Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

o reaparecimento do nartisan...

Os escritos perdidos do Manifesto NArtisan, conjurados pelo escriba Daniel Pádua em tempos distantes, foram redescobertos pela Su em seu misterioso disco rígido, e trazidos de volta à luz!

Nova vida e novo mojo fluem agora nos movimentos Metareciclagem.

UPDATE 02/02/2009:
O Manifesto NArtisan foi publicado no timeline do Metareciclagem. Colai por lá e vede, mermão.

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nArtisan
"...É o estado de espírito de uma pessoa que, agredida pelas estruturas autoritárias e centralizadoras, sente o impulso de construir caminhos alternativos, bases tecnológicas que sirvam de espaço livre para a ação desejada mas negligenciada pelas autoridades/comandos no poder.
O artesão de redes compactua com as autoridades/controles na medida em que, para obter uma base mínima de vida, precisa jogar na lógica das trocas com o poder estabelecido. Mas ele vive outra lógica – a do compartilhamento, o mutirão improvisado – e a sensação de que a rede pode libertar sua ação o empurra para fazer o que precisa, pelas próprias mãos. Na rede, onde o básico é gerado em colaboração autônoma e voluntária, onde as pessoas escolhem suas responsabilidades de acordo com seus sentimentos, o nartisan experimenta uma outra ética, menos permeada pelos preconceitos que impregnam as táticas de troca, que também contribui para movê-lo. Assim, a experiência da rede colaborativa, enquanto existe, alimenta a esperança do artesão por uma lógica diferente de convívio humano..."


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the nartisan manifesto

o manifesto do artesão de redes


versão 1.1

OUTLINE DO MANIFESTO
O artesão emergente
A rede conjurada
As táticas improvisadas
As ações sentidas
Os exemplos notáveis (as crônicas nartisan)
O despertar nartisan

O artesão emergente

Nartisan é a contração de networks' artisan, ou artesão de redes, se preferir. Ele é o impulso que move alguém para uma filosofia emergente de ação social disparada num estado de sensibilidade intensa e especificamente estranho às estruturas sociais de massa (escola, governo, igreja, indústria cultural, etc.): é o espírito de alguém cansado e agredido pela constante exigência de um raciocínio autoritário em suas relações, que revigorado pelas ações em rede em que mergulha, tende a empregar toda sua força na criação de novas tramas sociais. Novos emaranhados de interações descentralizadas, não-hierárquicas e emergentes, que mesmo durando um instante valem para o Nartisan mais do que uma vida de consenso, pela simples sensação de que seu olhar e sua expressão transformaram o mundo do outro. Mundo enquanto babel de mapeamentos psíquicos, que num jogo de sedução imprevisível, comovem e atraem. Destroem antigas associações e constroem novas redes.

O Nartisan vive marcado pelos carimbos imundos da instituição porque depende dela enquanto o jogo da sobrevivência é na base da troca. Por conta de sua fome e sede, o Nartisan precisa se torturar sob o machado que sempre pendeu sobre seu coração... pela mão chefe, do prefeito, do diretor de TV. Mas o Nartisan que se formou na brincadeira de roda da turma, na comunidade de programadores livres ou na ficção libertária de um sonho ou de um RPG cyberpunk, ele sente que o jogo pode seguir outra lógica. Ele sabe que a propriedade permite e expropriação. Que a rua é de todos e assim será enquanto durar o respeito mútuo nas brincadeiras. Seu único problema é que todas as ruas foram tomadas, e a maioria das outras pessoas preferiram esquecê-las a tomá-las dos ladrões. Para viver sua "outra lógica", o Nartisan torna-se um mago, um feiticeiro que na falta do espaço, cria suas "ruas" no tempo. Aproveitando as novas travessias para puxar assunto em pleno caminho, o Nartisan catalisa conversas que se tornam brincadeiras jogadas num ritmo diferente: o ritmo da passagem de cada um.

É o estado de espírito de espírito de uma pessoa que, agredida pelas estruturas autoritárias e centralizadoras[1], sente o impulso de construir caminhos alternativos, bases tecnológicas que sirvam de espaço livre para a ação desejada mas negligenciada pelas autoridades/comandos no poder.

O artesão de redes compactua com as autoridades/controles na medida em que, para obter uma base mínima de vida, precisa jogar na lógica das trocas[2] com o poder estabelecido. Mas ele vive outra lógica – a do compartilhamento, o mutirão improvisado – e a sensação de que a rede pode libertar sua ação o empurra para fazer o que precisa, pelas próprias mãos. Na rede, onde o básico é gerado em colaboração autônoma e voluntária, onde as pessoas escolhem suas responsabilidades de acordo com seus sentimentos, o nartisan experimenta uma outra ética, menos permeada pelos preconceitos que impregnam as táticas de troca, que também contribui para movê-lo. Assim, a experiência da rede colaborativa, enquanto existe, alimenta a esperança do artesão por uma lógica diferente de convívio humano.

A rede conjurada

A rede, o artesão sente como sendo qualquer espaço de interação onde suas ações são medidas e direcionadas apenas por ele mesmo, e não por outro elemento deste espaço. Na rede ele se joga em sua vontade e se responsabiliza pelo que acontecer. Responsabilidade diante de si mesmo, e não diante de algum outro. Para que, da sinceridade de seus atos, aprenda a combinar ações com os outros, também sinceros.

A rede pode ser vista como um conjunto de três partes... sua condição física, seu esquema lógico, e as próprias interações que se desenrolam sobre ela.

As táticas improvisadas

Na busca pela rede que suporte a interação ansiada, o artesão lança mão de todas as táticas [visão técnica] que a criatividade consegue conjurar. De sinais de fumaça, a copos de iogurte ligados por barbante, a computadores reciclados ligados em rede. Do lixo à comida plantada na sacada do apartamento. Não importa a tecnologia contando que sua demanda de sentimento seja resolvida.

Ao conjurar suas redes através destas táticas diversas, o nartisan percebe que o uso persistente de uma tecnologia enfraquece sua capacidade de criar novas redes, pois elas podem se desatualizar em relação às sub-redes que emergem em seu seio e ao seu redor. Técnica, meio, formato, são eternas variáveis com as quais o espírito nartisan brinca para imaginar pontes não-controladas entre as pessoas.

As ações sentidas

Usando as redes, o nartisan pode fazer coisas boas ou ruins para os que estão à sua volta. As ações desencadeadas numa rede podem ser muito diversas em vários aspectos.

Os exemplos notáveis (as crônicas nartisan)

Paulo de Tarso, grandes políticos e interlocutores, cientistas e inventores, improvisadores, etc.

O despertar nartisan

A condição nartisan emerge quando chegou a hora de você agir por conta própria, e se dá conta de que os instrumentos ao seu alcance foram conquistados há tempos e agora são oferecidos a você como uma forma de te controlar. Neste momento, a necessidade impulsionada pelo incoformismo acende a fagulha da criatividade, e o artesão enxerga instrumentos alternativos dispersos pelo espaço, ignorados pela autoridade/controle. E através suas técnicas improvisadas faz acontecer o que busca.

Muitas vezes diante do controle das coisas que queremos usar, deixamos para lá porque a necessidade da ação não era imensa. E pouco a pouco, este comportamento nos domestica. O espírito nartisan parece algo cada vez maiss distante de nossas reais personalidades. Mas ele ainda está lá.

Mexa essa bunda gorda e crie suas redes. Encontre os instrumentos alternativos e crie as táticas de que precisa. Seja um camaleão tecnológico. Um ciborgue movido pela própria poesia.

[1] o artesão não é movido pela destruição da autoridade, mas pelo vislumbre da liberdade de agir a seu modo.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Newsletter do Overmundo

O Overmundo, provavelmente o maior site colaborativo de Arte e Cultura Brasileira ou feita por brasileiros, está lançando agora uma newsletter mensal com o fim de promover mais ainda os conteúdos publicados por seus milhares de colaboradores espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

A primeira newsletter é assim:


newsletter n°1 • abril de 2008 www.overmundo.com.br

Esta é a newsletter mensal do Overmundo, que reúne uma pequena amostra da produção cultural produzida e destacada no site colaborativo por gente de diversos estados. Ela é enviada a pessoas dedicadas à difusão de cultura de todo o Brasil.

Pano pra 'mangá'
Japoneses caem no samba no carnaval, enquanto brasileiros praticam cosplay e mergulham na leitura do mangá. No ano do centenário da imigração japonesa no país, textos, vídeos e imagens de todo o Brasil (e também do Japão) mostram interessantes trocas culturais.

Confira ainda:
  • A "Trilogia da Diáspora" dos rappers do grupo paulista Z'África Brasil em som e texto.
  • As transformações sonoras resultantes das migrações populacionais, nos podcasts Fluxos Musicais.

O 'pixo' e o 'xarpi'
Pichadores organizam festival, são tema de documentário e se mobilizam: "Ilegais sim, marginais não!", contam a João Xavi.

Brasil sim, Brasil não... Fronteiras amazônicas
A complicada relação do homem com os limites físicos e simbólicos na floresta, em texto de Talita Ribeiro. E uma nova cartografia social, por Thaís Brianezi.

Giro gastronômico
O açaí sem granola no Amapá, o sanduíche x-caboquinho em Manaus (AM), bolinho de arroz de dona Mãezinha em Santo Amaro (BA), o sobá no MS (e sua versão paulista), o pitú de Piranhas (AL)... Só tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca!

+ streaming & download

PetrobrasBrasil - Um País de todosMinistério da Cultura

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Conversas: Sobre o (mau) uso político da Wikipedia...

Um papo de GmailTalk que ficou interessante...

3:21 PM
Rodrigo: bacana, nao sei se tem relacao a seu trampo, mas como fica a questao da wikipedia, com essas acusacoes de alteracao de conteudo por parte de grupos economicos/sociais ?
me: Bem... não tem a ver diretamente com o meu trampo, embora as implicações indiretas sejam grandes.
o GVO e a Wikipedia funcionam de forma um bocado diferente,
mas usamos conteudo da WP de vez em quando.
3:22 PM E estas acusações fazem sentido. é um problema que eventualmente aconteceria quando se fala de uma plataforma de colaboração aberta e anônima -- o do uso político deste espaço livre.
3:23 PM acho bem possível que as acusações sejam verdadeiras, mas acho tb que é possível que haja um interesse "desleal" do pessoal das outras enciclopédias não livres em "pixar" a Wikipedia, que tá "roubando" mercado delas.
em suma. é complicado....
Rodrigo: ve alguma saida, para a situacao ?
me: e é um grande teste para a comunidade da WikiPedia, mas eu acredito que eles conseguirão vencer este desafio também, como venceram outros desafios que apareceram no passado.
há saídas sim.
3:24 PM algumas delas dão alguns passos para longe da proposta "aberta e livre", outras são mais complexas...
acho que um passo natural e imediato seria assumir um maior controle sobre quem altera os conteúdos, e se ter uma maior vigilância para tentar evitar estes casos.
3:25 PM mas em última instância, vc sabe tão bem quanto eu que a imparcialidade é uma falácia.
Rodrigo: mas tirar a proposta eh igual assumir que nao rola um ambiente assim, livre. Visto que a propria comunidade, estraga.
me: Sempre haverá um viés, e todo viés é inerentemente valorativo, moral e político.
Rodrigo: (e deve ser)
me: Bem. Eu acho que recuar não é assumir que não é possível ter uma comunidade aberta.
3:26 PM Trata-se apenas de assuir que isso não é fácil, e que é necessário um maior amadurecimento do projeto.
e é claro que a comunidade ESTRAGA na mesma medida que a comunidade também FAZ a wikipedia. Lidar com gente não é fácil.
muitos idealistas da cultura livre se esquecem disso.
minha experiencia no Overmundo me ensinou que lidar com gente vale a pena, mas é uma das coisas mais dificeis que existe.
é coisa para profissionais.
3:27 PM demanda experiencia, prática, método, e muito bom senso.
Rodrigo: sem falar da paciencia.
me: vale a pena a luta pra fazer funcionar, mas é dolorosa, longa e meio frustrante às vezes.
sim... muuuuuuita paciencia.
Rodrigo: mesmo pq as mudancas nao sao imediatas
me: isso mesmo.
logo, os otimistas patológicos podem estar meio melindrados pelo fato das coisas não serem tão simples.
3:28 PM e os pessimistas podem estar felizes com os tropeços da Wikipedia.
mas eu vejo que este é apenas um processo normal de amadurecimento, que não só é um grande estudo de caso a ser contemplado por todo mundo que é do ramo, como também é uma excelente experiência.
3:29 PM em suma... tudo está bem, mesmo que esteja fedendo um pouco agora. :)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Overmundo ganha o Prix Ars Electronica

O Overmundo, aquele nosso velho conhecido espaço/comunidade colaborativa sobre Cultura feita no Brasil ou por Brasileiros, é o ganhador de 2007 do prêmio Prix Ars Electronica na categoria Comunidades Digitais.

Copiando a notícia que está no site do Ministério da Cultura:

23.05.07
Site brasileiro Overmundo vence troféu Golden Nica
Da Redação - Folha de São Paulo

O troféu e 10 mil serão entregues em setembro, no Ars Electronica Festival

O site Overmundo (www.overmundo.com.br ) será anunciado hoje, na Áustria, como vencedor do Prix Ars Electronica na categoria comunidades digitais. É a primeira vez que uma página brasileira ganha o troféu Golden Nica, dado pelo Ars Electronica Center e um dos mais importantes do mundo na área.

A Wikipédia, enciclopédia virtual, venceu a mesma categoria em 2004. Em outras categorias, já foram dados Golden Nicas para filmes como "Toy Story", e iniciativas como a Creative Commons, licença que flexibiliza os direitos autorais. O troféu e 10 mil serão entregues em setembro, no Ars Electronica Festival.

"Não é um prêmio importante só para o Overmundo, mas para o desenvolvimento de projetos de internet e softwares livres no Brasil", afirma o antropólogo Hermano Vianna, coordenador do site ao lado de Ronaldo Lemos, Alexandre Youssef e José Marcelo Zacchi.

O dinheiro do prêmio deverá ser usado, segundo ele, em formas de tornar o código do Overmundo mais fácil, para que outras comunidades possam se valer dele -sem pagar.

O Overmundo superou 408 concorrentes. Em todo o prêmio, foram inscritos 3.374 projetos de 63 países. "Não conheço um outro site que discuta a diversidade cultural de um país com as ferramentas que utilizamos", diz Hermano.

O site entrou na rede em março de 2006. Editado por Helena Aragão, tem correspondentes em todos os Estados brasileiros e é aberto a colaborações de visitantes. Os textos mais votados ganham destaque no site, que no último mês recebeu cerca de 670 mil visitas.

Este não é apenas um reconhecimento importante para toda a comunidade (além de seus idealizadores e da galera que trabalha duro com alegria lá no escritório do Overmundo). É um sinal de que estamos todos em um bom caminho, e que apesar das dificuldades várias é possível fazer um espaço colaborativo de agregação/discussão/difusão de produção cultural totalmente baseado em uma comunidade de colaboração.





É uma vitória, mas também é só um começo de história, como diz o próprio Hermano Vianna em seu post sobre o prêmio publicado no Observatório do Overmundo:
" (...)Vários de nossos ídolos (pessoas e projetos) já ganharam o Golden Nica. Entre eles: Linus Torvalds (Linux), Neal Stephenson, Chris Cunnigham/Aphex Twin, Industrial Light and Magic, Ryuichi Sakamoto, Toy Story, Carsten Nicolai, Creative Commons etc. etc. O Prix Ars Eletronica existe desde 1987, mas o prêmio para Comunidades Digitais é bem mais recente: está na sua quarta edição. Na estréia dessa categoria, em 2004, a Wikipedia recebeu o Golden Nica. O Overmundo fica totalmente honrado e alegre de estar em tão boa companhia. O prêmio, que é de toda nossa comunidade de colaboradores (sem a qual o site não existiria - e não falamos isso retoricamente, nem de modo figurado), tem também um significado maior: incentiva que o mundo perceba a criatividade brasileira também para desenvolver novos projetos de internet, que podem servir de inspiração para outras culturas.

Mas claro que as honras do Golden Nica não vão nos fazer acreditar que nosso trabalho está completo: ficamos apenas mais confiantes de que tudo que foi feito até agora valeu a pena, e ganhamos mais energias para enfrentar os desafios que transformarão o Overmundo numa ferramenta cada vez mais útil para divulgar, diponibilizar e debater a imensa variedade da produção cultural do Brasil e de comunidades brasileiras espalhadas pelo planeta."

Quem ainda não conhece o Overmundo, chegue junto e veja com seus próprios olhos como é que funciona, e o quanto é bacana.
Ainda iremos muito longe. Você vem junto?

(a dica foi do DPadua)