Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Um dia e meio de Campus Party e...

...até agora não acho que tenha feito nada de útil aqui. Divertido, talvez, provocativo, quem sabe, mas nada de realmente útil. Mas sempre é tempo de mudar isso.

Mesas no Campus PartyOlhando meus posts de ontem, os achei meio bobos. Mas então entendi o que se passava. Eu estava empolgado, talvez empolgado demais, e talvez esta seja a palavra mais adequada para se descrever o meu dia de ontem no Campus Party Brasil. Foi empolgante, algo meio inebriante que fazia com que alguns de nós nem percebesse o quanto o evento estava desorganizado e nada estava realmente acontecendo como planejado, se é que algo realmente estava acontecendo. Mas hoje a empolgação já começa a desvanecer e o que nos resta é uma visão mais sóbria, quiçá mais clara e interessante, do evento.

Ao contrário de ontem, o evento hoje parece estar se desenrolando mais eficientemente. A todo momento os espaços para oficinas estão preenchidos e mesmo as palestras que parecem mais esotéricas conseguem arrebanhar algum público. A apresentação de Ronaldo Lemos sobre o Creative Commons, que aconteceu ainda agora, pareceu ser interessante para quem ainda não conhecia bem o tema, mas deixou muitos CCzeiros com a sensação de estar ouvindo mais do mesmo. Talvez isso tenha sido necessário. Talvez este seja mesmo um espaço para se introduzir o assunto, mas há quem tenha sentido falta de discussões mais avançadas sobre o tema.

Ainda agora a Marina Vieira passou aqui para avisar que está prestes a começar a palestra de Roberta Alvarenga sobre Second Life. Para quem gosta, parece que vai ser bacana. Eu ainda continuo preferindo meus velhos MMORPGs que rodam fácil (e gratuitamente) em flash no meu firefox. =)

Mas o problema da falta de computadores persiste. E foi pensando nisso que a Patinha teve a idéia de propor a campanha "troco cinzeiros artesanais por um laptop". Por falar nisso, a Patinha, antes avessa a blogueiros noticiosos, até está blogando sobre o evento (é por essas e por outras que amo essa mulher!).

Daqui a pouco vamos ver se articulamos um corte de cabelo comunitário com a Andressa (pq somos hippies, oras!), e mais algumas idéias vão sendo gestadas ao longo do dia.

A propósito, tive que fazer um flickr novo para mim, pois esqueci definitivamente a senha para o antigo. Este já é o meu terceiro flickr, e os outros dois foram perdidos pelo mesmo exato motivo. Duende lerdo!

Para terminar, uma reflexão: Se essa deveria ser uma "festa", por que é que é proibido beber, fumar, transar dentro das barracas (ou em qualquer outro lugar do evento) e, PORQUE é que todo mundo está falando o tempo todo em ganhar dinheiro (Até a palestra sobre o Second Life fala sobre como ganhar dinheiro no jogo!!!)? Será que vim parar em uma festa virtual em algum puteiro chique?

Ok... hora de rodar por aí.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

E o que anda falando o Global Voices em Português?

Uma rápida passagem pelos destaques da semana até agora no Global Voices em Português...

- Veronica Kohlova escreve sobre como Vladimir Putin prefere usar crianças (que sabe-se lá de onde foram retiradas) como seus cabos eleitoral do que colocá-las (ou deixá-las) nas escolas.

- Hamid Tehrani nos relata sobre as conversas que rolaram na blogosfera persa a respeito da prisão de estudantes iranianos que se envolveram em protestos anti-governo pela liberdade (principalmente das mulheres) e pela democracia.

- Juliana Hotisch fala sobre a Cúpula sobre Meio-Ambiente em Bali, energia nuclear e as opiniões verdes da África, enquanto Paula Góes (Suuuuper Paula!) captura pensamentos lusófonos otimistas sobre a Cúpula Europa-África.

- Paula Góes fala também da vitória do curta digital brasileiro "Laços" no concurso Project:Direct do Youtube, sobre uma foto chocante publicada no blogue PE BodyCount (que observa a segurança pública brasileira) e, por fim mas não sem menos classe, observa o bafon causado causado na lusosfera por uma marca de cerveja portuguesa que resolveu se identificar estupidamente com o segmento "hetero" do mercado.

- Juliana Parra escreve sobre o bafafá na blogosfera colombiana envolvendo o uso indevido em jornais e revistas de imagens licenciadas em Creative Commons. Este assunto ainda vai dar o que falar por aí.


Estas e mais outras você lê por aí na blogosfera, ou no Global Voices em Português.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

BNegão, música com filosofia e a cauda longa cultural...

Em excelente matéria para o Overmundo sobre o trabalho de BNegão e os Seletores de Frequência, Paula Martini dá umas boas pinceladas sobre o novo mercado de produção, divulgação e consumo (um termo que preferia ver transformado em usofruto ou coisa assim) de cultura.

"(...) O rapper é um dos criadores do Movimento Pelo Fim do Jabá, que mobiliza artistas chamando a atenção para a "política" das rádios comerciais de cobrar pela veiculação de músicas:

— O CD da gravadora não é mais acessível, e o preço do disco não tem razão de ser tão alto. Eles falam que é o preço da produção, mas o próprio marketing tem que pagar pra tocar, o que faz aumentar o orçamento do marketing e faz aumentar o preço do disco: é uma bola de neve louca. No fim, o que está em risco mesmo é a cultura nacional. Não é por um acaso que são sempre as mesmas músicas que tocam na rádio. A idéia de botar as músicas na internet vem da vontade de falar para o maior número de pessoas possível, desaguar mesmo nossa produção, já que o espaço nas rádios é ridiculamente limitado. Não fazia sentido segurar: quem iria comprar?

Além de tudo, BNegão não tem o perfil das rádios comerciais brasileiras, atualmente restritas a poucas emissoras agrupadas em rede: sua música não arrebanha multidões, não toca na novela das oito e nem é coreografada pelas bailarinas do Faustão. Alguma chance com as massas? Melhor apostar no crescimento dos mercados de nicho, fenômeno gerado pela queda nos custos de produção e distribuição propiciada pelas novas tecnologias — sem falar no fim da limitação de espaço físico (estoques e prateleiras, por exemplo) para uma cultura que agora circula sem suportes.

(A desmidiatização proporcionada pelo avanço tecnológico e pelo conceito de portabilidade vem se expandindo para bem além dos produtos culturais como música, literatura e cinema: o que dizer dos Linden Dollars do Second Life, senão que pode ser o início da desmidiatização da própria moeda e de tudo que ela pode comprar?)

Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, uma das publicações mais respeitadas em termos de inovação, publicou em seu livro "A Cauda Longa" (Campus/Elsevier) sua teoria que demonstra que o desenvolvimento tecnológico, ao tornar cada vez menos fundamental o meio físico, propicia a mudança de foco da cultura e da economia: os best-sellers passam a ter tanta importância no mercado quanto os produtos de nicho.

O que nos faz pensar em uma abundância caótica de possibilidades. Como separar o que é bom do que não presta para mim? É aí que Anderson fala da importância da "curadoria" de informações através da recomendação, agora exercida não somente pelos agentes "autorizados" (veículos especializados), mas sim por cada um de nós — através do boca-a-boca virtual dos blogs, redes de relacionamento e fóruns de discussão. A força da comunidade é, pois, fundamental para o sucesso de modelos de negócios baseados na Cauda Longa. Como diz o livro: "A primeira força, a democratização da produção, povoa a cauda. A segunda força, democratização da distribuição, disponibiliza todas as ofertas. Mas isso não é o suficiente. Só quando a terceira força, que ajuda as pessoas a encontrar o que querem nessa nova superabundância de variedades, entra em ação, é que o potencial do mercado da cauda longa é de fato liberado".



Mas, e aí?

Se, quanto mais a obra circula, maior é seu valor de mercado, cai por terra a visão tradicional do fonograma como produto final. Assim como se mostram ineficazes todas as tentativas de barrar a circulação de arquivos de áudio na rede. O fonograma se reconfigura como a mais eficiente peça "promocional" de um dos possíveis (e reais) produtos: a experiência da fruição artística ao vivo. Em conferência para agentes da indústria fonográfica mundial reunidos no MIDEM (Mercado Internacional de Música), realizado em Cannes no final de janeiro, Chris Anderson sentenciou para uma platéia obviamente relutante: "Tudo aquilo que está ligado ao formato digital será gratuito. Serão as outras experiências musicais, isto é, aquelas que não são duplicáveis até ao infinito, que vão ser pagas".

John Perry Barlow, co-fundador da ONG Electronic Frontier Foundation (EFF), defende em seu famoso artigo "The Economy of Ideas" que "a economia da informação, na ausência de objetos, será baseada mais no relacionamento do que na possessão". O artista, a partir da repercussão de seu trabalho na web, percebe que o suporte físico não mais se justifica e que o fundamental é conquistar seu público de forma sensível e inteligente. Segundo Barlow, no contexto das novas tecnologias, o dinheiro é ganho não com a música, mas sim através dela.(...)"

Vale a pena ir lá para ler a matéria inteira e, se você for overmundano como eu, dar também o seu merecido voto...


UPDATE:
O Zé Murilo acabou de me dar o toque de que a matéria ganhou destaque na sessão de Cultura Digital do site do Ministério da Cultura. Destaque mais do que merecido (e o pessoal do Minc continua sempre antenado!).
Parabéns para todo mundo... eeeeeeeeê! \o/ :D