Mais um belo dia nublado...
Mais um dia de inspiração e trabalho.
p.s. acho que vou publicar os dez primeiros capítulos de O Cavaleiro e o Dragão no Overmundo, enquanto trabalho no décimo primeiro capítulo para nós :D
Duende é atualmente o Coordenador do Global Voices em Português, site responsável pela tradução do conteúdo do observatório blogosférico Global Voices Online, e vez por outra colabora com o Overmundo. Mantém atualmente dois blogues, o Novo Alriada Express e O Caderno do Cluracão, e alterna-se em gostar ora mais de um, ora mais de outro, mas ambos são filhos queridos. Tem também uma conta no flickr, um fotolog e uma gata branca que acredita que ele também seja um gato.
sábado, 30 de setembro de 2006
"...não conseguia respirar. Não conseguia sequer saber onde estava, mas parecia haver muito verde. Havia muita pele também, mas era uma pele rugosa e fofa demais. Tentava se mexer, mas sentia que estava parcialmente preso sob algo que se mexia sobre ele. Parecia ser parte de um enorme corpo. Um corpo muito maior do que ele. Mas quando olhou para o que o prendia e esmagava, compreendeu que não era áspero ou sequer táctil... Era cacofônico! Nâo era carne que o esmagava, mas palavras. Milhares delas, entrelaçadas, repetindo-se e se enroscando sem parar... escorrendo viscosas umas sobre as outras e formando uma enorme lesma que o esmagava sob uma das voltas de seu corpo vermiforme. Ele quis gritar, mas não gritou. Apenas tentou, meio engasgado, se libertar daquela aberração. Foi então que o horror maior o atingiu: Aquela grande lesma de palavras, cacofônicas e esmagantes, era parte dele mesmo. Era sua própria mente...
Antes de ser esmagado, a última coisa passou-lhe pelo peito foi: Então é assim que é minha mente...?"
Um pesadelo muito simbólico...
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Acordo de um salto, olho para o dia ensolarado com uma certa perplexidade -- onde foram parar minhas nuvens? Mas então a memória me retorna do mundo dos sonhos e eu pulo da cama. Hoje é dia de limpar o Brutus, e eu tenho que comprar açúcar e escrever uma linda poesia.
É.
Não é hora de ficar caçando nuvens...
quinta-feira, 28 de setembro de 2006
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
terça-feira, 26 de setembro de 2006
domingo, 24 de setembro de 2006
sábado, 23 de setembro de 2006
Curiosos para saber em que contos eu estava mexendo? Tudo bem. Eu conto. :D
Dei uma trabalhada em cima do "Pedaços Humanos" (aquele velho conhecido, que é meu screensaver) e no "Conversa de Botas Batidas" (que estava fofinho demais...). Depois disso trabalhei um bocado no "Violeta no Vaso" (agora ele sai!) e no "A Moça Acenando na Janela" (putz, eu gosto de colocar "janela" no nome dos meus contos hein? puta que pariu!).
O conto novo? Deste eu só conto que se chama Zaratã, e é meu primeiro experimento com fábulas brasileiras... :)
...e então a chuva veio.
Acordei cansado. É mais uma destas piadas da vida...
Justo quando a inspiração e o glamour retornam, um virus influenziano oportunista (uma péssima influência, deveras) se aloja no meu corpo. Mas não tem problema não...
Apesar de estar me arrastando, tive ânimo para escrever um bocado antes do almoço (aliás, escrever REALMENTE um bocado. metí o dedo em pelo menos 4 contos antigos e um conto novo ao longo da manhã). Depois do almoço, passeio (também arrastado, mas valeu a pena) por brechós, buscando sabe-se lá o quê. Dizem algumas fadas que "quando você sabe o que procura, é mais fácil de achar. Mas quando você simplesmente sabe que tem que procurar por algo, sabe-se lá o quê, por vezes os deuses te presenteiam com aquilo que você estava procurando e não sabia." Encontrei uma coisa inacreditável: um fardão da marinha, com um fraque longo e aqueles tradicionais botões dourados (e aquele mítico galardão nos ombros...). Glamour puro!
É claro que eu comprei. Vou ver o que os imaginários com mais habilidades manuais do que eu me sugerem. Acho que posso transformá-lo em uma farda imaginária muuuuito glamourosa! :D
De volta ao ninho, derrubado, quase me arrastando até a cadeira, consegui resistir â tentação de dormir. Ainda estou aqui, lutando contra linhas e palavras, polindo velhos contos. Até o fim do dia, haverá um bocado para publicar... espero.
É tão bom sentir-me inteiro, pessoa-escritor-duende de novo!
...e então a chuva veio para nos abençoar a todos!
Que os Deuses abençoem nossos caminhos!
P.S. Enquanto isso, continuo meio sem saco de passar minhas fotos pro meu deviantART. Eventualmente eu farei isso...
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Retomando o Glamour...
Acabei indo dormindo bem mais tarde do que o planejado. Mas, até aí, nada demais. Eu raramente faço aquilo que planejo...
De qualquer forma, valeu a pena. Depois de conseguir me arrancar da frente do computador (o que foi muito salutar pois, para variar, não estava fazendo nada de belo...), resolví enfim começar a ler o Noites Sem Fim que a Luana Red and Golden me emprestou. Nem tenho palavras para agradecer. Aquelas histórias me trouxeram de volta!!!
Acordei com a alma fervilhando de imagens e histórias para contar...
Tantas, que foi difícil escolher por onde começar. Desde então, estou mergulhado freneticamente em fazer miríades de coisas ao mesmo tempo...
Ajeitar meu perfil no DeviantART, passar as vistas no Overmundo, revirar e revisar velhos contos, escrever (ou não escrever, e acabar esquecendo) fragmentos de poesia e prosa...
Estou transbordando cores e palavras!
Alguma coisa boa há de sair disso...
vontades proprias by ~cluracan on deviantART
Tenho muito a fazer...
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
divagando sobre Pirsig...
De vez em quando Robert Pirsig dá uns nós na minha cabeça. Mas para desfazer nós basta dividir os nós com os nós da nossa rede...
(16:19:02) Duende: Pirsig deu mais um nó na minha cabeça...
(16:19:03) Duende: :)
(16:19:08) dpadua@xemele.cultura.gov.br: é?
(16:19:10) dpadua@xemele.cultura.gov.br: que nó?
(16:21:23) Duende: nem sei explicar direito. é na parte do livro em que ele começa a evidenciar o conflito entre a moralidade biológico-social e a moralidade sócio-intelectual, e apresenta como estes conflitos de moralidades podem explicar a paralização intelectual e social que nos impede de conseguir endereçar os conflitos advindos da decadência dos valores vitorianos e do fracasso da revolução cultural de sessenta em produzir novos padrões morais....
16:22
(16:22:31) Duende: em suma... a criminalidade, o desespero e a falta de rumo e sentido das vidas contemporâneas tem algo a ver com a destruição dos velhos padrões morais sem a construção de novos padrões morais sócio-intelectuais, o que nos leva a buscar no passado (nos velhos padrões) uma resposta para evitar que caiamos novamente nos conflitos biológico-sociais da pré-história, o que acaba acontecendo.
(16:22:39) Duende: bem... eu disse que não era fácil de explicar.
(16:22:44) Duende: :)
(16:23:11) dpadua@xemele.cultura.gov.br: mas eu entendi.
(16:23:26) dpadua@xemele.cultura.gov.br: é a moral do confronto morrendo e a moral da confraternização nascendo.
(16:23:31) dpadua@xemele.cultura.gov.br: we need a new socrates.
(16:23:39) Duende: o "nó" é lidar com a idéia de que os padrões antigos podem ser uma solução melhor do que a decadência dinâmica, que não se estrutura e portanto nos leva a nos perdermos cada vez mais em problemas que a sociedade romana já havia solucionado...
(16:24:21) dpadua@xemele.cultura.gov.br: pois é.
(16:24:25) dpadua@xemele.cultura.gov.br: eu tbm tô nesse nó
(16:24:27) Duende: Pirsig diz que para que haja confraternização (e boas intenções e atos) entre as pessoas é necessária uma reestruturação de valores sociais e intelectuais que não é possível pois não temos ponto de partida. O que acontece é que estamos caindo sem parar...
(16:24:58) dpadua@xemele.cultura.gov.br: sim... "onde é a cordinha do pára-quedas?", diria didi mocó
(16:25:20) Duende: Passamos 50 anos atacando a última moralidade que possuíamos. Agora só nos resta a moralidade biológica que acaba subsumando a moralidade intelectual...
(16:25:56) Duende: Pirsig defende que apenas uma revolução moral e ética pode solucionar o "ralo" degenerativo por onde nossa cultura está escoando.
(16:26:18) Duende: nem a inteligência nem a socidedade conseguem solucionar o problema, pois paralizam uma à outra.
(16:26:50) Duende: A Metafísica da Qualidade apresenta que a falha em perceber que uma pessoa é um conjunto de padrões químicos, biológicos, sociais e intelectuais independentes nos causa uma paralisia.
16:27
(16:27:32) Duende: Tipo... você dizer que "depois que aquelas famílias de negros se mudaram para o bairro a criminalidade aumentou" não é uma afirmação racista. È apenas uma afirmação cujo nexo causal está distorcido.
(16:28:33) Duende: a criminalidade não aumentou porque as famílias tem pele negra. ela aumentou porquê as famílias, indiferente da cor de suas peles, apresentam uma moralidade biológica que defende a idéia do "roubo" e da "prevalecência do mais forte" que conflita com os padrões morais vigentes anteriormente.
(16:29:18) Duende: Roubo é uma forma de tomar para sí aquilo que se quer/precisa. É uma violência contra os padrões de propriedade que possuímos. Mas o Roubo é um elemento de uma moralidade biológica que se evidencia quando a moralidade social falha em prover para as necessidades de todos.
(16:29:23) Duende: Entende mais ou menos o problema?
(16:29:55) Duende: E isso não tem NADA a ver com os padrões biológicos das famílias (cor da pele, tipo de cabelo, etc...). Tem a ver com padrões sociais, ou com o fracasso deles...
(16:29:56) dpadua@xemele.cultura.gov.br: entendo 100%
(16:30:24) dpadua@xemele.cultura.gov.br: mas não entendi como vc está contextualizando o nó "global" na sua vida
(16:31:18) Duende: só que nossos padrões intelecutais que não distinguem entre padrões biológicos e sociais confundem tudo, e transformam a afirmação de "aquele negro é um ladrão" em uma afirmação racista. Não é, pois esta afirmação difere de "aquele branco é um ladrão" apenas na evidenciação de um elemento do padrão biológico, que nada tem a ver com o padrão social.
(16:31:39) Duende: não é um nó global em minha vida. é um nó na minha percepção de questões de sociedade e pensamento.
(16:31:53) Duende: refinando a questão...
16:32
(16:32:20) Duende: o que estou enxergando é que vivemos um tempo de enorme CONFUSÂO de níveis estáticos, e estas confusões nos levam a falhas paralisantes de percepção.
(16:32:37) Duende: na verdade conforme estou te explicando, o nó vai se desfazendo.
(16:32:40) Duende: vamos fumar um cigarro? :D
(16:34:44) dpadua@xemele.cultura.gov.br: hehehehehehe
(16:34:45) dpadua@xemele.cultura.gov.br: vamos
(16:34:53) dpadua@xemele.cultura.gov.br: mas espera só uns 15 minutos,
(16:34:56) Duende: belez.
(16:35:01) dpadua@xemele.cultura.gov.br: que to resolvendo o registro do site do balaio café
(16:35:08) Duende: é o tempo de que preciso tb para baixar as fotos e publicar esta conversa :)
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terça-feira, 19 de setembro de 2006
Preciso reencontrar meu tempo e meu momento de escrever.
Estou secando sem palavras e sem glamour nesta cidade seca!
Sinto falta daquele escritor que mora dentro de mim...
Sinto falta da chuva...
"Você acorda com o despertador, mas não está realmente acordado. De fato, você não esteve realmente acordado desde... desde que se lembra. Sentado na cama, um tanto relutante - você não quer ir para o trabalho - tenta se lembrar de seus sonhos. Não consegue lembrar-se nem sequer se sonhou. Lembra-se vagamente dele, do outro, e da forma como ele olhava pra você, mas não sabe se o sonhou ou se só o imaginou. Todas as perguntas já desapareceram quando você começa a escovar os dentes, balançando para um lado e para o outro e morrendo de sono. Você não está realmente acordado, mas está de pé. Tem que se contentar com isso. Ao menos não vai perder a hora novamente. Se ele estivesse alí, lembraria você de perguntar a si mesmo quem é você. Você provavelmente não saberia a resposta. Você não está acordado o bastante para isso.
Cambaleante, com a cabeça vazia e um bocado tonto, você começa a se vestir. Tenta se lembrar se bebeu ontem, ou se ficou acordado até muito tarde. Você quase sempre faz alguma das duas coisas. Passando o dia inteiro no trabalho você não tem muito tempo para dedicar a você mesmo. Não que você utilize muito bem o tempo que rouba do seu sono. Você não presta muita atenção na roupa que veste. Uma calça e uma camisa que você usou apenas uma vez nos últimos dias, as botas de sempre, um casaco para a chuva do fim do dia. Você tem que economizar roupas, pois a lavanderia está cara e você não é muito bom com o dinheiro. No caminho até o carro você fica ofuscado pelo sol e se lembra que esqueceu os seus óculos escuros. É uma forma levemente ruim de começar o dia."
(trecho inicial de Acorda pra Sonhar, um velho conto inacabado que eu faria muito bem em retomar...)





