Daniel Duende é escritor, brasiliense, e tradutor (talvez nesta ordem). Sofre de um grave vício em video-games do qual nunca quis se tratar, mas nas horas vagas de sobriedade tenta descobrir o que é ser um blogueiro. Outras de suas paixões são os jogos de interpretação e sua desorganizada coleção de quadrinhos. Vez por outra tira também umas fotografias, mas nunca gosta muito do resultado.

Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Search Engine: ...
Search Words: orkut


e todo mundo continua vindo parar no Alriada Express por conta das buscas pela palavra Orkut...

Eu não reclamo :)

“internet is about conversation, not information,
like sex is about intimacy, not penetration”


a informação faz parte da conversa, ou não.
a penetração... (you've got the meaning).

Realidade Social
O telecentro Banco do Brasil/Sampa.org instalado na São Paulo metropolitana na semana passada foi invadido e roubado. Roubaram tudo de valor que lá havia, computadores et al., como noticia o Paulo Bicarato, ecoando notícia do Dalton. Olha só...

"Inauguramos um telecentro em parceria com o Sampa.org e o Banco do Brasil na sexta-feira passada.
Hoje, hdhd me dá a triste notícia de que foi roubado no final de semana.
Fico pensando nas máquinas pintadas, na oficina de produção, no servidor rodando direitinho, nas crianças que invadiram a sala e ficaram jogando...
Eu sei.
O processo é lento e o Capão é um retrato da realidade brasileira.
Virou pó.
Na boa, não vamos deixar os caras na mão. pensemos..."


O que penso a respeito está comentado em ambos os posts (tanto no blog do Bica quanto no do Dalton), mas para os preguiçosos, eu reproduzo aqui:

“É, é triste pra caralho que isso tenha acontecido. Triste, mas não completamente supreendente. Em qualquer iniciativa social ativa “in loco” existe esta possibilidade de confronto com os residentes da área que já foram tão “torcidos” por sua realidade que preferem tomar para si o que puderem em vez de acreditar em projetos que possam ajudá-los.

Aliás, o “Tomar para Si", a lei de Gérson, não é justamente o pensamento que criou toda esta situação em que eles se encontram? O problema de paradigma é real, e não pode ser deixado de lado. Ao mesmo tempo que temos que descobrir modos de realizar um trabalho de real eficácia em prol da inclusão digital/social também temos que estar cientes da posição social/paradigmatica em que se encontra a população alvo. Trocando em miúdos, um projeto social/cultural sério e bem intencionado AINDA é um alvo pois esta é a realidade do local.

Fico preocupado em pensar formas de se lidar com isso. Trancar os centros e torná-los cidadelas dentro das cidadelas vai no sentido contrário de toda a proposta. Mas deixá-lo aberto, como é a proposta, o deixa vulnerável. A conscientização (e efetivo apoio) da população leva tempo. As autoridades policiais não são capacitadas a defender os centros…

O que deve se fazer então? Eu não tenho as respostas, mas insisto na importância da pergunta.”


Quando você vai salvar alguém que está se afogando, você corre o risco de se afogar também, vencido pelo desespero da vítima...
Está aberta a discussão. O que se pode fazer para evitar que os centros da Casa Brasil e dos Pontos de Cultura sejam invadidos e roubados por membros da comunidade?

UPDATE:
A discussão a respeito está rolando lá no blog do Dalton.
Vale a pena passar lá e deixar sua idéia.
É assim que funcionam as coisas...

Elegia ao Grande Todo

Vou-me embora, volto com a noite,
esta minha grata companheira separável.
Selados estarão nossos destinos então.
Verdadeiros guerreiros seremos ao nascer do dia.
Do Grande Todo teremos todas as partes,
de tua alma terei o vislumbre
e aos meus espíritos irmãos saciarei

Fica comigo esta tarde
e vamos ver o sol fugir com medo do escuro.
Vomos virar a cortina do sonhar pelo avesso.
Estando vivos, morreremos, para renascer mais um pouco.
Estando aqui, iremos embora, apenas para voltar.
Que o vento do outono sopre este frio
e dispa a paisagem do negro pó da mentira.

Dancemos à nudez do próximo e à inteireza de nossa carne,
festejemos com cânhamo e álcool à tua ebritude,
façamos das trevas refúgio de um pouco de delícia.
Então o tempo construirá pontes com o nosso gozo,
construirá estradas e vícios com nosso sangue, enfim...
Fica comigo esta tarde
e fuja com o sol se conseguir.

Daniel Duende, 05.10.1994
(com adaptações)

O texto oficial é oficialmente muito chato. Moribundas, pregadas à cruz da forma estática, as palavras não cantam nem encantam mais.
Eu odeio textos oficiais, pois eles na maior parte das vezes não dizem nada.
Acima de tudo, texto oficial não dá tesão...

Por que é que não podemos escrever de uma forma viva?
Ninguém é obrigado a saber escrever, mas os analfabetos poéticos deveriam reconhecer suas limitações
e deixar a palavra escrita a cargo de quem tem amor à palavra.

O resto é silêncio...

domingo, 29 de agosto de 2004

Os Cavaleiros da Inclusão Digital,
Força Tarefa da Colina do Urubú...




ZéMura, Metal, DPadua e Duende,
um final de semana,
quatro computadores,
alguma cerveja,
macarrão, lasanha,
maravilhas de queijo,
risadas, aprendizados, bagunça,
camas desarruamdas o dia todo,
trabalho à vontade, com vontade,
por vontade e por ideal.
Foi um final de semana,
e havia cheiro de criação
e vontade e amizade,
de mentes insanas arquitetando
a cura de um mundo que esqueceu
como ser feliz, e também tinha cheiro de
poeira e de chuva para acabar com a poeira...

É assim que se vive por aqui.

P.S. There is no spoon, ice frog :)

sábado, 28 de agosto de 2004

Gatos...
um conto miado por Daniel Duende em homenagem à mais nobre das gatas...

este conto é uma homenagem à gata Lotus, foto por Zoid CrazymanOlho à minha volta, procurando aquela gata. Não posso perder ela agora... Desde que a vi, gata perdida entre os blocos, eu a quis. Fico atento a cada movimento, cada sombra. Esse jogo de perseguição, tão antigo, é um tesão. Não posso perder ela agora, e desde que cruzamos nosso olhos nesta noite, eu soube que ela também não queria ser perdida. Ela quer ser desejada, perseguida, alcançada e tomada. Eu vou achá-la. Ah, se não vou...

Corremos entre blocos, ora eu a deixava ganhar distância, ora ela se escondia para que eu a achasse. Este é o nosso jogo. Eu a perdi depois dessa curva e... Não, ela está ali! Meus pelos se eriçam quando vejo seu corpo longo e ágil correndo. Minhas pernas se esticam na corrida, minha vontade se alongando a cada passada. Cruzamos dois blocos, um estacionamento, um parque - correndo, correndo, até que a alcanço. Sinto sua respiração cansada combinando com a minha. Nossas peles se chocam com força quando pulo sobre ela. Rolamos sobre a grama seca. Ela é minha gata, eu sou o gato dela, agora. Sobre a grama, entre os blocos, sob o céu e tudo mais, me coloco dentro dela. Alí roçamos e cheiramos, lambemos e gememos... e gememos... gememos.

Uma janela se abre sobre nós. Um grito, um xingamento, uma pedra de gelo que é jogada em minhas costas - estragam tudo, doem. Alguém joga cubos de gelo sobre nós e nos chama de gatos safados, grita que quer dormir... Corremos por instinto de sobrevivência, em busca de abrigo do perigo, para lados contrários. De meu esconderijo sob um carro posso ver o gelo derretendo sobre a grama que esquentamos. Posso ver a janela sendo fechada e alguém que ruma de volta para o sono entediado. Posso ver a noite se esgueirando sobre o para-choque do carro, mas não posso ver a minha gata. Nós nos perdemos nesta noite...

Porra! Será que humanos não entendem o tesão?


MEOW!!!

...a vida imita a arte imita a vida...
por que é que os trechos de meus contos sempre me lembram de coisas que acontecem depois que os escrevi?

"Sálvia sofreu um acidente de bicicleta. Na verdade não era ela que estava sobre a bicicleta, mas o terrível atropelamento resultou em um dedo quebrado e em um nariz novamente quebrado. Digo novamente, pois ela já o havia quebrado certa vez ao abrir a porta de seu quarto na própria cara. Antes que você pense, ela não era assim tão idiota freqüentemente. Apenas quando resolvia tomar ácido e ouvir kirtangs indianos alto demais em noites de lua nova... "
(Um trecho de "A Orquestra Maragogy para os Muito Ocupados", meu conto sem fim...)

É impressão minha ou há um certo cheiro de lobo nesta Sálvia?

quinta-feira, 26 de agosto de 2004

uma vez blogueiro,
sempre blogueiro.
blogueiro eu sempre hei de ser.
é o maior prazer poder blogar
seja na terra, seja no mar,
blogar, blogar, blogar,
uma vez blogueiro
blogueiro até morrer :)

(uma homenagem idiota ao meu time, e ao prazer de blogar)

Brutus vai para a Oficina

Hoje, antes do trabalho, fui até meu carro (largado na 302 sul, incapaz de se mover de lá) e chamei um guincho. No curto trajeto da 302 sul até a 714 norte me lembrei das outras (muitas) vezes que passeei de guincho. Eu curto andar de guincho, não sei por que.

Cheguei na oficina e tive boas notícias. O problema era só mesmo o carburador. Vou morrer em APENAS R$600,00 (eu digo APENAS, pois por uma noite pensei que poderia ter estourado o motor do carro, depois de ver o óleo vazando pelo topo do motor. Não era nada, apenas 6 parafusos frouxos que permitiram que o óleo vazasse e impediram que o tampo do motor estourasse.). Amanhã o Brutus já deve estar de volta às ruas...

No caminho de ônibus até o trampo me peguei pensando "puxa, esta é uma cidade tão bonita para se andar de ônibus... pq é que eu só ando sempre de carro?". Pensamento anotado... ;)

Tem fogo?

Enquanto na Holanda você pode comprar o seu baseadinho no seu Coffee Shop predileto e fumar em paz, aqui em Terra Brasillis há cada vez menos lugares onde se possa fumar... o seu Marlboro.

Mesmo na rua, andando após o almoço, vejo as pessoas olhando desaprovadoras para a minha fumacinha. Daqui a pouco só poderemos fumar nosso cigarrinho e conversar dentro de Coffee Shops aqui no Brasil.

E o baseadinho?
- Mão na cabeça garoto!

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

Vagas para tratamento de câncer-USP
Uma amiga do Orkut passou pra mim (e pra todo o resto da lista dela). Como eu sou contra o SPAM mas ao mesmo tempo empatizo pra caramba com as pessoas que tem câncer, eu resolvi postar aqui a mensagem. Repassem, do jeito que quiserem, para quem vocês conhecerem...

"Voluntários USP - Vagas para Tratamento de Câncer

SOLIDARIEDADE!

Repassem, pois sempre podemos ajudar alguém !
A Dra. Luciana Cini, está colocando a disposição vagas para tratamento de câncer. Se alguém souber de alguém que necessite deste tipo de tratamento
é só ligar para ela.
Amigos, estar doente, já é horrível. Imagine estar com Câncer Gástrico e
não ter convênio ou meios para realizar o tratamento.
Por amor, repassem esta mensagem.
Dispomos de 15 vagas para pacientes com Câncer de estômago,esôfago,duodeno e intestino.
Tratamento completo, na Gastrooncologia, com Dr. Fonseca, diretor da Oncologia do Hospital Heliópolis,aluno do Hospital do Câncer.
Se vocês souberem de alguém que tem esse diagnóstico, me encaminhe por favor! Não há fila de espera Dra. Luciana Cini
Tel. (11) 9563 5430 / (11) 4975 2309"

É isso. Cada um faz o que lhe manda o nariz e a consciência.
E tenho dito!

Por outro lado...
Tudo bem que Vargas, em seu aniversário de suicidio, é história (e eu adoro história). Mas o outro lado dessa estória não pode ser esquecido. Foi, por sinal, muito bem lembrado por Alberto Dines (ahh, o Dines...) do Observatório da Imprensa.

"Mas o grande inspirador do trabalhismo varguista não era brasileiro e, sim, italiano: Benito Mussolini, o líder socialista que no espaço de 10 anos esqueceu o esquerdismo e tornou-se o paradigma mundial do populismo de direita. O espírito e o aparato sindical-trabalhista de Vargas foi vincado no sindicalismo fascista. Só mais tarde, nos anos 1950, é que Vargas interessou-se pelo fenômeno do Labour Party inglês.

É preciso não esquecer que a Ação Integralista Brasileira (com 600 mil filiados em todo país) dava muita atenção à questão sindical. Lourival Fontes, braço direito intelectual de Vargas, era um dos maiores especialistas mundiais em matéria de fascismo.

O Estado Novo de 1937, proclamado por Getúlio Vargas, foi um pastiche do fascismo europeu que, àquela altura, espalhava-se pela Península Ibérica, Áustria, Hungria, Polônia e Romênia.

Os comunistas, socialistas e anarquistas brasileiros não perceberam o perigo desse desvio sindical, absorvidos por outras prioridades e ilusões ? uma delas a tomada do poder pelos militares. A primeira grande desgraça que abateu-se sobre a esquerda brasileira foi a aventureira "Intentona" de 1935 (a segunda foi o "manda brasa" comandado por Brizola em 1963-64).

Ambíguo e complexo

E aqui chegamos a Olga Benário e a uma das maiores e aberrantes omissões neste cinqüentenário da morte de Vargas. Apesar do fabuloso esforço publicitário para o lançamento do filme Olga, de Jayme Monjardim, a mídia praticamente esqueceu o terror do Estado Novo. Não juntou a efeméride ao filme, tratou-os separadamente, com as raras e honrosas exceções (como o depoimento de Ruy Mesquita, no Estado de S.Paulo) que acabam soterradas pela homogeneização..."

Orkut em Português, finalmente?
Ouvi a dica lá no trabalho, e fui checar. É verdade, a galera do Google está contratando um "Coordenador de Suporte para a Língua Portuguesa" para trabalhar com eles em Mountain View, CA. Será que finalmente o Orkut vai ter uma versão em português (demorou, hein? já somos mais de 50% há muito tempo por lá...)

Segundo a página de NEWS do Orkut, o pessoal do Google está à procura de um profissional para suporte de língua portuguesa para trabalhar no Orkut. O anúncio é mais ou menos assim:

"orkut is looking for an Online Portuguese-Language Support Coordinator to work in our Mountain View, CA office!

We have an immediate need for energetic team players to help us manage our relationship with customers of Google's free products and services. The ideal candidate will have a passion for Google and a commitment to providing customers with the best possible experience. This person will act as the primary point of contact for our users worldwide and will work with Google's product, engineering and marketing teams to share customer feedback. An Online Portuguese-Language Support Coordinator will be immersed in Google's fast-paced environment and will be expected to proactively contribute suggestions about how to make the group as productive as possible.

Responsibilities include:

- Respond to user email inquiries.
- Communicate user feedback to engineering and product teams.
- Troubleshoot technical problems and escalate bug reports.
- Monitor customer feedback and product performance.

Requirements:

- Native speaker of Portuguese, preferably Brazilian Portuguese. Written
- Fluency in Portuguese. Strong attention to detail.
- Ability to complete large volumes of work quickly.
- Exceptional oral and written communication skills.
- Significant problem solving and analytical abilities.
- Capacity to thrive in an extremely fast paced environment.
- BA/BS or equivalent.
- Proven track record of exceptional performance, high productivity and meeting deadlines.
- Ability to work cooperatively and proactively with staff inside and outside of the department. "


Até que enfim, né?
Quem se candidata?

(eu só quero saber quando é que vamos ter categorização por estado também no Orkut)

O Brutus vai ter que funcionar por mais uma semana.
Na semana que vem eu coloco ele na oficina.
Pronto. Tenho dito...

UPDATE (25/08 - 22:30)
Não vai rolar. Ele simplesmente se recusou.
Ele está mal.
Amanhã vou levar ele de ambulância (guincho) pra UTI.
Rezem pelo meu carrinho...

Escreví ontem, lá na casa do Lê Fossa, um conto ótimo sobre... sobre... sobre.... sobre tesão e gatos.
Meu caderninho ficou no Brutus, e o Brutus ficou, para variar, na rua....

Quando eu recuperar meu carro e meu caderninho, prometo que posto o conto aqui.

Quanto à fábula do Cavaleiro e o Dragão, ela ainda existe e ainda está sendo escrita.
Quando vocês menos esperarem, o terceiro capítulo aparece aqui...

Estou também revisando alguns dos contos do livro. A Poocah me deu uns toques, eu dei umas sacadas em outras coisas, e o livro deve atrasar só mais um bocadinho, mas vai sair muito melhor.

O escritor vive, e bem. :)

Getúlio está morto.
Ricardo Noblat faz uma retrospectiva do dia 24/08/54 em seu blog para rememorar um dos dias que mudou a história do Brasil, há exatamente 50 anos atrás. (Bem, agora já são 50 anos e um dia, mas eu não pude postar antes). A dica foi do Alfarrábio do Bicarato.

"O "major" Gregório Fortunato é um homem que não rí nunca. Olha as pessoas de cima para baixo, com seu imenso corpo envergando ternos de casemira inglesa e chapéus panamá, tem as unhas finamente tratadas, possui carros de luxo e uma legião de agentes de seguranças recrutados na zona rural de São Borja, terra natal de Getúlio e também a dele.
Enriqueceu à sombra do chefe, que não liga e nunca ligou para dinheiro. É adulado por políticos e empresários, que antes ou depois de passarem pelo gabinete de Getúlio sempre passam por sua sala no andar térreo do Catete. Criado desde criança pela família Vargas, é capaz de matar ou de morrer por ela.
Tudo indica que por ela mandou matar Lacerda e, sem querer, matou o major-aviador Vaz.
O poderoso Gregório cujo perfil tracei acima deixou de existir desde que foi preso por oficiais da Aeronáutica no último dia 11 - menos de uma semana depois do atentado da rua Tonelero.
Na "República do Galeão", Gregório fraquejou pela primeira vez na vida. Depois de resistir impávido até a ameaça de ser jogado de um avião em pleno mar, e de receber a visita do deputado udenista Adauto Lúcio Cardoso que lhe cobrava "o nome do mandante", ele desmoronou ao ver uma edição falsa da "Tribuna da Imprensa" que pensou ser verdadeira.
Diante dos coronéis Adil e Scaffa Falcão, encarregados do inquérito aberto pela Aeronáutica, o "Anjo Negro" de Getúlio leu no jornal que Benjamim Vargas havia confessado ser o mandante do crime - e que fugira em seguida para Montevidéo. Gregório inocentou Benjamim. E desde então se dispôs a contar o que sabe.
Como costuma ocorrer com presos que abrem o bico sob tortura, Gregório deve se dispôr também a contar o que não sabe.
"
(trecho de um dos posts do dia do blog do Ricardo Noblat. este é foi um dos meus prediletos.)

Você pode gostar ou não gostar de Getúlio. Você pode não ter uma opinião sobre ele (eu mesmo não estou bem certo de que tenha uma) ou mesmo mal conhecê-lo. O que não dá pra negar é que o cara foi extremamente importante para o Brasil, da forma como como viveu e governou até a forma como morreu. Se o cara não saiu da vida e entrou pra história, eu sou um blogueiro prolixo (!?)...

Bem, ele saiu da vida e entrou pra história de qualquer forma.
E eu me interesso por história. E você?


UPDATE.

Se isso não ficou bem claro, eu explico de novo. Eu não tenho uma posição a respeito de Getúlio ou dos outros líderes de seu tempo, ou mesmo dos líderes de nosso tempo. Sou um descrente na organização política burocrática que é moda nestes dias. Sou um fã dos grupos organizados e das ordens emergentes, e não me peçam pra me alongar sobre isso novamente agora...
Achei essa sacada do Noblat interessante por seu valor histórico... E por falar em valor histórico, quem é que (assim como eu) também acha que não foi o Getúlio que apertou o gatilho? :)

Daniel Duende agora também é Cultura.



- "a galera está no apuro lá na Cultura Digital, né?"
- "Nooó, Duende. Eles estão doidinhos lá."
- "Então eu vou lá ajudar, véi."
- "Bora lá, cara. A galera vai curtir."
- "Então chama o garçon e pede mais uma cerva..."

Diálogo entre Daniéis

E assim eu fui, e assim eu trabalhei o fim de semana quase inteiro com Claudio Prado e sua Troupe lá no Ministério da Cultura. E assim lá eu estou, feliz e pimpão, pirando com a galera da Cultura Digital. Tem um milhão de coisas pra fazer, e todas elas tem que ser feitas ao mesmo tempo. Os prazos são curtos, o ritmo é caótico e excitante. A galera é boa demais. AMO MUITO TUDO ISSO.

Valeu DPadua, Lelê, Vitor, Uirá, Fred, Claudião e DPadua de novo e Claudião de novo e por assim vai...
Eu adoro trabalhar com vocês :)

terça-feira, 24 de agosto de 2004

Não Amo Muito Tudo Isso

Quando ouvi falar no rádio da tal promoção do McDonald's/Cinemark, achei que ia ser uma boa. Eu estava com fome, estava afim de ir ao cinema com a minha ruivinha e pagar só uma entrada para o casal durango não ia ser nada mau.

A merda é que, como eu já deveria imaginar, existem "letrinhas pequenas" na porra da promoção (que no rádio devem virar algo sub-vocalizado, pq eu não ouvi nada): Os papéizinhos só valem de segunda a quinta, e pra ver uns filmes palhas do tipo "Eu, Robô" e "Chamas da Vingança". Comi sanduba frio a toa, fiquei puto, e agora resolvi que não como mais no McDonalds nem sequer vou ao Cinemark. Pra que pagar mais caro quando existe Sky's e Parkshopping (que cobra só 5 reais a meia na quarta)?

segunda-feira, 23 de agosto de 2004

PISTAS
Um de melhores contos de Luana Selva, para quem sabe ler.

Tinha essa figurinha que vinha em salgadinhos, sabe? Dessas que você coleciona? Pois é, essa era de um desses japoneses olhudos e uns monstrinhos horrorosos. Mania que japonês tem com olho grande e monstros! Enfim, essa tinha escrito a palavra Esperança e nunca saiu do estojo dela. Nem essa figurinha nem um relógio que sempre atrasava. Tanta coisa ia e vinha daquele pequeno ambiente imundo.... É, imundo, porque lavar os estojo era o número 4765 da lista de preocupações que ela tinha.

Bem, o engraçado dessa figurinha é que é uma das muitas que ela ganhou; todas com palavras tipo esperança, amizade, amor, e tal. E ela, às vezes tinha essa mania de procurar sinais, pequenas pistas irônicas que a vida largava para se poder desvendar o mistério final. Às vezes ela tinha mania de refutar essas pistas e transformá-las em coincidências sem sentido. Era muito boa nas duas coisas, por isso nunca se decidia.

Essa era uma fase de brincar de detetive e ela pegou essa figurinha e seu cenho se franziu assim, bem de leve, entende? Ficou olhando para essa figurinha e para o estojo. Desde que a ganhou ela nunca a tirou dali e se, por um acaso, a tenha tirado, a devolveu. A tal da figurinha da esperança sempre ficou com ela enquanto as outras sumiam e reapareciam quando bem entendessem.

Dessas figurinhas a que mais tinha repetida era a da Coragem. Muitas vezes se agarrou a uma delas e usou como talismã, mas de nada adiantou. Depois, em uma dessas fases detetive, percebeu que teve coragem para fazer outras coisas. Aí, desatou a procurar as figurinhas e nada de achar. Olhando a figurinha da esperança percebeu que mesmo tendo aquele tanto de coragem, elas só apareciam quando bem queriam. Às vezes achava uma em qualquer canto. Às vezes sacudia suas quatro casas e não achava nenhuma.

O símbolo da esperança parecia uma estrela cadente; só que ela está subindo, então não é cadente. Cada uma tinha um símbolo. Lembrava-se de quando as colecionava. A que mais queria era a da Amizade, ela adorava o japonês olhudo daquela figurinha. Só que nunca a achou. Comeu milhões de pacotinhos de salgadinho, mobilizou todos os seus colegas que as guardavam para ela. Ninguém nunca achou - ou nunca lhe deu - a da Amizade.


Não queria pensar no que isso poderia significar.


Qual eram as outras mesmo? Ela pensava nas outras naquele exato momento. Lembrava-se de todas, mas eu tenho que fazer um esforço. Esperança, coragem, amizade... Amor, ah, claro! O amor. Estava sempre em algum lugar, próximo a ela, sabia que se resolvesse procurar o encontraria, mas sempre tinha que se ir à caça da figurinha e ela nunca estava disposta a isso. Nuca esbarrou na figurinha do amor, ou a achou ao acaso. Tinha também a Confiança, a única que conseguira todas sozinha, com os salgadinhos que ela mesma comeu. Lembrava-se de achá-la apenas nos lugares mais secretos como se ela se escondesse. Quando descobriu que confiava em apenas três pessoas na sua vida inteira, deu uma figurinha para cada.

A Sabedoria era seu marcador de livros favorito. A Luz se perdeu e ela desconfiava que tinha se escondido na mala de alguém que partira ou que se escondia na caixa de brinquedo das crianças. A outra figurinha ela esqueceu o que dizia.

Parara de andar de relógio já fazia uns anos. Sabe por quê? Porque não conseguia viver sem. Por isso andava com um, no estojo, que sempre atrasava, então, ela nunca olhava. Coisa complicada, não? Ela se levantou da cama com aquela figurinha na mão. Fechou o estojo, guardou na bolsa e foi até a janela. Olhou para a figurinha e respirou bem fundo. Um carro passava lá embaixo e o vento soprava meio forte. Ela gostava do vento, sabe? Sempre confiou nele. Então, foi para ele que ela deu a figurinha, jogando-a pela janela. A viu flutuar por um tempo e depois, enquanto a figurinha caía, ela, sem nem olhar para trás, deitou e dormiu.