Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Jisuis! Quem é que gosta dos bares brasilienses fechando cedo?

Eu acho completamente absurda a lei que obriga os bares de Brasília a fechar mais cedo. Não é só porque sou boêmio desde a adolescência, chegado a ficar em bares desfiando longas conversas sobre tudo e nada com meus amigos até altas horas da madrugada. Isso é apenas parte do problema, para mim e para várias das pessoas que conheço. Há também um sentimento estranho de que esta lei é o interesse de poucos se sobrepondo à vontade e aos direitos de muitos. Quem tem a perder somos nós, brasilienses que gostam de bares, os donos dos bares, a cultura e a cidade.

Não há muito para se fazer em Brasília exceto beber com os amigos em bares. Temos poucas festas, para os poucos públicos de sempre, e as mesmas andam cada vez piores. Temos poucos museus, e nem todos eles sequer tem um acervo. Nosso teatro é uma comédia de quase inexistência em si só, embora não falte boa vontade da classe artística brasiliense. Quem não gosta de filmes enlatados americanos tem poucas opções. De fato, quem não gosta de enlatados NEM de pseudo-intelectuais de nariz em pé, não tem NENHUMA opção cinematográfica e cineclubista decente nesta cidade. Nossos clubes parecem asilos e a maior parte dos brasilienses não dá o menor valor às nossas muitas áreas verdes e pilotis. Só nos resta então beber.

Com os bares fechando cedo, Brasília vira uma cidade fantasma às 2 da manhã. Pior do que isso, vira uma cidade onde cada vez menos há opções de diversão. Há quem diga que o melhor é ir embora daqui. Outros, tentam se acostumar. Talvez melhor mesmo seja tentar encontrar Jesus e virar evangélico (estes, os grandes vilões por trás de quase todas as leis estúpidas da capital federal). Se continuar assim, em pouco tempo a única diversão da cidade será ir à igreja.

É nessas horas que eu fico feliz por adorar meu videogame e por jogar RPG. Mas é uma pena ver a cidade que eu nasci e cresci virando um túmulo de si mesma. Perde a cidade e uma boa parte dos cidadãos. Perdem os turistas que cada vez menos tem o que fazer aqui e não voltam mais, perdem os comerciantes e donos de bares, perde a cultura da cidade -- que como em qualquer lugar sempre fervilhou na noite. Quem ganha com isso? Será que Jesus me explica?

4 comentários:

metal disse...

Jesus não explica,
Jesus salva!

=P

Lu Monte disse...

Uma medida horrível, mesmo. Se a população não gostasse dos bares, não haveria tantos e tão grandes (inclusive invadindo área pública, mas essa já é outra história).

Perdemos mais uma forma de convivência com os amigos. Levando-se em conta que muitos de nós moramos em "apertamentos", com paredes tão finas que uma respiração mais forte já é motivo de reclamação pelo vizinho, o que nos resta?

Daniel Duende disse...

Ó metal... será que ele nos salva então desse fã-clube horroroso que ele tem? Quero maus bares abertos madrugada adentro de novo...

Abraços, fi.

Daniel Duende disse...

Pois é, Lu. O que nos resta, então?
Acho que estão tentando estrangular a vida da cidade...

Pelo que vejo esses caras fazendo por aí, acho que vão acabar conseguindo.

Espero que essa lei patética caia por terra logo. Mal vejo a hora de poder novamente virar noites em bares.

Abraços do Verde.