Revisando velhas poesias... passando os olhos em mais de trezentos pedaços de passado... apenas 6 ou 7 falam ainda comigo.
onde foi que o caminho se partiu?
Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
quinta-feira, 31 de março de 2005
O amor que lhes cabia
um pedaço de conto, ou um conto despedaçado, de Daniel Duende.
Ele não queria mais do quanto o cabia querer. Do quanto não o cabia, ele queria. Queria até não mais caber em si de tanto querer e sabia, no fundo, que querido era também. Mas naquele quarto feito árido com o fim da noite ele sabia, realista, que querer não mais adiantava. Não havia agora caminho se não entender o que era e não pensar no que poderia ter sido... ou no que poderia ser.
Por trás da porta fechada o mundo gemia ao dormir. Por trás da porta fechada dormiam as lembranças e o querer que agora não cabia. Restava agora aprender a viver com o tanto que tinha. Viver com aquilo que o cabia viver. No fundo sabia que era melhor não esperar nada quando a esperança fazia doer.
No fundo ele sabia do eco de seu querer, mas sobre isso ele calava, solidário. Dizia a si mesmo, sem voz, "vamos ver" e então apagava a luz para ir sonhar. Em seu sonho tudo se parecia, mas nele ela queria querer, e o amor se fazia. Existem na vida coisas que estão além do saber, coisas que são mesmo sem o ser lhes dar onde caber. Isso eles sabiam...
é.
Se o Károl é masoquista, por que é que todo mundo tem que ser também?
Pois assim é no reino do Deus deles...
Weird.
Fugi da ratoeira e comprei ingressos para um esperado show.
Foi a melhor fuga do mês, talvez de alguns meses...
A fuga vale pelo que é, ou por aquilo do que vc foge?
Esta fuga valeu pelo que é, e por quem é.
Ela se chama caminho...
E ela não é uma fuga.
As coisas são tão confusas de se explicar por vezes,
que nos basta aquilo que sabemos.
é.
Olho à minha volta e vejo tantas coisas. Saí da caverna, e o horizonte que era antes apenas feito de pedras com desenhos de meu punho ficou grande. Ganhei dinheiro, conheci pessoas, dei vários passos em várias direções... a vida tomou seus rumos. Mas será que estou feliz?
Tenho meu emprego, posso fazer planos, tenho dinheiro para gastar e tranquilidade financeira... mas não estou feliz. Nem esperava estar. De repente me percebo enfurnado dentro de um trabalho que desprezo, fazendo coisas que considero chatas e nas quais não tenho fé. É uma bizarrice mesmo alguém como eu trabalhando onde trabalho. Eu sei de algumas coisas, sou esperto e sei conectar pensamentos. Tenho boas idéias, sei falar e sei convencer, e aprendo rápido. Mas nada disso é parte do melhor de mim. E nada disso me habilita a ficar trancado dentro de um ministério fazendo projetos e participando de reuniões que são na melhor das hipóteses interessantes, mas que não levam a lugar algum. De repente acordo de manhã e percebo que só aceito isso tudo por causa do dinheiro. É o mesmo que eu fazia na época do Banco do Brasil, é o mesmo que sempre fiz...
Eu ainda não me encontrei, mas neste lugar em que me encontro, eu não estou.
E é por isso que não estou feliz. Pq tenho tantas coisas novas agora, mas não tenho a mim...
E assim passam os dias...
Conflituosas tentativas de um duende dragão de caber dentro de uma sociedade da qual ele não gosta, cujo jogo ele não quer jogar.
eu quero ir embora daqui...
terça-feira, 29 de março de 2005
Segundo Sarau dos Imaginários
Pois o primeiro foi bom... e viva o excesso pq a falta existe e é uma merda.
"Instantes perpétuos que duram apenas um momento,
agrupados com cordas de tesão e engomados
com álcool, resinas e vapores...
E humanidade, muita humanidade...
quente, suada, ruidosa e sensível."
se você sabe que deveria estar lá,
fale comigo ou com o dp.
que a paz reine na terra.
paz após a satisfação sensível...
domingo, 27 de março de 2005
protège-moi
placebo, para quem não entende, e para quem entende muito bem...
C'est le malaise du moment,
L'épidémie qui s'étend,
La fête est finie, on descend,
Les pensées qui glacent la raison.
Paupières baissées, visages gris,
Surgissent les fantômes de notre lit;
On ouvre le loquet de la grille
Du taudis qu'on appelle maison.
Procect me from what i want.
Protect me, protect me...
Protège-moi, protège-moi
Sommes-nous les jouets du destin
Souviens-toi des moments divins
Planant, éclatés au matin,
Et maintenant nous sommes tout seuls.
Perdus les rêves de s'aimer,
Le temps où on avait rien fait,
Il nous reste toute une vie pour pleurer
Et maintenant nous sommes tout seuls.
Protect me from what I want
Protect me, protect me...
protège-moi de mes désirs.
Este é o mal do momento,
A epidemia que se prolonga,
A festa acabou e na saída
Os pensamentos que congelam a razão.
Olhos baixos e faces cinzentas,
Surgem os fantasmas de nossa cama;
Nós abrimos a tranca do portão
Do cafofo que chamamos de casa.
Proteja-me do que eu quero,
Proteja-me...
Somos os joguetes do destino
Lembra-te dos momentos divinos
Pairando, explodindo na manhã,
E então continuamos totalmente sós.
Perdidos os sonhos de amor,
Do tempo em que nada precisava ser feito,
E agora nos resta toda a vida para chorar
E no fim continuamos totalmente sós...
Proteja-me do que eu quero...
Proteja-me...
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é.
sexta-feira, 25 de março de 2005
Em busca de um rosto
Pensamentos de alguém que procura por si mesmo...
Por vezes percebo que o que sinto falta é de mim mesmo.
Um sonho ou um vislumbre, ou um objeto qualquer,
me remete ao passado onde tantos fiapos de minha alma
ficaram presos entre os momentos bons e ruins.
um amanhecer de primeiro de janeiro, um entardecer cansado
depois de um dia de trabalho, o mar estranho e familiar...
estranhos que viram familiares, familias, e tornam-se
novamente estranhos. somos todos estranhos
para nós mesmos e para os outros.
Só queremos nos encontrar, mesmo que não saibamos.
Entro no meu quarto em silêncio, com o livro na mão.
Vejo a aranha no escuro. Ela é pouco mais do que um borrão.
Minha mente fala demais. Demoro para conseguir alcançá-la.
Mato-a sem pensar no assunto e depois me sento.
Tento ler o livro, e consigo.
Zen e a arte da manutenção de motocicletas,
para corpos e almas que querem se consertar.
Daqui há meia hora um amigo meu vem aqui
para cortar meus cabelos.
O tempo até lá é meu. Eu o uso com tranquilidade
enquanto a tarde passa.
Sinto falta de mim mesmo.
Talvez seja por isso que queira cortar o cabelo.
Quero tentar, mesmo que por tentativa e erro,
reconhecer meu rosto no espelho.
Nesta vida sonhei tanto, e consegui tanto,
sem muitas vezes saber o valor,
que no fundo acho que só o que me faltou
durante todo o tempo
fui eu mesmo.
Espero de coração que o passado esteja feliz hoje.
Porque eu, hoje, só posso tentar me fazer presente.
Há tanto de mim que ainda está perdido atrás das montanhas...
E assim passam os meus trinta minutos.
Anseio por meu novo rosto no espelho.
E é isso.
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"I act the role in classic style
of a martyr carved with twisted smile
To bleed the lyric for this song
to write the rites to right my wrongs
An epitaph to a broken dream
to exorcise this silent scream
A scream that's borne from sorrow"
(script for a jester's tear - marillion)
quarta-feira, 23 de março de 2005
Arnold Schwarzenegger matou (de mentirinha) em cada filme:
-Comando para matar 83
-True Lies 62
-O Vingador do Futuro 42
-Conan, o destruidor 25
-O último grande herói 25
-Jogo Bruto 24
-O exterminador do futuro 21
-Conan, o bárbaro 20.
-O predador 19
-O sobrevivente 13
-Inferno Vermelho 07
-O exterminador do futuro II 01
-Júnior -01 (ele dá à luz um bebê e não mata ninguém)
Obs. Não estão computadas cenas de explosão pela dificuldade de se calcular o número exato de mortos.
retirado do site http://www.osvigaristas.novahost.com.br/content-8.html
nada como um dia estressante que termina bem.
agora só falta a cervejinha :)
eu sou uma criatura realmente multifacetada e surpreendente.
por vezes me surpreendo com aquilo que me vejo sendo.
mas uma coisa que eu demorei tempo para aprender é que eu não sou todas as minhas facetas ao mesmo tempo. isso causa alguma confusão para alguns, incluindo eu, quando eu me supreendo conseguindo fazer coisas que eu não sabia que conseguia, e não conseguindo fazer coisas que antes tinha facilidade de fazer.
não é algo que se possa explicar. simplesmente é.
acho que uma das buscas da vida das pessoas é integrar todas as suas facetas, não é?
nascemos cristais e esperamos morrer pérolas...
bem... que seja.
hoje vai ser um dia cheio de trampo.
mas espero resolver todo o trampo até o final dele...
beijundas aos meus 7 leitores. :)
terça-feira, 22 de março de 2005
o país dos atiradores
mulheres, carros, armas... chacinas. como é bizarro o american way of life...
Você ainda fica surpreso quando acontece outra chacina escolar nos Estados Unidos da américa? Isto é muito sensível da sua parte. Em um país onde a política do "ou você está por cima ou você é um merda" vigora, onde até hoje os ex-senhores e ex-escravos não se libertaram de seus papéis ancestrais e se odeiam cada dia mais, um país que não respeita seus índios, que manda seus jovens para uma ou duas grandes guerras por geração para defender sua economia, onde ter uma arma é um direito constitucional e usá-la é muitas vezes questão de patriotismo e masculinidade... (eu poderia continuar para sempre, mas meu senso estético se incomodou com uma frase tão longa). Em suma, em um país de mulheres, carros e armas como os EUA, pessoas se matando umas as outras por motivos estúpidos não deveria mais ser uma surpresa.
Não preciso repisar todas os fatos e tolices exibidos em "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 9/11". Uma boa parte dos que estão lendo este post certamente já viram estes filmes. Sabemos, ou achamos que sabemos, como é o povo norte-americano. Sabemos que eles são um dos povos mais armados do mundo (ultrapassando de longe os seus agora odiados "terroristas-muçulmanos-filhos-de-um-al-qaeda"), se não o mais armado. Sabemos como são competitivos, como pensam em sua maioria (ei, eles elegeram o Bush, ou permitiram que fosse eleito, duas vezes, não foi?), o que comem e como se matam. Há grupos paramilitares que treinam como se fossem um exército "pq é o dever de um cidadão e pq é uma forma de socialização", há sites como o Gunchicks.com que reúnem as paixôes norte americanas por peitos siliconados e rifles de assalto em um só lugar. Enfim. Em um lugar com uma relação tão apaixonada com as armas de fogo, e onde há tantas delas, e tanta gente patológicamente estúpida, como é que pode ser surpresa que alguém surte, pege seu rifle predileto (com um adesivo da National Rifle Association) e saia para atirar em algumas pessoas.
É simplesmente consequência natural do american way of life.
Ou não. :)
Isto é o que acontece quando pessoas se levam tão a sério a ponto de achar que são filhos de uma nação superior, mais poderosa e mais correta do que as demais.
Como dizia o papagaio Marinheiro: "Poovu do Moundu, Relaaxe" :)
São 3:21 da manhã.
Se estivesse dormindo a esta hora, estaria bem acordado e disposto amanhã.
Em vez disso estou cantando e dançando...
Don't believe what you hear
Don't believe what you see
If you just close your eyes
You can feel the enemy
When I first met you girl
You had fire in your soul
What happened your face
Of melting in snow
Now it looks like this
And you can swallow
Or you can spit
You can throw it up
Or choke on it
And you can dream
So dream out loud
You know that your time is coming 'round
So don't let the bastards grind you down
No, nothing makes sense
Nothing seems to fit
I know you'd hit out
If you only knew who to hit
And I'd join the movement
If there was one I could believe in
Yeah I'd break bread and wine
If there was a church I could receive in
'cause I need it now
To take a cup
To fill it up
To drink it slow
I can't let you go
I must be an acrobat
To talk like this
And act like that
And you can dream
So dream out loud
And don't let the bastards grind you down
Oh, it hurts baby
(What are we going to do now it's all been said)
(No new ideas in the house and every book has been read)
And I must be an acrobat
To talk like this
And act like that
And you can dream
So dream out loud
And you can find
Your own way out
You can build
And I can will
And you can call
I can't wait until
You can stash
And you can seize
In dreams begin
Responsibilities
And I can love
And I can love
And I know that the tide is turning 'round
So don't let the bastards grind you down
(acrobat - u2)
Não precisa fazer sentido.
Só precisa ser bom. :)
p.s. curioso, eu juro que senti
um certo cheiro de bode... :)
Já que o fotolog não me deixa postar...
...eu posto aqui mesmo.
Não acredite em tudo que você pensa que vê.
Nossos sentidos nos enganam,
e nossa mente nos enrola.
Nem tudo que você vê ou sente é real.
No fim das contas, o que é real?
O que importa?
Sua mente te engana, cara.
E ela te engana pra caramba,
com seus esquemas complicados
e cada dia mais mirabolantes.
Se você se deixa levar,
ela te sequestra
e toma o controle
e só causa confusão.
No fim das contas nada disso importa.
O que importa é ser feliz.
Mais vale viver mais e pensar menos.
E não tentar entender...
não tentar controlar...
não tentar dominar...
Nâo pense demais.
As coisas são como são, ou não.
(os quadrados A e B da figura são exatamente da mesma cor, do mesmo tom de cinza. eu sei que você não acredita em mim. eu também não acreditava. eu testei no GIMP, eles tem o mesmo valor cromático.)
segunda-feira, 21 de março de 2005
Sabe a sensação de estar dentro de um ônibus que você sabe que está indo para o lugar errado, e você não consegue descer pq seus amigos também estão nele e alguém te pede para tomar a direção por uns momentos mas você sabe que ninguém vai te deixar dar meia volta, ou ir para outro lugar?
(a frase comprida é proposital. leia sem respirar.)
Estou me sentindo assim.
Só me resta então cantar errada a música da lagarta...
A-E-I-O-U
A-E-I-O-U
A-E-I-O-U
U-O-E-I-O-A
U-E-I-A
A-O-E-I-O-U
Não tente entender.
Foi uma piada particular.



