aquelas que desejam ser mães devem ser asseguradas condições econômicas e sociais, através de políticas públicas universais que garantam assistência a gestação, parto e puerpério, assim como os cuidados necessários ao desenvolvimento pleno de uma criança: creche, escola, lazer, saúde.
As mulheres que desejam evitar gravidez devem ter garantido o planejamento reprodutivo e as que necessitam interromper uma gravidez indesejada deve ser assegurado o atendimento ao aborto legal e seguro no sistema público de saúde.
Neste contexto, não podemos nos calar!
Nós, sujeitos políticos, movimentos sociais, organizações políticas, lutadores e lutadoras sociais e pelos diretos humanos, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um mundo justo, fraterno e solidário, nos rebelamos contra a criminalização das mulheres que fazem aborto, nos reunimos nesta Frente para lutar pela dignidade e cidadania de todas as mulheres.
ü Nenhuma mulher deve ser impedida de ser mãe. E nenhuma mulher pode ser obrigada a ser mãe. Por uma política que reconheça a autonomia das mulheres e suas decisões sobre seu corpo e sexualidade.
ü Pela defesa da democracia e do principio constitucional do Estado laico, que deve atender a todas e todos, sem se pautar por influências religiosas e com base nos critérios da universalidade do atendimento da saúde!
ü Por uma política que favoreça a mulheres e homens um comportamento preventivo, que promova de forma universal o acesso a todos os meios de proteção à saúde, de concepção e anticoncepção, sem coerção e com respeito.
ü Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto!
ü Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres!
ü Pela não criminalização das mulheres e pela legalização do aborto!
Frente nacional pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto

O Aborto dos Outros, exibição extraordinária e debate com a diretora

Não sei se podia contar, mas vai rolar uma exibição extraordinária do filme O Aborto dos Outros, ainda não estreado no circuito comercial brasiliense, seguida de debate com a diretora e com algumas figuras do movimento pelos direitos da mulher no DF.

O evento vai ser no CEAN, lá na Asa Norte, e a primeira exibição vai rolar lá pelas 14hs de amanhã, dia 23, e será seguida pelo debate com a diretora do filme.
Vai rolar uma segunda exibição às 18 ou 19 horas, não tenho certeza, mas não sei se vai rolar debate depois desta.

Prontofalei... :)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Eu sou a favor do direito de fazer escolhas sobre a vida.

Para começar o dia... ou melhor, a madrugada...

Você é contra o aborto?



A questão é muito mais simples quando é com os outros, quando não é real para você, quando você não viu o rosto e a situação de quem quer ou precisa abortar para continuar vivendo uma vida digna.

Ser Pró-Vida deveria ser sinônimo de respeitar o direito das pessoas de escolherem o que querem de suas vidas. Uma vida sem escolhas não é uma vida inteira. Em vez disso, aqueles que se dizem pró-vida só querem saber de se meter na vida dos outros, mesmo que esteja claro que não se importam realmente com aquilo que o outro, aquele que não se vê, que é só uma idéia, está vivendo. Por que não cuidam de suas vidas, e das vidas que podem ajudar a melhorar, em vez de se meter na vida de quem não tem nada a ver com eles?

Eu não sou dono da vida alheia.
Eu só posso escolher como viver a minha vida.
Por isso escolhi ser Pró-Escolha.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Católicas pelo direito de decidir" e o CMI de sempre...

Hoje tem artigo no CMI sobre a luta pelo direito de escolha (a respeito do aborto) e sobre as "católicas pelo direito de decidir". O artigo tem links legais, mas mais da metade dos comentários está lotada da usual tacanhice, dislexia e estupidez que grassa os comentários do CMI. De qualquer forma, achei que valia a pena chamar atenção para a matéria, já que o tema é relevante e me parece muito urgente.

Mas cá entre nós, meus amigos...
Toda ajuda é necessária à causa do direito de escolha, mas me soa um tanto esquisito quando seguidores da igreja católica não são completamente idiotas a respeito do tema (de fato, quando não o são a respeito de QUALQUER tema!). Talvez seja preconceito meu, já que estou acostumado a ver a idiotice associada aos católicos desde que me entendo por gente. Mas sempre há quem se supere na estupidez (mesmo não sendo cristão), e sempre há quem nos surpreenda quando dele nada esperamos.

Se as "católicas pelo direito de decidir" lutam pelo direito da mulher de decidir sobre sua vida e seu corpo, acho válido e bato palmas. Mas não achem que isso me faz admirar mais a religião pela qual se definem. Elas estão apenas fugindo da idiotice da maioria do rebanho e lutando por coisas reais. Isso para mim parece taaaão contrário aos atos daquela instituição cancerosa por elas seguida que até me faz perguntar por quê diabos elas ainda permanecem sendo (e se definindo) católicas...

Tem momentos em que eu realmente não entendo as pessoas.

Pronto, dei meus dois cents sujos.