Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Counter-Strike e maternidade saudável.

Fantástica fala de uma colaboradora do Metareciclagem na lista de discussão da galera metarec.

2008/1/22 eiabel lelex <eiabel.lelex@gmail.com >:
Gurizadinha,
eu, enqto mãe de jogadores de CS, quero declarar minha total indignação para com a determinação do Ministério Público http://loucosdoblog.blogspot.com/2008/01/counter-strike-proibido.html .
quero declarar, tbém, que já fui contrária ao jogo, em especial por tratarem terroristas os que usam kafia... mas a vida me ensinou que somente com dialogo e compreensão a gente supera as dificuldades aparentes, ou seja, fui prá lan house com as crias devidamente vestida com minha kafia, causou maior surpresa na gurizada que se deu conta que terroristas somos todos nós, independente da roupa, aparencia que temos no momento... também aprendi com as crias, nos jogos de CS, que no universo dos games os suportes tecnologicos se constituem não apenas em espaços de elaboração de conflitos, medos e angustias, mas também de sociabilidade, prazer, divertimento, aprendizagem, subjetividade, ressignficação de desejos, e que não levam, necessariamente, a atitudes hediondas e socialmente inaceitáveis. é impressionante a capacidade de aproximação, de forma lúdica, prazerosa e atrativa que tem essa função de games, em lan houses, especialmente, tu chega, guri ou guria já se aproxima, sem nunca ter te visto, mas o fato de saber que vais jogar o CS, já é motivo prá te ter como um amigo, um parceiro...
E, como sempre me diz o Ariel, cada vez que faço cara de espanto frente a quantidade de tinta vermelha que espirra na tela: "é só um jogo, mãe. só quem tem nada na cabeça pensa em sair fazendo isso por aí!"
é fundamental analisar a violência mediante os aspectos sociais, econômicos, culturais, afetivos, já que este fenômeno se constitui em uma linguagem que o sujeito utiliza para dizer algo. os jogos eletrônicos deveriam ser explorados principalmente nas escolas, pois possibilitam a construção de conceitos vinculados aos aspectos sociais, cognitivos, afetivos e culturais.
para quem ainda não sabe, o MP existe para defender os interesses da sociedade, ocorre que esse mesmo MP, ainda não se pronunciou em defesa da sociedade em relação a determinação do juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9 Juizado Especial Criminal do Rio http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/a_ultima_do_judiciario_parte_328.php
estou me sentido impotente... queria fazer alguma coisa que revertesse essa situação... mas sozinho ninguém faz nada.
besos
lele
pela sinsitra, sempre!

Acho que depois dessa, nem preciso mais falar do assunto... por agora.

2 comentários:

eiabel.lelex disse...

então, Daniel, és tu o famoso Duende, hehehe. muito prazer.
grata pela publicação do meu email... mas, eu ainda estou inquieta... sei lá, mas ainda acho que a "sociedade" deveria se manifestar... o mp existe para defender os interesses da sociedade, não para determinar quais os seus interesses... tem essas petições on line, tem muita gente acima dos dezoito anos que jogam CS, enfim, dar ao menos um bafão na nuca desses sujeitos que se sentem deuses ao ponto de determinarem o que é bom ou mal para todos... por favor... ainda acho que a gente tem se juntar e botar a boca no trambone...tá certo que todos somos iguais perante a lei e que a lei não é igual perante a todos, mas querendo ou não, fazemos parte dessa tal sociedade e tbem temos nosso direito de consumidor... é uma palhaçada, as pessoas que falam na telinha "defendendo" a ação do MP é tudo tecnocrata, gente que não sabe nem pilotar mouse...desculpe o preconceito, mas estou muito indignada.

Daniel Duende disse...

Olá Lelê. Eu sou o Duende. Fico lisongeado de vc dizer que sou "famoso". Espero que seja uma boa fama. :)

Estava conversando ontem com o DPadua e com o pixel, e comentei sobre seu comentário. Eles elogiaram você interminavelmente. :)

Concordo com o que você diz a respeito da função do MP em defender os nossos interesses e direitos. Infelizmente, acho que estes "interesses" e direitos são coisas um bocado difusas em quase todas as situações. Os interesses de um esbarram nos do outro, grupos competem por interesses iguais ou opostos, e mesmo que o Ministério Público se interessasse por nossos reais interesses, acho que a questão seria bastante complicada.

A verdade é que só quem sabe de nossos interesses somos nós, e nos "enfiar" em baixo de uma instituição que "apenas em tese" defende nossos interesses parece ser uma forma de nos desestimular a lutar pelo que é importante para nós. Acho que nos faz bem desmascarar esta falácia. O MP cuida dos interesses públicos que interessam a certos grupos, e o resto não importa. Quem deve lutar por nossos interesses somos nós mesmos. Mobilização, espalhar idéias de autonomia, conversar e buscar formas efetivas e reais de ação em prol de nossos interesses. Isso funciona. Esperar que os "tecnocratas" nos defendam é a mesma coisa que esperar papai noel.

Acho que concordamos, não?

Agora a pergunta é: o que fazer, na prática?


Abraços do Verde.