
tudo flui.
Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
quarta-feira, 26 de outubro de 2005
A arte de se começar um livro...
Ganhei o penúltimo livro de Tom Robbins de presente do Lou (our newest Brasilaeiro). O Tom tem um dom magistral para começar livros. Villa Incognito (o livro) começa assim...
"Dizem por aí que Tanuki caiu do céu usando seu escroto como para-quedas.
Isso não é tão ridículo quando levamos em conta o tamanho incomum do escroto de Tanuki.
Tudo bem, é ainda bem ridículo - e não menos só porque em relação à sua massa corporal, o escroto de Tanuki é proporcionalmente maior do que os escrotos de elefantes, baleias e do Grande Gigante Verde (Jolly Green Giant. Eu deixo as minúcias de tradução para minha querida tradutora. N. do T. D.). Naqueles dias seu balão testicular devia ter sido ainda mais volumoso do que é hoje, o que é difícil de imaginar já que suas bolas muito quase arrastam no chão do jeito que são, e qualquer aumento em seu volume iria certamente ter sido um impedimento para a mobilidade se, de fato, não fosse também a fonte de alguma dor. Há também a possibilidade de que Tanuki tivesse (e talvez ainda tenha) o poder de aumentar e diminuir o tamanho de seu escroto à sua vontade.
Ainda, mesmo tendo dito tudo isso, nós temos que conceder que o papel do tamanho anatômico em si na descida (ou descendência. N. do T. D.) de Tanuki não é fácil de determinar, e uma pergunta mais pertinente seria não como o texugo conseguiu usar seu magnífico saco de sementes pra paraquedear até a terra, mas: De onde ele paraquedeou? E por quê?"
(Tradução livre de Daniel Duende para a primera parte de Villa Incognito, de Tom Robbins...)
É por estas e por outras que eu sou fã de Tom Robbins, desde que li a primeira frase de Another Roadside Attraction ("The magician's underwear has just been found in a cardboard suitcase floating in a stagnant pond on the outskirts of Miami." - algo como "As roupas de baixo do mágico acabam de ser encontradas boiando dentro de uma maleta de papelão flutuando em uma lagoa nos arredores de Miami."), o primeiro livro deste escritor que é, ao mesmo tempo também, um guru zen que não pretende ser um guru zen, uma lenda viva da contra-cultura de Seattle, um dos primeiros caras a colocar fotos de negros em um jornal racista do sul dos EUA e o príncipe das frases compridas, compostas, serpenteantes, cheias de vírgulas e curvas. Ele é um mestre,
(e a frase terminada com uma vírgula é também uma homenagem a Another Roadside Attraction)
segunda-feira, 24 de outubro de 2005
a strange kind of love
Peter Murphy
A strange kind of love
A strange kind of feeling
Swims through your eyes
And like the doors
To a wide vast dominion
They open to your prize
This is no terror ground
Or place for the rage
No broken hearts
White wash lies
Just a taste for the truth
Perfect taste choice and meaning
A look into your eyes
Blind to the gemstone alone
A smile from a frown circles round
Should he stay or should he go
Let him shout a rage so strong
A rage that knows no right or wrong
And take a little piece of you
There is no middle ground
Or that's how it seems
For us to walk or to take
Instead we tumble down
Either side left or right
To love or to hate...
é...
gente é um bicho complicado.
seu estrelo no fuá da rede
o site do Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro está quase pronto. Por hora o blog deles já está no ar, mantido, ao que me parece, pelo nosso brincante amigo DPadua.
"Com a proposta de criar um identificador cultural em Brasília, o Grupo
Seu Estrelo e o Fuá do terreiro inventou seu próprio mito, levando em
suas apresentações elementos do cerrado para o imaginário popular.
Formado por importantes tradições, principalmente o Maracatu e o
Cavalo-Marinho, o Seu Estrelo e o Fuá do terreiro vem com um novo
circo de rua, unindo o terreiro e o picadeiro numa singular e moderna
brincadeira, uma manifestação original de grande importância para a
memória cultural do Brasil."
(texto de digulgação)
UPDATE: A autoria do texto acima foi corrigida. Achava que era do DP, mas é da galera toda do Seu Estrelo. É nisso que dá colocar as coisas sem perguntar direito a autoria, duende lerdo!
Entramos no signo de escorpião. Tem sempre alguma coisa diferente no ar quando isso acontece. Hoje choveu, o que já é alguma coisa diferente. Eu fico feliz quando chove. Nem todos entendem meus motivos. Alguns dos que ouvem minha explicação deles são os que MENOS os entendem. Talvez não seja possível explicar...
Entrei em casa cheio de coisas nos braços, um pouco triste talvez, andando com uma dignidade cavalheiresca, lambendo discretamente a ferida... Vou ao banheiro, olho meu cabelo, dou uma bronca em uma barata marrom que andava no chão e depois a mato. Me justifico para com o cadaver dela...
"hoje é um dia complicado, e você não é do tipo que eu gosto."
Ela não entendeu nada. Já estava morta.
Eu, por outro lado, me sinto muito vivo. Meu senso de humor continua aqui. Eu continuo aqui, talvez me sentindo mais só, mas ainda aqui. Tudo está bem nos meus reinos de Alriada. A vida segue, de seu jeito estranho e meio sacaninha, mas sempre fantástico. Não é fácil fazer as coisas do meu jeito, mas parece que vale a pena.
vocês também conversam com baratas mortas?
p.s. dá para acreditar que quando eu digo uma coisa eu quero dizer exatamente aquilo? então tá bom. não me interpreta pq eu não sou bíblia... :)
sexta-feira, 21 de outubro de 2005

All around me are familiar faces
Worn out places, Worn out faces
Bright and early for the daily races
Going nowhere, Going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, No expression
Hide my head I want to drown my sorrows
No tomorrow, No tomorrow
And I find it kind of funny, I find it kind of sad
These dreams in which i'm dying, Are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad World, Mad World
Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
And they feel the way that every child should
Sit and listen, Sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, No one knew me
Hello teacher tell me whats my lesson
Look right through me, Look right through me
And I find it kind of funny, I find it kind of sad
The dreams in which i'm dying, Are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad World, Mad World
Enlargen your world
Mad World...
é...
Estava pensando:
Muitas vezes vc vê uns artistas por aí com uma puta cara de angustiado. Sabe qual o motivo (tirando, claro, os casos dos poseurs que acham bonitinho ficar com cara de angustiado)?
De vez em quando a gente quer dizer alguma coisa, precisa mesmo, e não sabe o que é nem muito menos como dizer. A gente sente, a gente sabe que está ali - consegue passar a língua, sentir - mas não sabe nem o que é nem como dizer. Daí a cara de angústia. É um tipo de constipação simbólica.
Dói pra caramba, sabia?
Não sei tudo que falo e não falo tudo que sei.
Por vezes preciso que me digam novamente
tudo aquilo que eu disse.
Quem nunca se perdeu de sua própria sabedoria,
levado pelas marés da vida maluca da cidade?
Este mundo se tornou um lugar estranho.
Leva tempo para se aprender a viver de verdade aqui.
Alguns apenas sobrevivem...
Eu quero aprender.
A compreensão de algumas das coisas mais importantes da vida se dá sem palavras.
Certas coisas se perdem quando são palavreadas. Outras simplesmente não fazem sentido se você parar para pensar nelas, embora sejam reais e óbvias quando você as sente.
Mais vale sentir do que fazer sentido.
Algumas perguntas são importantes. Outras são inúteis.
Mas é sempre bom estar atento para si mesmo e para seu mundo...
...vc pode aprender coisas úteis que te responderão perguntas que vc ainda nem formulou.
Somos criaturas de fluxo. Por vezes é necessário se questionar, e até se desmontar inteiro, para que se possa estar sempre em contato com aquilo que se é. É necessário se reencontrar, reinventar seu modo de ser a cada momento, para não se tornar uma casca antiquada repleta de passado e de coisas que não se parecem mais com você.
Ou será que este é apenas o credo de um escorpiano apaixonado pela "morte-renascimento"? :)
terça-feira, 18 de outubro de 2005
E que rumos tomou a minha luta com a VIVO?
A maldita empresa ganhou o primeiro round.
Fui hoje ao PROCON-DF (para quem não sabe: a sede fica no Venâncio 2000, bloco B-60, segundo andar) para tentar cair em cima da VIVO por quebra de contrato, afinal no contrato eles dizem que vão me prover serviço de telefonia, coisa que não fizeram durante os últimos dias. A atendente do PROCON, a quem aliás devo meus parabéns pelo excelente atendimento (bem humorado, eficiente e honesto), me informou que o PROCON não tem o poder de pressionar a VIVO a quebrar o contrato e, mais do que isso, que eu poderia eventualmente perder a causa se fosse no tribunal de pequenas causas. O juiz poderia entender que a VIVO não me prestou o serviço nos últimos dias MAS que eu também não paguei pelos serviços prestados durante muitos dias, e que estamos quites. Desta forma eu acabaria tendo que pagar pelo "incômodo" que arranjei para a VIVO, o que sairia meio caro.
Cancelar meu contrato sairia também um tanto caro, pois a VIVO me tem escravizado num daqueles malditos contratos de fidelização de dois anos...
Por hora continuo então com o meu telefone da VIVO, com o mesmo número (agora religado, graças à adorável atendente do PROCON), esperando o final do meu contrato em fevereiro de 2006. Espero que a TIM tenha um celularzinho bonito e com câmera para me oferecer então... :)
Assim termina a história, por agora...
EPIC, um épico sobre o google.
Dois produtores/jornalistas norte americanos lançam dois curta-metragens em flash conjecturando sobre o que pode ser o futuro do Google. Para alguns os filmes são apenas uma viagem bem feita (ou não), para outros um exercício razoável de futurologia. O que fica claro depois de assistir os dois filmes é que o oráculo digital tem poderes épicos...
Assista e verá.
Epic 2014
Epic 2015
Como disse a Elly em seu post, retirado do IDG Now:
"Em "EPIC 2015", um filme de oito minutos criado pelos jornalistas norte-americanos Matt Thompson, do Star Tribune de Minneapolis, e Robin Sloan, da emissora de TV por satélite Current (que juntos tem um blog aqui, pelo que descobrí), o Google de hoje é transformado em um império de informações tão influente que ameaça acabar com a mídia, fazendo-a perder o sentido da própria existência por não exercer mais justamente o papel de informar - tudo isso daqui apenas dez anos.
Imagine o cenário: No dia 4 de agosto de 2011, o jornal The New York Times perde uma ação contra o Google na Suprema Corte dos Estados Unidos, na qual tenta impedir que o mecanismo de busca utilize robôs para reescrever notícias e reportagens de acordo com os gostos do leitor, alegando infração das leis de direito autoral.
A decisão marca uma vitória histórica para o Google, que três anos antes havia se fundido com a Amazon.com. Combinando a tecnologia de buscas do Google e o mecanismo de recomendação social da Amazon, as duas companhias criam o Googlezon, um serviço bombástico que permite a personalização total e automática de conteúdos, notícias e propagandas para os seus usuários.
Em uma demonstração de protesto, o The New York Times deixa de publicar notícias online, virando uma espécie de newsletter impressa destinada aos mais velhos e à elite financeira e intelectual, de acordo com o filme.
GoogleGrid
Thompson e Sloan mostram, então, o Google expandindo os seus negócios para depois combinar os recursos do Blogger, do GMail e do Google News - mais o sistema de recomendação da Amazon - para criar o Google Grid, uma plataforma universal que serve para os usuários armazenarem e compartilharem informações.
A companhia refina o seu algoritmo de busca e começa a construir notícias dinamicamente, coletando sentenças e fatos de diversas fontes para depois recombiná-las de acordo com os interesses do usuário.
Em 2014, o Google cria o EPIC - Evolving Personalized Information Construct, um sistema próprio de categorização que filtra e divulga as notícias. Usuários de todo o mundo podem contribuir com novas notícias e dados, sendo recompensados com uma pequena fatia da receita de publicidade do Google, dependendo da popularidade da contribuição.
As informações são entregues ao internauta do futuro de acordo com os hábitos de consumo, dados demográficos, seus interesses e até os de seus amigos mais próximos."
(leia o post na íntegra no blog da Elly)
Assistiram aos dois filmes? Assistam os dois em ordem, e notem como o segundo filme (EPIC 2015) redireciona a história, tornando-a ainda mais verossímil (e com um final um pouco mais esperançoso...).
Outro detalhe...
Ninguém falou do Orkut.
Comentário final:
Só o Xemelê pode nos salvar. :)
sábado, 15 de outubro de 2005
Depois da dica muito útil da Malulu, dei um descanso para o meu XMMS (que já não aguentava mais tocar Host of the Seraphim do Dead can Dance) e comecei a ouvir web-radios irlandesas. Elas são boas... MESMO. Experimente estas aqui:
| Dance Pirate radio station / Dublin - Irlanda |
| Alternative - Webcam / Dublin - Irlanda |
A lista completa está aqui.
Abraços verdes e would-be-irish para vocês todos. :)


